12.7.16

Da natureza do cherne



«Se a banca fosse o que devia ser, poderia ser um negócio de pessoas honestas. Se a banca fosse regulada pelos estados de uma forma rigorosa, de forma a fazer o que deve fazer, poderia ser um negócio de pessoas honestas. Mas não é.

Se há santos na hierarquia da igreja católica não há nenhuma razão para que não haja pessoas honestas na banca, mas a honestidade não é a moeda deste negócio. O negócio da banca é o poder e a ausência de escrúpulos. Os grandes bancos de investimento controlam a finança do mundo e, através dela, a política e a economia. Possuem todo o poder? Não. Há enclaves de democracia que emergem constantemente, aqui e ali, há eleições onde a vontade popular às vezes se exprime, há ilhas de legalidade, há códigos e parlamentos e tribunais que não estão todos vendidos, mas a política actual é a guerra da democracia contra a finança, a guerra da soberania do povo contra a sede de poder ilimitado do 1% de 1% que quer controlar o mundo.

A função da política é, por isso, controlar a finança, da mesma maneira que é função da polícia controlar os criminosos. Se é assim, porque é que a Goldman Sachs e tantos outros não estão na cadeia? Porque não se pode prender uma empresa, porque os crimes podem ser sempre atribuídos a um bode escriturário e porque o dinheiro da Goldman Sachs permite-lhe sempre chegar a acordos extrajudiciais, como tem feito nos crimes de que tem sido acusada. A Goldman Sachs compra a justiça que quer.

Quando Durão Barroso vai para chairman da uma Goldman Sachs está apenas a rir na cara de quem acredita no primado da democracia na UE e a ser recompensado pelos dez anos como presidente da Comissão Europeia. Não há razões para surpresa. Apenas para um enorme nojo. A finança sem lei manda. Esperemos que não para sempre.»

José Vítor Malheiros

1 comments:

Antonio Cristovao disse...

Um exemplo do lero lero deste post é a CGD