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4.5.16

O ministro e o lince



«Há uma grande incógnita no mundo: o que é que diz realmente o cozinheiro sueco dos "Marretas"? Também não sabemos o que cozinha. Apresenta receitas incompreensíveis para o comum mortal.

Ninguém percebe o que ele diz, porque a sua linguagem, parecendo sueco, não o é. A palavra que mais usa é "Bork", o que não quer dizer nada em nenhuma língua.

Há ministros que, de alguma maneira, se assemelham ao cozinheiro sueco da célebre saga animada. Um exemplo é Matos Fernandes que, a julgar no que se diz, é ministro do Ambiente. Talvez um dia ele, num momento Sherlock Holmes, nos possa permitir deslindar o fabuloso caso de, sendo o Algarve um destino turístico mundial, como se concessionou parte dele à prospecção petrolífera (incluindo o "fracking"), como se esses dois mundos pudessem conviver em paz. (…)

O ministro actual, no meio desta tempestade (que é estratégica para a economia e ecologia em Portugal), também não abriu os lábios perante uma atrocidade do actual Governo: a permissão para se voltar a caçar na serra da Malcata. É ali que se tem tentado reintroduzir o lince ibérico (um projecto custoso em termos económicos e de uma riqueza cultural imensa), com a colocação de espécies que são fonte de alimento para ele. Todos eles podem ser um alvo a abater muito fácil. E é isso que, na sombra dos gabinetes, foi agora permitido perante o olhar silencioso daquilo que julgamos ser um ministro do Ambiente.

Perante uma decisão destas, insensata, o que é que está a fazer no Governo um ministro do Ambiente? Apenas a guardar a sua cadeira?»

Fernando Sobral

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