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7.10.16

Os gordos que paguem a crise



«Na terça-feira, aqui no Negócios, surgiu a notícia da possibilidade de o Governo estar a pensar criar uma "fat tax", ou seja, um imposto sobre os produtos alimentares nocivos à saúde. Ou, melhor dizendo, o que nos sabe bem.

Esta "fat tax", ou taxa dos gordos, já não é novidade, apesar do ar de escândalo de alguns deputados do CDS. Em 2014, o governo PàF queria implementá-la, e Maria Luís e Paulo Macedo defenderam a medida. Depois, veio o Pires de Lima, da cerveja e gaseificados, e acabou com a festa.

Eu gosto do conceito: taxa para gordos. É justo que as pessoas sejam tributadas em termos de peso. Se é mais pesado, paga mais - se é assim com a fruta e com o peixe, porque não há-de ser com as pessoas?

A olho nu, os gordos serão sempre os que parecem estar melhor na vida. São sempre os mais divertidos, etc. E deve haver quase tantos como a classe média e são fáceis de taxar. (…)

E parece-me que, em termos de dar sinais aos mercados, seria bom. Até um alemão se compadece ao ver países com pessoas subnutridas. Agora basta filmar pessoas nas ruas na Baixa para eles verem onde é que nós andamos a gastar o dinheiro. Na Alemanha, eles têm gordos, mas levaram muitos anos até terem uma solidez económica que lhe permite esses luxos. Taxar os gorduchos até é bom para eles. Só de saber que vão ser taxados ficam com menos apetite. Temos de pensar no futuro. O mundo não está para gordos. Basta ver o tamanho dos automóveis eléctricos.

O que eu sei é que, no meio desta situação económica e financeira, não devia ser a classe média, apesar de serem todos ricos, a ter de sofrer. Para mim, o mais justo é: os gordos que paguem a crise. Lamento, mas se uma pessoa está gorda é porque tem onde cortar. Ninguém engorda do nada. Ninguém diz que o oxigénio é muito calórico. Quando não se come nada, fica-se como o Gandhi. Como o Gandhi está agora.»

João Quadros