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7.5.16

Durão, Sampaio e a cimeira nas Lajes



Quando Durão Barroso se escuda em Jorge Sampaio a propósito da cimeira noa Açores, e as TV o repetem 100 vezes/dia, é importante ler esta reacção do ex-Presidente da República.


«Sobre a Cimeira em si, e o processo que levou à sua realização nas Lajes – e não em Washington, Londres, Barbados e Bermudas, como terá sido ventilado –, a verdade é que a literatura internacional lhe dá pouca ou nenhuma importância e não tendo eu tido conhecimento dos preparativos, pouco posso dizer. No entanto, quero recordar aqui o telefonema que, pelas 7 da manhã de 14 de Março, recebi do primeiro-ministro, solicitando-me uma reunião de urgência. Para minha estupefacção, tratava-se de me informar que havia sido consultado sobre a realização de uma cimeira nos Açores, essa mesma que, nesse mesmo dia, a Casa Branca viria a anunciar para 16 de Março, daí a pouco mais de 48 horas… Não é preciso ser-se perito em relações internacionais para se perceber que eventos deste tipo não se organizam num abrir e fechar de olhos; e também não é necessário ser-se constitucionalista, para se perceber que não cabe ao Presidente autorizar ou deixar de autorizar actos de política externa. (…)

À laia de conclusão, quero sublinhar três pontos: o presidente tem o direito constitucional a mostrar a sua discordância perante a condução da política externa e não está obrigado a acatar, sem intervenção e passivamente, decisões assumidas pelo Governo; no caso que aqui nos ocupa, entendo ter conseguido uma posição equilibrada pois, por um lado, evitei de facto abrir um conflito institucional que em nada serviria o país, mas, por outro, ao me opor ao envio de tropas para o Iraque, afirmei decisivamente o papel efectivo do presidente como comandante supremo das Forças Armadas» 
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07.05.1925 - Luiz Pacheco



Faria hoje 91 anos e, se ainda por aqui andasse, o Luiz Pacheco seria certamente tão irreverente como sempre foi – o que daria muito jeito nos tempos que vão correndo.

Aqui, pode ser encontrada muita informação sobre a sua pessoa e a sua obra. E a leitura de Puta que os pariu! – A biografia de Luiz Pacheco, de João Pedro George, é absolutamente obrigatória.




Texto de uma intervenção pública de Luiz Pacheco:

O QUE É O NEO-ABJECCIONISMO

Chamo-me Luiz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco, ou só Luiz Pacheco, se preferem. Tenho trinta e sete anos, casado, lisboeta, português. Estou na cama de uma camarata, a seis paus a dormida. É asseado, mas não recebo visitas. Também não me apetece fazer visitas. A Ninguém. Estou bastante só. Perdi muito. Perdi quase tudo.

Perdi mãe e perdi pai, que estão no cemitério de Bucelas. Perdi três filhos – a Maria Luísa, o João Miguel, o Fernando António –, que estão vivos, mas me desprezam (e eu dou-lhes razão). Perdi amigos. Perdi o Lisboa; a mulher, a Amada, nunca mais a vi. Perdi os meus livros todos! Perdi muito tempo, já. Se querem saber mais, perdi o gosto da virilidade; se querem saber tudo, perdi a honra. Roubei. Sou o que se chama, na mais profunda baixeza da palavra, um desgraçado. Sou, e sei que sou.

Mas, alto lá! sou um tipo livre, intensamente livre, livre até ser libertino (que é uma forma real e corporal de liberdade), livre até à abjecção, que é o resultado de querer ser livre em português.

Até aos trinta e sete anos, até há bem pouco tempo ainda, portanto, julguei que podia, era possível, ser livre e salvar-me sozinho, no meio de gente que perdeu a força de ser (livre e sozinha), e já não quer (ou mui pouca quer) salvar-se de maneira nenhuma. Julgava isto, creiam, e joguei-me todo e joguei tudo nisto. Enganava-me. Estou arrependido. Fui duro, fui cruel, fui audaz, fui desumano. Fui pior, porque fui (muitas vezes) injusto e nem sei bem ao certo quando o fui. Fui, o que vulgarmente se chama, um tipo bera, um sacana. Não peço que me perdoem. Não quero que me perdoem nada. Aconteceu assim.

Eu para mim já não quero nada, não desejo nada. Tenho tido quase tudo que tenho querido, lutei por isso (talvez o merecesse). Agora, já não quero nada, nada. Já tudo, tanto me faz; tanto faz.

