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7.2.15

João Bénard da Costa, 80



O João nasceu em 7 de Fevereiro de 1935. Faria hoje 80 anos.

Na memória colectiva, ficou certamente ligado sobretudo ao cinema, como director da Cinemateca, antes como coordenador do respectivo sector na Fundação Gulbenkian, desde sempre por causa da sua paixão pela 7ª arte. Talvez nem todos se lembrem de que foi também actor em onze filmes de Manoel de Oliveira e num de João César Monteiro (e bem recordo o entusiasmo com que se estreou nas filmagens de O Passado e o Presente, em 1972).

Escreveu livros, esteve desde sempre ligado à aventura que foi a história da Editora Moraes, lançou, em 1963, O Tempo e o Modo e foi o seu elemento central durante toda a primeira fase da revista. «Católico progressista» quase avant la lettre, foi também um dos primeiros a deixar o barco, pelo menos como elemento activo.

Mas, para mim, ele ficou sobretudo como um entre muitos amigos de um grande grupo de fronteiras variáveis, com quem atravessei uma das épocas mais importantes da minha vida, não só em militâncias várias mas no entusiasmo inesquecível de todas as vivências de juventude na segunda metade dos anos 60. Foi também um dos elementos de uma família extraordinária que me «acolheu» como amiga próxima e a quem devo, sem dúvida, uma parcela importante daquilo que hoje sou.

A Arrábida foi uma das maiores paixões da sua vida, a ela me ligam também muitas recordações de longas semanas na casa da família Bénard da Costa, em Alportuche, ainda sem electricidade, das intermináveis conversas noite fora à luz da vela, com o mar de um lado e o Convento incrustado na Serra do outro, da festa pela chegada do primeiro gira-discos a pilhas, vindo dos Estados Unidos, dos dramas de amores e desamores.

Passaram-se décadas, o mundo mudou radicalmente, outros partiram como o João. Hoje mesmo, morreu Manuel Lucena, um seu compagnon de route que fez 77 anos neste 7 de Fevereiro. É uma geração que vai naturalmente desaparecendo. Mas que deixará uma forte marca.

[Republicação modificada]
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Lido por aí (229)


@João Abel Manta

* A Game of Chicken (Paul Krugman)

* As novidades chegam tarde à província (Mariana Mortágua)

* História da Ajuda à Grécia (aos quadradinhos) (José Gusmão)
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Ó António, diga qualquer coisa, porra!



Miguel Sousa Tavares, no Expresso de 07.02.2015:

«Numa longa entrevista de três páginas ao “Público”, anteontem, António Costa diz coisas muito acertadas, faz diagnósticos muito correctos sobre o país e a Europa, mas, se me perguntarem hoje o que disse ele de novo ou de importante (considerando que até aqui não tinha dito rigorosamente nada), confesso que não me consigo lembrar de coisa alguma, só generalidades inócuas. (...)

Totalmente alheado daquilo que os portugueses pensam e discutem ou daquilo que vai acontecendo no Parlamento — cuja bancada confiou à contagiante liderança de Ferro Rodrigues —, Costa dá-se ao luxo de planar acima de tudo, decerto confiante de que quem conseguiu derrotar António José Seguro só pode depois ter o país aos pés. (...)

Mas ele vai andando por aí, ora na pele de presidente da Câmara de Lisboa ora na de secretário-geral do PS. Mas nunca, que eu tenha reparado, na de líder da oposição e candidato a primeiro-ministro. Tem um dom particular para falar sempre fora da agenda do debate público, contornando as questões e os obstáculos com a elegância de um patinador artístico. (...)

Acho muito bem que quem quer ganhar eleições não se entretenha a vender ilusões e promessas vãs que depois não irá cumprir. Disso, já tivemos dose que baste. Mas uma coisa é não fazer promessas enganosas, outra é não fazer nada, não dizer nada, que depois possa ser cobrado. Até porque o que há de mais sério, hoje em dia, é prometer que não se repetirão as promessas que, no passado, serviram para ganhar eleições e deixar-nos arruinados. Mas entre a oportunidade e o oportunismo vai uma grande diferença. Quando achará António Costa oportuno dizer alguma coisa?»

