26.9.15

26.09.1968 – A primeira noite sem Salazar e com o Prof. Marcelo I



No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, num discurso histórico e sinistro:



No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre uma frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil compreender que muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que NÃO era Salazar constituía, por si só, uma experiência única). A «Primavera Marcelista» alimentou muitas sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». O desfecho é conhecido...

Começariam as «Conversas em Família»:


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Gal Costa, 70



Custa a acreditar, mas é assim: Gal Costa faz hoje 70 anos. Remeto para este post publicado há um ano.
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Lesbos – Cenas de um dilúvio humano

Eleições e nivelamento ideológico



«Estas eleições vão também pôr à prova a disponibilidade nacional para continuar a assistir a um nivelamento ideológico nunca visto. E isso é um assunto ainda mais sério. Foi isso que noutros países permitiu o surgimento de movimentos mais radicais, porque com esta política o centro das classes médias dilui-se numa amálgama de cidadãos transformados em consumidores.

Vivemos um tempo em que a revolução thatcheriana, a que denominamos neoliberal (mas que se cruza com a neoconservadora de líderes como Blair), se implantou como ideologia dominante. E que assenta em alguns pontos essenciais - o individualismo, a desculpabilização do dinheiro, a competição brutal no mundo do trabalho e a fé insolente nas capacidades próprias contra todos e a uniformização de comportamentos, que a televisão ou os principais objectos de consumo nivelam. Neste mundo, o individualismo anglófono e o velho centralismo soviético forjam alianças.

O Estado tornou-se um centro de negócios para quem o ocupa e que, assim, os distribui mais facilmente, como está a acontecer em Portugal à vista desarmada há muito tempo antes de Passos ou mesmo de Sócrates. (...) O votante, enquanto consumidor, não tem um interesse real pela política, pela configuração activa da comunidade. Não está disposto nem capacitado para a acção política comum. Limita-se a reagir de forma passiva à política, protestando e queixando-se, do mesmo modo que o consumidor perante as mercadorias e os serviços que lhe desagradam. É esta transformação social e ideológica que o PS ainda não entendeu. E não sabe combater.»

Fernando Sobral

25.9.15

Dica (141)

25.09.1975. Há 40 anos, eram diferentes as arruadas



Há 40 anos, por esta hora, o centro de Lisboa preparava-se para uma grande manifestação dos SUV (Soldados Unidos Vencerão) – uma auto-organização política de militares, clandestina, que se definia com «frente unitária anticapitalista e anti-imperialista» e que nascera no início do mês, algures num pinhal entre Porto e Braga. Já falei dela, mas retomo o tema.

Já se tinham realizado alguns desfiles, outros viriam a ter lugar em várias cidades, mas julgo que nenhum teve a dimensão do de Lisboa, naquele 25 de Setembro, com apoio de partidos como o MES, a LCI, a UDP e o PRP. Centenas de soldados fardados, acompanhados por representantes das comissões de trabalhadores e de moradores e por uma multidão, subiram do Terreiro do Paço até ao Parque Eduardo VII, onde teve lugar um comício. No fim deste, foram desviadas dezenas de autocarros da Carris, que levaram quem quis até ao presídio da Trafaria, de onde, pelas 2:00 da manhã, foram libertados dois militares que se encontravam detidos, precisamente por terem distribuído panfletos de propaganda da manifestação.


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Voto Útil (2)



A escolha do mal menor como critério é das maiores tristezas que existem em democracia e há quem a pratique há décadas. Não só mas também por isso, não saímos da cepa torta.
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Voto útil (1)



A quem esteja com insónias de indecisão, ou com a alma sossegada pela decisão de votar «útil», começo por aconselhar a leitura destes dois textos:  


Vem depressa, refugiado



«Já temos os nossos refugiados soa um bocadito aos velhos tempos, quando as senhoras mais abastadas tinham um pobrezinho que ia lá a casa. Havia uma espécie de competição a ver qual é que tinha o pobrezinho mais desgraçado ou mais alcoólico, o que muitas vezes coincidia. (...)

