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11.1.16

Schwarzenegger a Belém?



«Arnold Schwarzenegger foi durante oito anos governador da Califórnia. Mais tarde, quando como piada, recordou que dois meses antes de ser eleito nem pensava ser candidato.

A caminho do programa de Jay Leno os seus neurónios brilharam: "Ia ser tão giro se anunciasse que me ia candidatar… Toda a gente ia adorar. E então disse ao Leno que me candidatava. Toda a gente me perguntava: qual é o teu plano? E quem é que está no teu 'staff'? Eu não tinha um plano. Nem tinha staff." Dois meses depois o "Conan republicano" era governador. Na América nada nos pode admirar. Washington é, muitas vezes, a face ficcionada de Hollywood. Não estando disponível para Belém, teremos de substituir Schwarzenegger por outro candidato. Mas, como é visível nesta penosa campanha presidencial, no meio da gritaria onde nada se ouve, não há um candidato assim, bárbaro como Conan. Chegados à fase crucial da corrida, separa-se a água do azeite. E, claro, o jogo está reduzido a Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.

Todos têm algo em comum: fazer esquecer Cavaco Silva. Quanto ao resto, algo os separa. Nem que seja pela agressividade. No debate na SIC, contra Marcelo, Nóvoa jogou ao ataque, porque só isso pode agregar a esquerda à sua volta. Quando Maria de Belém debater com Marcelo terá de usar frases letais e não o sorriso: só isso motivará o povo de esquerda a votar em si. As águas turvas da campanha agitaram-se. O que é bom. Para que Marcelo também não surja como prisioneiro da vitória anunciada no horóscopo. Nóvoa e Maria de Belém devem saber que ele dificilmente poderá mudar de discurso, a menos que pretenda atraiçoar aqueles que lhe poderão dar a vitória. Mas, claro, não é a defender que o PR deve levar chefes de Estado estrangeiros a almoçar em lares de idosos, para lhes "mostrar o país", como defende Maria de Belém, que se eleva o nível da campanha. Aquela que tem vindo a reflectir a degradação do nosso universo político. O tédio, afinal, é um dos piores inimigos da democracia.

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