Na íntegra aqui.
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Esparta não se renderá a Berlim?




Nicolau Santos, no Expresso diário de 06.02.2015:

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6.2.15

Lido por aí (228)

François Truffaut, 1932



François Truffaut nasceu em Paris em 6 de Fevereiro de 1932. Faria hoje 83 anos, morreu muito cedo (com 52), mas deixou-nos 26 filmes que o mantêm connosco. Com uma infância atribulada, que acaba por retratar parcialmente em «Les quatre cents coups», Truffaut fundou um cineclube aos 15 anos e foi rapidamente descoberto por André Bazin que viria a ter uma influência decisiva na sua carreira, introduzindo-o junto dos grandes nomes da época e nos celebérrimos «Cahiers du Cinéma». Tornou-se um dos principais representantes da «Nouvelle Vague» francesa e, nesses tempos áureos do cinema francês, era sempre com ansiedade que se aguardava a estreia de um novo título.

Dois entre muitos inesquecíveis: «Baisers Volés» (1968) e «Les quatre cents coups» (1959):






Repesco também uma entrevista datada de 1962, onde fala de «Jules e Jim», e que me dá o pretexto para recordar esse filme e uma extraordinária canção.




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«Jogo do Cobarde»



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Grécia. Voto como exercício de legítima defesa



«O BCE fez de Átila, o reino dos hunos. Ou melhor, tornou-se o mercenário oficial da sede de vingança contra o grito de revolta do povo grego e, no fundo, de todos os povos que estão fartos da paz podre em que vive a União Europeia. (...)

Quem não seguir as regras autoritárias de Berlim e Frankfurt tem o caminho de saída do euro aberto. É triste, porque a vitória do Syriza tinha tido o mérito de colocar a Europa a discutir o futuro e as consequências desta política de austeridade. Tinha agitado as águas. Até porque nos mostrava que poderia haver uma outra forma de diálogo entre as urnas e o mercado, entre a democracia e o dinheiro. A crer na burocracia da UE, não há. (...)

Os gregos não se tornaram extremistas de esquerda de um dia para o outro. Os gregos decidiram recorrer ao voto, como exercício de legítima defesa. A UE e o BCE, pelos vistos, querem tudo menos democracia (como aliás se vê nas conversações às escondidas sobre o pacto comercial transatlântico). Os gregos votaram no Syriza para recuperarem a dignidade. O BCE impede isso.»

Fernando Sobral

5.2.15

Lido por aí (227)


@João Abel Manta

* Não há bela sem senão: a “estupidez monetária” em acção (Francisco Louçã)

* O fator crítico (Viriato Soromenho-Marques)

* El escándalo y latrocinio de la deuda griega (Vicenç Navarro)
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Cavaco e o BES



Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje:

«Cavaco poderia ter dito, por exemplo: "O Banco de Portugal tem sido peremptório, categórico, a afirmar que os portugueses podem confirmar na fada dos dentes." Nessa altura, ninguém poderia dizer: "Ouve lá, o Cavaco deve estar maluco. Ouviste aquelas declarações dele sobre a fada dos dentes?" A razão pela qual isso não seria admissível é simples: aquelas declarações sobre a fada dos dentes são, isso sim, uma afirmação acerca do Banco de Portugal. Se, dois meses antes de terem sido proferidas estas declarações imaginárias, a fada dos dentes tivesse requerido uma audiência ao Presidente para lhe revelar que era, na verdade, um sujeito do Montijo chamado Alfredo, o Presidente continuaria a ter toda a legitimidade para fazer aquela afirmação, na medida em que ela se refere apenas ao Banco de Portugal.

Só por má vontade pode pensar-se que Cavaco Silva estaria a falar do BES.»