Agora, oiçam: tenho dois filhos pequenos, o Luis José, que é o meu nome, e a Adelina Maria, que era o nome de minha Mãe. O mais velho tem 4, a pequenita dois, feitos em Fevereiro, a 8. Durmo com uma rapariga de 15 anos, grávida de sete meses, e sei que ela passa fome. É natural que alguns de vocês tenham filhos. Que haja, talvez, talvez por certo, mães e pais nesta sala. Não sei se já ouviram os vossos filhos dizerem, a sério, que estão com fome. É natural que não. Mas eu digo-lhes: é essa uma música horrível, uma música que nos entra pelos ouvidos e me endoidece. Crianças que pedem pão (pão sem literatura, ó senhores!) pão, pãozinho, pão seco ou duro, mas pão, senhores do surrealismo, e do abjeccionismo, e do neo-realismo e mesmo do abstraccionismo! Este mês de Março que vai acabar ou já acabou, pela primeira vez, eu ouvi os meus filhos com fome. E pela primeira vez, não tive que lhes dar. Perdi a cabeça, para lhes dar pão (ainda esta semana). Já não tenho que vender, empenhei dois cobertores, e um nem era meu. Tenho uma máquina de escrever, que é a minha charrua, e não a posso empenhar porque não a paguei; e tenho uma samarra, que no prego não aceitam porque agora vai haver calor e a traça também vai ao prego… Já não tenho mais nada. Tenho pedido trabalho a amigos e a inimigos. Humilhei-me, fiz sorrisos. Senti na face, expelido com boas palavras e sorrisos, o bafo da esperança, da venenosa esperança; promessas; risinhos pelas costas. Pedi trabalho aos meus amigos: Luís Amaro, da Portugália Editora; Rogério Fernandes, de Livros do Brasil; Artur Ramos; Eduardo Salgueiro, da Inquérito; dr. Magalhães, da Ulisseia; e Bruno da Ponte, da Minotauro, aqui presente, decerto. Alguns têm-me ajudado; mas tão devagarinho! tão poucochinho!

Sim, porque eu não faço (já agora, na minha idade!) todos os trabalhos que vocês querem! Só faço, já agora, coisas que sei e gosto: escrever umas larachas; traduzir o melhor que posso; mexer em livros, a vendê-los ou a fazê-los.

Nem quero vê-los a vocês, todos os dias! Ah! Não! Era o que me faltava! Vocês têm uma caras! Meu Deus, que caras que nós temos! Conhecem a minha? Vão vê-la ali ao canto, na folha rasgada do meu passaporte (sim, porque viagens ao estrangeiro (uma…) também já por cá passaram…) Viram? É horrível!… A mim, mete-me medo! Mas é uma cara de gente. E isso não é fácil.

Dizia eu: eu quero trabalhar na minha máquina, sozinho, ou rodeado da minha Tribo: os miúdos, uma mulher-criança, grávida. E, às tardes, ir passear pela Avenida Luísa Todi ou na ribeira do Sado. Acho que nem era pedir muito. E para mim, é tudo.

Já pedi trabalho a tanta gente, que já não me custa (envergonha) pedir esmola. Confesso-lhes: até já o fiz, estendi a mão à caridade pública, recebi tostões de mãos desconhecidas, de gente talvez pobre. E tenho pedido emprestado, com a convicção feita que não o poderei pagar. É assim.

Eu para o Luiz Pacheco, repito, não quero nada, não desejo nada, não preciso de nada; mas para os bambinos! E para o bebé que vai nascer! Roupas; leite; pão; um brinquedo velho… Dêem-me trabalho! Ou: dêem-me mais trabalho.

E para findar esta Comunicação, remato já depressa:

Peço uma esmola.

(Daqui.)

Dica (288)



O problema dos grandes partidos. (José Pacheco Pereira) 

«Existe um problema com os grandes partidos, o PS e o PSD? Existe e não é pequeno. Nem um nem outro estão perto de corresponderem às necessidades dos actuais tempos portugueses. Nem um nem outro são capazes de qualquer renovação significativa, embora o PSD a tenha feito mais do que o PS, mas para pior. Nenhum tem hoje qualquer capacidade de mobilização própria fora de eleições, não agregam por mérito os sectores mais dinâmicos da sociedade, não produzem ideias, nem políticas novas, estão lá à espera da mudança dos ciclos políticos e mesmo assim sem grande eficácia.» 
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Música em Palmira




(Daqui.)

Na íntegra:



(05.05.2016)
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O TTIP e a pós-democracia europeia



«Barack Obama veio, sorridente, à Europa pedir a sua unidade. Mas veio, sobretudo, tentar que o acordo comercial entre europeus e americanos (o chamado TTIP) avançasse a todo o vapor.

O certo é que este acordo está já ferido de morte. Se o comércio é bom para os povos, a forma como os norte-americanos o encaram seria um golpe mortal no sector agrícola europeu (tal como o conhecemos, desde a diversidade de sementes às formas de produção) e na própria democracia e no poder dos Estados. Os documentos que a Greenpeace divulgou são exemplares sobre aquilo que foi sendo negociado em segredo entre os EUA e os burocratas de Bruxelas, longe do olhar dos cidadãos. É demasiado grave para passar incólume entre duas piadas de Obama. Há, nesta tentativa de acordo, uma questão de princípios em jogo. (…)

E, depois, o TTIP é um ataque frontal à soberania democrática e às leis, regras e princípios dos Estados. A tentativa de criar um sistema judicial paralelo ao existente, exclusivamente para ser utilizado pelas empresas, seria um descalabro. Ele permitiria às empresas processar Governos perante um tribunal de advogados ligados a elas próprias. Poderiam desafiar as leis que não lhes agradam e conseguir indemnizações inimagináveis. Há nisto tudo um ambiente parecido à criação de um Frankenstein. (…)

