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15.12.15

Uma prenda de Natal



«Quando a situação se começa a deteriorar costuma dizer-se, parafraseando Shakespeare em "Hamlet", que: "Há algo de podre no reino da Dinamarca". E a Dinamarca, por estes dias, chama-se Banif.

Como nos próximos poderá chamar-se Novo Banco. Duas caixas de Pandora deixadas por Maria Luís Albuquerque nas mãos de Mário Centeno como prenda de Natal. Como adenda está incluído o cartão de desculpas: o Banco de Portugal dirá que nada teve a ver com o estudo da venda do Banif ou, sequer, com uma solução que vai sugar mais dinheiro dos contribuintes.

Nada de admirar: desde a chegada da troika que as relações entre o Estado, o BdP e os bancos anémicos são um segredo de Polichinelo: parte do dinheiro era para tornar saudável o sector financeiro. Foi? (...)

Esta prenda de Natal, deixada à porta do ministério das Finanças, não deixa no entanto de fazer esquecer um elefante que está de quarentena: o Novo Banco. E que está parqueado no Banco de Portugal e no Fundo de Resolução que este gere. A eloquência gongórica de Carlos Costa não dissipará para sempre as nuvens ameaçadoras que esse problema transporta. Até porque, neste caso, o BdP deixou de ser o mordomo protector do ministério das Finanças: está na mira deste.»

Fernando Sobral
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