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25.11.15

A indigitação



«O duelo entre Cavaco e António Costa terminou sem ninguém cair no chão, sem vida. Porque o próximo primeiro-ministro limitou-se a acenar diante de um PR que já só tinha balas de pólvora seca. Agora António Costa tem um desafio enorme pela frente, contra todos os Adamastores. Mas terá o poder. E isso não é algo desprezável.

Deixa feridos pelo caminho: Cavaco, que com as suas "exigências" se transformou num ex-Presidente; e Passos Coelho e Paulo Portas, que vivem o mesmo destino do ancião que perdeu o relógio na rua mas, às tantas, confusos, já não sabem se perderam alguma coisa. Todos eles querem que o país saia de um beco, mas não reconhecem que são eles próprios que estão num beco. A questão é que o país de carne e osso não está a ser discutido nestes momentos de hiperactividade política.

Cavaco queria um governo "fast-food", encomendado pelo telefone. Mas não o vai ter. Terá um Executivo que, no meio de múltiplos interesses divergentes, assumirá os compromissos europeus e orçamentais. Cavaco perdeu o norte por causa da derrota do PSD/CDS para formar Governo. Costa, curiosamente, oferece-lhe uma bússola para sair de Belém. Agora tudo terá de ser rápido. Mas ficarão outros duelos por cumprir. E, esses sim, iniciarão outro tempo na política portuguesa.»

Fernando Sobral
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