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24.9.15

Chapéus há muitos!



«Na "Canção de Lisboa", o Vasquinho dizia, empolgado: "Chapéus há muitos!" E, nestas eleições, está a provar-se que existem para todos os gostos. A táctica da coligação governamental assenta em dois tipos de chapéus, consoante o momento.

Passos Coelho e Portas distribuem diferentes estilos de chapéus pelos portugueses consoante a ocasião. Tanto pode ser um panamá, um de coco ou uma cartola. Ou, nos momentos mais popularuchos, uma boina. (...)

Os chapéus servem para dar conforto à cabeça, para a proteger do sol e da chuva e para ser uma imagem de marca. A coligação usa-os para esconder o passado recente que não deseja discutir. Se há uma vitória clara da coligação sobre o PS é a notável capacidade que está a ter para apagar quatro anos de governação em que Portugal foi o laboratório de uma austeridade expansiva e onde se cortou salários e pensões, se avançou para a destruição da escola pública e se transformou os impostos numa canga cada vez mais pesada. Onde se empobreceu Portugal económica, social e culturalmente como nunca antes se fizera.

Nenhum chapéu ou boina escondem os dados do INE, aterradores: entre 2011 e 2014 cerca de 485 mil portugueses foram convidados a emigrar. De outra forma imagina-se em que chapéu caberia o número de desempregados. A política, "à Vasquinho", da coligação serve, para já, os seus objectivos. Mas os chapéus acabam sempre por se esgotar.»

Fernando Sobral

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