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13.5.16

A criminalização do pensamento



«Pensar traz consequências, o seu exercício não é bem recebido e está hoje em perigo. É importante que, entre os crimes contra a humanidade, figure a perseguição ideológica política, mas a acção de pensar é punida desde o castigo bíblico até hoje. Há duas esferas da realidade política que são as mais afectadas: a educação e o jornalismo. Em ambas, os seus representantes estão sujeitos à ira de poderes institucionais e de violência. As universidades, em épocas de ditaduras militares ou cívico-militares, sofrem as consequências da criminalização do pensamento. (…)

O medo e a violência, tal como a auto-censura, apoderam-se daqueles que exprmem opiniões contrárias ao poder dominante. Desde os ataques às Torres Gémeas, em 11 de setembro de 2001, o espectro do terrorismo converteu-se em desculpa para controlar a crítica política e o exercício da liberdade de expressão. No saco de terrorismo, metem-se muitos tipos de acções e de pensamentos. Quanto mais se diz reconhecer democracia e liberdades, mais a capacidade de pensar é reprimida. Já não se distingue ente pensamento crítico e terrorismo. O poder não distingue e, o que é pior, não quer exercer essa distinção. (...)

Hoje, os serviços de inteligência e o aparelho de segurança dos Estados realizam buscas, interferem em correios electrónicos, telemóveis, fazem gravações em salas de aula, restaurantes e centros comerciais. Nenhum espaço público está livre de vigilância e aqueles que denunciam os factos são visados por objectivos militares e políticos – é o caso de Julian Assange e (...) de Edward Snowden. (...)

As guerras do século XXI ampliam o espectro dos genocídios civilizacionais. Drones e armamento da última geração são usados para silenciar vozes e impor valores. Pensar tornou-se um delito, o seu exercício foi criminalizado e os seus defensores são condenados.»

Marcos Roitman Rosenmann

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