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10.3.16

O erro na tradução



«Pierre Moscovici, quando tenta brincar com o "erro na tradução" do "se" e "quando", do "if" e do "when", tropeça no seu drible curto. Moscovici parece não perceber, ou percebe bem demais, que os seus trocadilhos, obra de um equilibrista destinado para outras vocações, não são um momento de humor. Brinca com o orgulho das nações. O trocadilho de Moscovici não tem um vencedor. Tem um perdedor: a UE. (…)

O problema é que a Comissão Europeia não vê com bons olhos a conjugação de forças políticas à volta do Governo português. Tem medo de uma contaminação. E por isso Moscovici, sendo traído pelas palavras, não o foi pelo subconsciente. O que ele tentou dizer de forma atrapalhada, numa versão europeia do discurso de alguns treinadores de futebol nacionais, é que a CE vai apertar António Costa até onde for possível. Ou até onde se tornar impossível a Costa manter um discurso que faça a ponte entre gregos e troianos. O erro na tradução é uma desculpa frouxa, areia do deserto europeu para os olhos portugueses. Apenas mostra o que é Bruxelas neste momento.»

Fernando Sobral

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