Na íntegra AQUI
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Frase do dia



Yanis Varoufakis: «Nem chegámos a acordo sobre a possibilidade de desacordo.»
 
Hoje, na conferência de imprensa que se segui à reunião com Wolfgang Schäuble.
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BCE: a Europa a cavar o seu próprio abismo?



O BCE anunciou, ontem à noite, que deixa de aceitar dívida pública grega como garantia nos empréstimos aos bancos. A decisão caiu como uma bomba e está naturalmente a produzir muitas e diferentes ondas de choque.

A Grécia já reagiu, através do ministro das Finanças Yanis Varoufakis, em comunicado onde este explica que a decisão não terá um impacto negativo no sector financeiro da Grécia e que ela «coloca a pressão no Eurogrupo - a reunião dos ministros das Finanças da zona euro - para uma rápida conclusão entre a Grécia e os seus parceiros de um acordo que beneficie todos».

Quaisquer que sejam os resultados das etapas que se seguem, vale a pena ler o que escreveu sobre o tema, a quente, a insuspeita Helena Garrido. Pode, de certo modo, resumir-se neste juízo: «No euro ninguém quer resolver a crise, quer mostrar que tem razão no modelo que está a aplicar. E que as coisas ou são feitas à sua maneira ou seremos todos castigados. É triste, mas este é um exemplo de que a Europa da cultura e do pensamento livre, que procura as melhores soluções para os problemas dos seus cidadãos, acabou.» (AQUI, o texto na íntegra – merece leitura.)

Dias decisivos, aqueles que vivemos – para os gregos, para nós, para o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos. Esperemos que os dirigentes europeus não continuem a empurrar-nos em direcção ao abismo.

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4.2.15

Lido por aí (226)


@João Abel Manta

* O Syriza e o luto da direita (Alexandre Abreu)

* Agora é que se vai ver o que quer a Europa (José Gusmão)

* Nas cabinas de camião a foto de Angela (Ferreira Fernandes)
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Freud e o FMI



«Ler os relatórios do FMI é tão empolgante como ler um romance de Corin Tellado. Já se sabe o que lá está dentro ainda antes de ser divulgado.

A diferença é que nos romances de Corin Tellado o amor vencia e o final era sempre feliz. Nos relatórios do FMI o final é quase sempre infeliz e não há uma pinga de amor nas suas desérticas páginas. Tudo é frieza, como se os homens e mulheres do FMI não tivessem emoções. E fossem apenas frutos tardios de Frankenstein.

Ler o primeiro relatório do FMI de avaliação pós-programa, assinado por Subir Lall, é consumir um formulário que as equipas da organização reproduzem em cada país por onde passeiam. Uma fotocópia: é preciso reformar mais as tabelas salariais, eliminar suplementos remuneratórios, adiar devolução dos cortes de salários e pensões e fazer mais rescisões. O aumento do salário mínimo revela-se para o FMI um glutão da competitividade e a meta do défice está em perigo por causa disso. O FMI tem uma obsessão tão grande com o valor do trabalho que parece defender que deveria ser gratuito.

A parte mais venenosa vem maquilhada de "análise económica" e parece conversa de Estaline: a "instabilidade eleitoral" pode ter consequências graves para as "reformas". (...)

Para que serve um relatório do FMI? Para servir de guião a uma série de humor ou a um partido anti-democracia? Ou, mais sensatamente, quantos FMI existem? Dois? Um Hyde e um Jekyll? Um Jack, o Estripador e outro Mary Poppins? Este relatório do FMI coloca-o a necessitar de frequentar o divã do doutor Freud. Porque nada disto é normal…»

Fernando Sobral

Grécia: o fim da austeridade?


Em 1974, a Grécia e Portugal saíram de duas ditaduras. Com as eleições de Janeiro de 2015, a Grécia venceu uma batalha decisiva, quaisquer que sejam as seguintes. Nós não vemos a luz ao fundo do túnel.

Foi o que pensei ao ver este magnífico documentário. A não perder.