Gosto de números, e tenho dificuldade em acreditar numa invasão de malucos do ISIS no meio dos 4.593 refugiados. Ou que estes 4.593 vão mudar a nossa cultura latino-árabe. As testemunhas de jeová são mais, são persistentes , tentam todo o tipo de abordagens, e nós estamos na mesma: a dizer que já lemos ou que não estamos. Nós somos impenetráveis. Somos teimosos, podem vir invasões de muçulmanos, etíopes, suecos, góticos, dálmatas, etc., que continuamos a cuspir para o chão. (...)

Na minha opinião, a chegada dos refugiados pode ser muito importante para a nossa economia. Por exemplo, e lançando mais um número, o Governo anunciou a libertação de um fundo extra de mil milhões de euros para a ajuda aos refugiados. Carlos Costa pode muito bem convencer os refugiados a juntarem-se para comprar o Novo Banco. As possibilidades são infinitas.

Em termos de números podemos chegar a conclusões estupendas. Fazendo as contas , e segundo o que foi noticiado, por cada refugiado os Estados-membros da União Europeia vão receber 6.000 euros. Também segundo números oficias , cada português já terá pago 1.950 euros e para salvar bancos. Pode ser impressão minha, mas talvez fosse de trocar banqueiros por refugiados e ficamos ricos.»

João Quadros
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24.9.15

O Plafonamento em 2:15


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Dica (140)



Chinese Spillovers. (Paul Krugman) 

«China still seems to me not big enough to bring down the rest of the world. But I’m not rock-solid in that conviction, largely because we’ve seen so much contagion in the past. Stay tuned.»
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Admirável facebook novo



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:

«Temo que a decisão recentemente anunciada pelo criador do Facebook, de introduzir um botão que diz "Não Gosto", possa trazer uma mudança drástica ao mundo. (...)

Fazem falta botões de comentário a outros botões. Um utilizador deve ter o direito de não gostar de um "Gosto". Ou de gostar de um "Não Gosto". É fundamental corrigir estas limitações à liberdade de expressão via botões.»

Na íntegra AQUI.
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Um país de e para contabilistas



Das campanhas dos partidos do centrão ao comunicado do Conselho de Ministros, percebemos estar num país de e para contabilistas. Deve ser disto que os portugueses gostam. 
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Chapéus há muitos!



«Na "Canção de Lisboa", o Vasquinho dizia, empolgado: "Chapéus há muitos!" E, nestas eleições, está a provar-se que existem para todos os gostos. A táctica da coligação governamental assenta em dois tipos de chapéus, consoante o momento.

Passos Coelho e Portas distribuem diferentes estilos de chapéus pelos portugueses consoante a ocasião. Tanto pode ser um panamá, um de coco ou uma cartola. Ou, nos momentos mais popularuchos, uma boina. (...)

Os chapéus servem para dar conforto à cabeça, para a proteger do sol e da chuva e para ser uma imagem de marca. A coligação usa-os para esconder o passado recente que não deseja discutir. Se há uma vitória clara da coligação sobre o PS é a notável capacidade que está a ter para apagar quatro anos de governação em que Portugal foi o laboratório de uma austeridade expansiva e onde se cortou salários e pensões, se avançou para a destruição da escola pública e se transformou os impostos numa canga cada vez mais pesada. Onde se empobreceu Portugal económica, social e culturalmente como nunca antes se fizera.

Nenhum chapéu ou boina escondem os dados do INE, aterradores: entre 2011 e 2014 cerca de 485 mil portugueses foram convidados a emigrar. De outra forma imagina-se em que chapéu caberia o número de desempregados. A política, "à Vasquinho", da coligação serve, para já, os seus objectivos. Mas os chapéus acabam sempre por se esgotar.»

