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31.5.16

Seja feita a nossa vontade


O Jornal de Negócios faz hoje 13 anos e pediu a algumas dezenas de pessoas textos subordinados ao tema «O que é que Portugal tem de fazer para não depender da sorte?» Até Marcelo correspondeu ao pedido, mas fica aqui o que escreveu Marisa Matias:


«Quando os antigos sacrificavam animais para ter chuva ou uma boa colheita, a pouca fiabilidade do método tê-los-á certamente levado a pensar que os Deuses eram cruéis, caprichosos e inconstantes, movidos por desígnios incompreensíveis.

Bom, as instituições europeias são mais ou menos assim. Talvez isso ajude a explicar porque é que o anterior governo seguia as suas instruções com a devoção que se exige perante uma divindade. (…)

Se uma Europa diferente é possível, ela só poderá ser construída a partir de revoltas cidadãs que rejeitem esta lógica interminável e a obsessão de gente que ninguém elegeu. O caminho percorrido pela geringonça (que belo conceito que a direita nos forneceu!) é ainda muito modesto. Mas já chegou para indicar um sentido para a política de esquerda, feito de direitos e auto-determinação, dois pilares fundamentais de qualquer democracia. Não mais dependeremos da bondade de comissários. Será feita a nossa vontade.» 
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