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24.12.15

Entrevista com Deus - balanço de 2015



«Negócios: Em tempo de balanços, pareceu-nos correcto entrevistar a mão que embala o berço da humanidade. Connosco, para fazermos um resumo de 2015, temos, Deus.

Olá, Deus. Obrigado por estar aqui hoje, quando, provavelmente, preferia estar a fazer as compras de Natal.

Deus: Eu não festejo o Natal. O Natal é uma festa do consumismo. Uma espécie de sonho húmido do ministro Centeno. Eu só festejo a austeridade. Mas festejo em grande. (…)

Negócios: Como viu as eleições no nosso país. Acha que Costa fez batota?

Deus: Eu não quero mistura com políticos. Sou um bocado como deputado do PAN. Estou lá, mas é como se não estivesse. Confesso que sei o que se passa na vossa Assembleia da República mas, não é por querer, é porque a Heloísa Apolónia fala muito alto. (…)

Deus: Eu estive para impedir a aliança de esquerda em Portugal. Não fosse o discurso de vitória do Marco António Costa e agora o PàF era Governo. Mas aquilo irritou-me. Ai, já ganhámos e vamos ser Governo – não é assim.

Negócios: O futuro a Deus pertence.

Deus: Não é isso. Detesto gente que maltrata a Matemática. O meu filho era péssimo. Porque é que acha que o enviei à Terra?

Negócios: Para nos salvar a todos?

Deus: Não. Foi castigo por causa das notas a Matemática. É inadmissível que escrevam, sobre o filho de um Deus perfeito: "Jesus Cristo que não sabia nada de finanças". O meu filho só era bom com parábolas.
A Matemática é a mãe do Universo. Andámos uns anos, mas ela fugiu com um sociólogo. Por isso é que eu enviei o Crato à Terra: para que todas as crianças do quarto ano soubessem cálculo integral e brincassem com integrais no recreio.

Negócios: Houve alguma coisa que tenha feito em 2015 de que se tenha arrependido?

Deus: Nem por isso. Até porque se eu quiser volto com o tempo atrás e faço outra vez. Mas talvez tenha estado pouco atento ao drama dos refugiados. Confiei na Europa. Não se pode. Para o ano estou a pensar fazer uma guerra mundial para ver se voltam a recuperar os grandes princípios e ideais europeus. É matemático.»

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