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19.10.16

Doçura ou travessura?



«O dia do Halloween, ou das Bruxas, aproxima-se para o OE de 2017. Não interessa muito o que os foliões portugueses do PSD digam, a começar pela espantosa Maria Luís Albuquerque, que depois de ter sido um dos motores da "maior carga de impostos" que já vimos, que levou a uma pobreza infinita no sítio, venha achar que a opção de não aumentar as pensões mais baixas é "vergonhosa". Cada um brinca com as abóboras que quer e faz as máscaras que deseja, mas a Disneylândia política deveria acabar aí. O que Maria Luís proclama no seu sermão aos salmões de viveiro é irrelevante. O Halloween está a ser preparado com mais fervor em Bruxelas, pela inefável CE e pelo seu colega de brincadeiras, o Eurogrupo. Ambos tambores da austeridade até que o chão se quebre debaixo dos seus pés. São eles que vão bater à porta do Governo, mesmo que tenham de engolir um défice de 2,5%, com o esgar do costume: doçura ou travessura? Vão exigir mais cortes, porque é nesse mundo de vistas curtas que vivem. Mesmo que a Finlândia se imole devagarinho e a CE não repare na deriva totalitária da Hungria, liderada por um Viktor Órban que faz parte do PPE, sem que isso escandalize ninguém. Enquanto isso a Europa definha.

A sensata Manuela Ferreira Leite bem diz que: "Enquanto houver Tratado Orçamental, Portugal (e outros países europeus) não vai crescer." Nas grilhetas de orçamentos restritivos e serviços da dívida que funcionam como glutões de toda a riqueza, sobra pouco espaço para investimento. E para relançar qualquer economia. Assim os países que loucamente cometeram o pecado do endividamento não sairão daqui. Não há doçuras. Só há espaço para travessuras da CE e dos seus acólitos. É neste terreno armadilhado que António Costa tenta caminhar. Há um sonho: o Executivo acredita que, mais dia, menos dia, a CE, confrontada com crises como a do sector bancário alemão, terá de mudar de política. Terá? Será mais fácil a CE comer abóboras picantes e queimar a língua do que dizer "doçura".»

Fernando Sobral