Fernando Sobral

23.9.15

Ele aí está



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Dica (139)




(Noam Chomsky on Bernie Sanders, Jeremy Corbyn, and the potential for ordinary people to make radical change.)
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Grécia: mais gravatas, ou é impressão minha?

Uma vitória de Pirro?



«O céu desperta sempre paixões, ao contrário das eleições portuguesas, uma pobre e maçadora maratona cheia de gafes e ilusões fotocopiadas e cujo resultado é uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Galileu, se tentasse vislumbrar as nossas eleições, com o seu telescópio caseiro, não se teria emocionado. Teria deslocado a sua atenção para outra paisagem celeste. Contaria estrelas em vez de promessas que se não podem cumprir.

A comédia ligeira em que se transformou a campanha eleitoral mostra que, no essencial, não há um projecto de futuro disponível. (...) Há, claro, um tema tabu no meio do folclore: que fazer com uma vitória eleitoral sem maioria? A coligação PaF e o PS fogem do assunto como se ele fosse uma castanha quente. E é. (...)

Com mais ou menos contorcionismos, saltos à retaguarda ou espargatas, adivinham-se dias cheios de demónios prontos a sair da caixa onde foram encerrados e de sussurros conspiradores nas sombras. Mas ninguém vai poder fugir à mais temível das questões: que fazer com uma provável vitória oferecida por Pirro? Aquele general que dizia: "Mais uma vitória como esta e estou perdido."»

Fernando Sobral

Passos Coelho 2015 vs Passos Coelho 2011


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22.9.15

Dica (138)




«Significa isto que os militantes que formaram a unidade popular em condições muito difíceis fizeram mal em romper com o syriza? Não creio. Mesmo em política há coisas que têm de ser feitas, linhas vermelhas que não se passam, independentemente das consequências no curto prazo. Não se desiste.» 
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Yanis Varoufakis, já depois das eleições




«The greatest winner is the troika itself. During the past five years, troika-authored bills made it through parliament on ultra-slim majorities, giving their authors sleepless nights. Now, the bills necessary to prop up the third bailout will pass with comfortable majorities, as Syriza is committed to them. Almost every opposition MP (with the exception of the communists of KKE and the Nazis of Golden Dawn) is also on board. (...)

Will Tsipras have more success in faking commitment to another failed troika programme? The prospects are not bright, but we should not write him off. His fate depends on whether his new government remains connected to the victims of its troika agreement, implements genuine reforms to give bona fide business some confidence to invest, and uses the intensification of the crisis to demand real concessions from Brussels. It is a tall order. But then victory, however sweet, is not the point. The point is to make a difference.» 
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A crise dos refugiados em 6 minutos



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A crise migratória: um efeito boomerang



«Agudizar las desigualdades, saquear los recursos del tercer mundo, negarse a tomar medidas para detener el calentamiento climático, desestabilizar todo el Oriente Medio, multiplicar guerras y conflictos, todo esto tiene un costo que van pagando, desde hace décadas, las poblaciones, las del Sur en particular, contabilizado en muertos, desplazados, hambrientos y desesperados. Arrojando a las poblaciones a los caminos, en busca de un sitio donde sobrevivir. La Agencia de Refugiados de las Naciones Unidas (ACNUR) estima, este éxodo masivo, en 50 millones de refugiados en el mundo. (...)

Los países europeos y los Estados Unidos debían imaginarse que era inevitable el éxodo que se está produciendo. Al invadir Irak, desestabilizar toda la región de Oriente Medio, jugando a los aprendices de brujo con los movimientos islamista, ¿podían, realmente, pensar que esto iba a quedar sin consecuencias? Por supuesto, de cuando en cuando sufren atentados terroristas, muy mediatizados. Pero ¿qué representan midiéndolos con lo que viven las poblaciones de los países árabes, que tienen que vivir cotidianamente con el obscurantismo? (...)

