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14.4.16

14.04.1986 – Simone de Beauvoir morreu há 30 anos



Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir morreu em 14 de Abril de 1986, com 78 anos. Ela que disse um dia, num documentário divulgado mais abaixo, que «a vida não é uma coisa que se tenha, mas sim algo que passa».
 
Tudo já foi escrito sobre esta escritora, intelectual, activista política e feminista, mas vale talvez a pena recordar o papel decisivo de uma das suas obras – Le Deuxième Sexe –, publicada em 1949. Esteve longe de ser um manifesto militante ou arauto de movimentos feministas que, em França, só viriam a surgir quase duas décadas mais tarde, já que as mentalidades não estavam preparadas para a problemática da libertação da mulher, tal como Simone de Beauvoir a abordou, nem para a crueza da sua linguagem.

As reacções não se fizeram esperar, tanto à esquerda (onde o problema da mulher estava fora de todas as listas de prioridades), como, naturalmente, à direita. François Mauriac escreveu: «Nous avons littérairement atteint les limites de l’abject», Albert Camus acusou Beauvoir de «déshonorer le mâle français».

Para a compreensão e a consagração da obra foi decisivo o sucesso nos Estados Unidos, onde foi publicada em 1953. O movimento feminista, em que Betty Friedman e Kate Millet eram já referências, estava aí suficientemente avançado para a receber. Efeito boomerang: Le Deuxième Sexe «regressou» à Europa no fim da década de 50, com um outro estatuto, quase bíblico, e teve a partir de então uma longa época de glória.





Um longo documentário legendado em português, que merece ser visto:




E Simone dita por Fernanda Montenegro:


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1 comments:

Monteiro disse...

Li a obra toda, ou quase toda, da Simone de Beauvoir. "Uma Morte Feliz", "A Força das Coisas", "O Segundo Sexo"... e por ela fiquei a conhecer o Japão, a despedida do Sartre para a Guerra o sofrimento da Zázá que morreu de amor. As licenciaturas que fazia umas atrás das outras as espanholadas a que assistia horas perdidas não sei onde em Paris da outra amiga que vivia com um homo sexual e que o provocava cheia de desejo ante a incompreensível apatia dele. Tive o meu momento Simone de Bouvoir, como tudo na vida sem nunca perder de vista o Sartre mais o existencialismo o Ser e o Nada e a viagem a Cuba e os bombons cubanos com a imagem do Gagarine na prata que envolvia os nom-bons e a recusa em receber o prémio Nobel...no JÁcuse, tanta coisa de um tempo que foi muito rico