Como acordo comercial livre deixa muito a desejar: nele uns são mais livres do que os outros, apesar de todos parecerem iguais. Este TTIP é uma espécie de "pós-democracia" (que, por exemplo, os burocratas de Bruxelas defendem na prática), onde as velhas estruturas como as eleições e Parlamentos permanecem, mas não têm poder político real. O poder moveu-se para outros sítios, pequenos círculos onde as elites políticas fazem acordos com os lóbis das multinacionais. Criar tribunais que fogem às regras da lei, é uma forma de pós-justiça. (…)

De acordo com as estatísticas oficiais, o TTIP levaria a perder-se mais um milhão de empregos na Europa (o que seria mais um passo rumo ao caos, face à pressão migratória existente). A forma como tudo foi negociado (num segredo enorme) demonstra mais uma vez o défice democrático existente na Europa, que é bem visível noutras áreas (…). A Europa, com a pobreza visível dos seus líderes, caminha para um território minado. Este caso do TTIP mostra isso mesmo.»

Fernando Sobral

6.5.16

Refugiados: ide e lede



«La vieja Europa prefiere poner dinero para que sean otros los que se hagan cargo de nuestras responsabilidades. Turquía no tiene los estándares de democracia y libertad como para ser parte de la UE, pero, claro que sí, está perfectamente habilitada para recibir 3.000 millones de euros y el doble si hace falta con tal de que aloje a los refugiados que no queremos.» 
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Dica (287)



Imagine-se um novo Bretton Woods (Yanis Varoufakis) 

«Keynes estava à frente do seu tempo: a sua proposta necessitava de tecnologias digitais e de mercados de moeda estrangeira que não existiam na década de 1940. Mas temo-los hoje, juntamente com a experiência institucional com sistemas de compensação internacionais. Temos também uma necessidade desesperada do fundo de transição verde global que um Bretton Woods keynesiano criaria automaticamente. O que nos falta é apenas o processo político, sem dúvida um Roosevelt, para convocar os jogadores e catalisar a mudança.» 
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Estivadores




Não parece, mas há mais temas do dia para além dos contratos de associação com escolas privadas.
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Solidariedade com os presos angolanos




Da sessão de ontem.
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Do riso e do esquecimento



«Passos está atento à alegria de Marcelo da mesma forma que o ex-PR, Aníbal Cavaco Silva, dava atenção ao sorriso das vacas. No fundo, são pessoas que estão sem nada para fazer.

O Doutor Pedro Passos Coelho precisa de ocupar o tempo. Tem de começar a fazer qualquer coisa que tem boa idade para isso. Até a Maria Luís arranjou emprego e sabemos bem como ela era especialista em acabar com ele. O Doutor Coelho não pode continuar assim, deprimido, sem aceitar a realidade. Aposto que ainda nem devolveu as chaves de São Bento. Anda com um pin a fingir que é PM, ganha ordenado de vice-PM e é líder da oposição, mas pouco fala. Nada faz sentido na vida do Pedro. O PM não é ele, o antigo vice-PM jamais conseguiria viver com aquele ordenado e o líder da oposição é Cristas. É natural que Passos cobice a felicidade dos outros.

Neste momento, a vida de Passos é um profundo aborrecimento. Pedro já pensou em ir de auscultadores para a Assembleia, mas até Charles Aznavour lhe soa feliz a entoar "Que c'est triste Venise". Consta que até deixou de fazer papos de anjo para os vizinhos e que deixou de cantar no duche. (…)

Todas as manhãs, um Passos deprimido acorda sedento de más notícias - "Diz-me que os juros subiram! Diz-me que Tozé Seguro pegou fogo à sede do BE! Diz-me que houve um terramoto e morreram todos menos eu!" - É terrível. Ninguém aguenta ter como profissão ficar sentado numa bancada, a ouvir a voz de professora primária de Cristas e as gargalhadas do Doutor Rebelo de Sousa, com um pin enferrujado, de boca calada, deixando passar o tempo lentamente, até às autárquicas, na esperança de acordar um dia com uma notícia de uma grande desgraça nacional.»

João Quadros

5.5.16

Adeus, Siné

Dica (286)




«Alexandre Homem de Cristo, aqui no Observador, com a inteligência que o caracteriza, apresenta o melhor argumento possível para defender estes subsídios. Para tal recorre ao exemplo de uma escola pública às moscas, em Paços de Brandão, e ao do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas, uma escola de propriedade privada, na mesma zona de residência, que tem 74 turmas financiadas pelo Estado. Diz que se os pais preferem a segunda, então deve-se encerrar a primeira e financiar a segunda. O problema é que a primeira não pode encerrar. Como a escolaridade é obrigatória e o nosso Estado é laico, é obrigação do Estado garantir que existe uma escola laica. Um Estado laico não pode obrigar uma família a inscrever as suas crianças em escolas de inspiração católica. A implicação lógica é simples: onde há escola pública, não se deve financiar escolas privadas. A não ser, claro, que o Estado deixe de ser laico, como grande parte da Direita gostaria.» 
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Balada da ameixa seca



Um pouco de O’Neill, em fim de tarde chuvoso.

Vai à mercearia e compra ameixa seca.
P’ra o intestino a ameixa é levada da breca!

O mal do Ocidente – quem há que não o sinta? –
É não ter a tripa sempre limpa.

