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22.8.16

O Tio Patinhas e a CGD



«A CGD é a caixa-forte do Tio Patinhas. Perdão, do Estado português. Não admira que sucessivos governos tenham considerado que deveriam ser os privilegiados seres que podiam fazer da CGD uma piscina cheia de notas e moedas onde eles nadavam com selectos amigos.

Este Governo, abençoado com a possibilidade de nomear uma nova administração para a CGD, escorregou na mesma casca de banana de anteriores executivos. Achou que era o Tio Patinhas da CGD. Por isso, fez um daqueles truques típicos de aluno cábula de David Copperfield e quis transformar pombos em galinhas voadoras. Resultado: um número falhado de natação sincronizada que acabou numa vaia monumental do BCE.

A tentação de nomear 19 administradores quando o bom senso requeria frugalidade, a obsessão de continuar a saga de colocar numa administração pessoas que já o são de outras empresas (por muito capazes e profissionais que o sejam), o erro de nem procurar que os candidatos tivessem currículos aceitáveis pelo BCE, parecem de amador encartado. Nada já admira no Ministério das Finanças de Mário Centeno: as calinadas sucedem-se a um ritmo vertiginoso, da tentativa de bisbilhotar as contas dos portugueses (agora com a "versão manteiga" de só serem as que têm mais de 50 mil euros) a esta proposta que durou longos oito meses a ser congeminada para a CGD e que agora foi simplesmente achincalhada pelo BCE.

Mário Centeno, neste caso, parece actuar como o Pato Donald, sempre sovado pelo Tio Patinhas devido às suas infantilidades. Há qualquer coisa que não se entende na actuação de Centeno e dos seus geniais subordinados neste caso. Não se acreditando que a sua acção se tenha devido a uma súbita atracção pelo modelo dos "kamikazes", falta perceber o que leva o Governo a querer continuar a apostar nesta solução, mesmo com métodos camuflados (como o de mudar a lei). Sabendo-se como é a hierarquia de funcionamento deste Governo fica-se com uma única dúvida: Centeno é o criador ou a criatura desta trapalhada?»

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