Son décadas que el Mar Mediterráneo se está convirtiendo en cementerio humano, sin que eso conmueva a los responsables europeos que siguen transformando a Europa en un bunker. Solo la llegada masiva de refugiados al territorio europeo, proveniente de Siria en particular, hizo reaccionar a los gobiernos que cambiaron sus discursos y nos hablan, hoy, con el corazón en la mano, de principios, de derecho a asilo y, de la necesaria acogida humana de los refugiados. ¿En qué quedará? Los próximos días, las próximas semanas lo dirán. Pero, no se encontrarán soluciones duraderas al éxodo masivo de poblaciones que ya no pueden vivir en su país,estableciendo cuotas (por países) y seleccionando refugiados y migrantes económicos. (...)

Existen soluciones de fondo, y tienen que ver con terminar con las ventas de armas a bandas armadas de todo tipo; con dejar de apoyar regímenes como él de Arabia Saudita, que estuvo detrás de la creación del Estado Islámico y ahora se le confía la tarea de erradicarlo. Están en terminar con el saqueo de los recursos de los países del Sur y con las confrontaciones armadas que no tienen otra meta que permitir la intervención militar de los países occidentales.

Está en la anulación del sistema de la deuda que no es más que un mecanismo de transferencia de las riquezas de los pueblos a las entidades financieras. Reside en la denuncia de los Acuerdos de Libre Comercio que pisotean, a su vez, la soberanía de los pueblos y refuerzan el saqueo de los recursos del Sur para mayor beneficio de los bancos y de las empresas transnacionales del Norte.»

Lucile Daumas

21.9.15

Hungria, ordem para matar?

21.09.2012 – Quando a TSU era sagrada



Seis dias depois da manifestação de 15 de Setembro, fomos milhares os que estivemos em frente ao Palácio de Belém, à espera das conclusões de uma reunião do Conselho de Estado.

Durante muitas horas, milhares de pessoas em Lisboa, e muitas outras espalhadas pelo país, deram ao conclave e aos seus membros a importância suficiente para esperarem, de pé, e lançarem gritos de protesto, de apelo e de raiva. Continuaram o que várias centenas de milhares de portugueses tinham começado alguns dias antes.

A reunião do dito Conselho durou oito horas e emitiu um comunicado, inócuo, incolor e inodoro, mas que incluía o único parágrafo que interessava: «O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única». Era de esperar outra coisa? Não, de modo algum. A batalha tinha sido ganha antes disso. Na rua.

Passaram três anos. A TSU não foi alterada em 2012, mas outras medidas não menos gravosas substituíram-na e pioraram a vida dos portugueses. E a sigla TSU, que nessa noite pareceu representar uma realidade intocável, tornou-se um joguete no meio de outros. Assistimos hoje a diatribes que a envolvem em contas de somar e de sumir, misturada com plafonamentos deitados ou verticais, entre protagonistas que usam contabilidades mais ou menos escondidas sobre Segurança Social como arma de arremesso eleitoral. A noite de 21 de Setembro de 2012 ficará como símbolo de tempos que passaram? Tempos de inocência? 
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Dica (137)




«Greece will be back in the headlines for all the wrong reasons before too long. There will be talk of the need for a fourth bailout and of possible default if Greece doesn’t get one. The election is over; the economic crisis is not.» 
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Grécia: a opinião de Paul Mason no dia seguinte



«A partir de hoje, temos Syriza 2.0. Tsipras disse-me: "Esta vitória foi ainda maior do que a de Janeiro". Liberto da sua esquerda dura e forçado a implementar a austeridade que se comprometeu a que seja tão radical quanto possível em medidas não-económicas: a reforma do Estado, a Justiça e o ataque à corrupção. Tal como a Grécia, a administração de Tsipras é um work in progress. Mas, se os pessimistas tiverem razão, e se o terceiro memorando desmoronar simplesmente no sentido da dívida, da deflação e da espiral depressiva fora de controle, então ele vai estar, uma vez mais, no olho do furacão.» 