Com seus altos valores, o Ocidente
Dá por demais ao dente, dá por demais ao dente.

Põe-me os olhos nos povos que só comem arroz:
Dão melhores guerrilheiros do que nós.

Um saquitel de arroz, uma viciclet’,
Arma na bandoleira – e lá vai o viet.

«Noss’povo», ao contrário, come o que apanha à mão.
Até parece fome de muita geração!

E larga, já comido, o corpo em qualquer canto.
Sonha Terceiro Mundo e é Europa, entretanto.

Encostado ao sobreiro ou ao ficheiro,
«Noss’povo» já nada tem de marinheiro.

Sua tripa, represa, é trabalhosa.
Sua prosápia já só é má prosa.

Portugal-do-casqueiro à Europa-das-latas
Manda cortiça, vinho, diplomatas.

Espera contrapartidas: sol-e-vistas
É cartaz que atrai muitos turistas.

Mas com a ameixa seca – coisa pouca! –
É que pode acordar sem amargos de boca.

Vai à mercearia e compra ameixa seca.
P’ra o intestino a ameixa é levada da breca!

Alexandre O’Neill
, 1981
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Rui d’Espiney, ainda



Vale muito a pena ler este texto de um repórter da agência norte-americana Associated Press, que esperou 50 anos para conhecer Rui d`Espiney.


«“A minha mulher não foi capaz de me reconhecer, tais eram as nódoas negras e o sangue na minha cara. Disse: ‘Enganaram-se na pessoa, este não é o meu marido’”, recordou. “A polícia julgou tratar-se de um truque, mas ela não me reconheceu mesmo.”»

«Perguntei-lhe como lidara com o encarceramento em Caxias e, mais tarde, em Peniche. Respondeu-me com uma frase que recordarei para sempre, lembrando que apreciara pequenos episódios como cruzar-se com Soares num corredor ou conhecer outros presos. “Há sempre corredores de liberdade, até nas prisões de alta segurança”.»
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Sobre a dificuldade de rejeitar desafios



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje: 

«Há uma moda que, por ser recente (pelo menos, só dei agora por ela), talvez lhe tenha escapado. Trata-se do lançamento de desafios. Todas as semanas, alguém me lança “um desafio”. Em noventa por cento dos casos. O lançador do desafio eseja, na verdade, um favor. (…) Devo ficar agradecido por ter sido resgatado à aborrecida modorra em que vivo, por intermédio de um interessante desafio. (…)

Pode não haver tempo para fazer um favor, mas rejeitar um desafio é uma mariquice.»

Na íntegra AQUI.
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Ate o Sol anda aos pulos



Queda de D. Sebastião, Chissano confundido com líder da Renamo, um encontro espírita de Marcelo com Malangatana, José Rodrigues dos Santos ainda na RTP1… Como é que não queriam que o Sol andasse aos pulos
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O computador europeu



«Lendo o que a Comissão Europeia diz e escreve sobre a situação económica dos países acorrentados ao euro fica-se com a ténue noção de que a CE é um gigantesco computador que regista tudo menos as emoções e as necessidades humanas. (…)

Quando a CE vem pedir mais austeridade para Portugal, duvidando das contas de Mário Centeno (uma ficção para conjugar com as ficções de Bruxelas), vem apenas exigir que os portugueses envolvam um pouco mais a corda à volta do pescoço. À espera, talvez, que depois de deixarem de respirar, os portugueses renasçam como vigorosos moços (e moças) dispostos a concorrerem com alemães no trabalho e romenos nos salários.

O certo é que a evidência é cada vez mais clara: com as regras deste euro, Portugal nunca sairá deste círculo vicioso de falta de investimento, desvalorização interna do custo de trabalho, emigração e aumento da dívida. Até ao colapso final. O verdadeiro Plano B, que tem de começar a ser pensado por Portugal (mesmo que todos o neguem), é como sair deste coliseu mortal, onde estamos a ser transformados em gladiadores e não em cidadãos.»

Fernando Sobral
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4.5.16

Para onde foi o dinheiro dos resgates à Grécia?

Dica (285)




«Será que o receio da Comissão Europeia e do FMI é que a actual política do governo dê certo? Que, no curto prazo, a despesa pública aumente e o défice diminua? Esse seria de facto um cenário catastrófico após anos de austeridade, porque poria em causa a tese de que a austeridade é virtuosa e que é o único caminho – a tese “TINA” (de “There Is No Alternative”). Note-se que se me afigura que, no curto prazo, se irá verificar uma melhoria das contas públicas. Mas infelizmente, não obstante flutuações temporárias virtuosas, a trajectória, com austeridade ou sem austeridade, dados os cerca de 130% do PIB de dívida pública, é clara.» 
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D. Sebastião?



Há acontecimentos simbólicos, que valem por mil realidades. 
Caiu o D. Sebastião? Pois, já não precisava de regressar. 

