Páginas

19.1.16

A Europa, Angela Merkel e o resto



«Há pouco mais de um ano foi editado em França um livro incendiário: "Submissão" de Michel Houellebecq. Foi para as livrarias no preciso momento do ataque ao Charlie Hebdo e o seu âmago, uma França controlada politicamente pelos filhos do Islão, tornou-se incandescente e foi esquecido rapidamente.

Mas confrontava os franceses com uma dura possibilidade: o berço do Iluminismo estaria ameaçado pelo multiculturalismo? Resvalaria isso para um conflito aberto? Os atentados do Bataclã, um ano depois, colocaram Paris a ferro e fogo. Tudo isto já no meio de uma chegada de refugiados à Europa sem memória, que buscavam sobretudo o "paraíso prometido" da Alemanha e dos países do Norte da Europa, longe da guerra. Com fronteiras cada vez mais rígidas nos países do Leste Europeu, os refugiados encontraram uma Angela Merkel de braços abertos, que tinha também outros contornos económicos e de envelhecimento da população alemã. (…)

A passagem de ano em Colónia (e agora os atentados de Istambul que atingira sobretudo turistas alemães) é o último golpe na política de asilo de Merkel. Cada vez mais fragilizada na Alemanha e dentro do seu próprio partido. (…)

A paz social está irremediavelmente posta em causa, por esta emigração maciça e pelos atentados terroristas que geram o medo na Europa. O Iluminismo vive agora com medo do seu próprio espelho. Na Dinamarca, acabou de ser aprovado um acordo legislativo que prevê a confiscação de objectos de valor aos refugiados para financiar a sua estada. Como pano de fundo, a Europa defronta-se com os fantasmas que durante muito tempo tentou esconder com guerras longe de portas e um "humanismo" conveniente: é a coexistência possível neste clima de medo e de radicalismo em que os europeus estão colocados? (…) O idealismo e o realismo têm agora de encontrar um porto comum. De outra forma, o Iluminismo europeu apagar-se-á de vez.»

1 comments:

septuagenário disse...

Os Europeus sempre fizeram muitas coisas más
Mas desde Napoleões, Hitlers e mesmo Churchil e Estaline a darem tiros nos pés, foi só asneiras.
Hoje o cansaço é tal que os europeus nem força têm para pegar em "armas"
O ditado latino "se queres a paz, prepara a guerra" é bem verdadeiro.
A Europa não preparou a guerra.
Acabou-se quase tudo!