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26.3.16

Dica (254)



Cavaco e o cavaquismo (II). (Manuel Loff) 

«Apesar de termos tido (que aguentar) dois Cavaquismos, aquele que contará para a história é o primeiro: uma década (1985-95) de um projeto de restauração histórica, que criou novo a partir do velho, que conseguiu impor-nos um futuro que rompeu com o passado revolucionário recente mas repondo/adaptando alguns dos processos interrompidos por este. A única direita triunfante da nossa história democrática foi o primeiro Cavaquismo; o segundo (2006-16), em compensação, foi o de um ex-chefe de Governo que, transitado para uma Presidência de muito menos poder, apostou-o todo na proteção das opções liberais e austeritárias de um novo projeto das direitas para Portugal, que, contudo, (ainda) não vingou. (…)

Para percebermos o que quis (e o que ainda quer) a direita para Portugal no contexto da derrota da ditadura e da impossibilidade prática de regressar a um modelo sociopolítico autoritário, é no primeiro Cavaquismo que nos temos de concentrar. Ao lado dele, Sá Carneiro, a AD, Barroso, Santana e Passos, foram pouca coisa - sobretudo, é certo, porque todos eles foram derrotados pelas urnas e pela contestação.» 
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