 

Em defesa dos direitos políticos e pela libertação dos 17 ativistas angolanos



«Não há lógica nem conveniência que silencie o nosso protesto perante a flagrante violação dos valores e princípios da democracia, do estado de direito e dos direitos humanos que está a verificar-se em Angola no processo que condenou 17 jovens ativistas – um dos quais luso-angolano – a pesadas penas de prisão, acusados do crime de “actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores” por terem realizado a leitura colectiva do livro “Da ditadura à democracia” de Gene Sharp. Partilhamos a convicção de que não há democracia sem liberdade de expressão e reunião e que o seu exercício não pode ser motivo de incriminação. Razão suficiente para nos juntarmos e promovermos uma Sessão Pública em defesa dos direitos políticos em Angola e pela libertação e absolvição, como pede o recurso judicial, dos 17 ativistas detidos.»

Comissão Promotora: Ana Gomes, eurodeputada; Bárbara Bulhosa, editora; Cândida Pinto, jornalista; Carlos Vaz Marques, jornalista; Diana Andringa, jornalista; Dulce Maria Cardoso, escritora; Edite Estrela, deputada; Fernanda Câncio, jornalista; Isabel Moreira, deputada; João Semedo, médico; Jorge Costa, deputado; José Eduardo Agualusa, escritor; Lídia Jorge, escritora; Marisa Matias, eurodeputada; Pacheco Pereira, historiador; Pilar del Rio, jornalista; Ricardo Araújo Pereira, humorista; Ricardo Sá Fernandes, advogado; Sérgio Godinho, músico; Sónia Fertusinhos, deputada.