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Há 54 anos, o início da Guerra Colonial



4 de Fevereiro de 1961 marca o início da luta armada em Angola, concretizado numa revolta em Luanda, com ataques à Casa de Reclusão, ao quartel da PSP e à Emissora Nacional.

Os acontecimentos agravam-se com graves ataques no Norte de Angola, na noite de 14 para 15 de Março, mas só em 8 de Abril é que Salazar se refere pela primeira vez, em público, aos acontecimentos. A partir daí, tudo se precipita: cinco dias depois falha um golpe de Estado dirigido por Botelho Moniz, ministro da Defesa, Américo Tomás reitera a sua confiança no Presidente do Conselho e este anuncia uma remodelação ministerial que o faz assumir também a dita pasta da Defesa, entregando a do Ultramar a Adriano Moreira.

Em 13 de Abril, lança uma frase que ficará célebre: «Andar, rapidamente e em força!»




Depois, foi o que se sabe. Durante mais treze anos.



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Sobre a Guerra Colonial, visite-se este importante site.
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3.2.15

Visita guiada ao colapso do BES



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Lido por aí (225)


@João Abel Manta

* Syriza has bold solutions to the forces of austerity that are strangling Europe (Costas Lapavitsas)

* Furacão Tsipras (Francisco Louçã)

* It's Time To Compromise on Greece (Dirk Kurbjuweit)
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Here we are again

Portugal e Espanha, guardas pretorianos da austeridade



«[Para Passos Coelho] a austeridade é o princípio e o fim da sua política. E (...) a ideologia única da União Europeia e da Zona Euro. Nesse aspecto Lisboa e Madrid parecem irmãos. Lutam, entre ambas, para ser a Finlândia do Sul. Passos Coelho recusa-se a ir a uma conferência sobre a dívida da Grécia e insulta num estilo agreste o novo governo desse país. O espanhol Luis de Guindos terá sido, no Eurogrupo, um dos mais radicais contra as mudanças de posição sobre a dívida grega. Para eles a sangria é a melhor forma de curar um doente. Passos Coelho tem a experiência da sua farmácia fiscal em Portugal: o país só não pereceu por milagre.

Portugal e Espanha tornaram-se as patrulhas ideológicas da Alemanha. Passos Coelho será condecorado por isso. Esta posição de guarda pretoriano da austeridade tem, no entanto, uma causa: as eleições. Passos Coelho teme que se a Europa ceder algo à Grécia fique demonstrado que toda esta austeridade brutal foi um equívoco que teve a ajuda de mordomos portugueses. E aí a oposição ficará com mais trunfos para o esmagar eleitoralmente. Por isso, Passos Coelho quer livrar-se da sua culpa. Da demente "destruição criativa" que implodiu o contrato social em Portugal.»

Fernando Sobral

2.2.15

O dia de Yanis Varoufakis


Entrevistado por Paul Mason, depois da reunião, hoje, em Downing Street, com o ministro das Finanças britânico.


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E nós aguentamos tudo



Nicolau Santos, no Expresso diário de hoje.

Anos disto e a saga continua e continuará. Ulrich é que tinha razão: nós aguentamos mesmo tudo.
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Cristalino

Ai, Portugal...



«O Syriza abriu uma caixa de Pandora, que foi alimentada em fogo lento pelas políticas de austeridade durante todos estes anos. E fez com que, para além da histeria sobre o pagamento da dívida, a Europa se defrontasse com o seu espelho de Oscar Wilde: está cheia de rugas.

O desafio da Grécia a esta Europa centralizadora e de pensamento único não é de esquerda ou de direita: é das nações e dos seus cidadãos fartos de serem figuras retóricas de uma democracia comandada. A Grécia, sabe Tsipras, é mais do que um caso financeiro: é um país estratégico. Sabem isso os americanos que, não por acaso, na década de 1970 suprimiram as ditaduras no sul da Europa. Sabem os russos, que o cortejam. Só a Alemanha, que estrategicamente continua refém de Bismarck e só pensa no leste como território importante, ignora o papel do sul como fronteira num Médio Oriente em convulsão. (...)

