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6.7.16

Refugiados – A vergonhosa posição da Hungria



Sabe-se agora que a Hungria vai referendar o direito de a UE decretar a instalação obrigatória de cidadãos não húngaros na Hungria. Trata-se de um país de 10 milhões de habitantes, ao qual caberia o astronómico acolhimento de 1294 pessoas!

É o momento de recordar que, exactamente há 60 anos, 200.000 húngaros, sobretudo jovens, fugiram  e receberam o estatuto de refugiados em muitos países europeus e americanos. Sem Uniões Europeias, sem quotas, por simples solidariedade. Conheci uns tantos desses refugiados, que encontrei em Lovaina quando mais tarde lá cheguei como estudante, fiquei amiga de alguns e gostava bem de saber o que pensam hoje disto tudo.

A Revolução Húngara de 1956, contra as políticas impostas pelo governo do país e pela União Soviética, teve início em 23 de Outubro e durou até 10 de Novembro do referido ano. Tudo começou numa terça-feira, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos. A revolta alastrou depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência acabou daí a seis dias.

É verdade que esses 200.000 húngaros fugiam do «comunismo» e talvez o actual governo húngaro considere que o daesh é mais benigno e que as guerras de que fogem hoje milhões de seres humanos não passam de jogos de computador.

O mínimo que se poderia esperar de quem já lutou pela liberdade de procurar destinos, que considerou melhores, era que não impedisse outros de fazerem o mesmo. Infelizmente, a História nem sempre deixa lições. 
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1 comments:

GWB disse...

Não gosto da história da reciprocidade, mas dá vontade de aplicar ao povo húngaro o que eles aprovarem para os refugiados. Por outro lado, quem gostaria de ter asilo na Hungria, com um governo tão demente?