Lista de subscritora/es: Abel Barros Baptista, prof univ / Adelino Gomes, jornalista / Afonso Bulhosa, estudante / Alain Corbel, artista visual / Aldina Duarte, fadista / Alex Gozblau, ilustrador / Alexandra Lucas Coelho, jornalista / Alexandre Quintanilha, deputado / Alfredo Barroso, cronista / Alice Samara, historiadora / Almeida Faria, escritor / Alvaro Dionísio, aposentado fp / Amadeu Brigas, professor / Ana Bárbara Pedrosa, editora / Ana Brandão, atriz e cantora / Ana Luísa Amaral, poeta / Ana Luísa Rodrigues, jornalista / Ana Matos Pires, psiquiatra / Ana Monteiro, coord de campanhas / Ana Nicolau, realizadora / Ana Nunes Cordeiro, jornalista / Ana Passos, deputada / Ana Zanatti, actiz e escritora / Anabela Mota Ribeiro, jornalista / Anália Gomes, reformada / André Barata, prof univ / André Carrilho, ilustrador / André Freire, prof univ e politólogo / André Pinotes Batista, deputado / Anselmo Borges, padre e prof filosofia / Antero Braga, livreiro / Antónia Pedroso de Lima, prof univ / António Araújo, jurista e historiador / António Arnaut, advogado / António Cardoso, deputado / António Lobato Faria, editor / António Loja Neves, jornalista / António Pedro Vasconcelos, realizador / António Pinho Vargas, compositor / António Sampaio da Nóvoa, prof univ / Augusto M. Seabra, critico / Bernardo Pires de Lima, investigador / Capicua (Ana Matos Fernandes), artista musical / Carla Sousa, deputada / Carla Tavares, deputada / Carlos Fiolhais, cientista / Carlos Matias, deputado / Carlos Quevedo, jornalista / Casimiro de Brito, escritor / Catarina Martins, deputada / Catarina Raposo, arquitecta paisagista / Cecília Mateus, agente de actores / Celma Branco, educadora de infância / Cláudia Clemente, escritora / Cláudia Lopes, produtora de eventos / Cláudia Marques Santos, jornalista / Dalila Rodrigues / Daniel Blaufuks, fotógrafo / Daniel Oliveira, jornalista / Dina Lopes paulo, advogada / Diogo Leão, deputado / Diogo Madre Deus, editor / Domicília Costa, deputada / Dulce Furtado, assessora de imprensa / Eduarda Abbondanza, estilista / Eduardo Lourenço, ensaísta / Eduardo Marçal Grilo, administrador da F.C. Gulbenkian / Elza Pais, deputada / Fernanda Fragateiro, artista plástica / Fernando Alves, jornalista / Fernando Anastácio, deputado / Fernando Jesus, deputado / Fernando Rosas, historiador / Filipa Farraia, artista visual / Filipe Melo, músico e escritor / Francisca Parreira, deputada / Francisco Fanhais, músico / Francisco Louçã, prof univ / Francisco Mangas, jornalista / Francisco Rocha, deputado / Francisco Teixeira da Mota, advogado / Garcia Pereira, advogado / Gonçalo M. Tavares, escritor / Gregório Duvivier, humorista, poeta / Gustavo Cardoso, investigador / Heitor de Sousa, deputado / Helder Costa, encenador / Helena Barros, educadora de infância / Helena Botelho, arquitecta / Helena Cortesão Monteiro, gestora / Helena Pinto, vereadora / Helena Rafael, assessora de imprensa / Inês de Medeiros, deputada / Inês Ferreira Leite, prof univ / Irene Pimentel, historiadora / Isabel Allegro de Magalhães, prof univ / Isabel do Carmo, médica / Isabel Magalhães, jornalista / Isabel Pires, deputada / Ivan Nunes, investigador / Jacinto Lucas Pires, escritor / Jaime Rocha, escritor / Jerónimo Pizarro, prof univ / Joana Cardoso, designer, ex-vice pres Amnistia Internacional/Portugal / Joana Estorninho de Almeida, historiadora / Joana Gorjão Henriques, jornalista / Joana Lopes, dout. em filosofia / Joana Mortágua, deputada / Joana Villaverde, artista plástica / João Bulhosa, designer / João Constâncio, investigador / João Fazenda, ilustrador / João Galamba, deputado / João da Rocha Pinto, historiador / João de Almeida Dias, jornalista / João Luís Barreto Guimarães, poeta / João Paulo Baltazar, jornalista / João Paulo Cotrim, editor / João Pina, fotógrafo / João Pinho, assessor de imprensa / João Salaviza, realizador / João Soares, deputado / João Tordo, escritor / João Vasconcelos, deputado / Joaquim Carlos Matos, reformado / Joaquim Letria, jornalista / Joaquim Vieira, jornalista / Jorge Campos, deputado / Jorge Falcato, deputado / Jorge Leite, prof univ / Jorge Ramos do O, prof univ / José Barreto, historiador / José Carpinteira, deputado / José Gameiro, psiquiatra / José Manuel Mesquita, advogado / José Manuel Pureza, deputado / José Miguel Medeiros, deputado / José Riço Direitinho, escritor / José Soeiro, deputado / José Tolentino Mendonça, poeta / Judite Cília, designer / Lisa Rimil, LAPA / Lúcia Serras Lopes, téc sup f p / Luís Cília, músico / Luís Fazenda, professor / Luís Graça, deputado / Luís M. Jorge, publicitário / Luís Miguel Rainha, publicitário / Luís Monteiro, deputado / Luísa Costa Gomes, escritora / Luísa Salgueiro, deputada / Manuel Carvalho da Silva, sociólogo / Manuela Couto, atriz / Margarida Vale de Gato, tradutora / Maria Antónia Almeida Santos, deputada / Maria Cunha, argumentista / Maria da Luz Rosinha, deputada / Maria do Carmo Matos, reformada / Maria do Céu Guerra, actriz / Maria João Guardão, jornalista / Maria João Lobo Antunes, antropóloga / Mariana Machado, psicóloga / Mariana Mortágua, deputada / Mário de Carvalho, escritor / Marisabel Moutela, deputada / Marta Bulhosa, investigadora / Miguel Cardina, historiador / Miguel Esteves Cardoso, escritor / Miguel Guedes, músico / Miguel Sousa Tavares, jornalista / Miguel Vale de Almeida, prof univ / Moisés Ferreira, deputado / Norberto Patinho, deputado / Nuno Artur Silva, escritor e empresário / Nuno Crespo, investigador / Nuno Miguel Guedes, jornalista / Odete João, deputada / Ozias Filho, escritor / Palmira Maciel, deputada / Paulino Ascensão, deputado / Paulo Corte Real, prof univ / Paulo Pena, jornalista / Paulo Pinto, historiador / Paulo Trigo Pereira, deputado / Pedro Bacelar de Vasconcelos, deputado / Pedro Baptista Bastos, advogado / Pedro Coquenão, músico / Pedro Cortesão Monteiro, prof. Univ / Pedro do Carmo, deputado / Pedro Filipe Soares, deputado / Pedro Gomes, economista / Pedro Marques Lopes, empresário / Pedro Oliveira, prof univ / Pedro Rosa Mendes, escritor / Pedro Soares, deputado / Pedro Teixeira Neves, jornalista / Rachel Caiano, ilustradora / Raquel Ribeiro, escritora, prof univ / Raquel Vaz Pinto, prof univ / Ricardo Rodrigues, jornalista / Ricardo Soares de Oliveira, prof univ / Richard Zimler, escritor / Rita Ferro Rodrigues, jornalista e apres tel / Rita Simões, tradutora / Rosa Ruela, jornalista / Rosário Gama, professora / Rui Cardoso Martins, escritor / Rui Reininho, músico / Rui Tavares, historiador / Rui Vieira Nery, musicólogo / Rui Zink, escritor / Rute Dias, editora / Sandra Cunha, deputada / Sandra Monteiro, jornalista / Sandra Pontedeira, deputada / Santinho Pacheco, deputado / Sara Figueiredo Costa, jornalista / Sarah Saint-Maxent, téc sup da f p / Sérgio Tréfaut, realizador / Sofia Araújo, deputada / Sofia Lorena, jornalista / Susana Almeida, psicóloga / Susana Moreira Marques, jornalista / Teresa Pina, jornalista, ex-pres Amnistia Internacional/Portugal / Teresa Vilaverde, realizadora / Tété Segadães Pereira, empresária / Tiago Barbosa Ribeiro, deputado / Tiago Rodrigues, dramaturgo e encenador / Valério Romão, escritor / Valter Hugo Mãe, escritor / Vanessa Rato, jornalista / Vasco Araújo, artista plástico / Vasco Pimenta, engenheiro / Vasco Pimentel, dir som cine / Vera Tavares, designer / Vítor Sousa, editor / Wanda Guimarães, deputada / Zé Diogo Quintela, humorista / Zé Pedro, músico 
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Mr. Sanders



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O ministro e o lince



«Há uma grande incógnita no mundo: o que é que diz realmente o cozinheiro sueco dos "Marretas"? Também não sabemos o que cozinha. Apresenta receitas incompreensíveis para o comum mortal.