Na íntegra aqui.
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20.9.15

Tempos de antena


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Grécia, quando as urnas acabam de fechar


Leitura mais do que aconselhável:


«Après la capitulation de juillet, j'en suis venu à la conclusion naturelle qu'après la défaite de la Grèce, vaincue mais pas soumise, le temps est venu de reprendre le message de notre printemps d'Athènes, qui a déjà "contaminé" beaucoup de monde en Europe, et de le porter partout de Helsinki à Porto, de Belfast jusqu'à la Crète.» 
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Dica (136)




«Os outros países poderiam ter reagido perante esta situação que foi verdadeiramente uma provocação. Quer dizer que cada povo não tem o direito de decidir qual será o seu Governo. É um totalitarismo terrível. Depois da queda da União Soviética, vivemos agora um totalitarismo capitalista que não tem limites. Para muitos cidadãos gregos esta situação é reveladora: revela a realidade da Europa de hoje.» 
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Grandes marcos da chamada «política real»



«Nos lo dicen todos los días incontables veces: no hay alternativa. La política real se impone a ensoñaciones y “populismos”. De Grecia a Alemania, de Siria a Hungría, de Catalunya a España, el camino está trazado sin escape posible. Alguno va más allá y admite ligeras disfunciones en la propuesta. (...)

Acaba de cumplirse el octavo aniversario del inicio oficial de la crisis: la caída del gigante Lehman Brothers a la que siguió el desmoronamiento de las torres del capitalismo como en un castillo de naipes. Histórica fecha a partir de la cual nos “refundaron” a los ciudadanos para que pagásemos los platos rotos de sus errores y abusos. Es la política real. (...)

En aras de la política real, Europa permite actuaciones cercanas al fascismo de Hungría con los refugiados. Han apaleado y gaseado a hombres, mujeres y niños y levantan un muro para detenerlos. Conserven la imagen por si un día tienen que aplaudir de nuevo su caída y lanzar fuegos artificiales. Si esta ideología se impone, igual, simplemente hay que vallar Europa entera por parcelas. Porque esta UE, este Parlamento, ha tenido el valor de callar ante el monstruo que crece en su seno cuando se permite condenar a gobiernos extranjeros como el de Venezuela. (...)

Grecia vota este domingo. Tras haber sido chantajeado y ajusticiado su gobierno. Al punto de endurecer las condiciones del rescate por haber convocado un referéndum. No hay alternativa. Aprendan soñadores y “populistas” quién y porqué manda; para quién. La política real “alerta” – como escriben a diario sus cómplices – : quien pretenda un cambio no llegará a la meta. Si es preciso le rompen las piernas. Profecía autocumplida. Y eso es lo que la política real avala: que le rompan las piernas.

Tsipras ya va en silla de ruedas. Mientras el neonazismo de Amanecer Dorado recibe un complejo revitalizante: crece, como era de esperar, lo que no incomoda al mando neoliberal de Bruselas, visto lo visto. (...)

Pero se les ha abierto una importante brecha. El laborismo británico ha decidido elegir para dirigirles a un ser tan insólito como un laborista auténtico, alarmando a los Cameron del mundo que temen por sus seguridades. Otro llanero solitario, en montura demócrata, Bernie Sanders, irrumpe en los Estados Unidos de América apelando al fin de la intolerable desigualdad. Varoufakis y algún otro colega griego aún se mantienen en pie y bien firmes. Alienta la izquierda en Francia o Italia y resurge el veterano socialdemócrata alemán Oskar Lafontaine. Y todos ellos firman Un Plan B para Europa. Tampoco han doblegado a las alternativas españolas al neoliberalismo feroz pese a los múltiples zancadillas y puntapiés. No son muchos, pero de hecho, la ola “radical” asusta a los del todo atado y bien atado.

Nada más irreal, arbitrario e injusto que lo que llaman política real. Desconfíen de sus colaboradores y sicarios: sí se puede. Y, si parece que no se puede, es por ellos; por sus denodados esfuerzos para que no se pueda.»

Rosa Maria Artal