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28.12.15

Tempo de brindes e favas



«Há uma tradição que se perdeu. Os bolos-reis deixaram, talvez por não ser politicamente correcto, de ter brindes e favas. Ou talvez porque os brindes deixaram de sair aos portugueses. E estes só têm de se contentar com favas sucessivas: são eles que pagam sempre os desvarios alheios.

Neste Natal após a "saída limpa", que agora parece ter sido uma "saída encardida", a fava maior foi a do Banif, óptima para pensarmos na consoada sobre o que não desejaríamos para Portugal nem em 2016, nem nos próximos anos. Sobretudo não desejaríamos que a elite fosse económica com a verdade. E que a partilhasse. Algo que só faz no momento de aumentar impostos e de pedir mais sacrifícios a um país pobre. A fava do Banif saiu ao novo Governo, porque o anterior preferiu, com a militante ajuda do Banco de Portugal, apresentar apenas brindes. (…)

O último momento de humor foi da responsabilidade de Cavaco Silva que veio dizer que "observando a Zona Euro, verificamos que a governação ideológica pode durar algum tempo, faz os seus estragos na economia, deixa facturas por pagar, mas acaba por ser derrotada pela realidade". Julgar-se-ia que Cavaco estava a disparar na direcção do Governo de Passos Coelho, o mais ideológico desde o de Vasco Gonçalves, mas não. Os seus alvos são os gregos e, presume-se, António Costa. Há quem não entenda que o pragmatismo é uma fava.»

Fernando Sobral

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