Ninguém percebe o que ele diz, porque a sua linguagem, parecendo sueco, não o é. A palavra que mais usa é "Bork", o que não quer dizer nada em nenhuma língua.

Há ministros que, de alguma maneira, se assemelham ao cozinheiro sueco da célebre saga animada. Um exemplo é Matos Fernandes que, a julgar no que se diz, é ministro do Ambiente. Talvez um dia ele, num momento Sherlock Holmes, nos possa permitir deslindar o fabuloso caso de, sendo o Algarve um destino turístico mundial, como se concessionou parte dele à prospecção petrolífera (incluindo o "fracking"), como se esses dois mundos pudessem conviver em paz. (…)

O ministro actual, no meio desta tempestade (que é estratégica para a economia e ecologia em Portugal), também não abriu os lábios perante uma atrocidade do actual Governo: a permissão para se voltar a caçar na serra da Malcata. É ali que se tem tentado reintroduzir o lince ibérico (um projecto custoso em termos económicos e de uma riqueza cultural imensa), com a colocação de espécies que são fonte de alimento para ele. Todos eles podem ser um alvo a abater muito fácil. E é isso que, na sombra dos gabinetes, foi agora permitido perante o olhar silencioso daquilo que julgamos ser um ministro do Ambiente.

Perante uma decisão destas, insensata, o que é que está a fazer no Governo um ministro do Ambiente? Apenas a guardar a sua cadeira?»

Fernando Sobral

3.5.16

Entretanto na Síria



Syrie : les hôpitaux, cibles délibérées du régime?

Mais de 170 hospitais terão sido destruídos desde o início do conflito.
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Recado para a União Europeia


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03.05.1968 e a Sorbonne ao rubro



Foi numa 6ª feira da primeira semana de Maio que o mítico movimento estudantil francês, que arrancara em 22 de Março com a ocupação da Universidade de Nanterre e chegara ao Quartier Latin na véspera (2 de Maio), tomou maiores proporções. Depois de reuniões várias e de confrontos entre grupos de estudantes rivais, o reitor da Sorbonne ordenou a evacuação desta pela polícia e seguiram-se horas de verdadeira batalha campal, com barricadas, cocktails Molotov, pedradas, matracas e gases lacrimogéneos. Tudo resultou em dezenas de feridos e mais de 500 prisões e os distúrbios continuaram nos dias que se seguiram.

Depois, o movimento extravasou para o mundo do trabalho, a nível de operários, de camponeses e do sector terciário, reuniu-se numa gigantesca manifestação em 13 de Maio e esteve na origem de uma longa greve geral incontrolada.

Foram-se acalmando as hostes, foi dissolvida a Assembleia Nacional em 30 de Maio e realizaram-se eleições legislativas (que os gaulistas ganharam por larga maioria) no mês de Junho. Mas nada ficaria na mesma e não só em França.

A recordar, a célebre intervenção de Daniel Cohn-Bendit no pátio da Sorbonne e a evacuação pela polícia:



Há 48 anos. Para mim foi anteontem.
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Dica (284)



O que será do Algarve? (Mariana Mortágua) 

«Ao que consta, Jorge Moreira da Silva, ministro do Ambiente de Passos Coelho, será um dos candidatos finalistas a um alto cargo dentro da ONU para as alterações climáticas. (…) 
O mais caricato da história talvez seja mesmo os nomes que deram às concessões no mar algarvio: lavagante, lagosta, lagostim, santola, gamba, sapateira e caranguejo. Quem sabe uma homenagem às espécies ameaças por estes contratos, assinados pelo homem que agora poderá estar na ONU para nos proteger das alterações climáticas.» 
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O golfinho e o escorpião



«Não se pode pedir a um delicodoce golfinho ou a um perigoso escorpião que contrariem a sua natureza. A milenar sabedoria oriental, em especial a chinesa, têm teorizado muito sobre o assunto. Numa palavra, quanto mais velhos ficamos, mais quimérica é a ideia de mudança de personalidade.

Vem isto a propósito de Marcelo Rebelo de Sousa e dos seus primeiros cerca de mês e meio de consulado. (…)

Em termos políticos, Marcelo tem jogado pelo seguro: não dispensou a sua “lua-de-mel” com os Portugueses e muito menos com o Governo. Tem sido uma espécie de porta-voz oficioso de Costa, dando-lhe pancadinhas nas costas em todos – ou quase – os assuntos em que o melindre das situações poderia causar engulhos. (…)

Não se lhe pode pedir que dispa o fato de comentador político-social-desportivo, pois voltaríamos à história da natureza do golfinho e do escorpião. Mas o tempo chegará em que Marcelo não poderá apoiar Costa, seja por erro nas políticas, seja por tacticismo. E ninguém duvida que o actual Presidente é um exímio jogador de xadrez político. Na teoria, pelo menos, é o melhor. Na prática, terá agora a oportunidade da vida para o demonstrar. (…)

E quando acabar a “lua-de-mel” com o Governo, o que fará Marcelo? Como tudo no actual PR, nem os astros sabem. (…)

Era bom que não comentasse tudo e mais alguma coisa, que se resguardasse mais. Já todos entendemos a “política dos afectos” que, não enchendo barrigas, sempre ajuda a aquecer o coração. Gostamos, mas não é só isso que se espera de um PR. Quando os “puxões de orelhas” forem necessários – sobretudo em privado –, não há espaço de manobra quando a imagem da Presidência se vai desenvolvendo na sombra da do Governo. E Costa, inteligente como é, tem-no sabido aproveitar.