Portugal atrelou-se à Alemanha e deixou de utilizar o seu potencial estratégico atlântico, entre os EUA e a Inglaterra, com ligações profundas à África Ocidental. Prefere ser um parceiro menor da Europa. (...)

O Syriza veio abalar o cenário idílico da Europa central que vela pelas nossas finanças e sabe o que devemos comer nos aviões. O futuro do euro não está escrito nas estrelas. Nem nelas, nem numa bola mágica, nos dizem qual vai ser o destino da moeda única criada como arma política. A própria criação da União Europeia serviu para conter as ambições da Alemanha, sempre demasiado poderosa para países como a França. Mas nunca foi um projecto claro. A união dos países europeus até foi um princípio defendido pelos EUA como forma de travar os soviéticos mas quando o euro ameaçou substituir o dólar como moeda de referência global, as suas certezas estilhaçaram-se. Os pais fundadores da UE, o francês Robert Schuman, o alemão Konrad Adenauer e o italiano Alcide de Gasperi - todos católicos que falavam alemão - partilhavam a visão clássica liberal da Europa; e eram também democratas-cristãos. Esse círculo virtuoso implodiu: a prosperidade que gerava apoio político da classe média para mais integração criava crescimento. Mas hoje a Europa significa austeridade e não prosperidade e o fim da classe média. É esta aliança que motiva Portugal.»

Fernando Sobral

1.2.15

Lido por aí (224)

Como o Syriza chegou ao poder



Vale muito a pena conhecer uma reportagem de Paul Mason, na revista 2 do Publico de hoje. (quem tiver acesso, através deste link, não deixe de a ler na íntegra.

«Por todo o país, o Syriza montou bancos alimentares, conhecidos como Clubes de Solidariedade. Quando segui os activistas do Syriza num mercado de rua em Atenas, eles traziam uma espécie de babetes cor de laranja e de forma educada mas assertiva lembravam àqueles agricultores que um saco de batatas ou de laranjas para dar aos pobres faz parte dos seus deveres sociais. Em meia hora tinham os trolleys cheios de comida.

O coordenador diz-me: “Isto é o oposto da caridade. Estamos a sustentar 120 famílias numa só área e a maioria do nosso trabalho é gerir o isolamento, problemas de saúde mental e a vergonha.” Não é possível ter mais micropolítica do que esta de nos sentarmos numa exígua sala repleta de pessoas desesperadas a quem temos de convencer a não se suicidarem. Mudar de ideias torna-se impossível e nada abana a relação de confiança que construíram.»

Algum partido faz algo de parecido em Portugal?!? Claro que não. Continua-se a reduzir a acção política junto das pessoas a comícios, discursos pomposos e manifestações mais do que estafadas (e esvaziadas) pelas ruas. Ninguém tenta organizar-se solidariamente com o povo e deixa-se muito do que é essencial para o nível da «caridadezinha». Por isso assim estamos – parados e paralisados. 
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Grécia, um novo concerto



Há cerca de um ano e meio, o governo grego encerrou a televisão pública ERT. Os ecrãs ficaram negros a partir de uma noite de Junho de 2013 e 2000 funcionários sem emprego – uma medida, como tantas outras, tomada em nome dos acordos com a troika.

Os gregos e uma parte do mundo emocionaram-se então com este «último concerto»:



As instalações foram desocupadas alguns meses depois pela polícia, em Novembro, mas um grupo de trabalhadores não desistiu e continuou a difundir, sem salário, 24 horas por dia, a partir de um outro estúdio que emite por internet e atinge cerca de um terço do país.

Agora regressou a esperança: uma das primeiras medidas anunciadas por Alexis Tsipras foi a reabertura da ERT. Esperemos agora por um novo concerto. Ele virá em breve e será bem diferente. 
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Até os lobos fogem