19.5.16

A casa sombria da CE



«O horroroso sotaque da Comissão Europeia, digno de uma galinha que perdeu a cabeça, mas continua a correr para parte incerta, revelou-se ontem na forma das palavras do comissário Pierre Moscovici. Naquilo que se assemelha a sensatez, mas é de uma hipocrisia sem limites, Moscovici veio espirrar que este não era o bom momento "em termos económicos e políticos" para multar ou congelar fundos estruturais, mas que em Julho logo se verá. Mas pede já mais cortes em 2016. A CE, que não tem um espelho para ver a cor com que as faces ficam quando se tem vergonha, toma esta decisão, um compasso de espera, só à espera dos resultados eleitorais em Espanha, que deseja sejam favoráveis a Mariano Rajoy. De outra forma pediria a António Costa para tomar uma chávena de cicuta.

O blá-blá-blá da CE é claramente ideológico: é só por razões de conveniência política do PPE que a CE não se dedica à caça ao Governo português. Algo que está na sua agenda desde há muito. Tal como o sector financeiro português parece, hoje, olhado pela CE como o velho império nacional africano do século XIX: pronto a ser dividido pelas grandes potências. Como o próprio Fernando Ulrich disse, o anterior Governo não defendeu os interesses bancários portugueses em Angola. Vamos sair de lá a correr. Um dia destes os grandes bancos europeus irão para lá ocupar o terreno, sem problemas. É esta política vergonhosa da União Europeia a que Portugal se submeteu, comprometendo a soberania, devido aos erros das suas elites. A Europa não é o princípio e o fim de tudo. Nem o Sol que ilumina a terra. É, como se vê, no seu sotaque atrapalhado, a casa sombria de que falava Charles Dickens.»

Fernando Sobral

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