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19.2.16

Um OE pousou num galho reflectindo sobre a sua existência



«Nunca um Orçamento do Estado foi tão profundamente avaliado. Já quase não se discutem números. Discutem-se intenções. Paradigmas. O bom e o mau. O Yin e o Yang de Centeno. O ego e superego do Orçamento. A análise psicanalítica do OE. Temos de deitar o Orçamento do Estado num divã. Não precisamos de Schäuble, precisamos de Freud. (…)

Não tenho uma opinião concreta em relação a este Orçamento do Estado. À primeira vista, gosto. A primeira impressão é muito importante e eu simpatizo sempre com quem causa má impressão na Comissão Europeia. (…)

Se me sinto seguro (independentemente dos mercados, a que deixei de ligar desde que também não me ligaram nos meus anos)? Não.

Por princípio, tenho medo de ministros das Finanças. Para começar, juntam duas das coisas de que tenho mais pavor: ministros e finanças. É como um Lobizombie. Ou um Zombielobo. Uma coisa é ser, por exemplo, ministro do Ambiente. Pronto, é ministro, mas o Ambiente é uma coisa boa. Com Finanças, não dá. Por isso, questiono o que move e quem é essa gente que quer ser aquilo. Há ali maldade ou loucura. É como escolher a especialidade de proctologia dentária.

Peço desculpa por este desabafo, mas quero que o leitor tenha consciência de que o meu medo pode interferir com a clareza e justiça do meu raciocínio. Posso assim desabafar e dizer que o Centeno não me dá total confiança. Não é o que diz, é a postura com que diz. Centeno tem cara de indivíduo que anda no centro comercial à procura de informação, urgente, sobre onde são os WC, mas que não tem coragem para perguntar onde são. É esse ar que me assusta. Ele parece aflito e aflito para não dizer a ninguém que está aflito.»

João Quadros

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