Estará Marcelo a cair na teia “candidamente” urdida pelo Primeiro-Ministro, ou à primeira oportunidade é o Presidente que demonstrará o seu lado “escorpiónico”? Entre “marcelices” e “costices”, havemos de saber. E um agradecimento a estes dois protagonistas que têm dado muito mais cor a uma política que estava morta com o eixo Cavaco-Passos-Portas e agora é motivo para uma espreitadela ao “Estoril Open” ou para uma visita à última ferrovia alentejana.»

André Lamas Leite
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2.5.16

Novos tempos


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Havana, no primeiro dia do resto da sua vida

02.10.2011. A morte de Osama bin Laden. «Geronimo Operation»?



Eduardo Galeano explica porquê:

Los hijos de los días 

Mais detalhes aqui.
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Krugman. O texto do dia



Ler AQUI.
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Marcelo. Nem o Lucky Luke lhe chega aos calcanhares



«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, termina a visita a Roma. (…) Após uma escala de apenas meia hora em Lisboa, o Presidente segue para Moçambique.» (DN
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A Dama de Alumínio



«Margaret Thatcher disse um dia que: "O que a Grã-Bretanha precisa é de uma Dama de Ferro." Usando o poder do Estado para defender algumas políticas liberais, Thatcher não deixou herdeiros visíveis.

Mas há, claro, quem sonhe em vir a ser um dia uma Dama de Ferro, na impossibilidade de ser Joana d'Arc ou mesmo a Padeira de Aljubarrota. Há sonhos e realidades. A entrevista de Maria Luís Albuquerque ao DN entreabre a porta para o seu sonho político: ser a sucessora de Pedro Passos Coelho à frente do PSD. (…)

Talvez alguns vejam nela uma potencial Dama de Ferro, uma Thatcher "après la lettre". Não é: Thatcher foi o produto de uma era e de uma revolução globalizadora. Deixou um legado, é certo: a utilidade económica passou a ser o critério de todos os comportamentos humanos. Se Maria Luís acha isto, é porque é muito pouco, ou nada, social-democrata. Sendo assim, Maria Luís nunca poderá ser uma Dama de Ferro, sobretudo numa sociedade latina como esta. Poderá tentar ser uma Dama de Alumínio, mais leve e macia. (…)

Ao anunciar a sua "disponibilidade" Maria Luís reforça a convicção de que Passos já não tem autoridade porque não há liderança. Não há ideias porque não há existência. Não há algo porque não há nada.»

Fernando Sobral

1.5.16

O dr. Catroga é homem para tratar disso


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Dica (283)

Passos Coelho no seu labirinto




Não há ninguém que explique à criatura que aquilo que devia ter feito era organizar um 1º de Maio de luta é CONTRA a situação actual, precisamente por querer acabar com ela? («Governo para a rua», etc. etc.)
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Geringonçando



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Quando se festejou o impossível




… e ele parecia garantido.
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01.05.1973 - O último em ditadura


(Republicação)

Às 2:50 minutos do 1º de Maio de 1973, as Brigadas Revolucionárias executaram uma das suas acções mais espectaculares, da qual resultou a destruição de dois andares do Ministério das Corporações (actual Ministério do Trabalho e da Segurança Social), na Praça de Londres em Lisboa. 

Explicaram mais tarde em comunicado (que pode ser lido AQUI, na íntegra): «O Ministério das Corporações é, por um lado, o instrumento mais directo dos patrões portugueses e estrangeiros, que através dele fixam as condições de trabalho do proletariado – salários, horários – enfim, exploração e repressão (…); e, por outro, um instrumento de exploração directa dos trabalhadores, através da Previdência (…) que fornece serviços de Saúde e Previdência miseráveis.» 

Facto demasiado grave e espectacular para que a censura o silenciasse, foi noticiado nos meios de comunicação social e objecto de todas as conversas, num dia quem que se preparavam manifestações proibidíssimas e precedidas por largas dezenas de detenções nas semanas precedentes (Leia-se a circular da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, de 9/5/1973.) 

Durante a tarde, foram recebidos telefonemas com falsos alertas de bomba em várias grandes empresas de Lisboa. Veio a saber-se depois que se tratara também de uma iniciativa ligada às Brigadas Revolucionárias, cujo objectivo era «libertar» mais cedo os trabalhadores para que pudessem participar na manifestação. 

Ao fim do dia, foi o cenário habitual, mas especialmente repressivo nesse ano, que o Avante! relatará mais tarde: «Em Lisboa, numerosos trabalhadores se concentraram na Baixa a partir das 19:30, sendo brutalmente carregados pela PSP à bastonada, soco, pontapé, do que resultaram dezenas de feridos que tiveram de receber tratamento no hospital, sendo feitas várias prisões.» 

Um ano mais tarde… foi a maior festa que imaginar se possa! 
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