Páginas

27.4.17

Dica (534)



Francia es una abstracción. (Alejandro Nadal) 
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26.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (4)



Mausoléu do Sultão Sanjar, Merv (Turquemenistão), 2016.

(Construído em 1157, recuperado.)
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O 25 de Abril continuou no dia seguinte



26/27 de Abril de 1974: a libertação dos presos de Caxias. Ver aqui seis vídeos.
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Para os juízes implacáveis de Mélenchon




«Dans le texte qui accompagne la consultation proposée aux militants de La France insoumise en vue du second tour de la présidentielle, Jean-Luc Mélenchon précise que "le vote pour la candidate d'extrême droite ne saurait représenter une option". »
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Papa com tolerância de ponto




Mas, PORQUÊ? Temem-se engarrafamentos em Miranda do Douro e em Loulé? Os funcionários públicos, que irão a Fátima, não podem gastar um dia de férias? É para poderem ver tudo na TV, assim que acordarem, quando o papa só chega a Monte Real pelas 16:00?

Enfim… tudo como dantes.
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A doce e amarga França



«A função presidencial em França foi feita à medida de Charles De Gaulle. A maioria era formada em função do Presidente. "Eu sou a República", diria mais tarde De Gaulle, talvez ecoando a vertigem de Luís XIV: "O Estado Sou Eu." Nada que tivesse exasperado os franceses, muitas vezes seduzidos pelo sonho do homem providencial. Não admira porque o Estado é tão incontornável em França. Mas os tempos de De Gaulle evaporaram-se: a "Doce França" que cantava Charles Trenet transformou-se num campo minado: uma dívida colossal e um défice excessivo (que a "punitiva" Europa só encontra nos países do Sul mas se esquece de ver em Paris), um desemprego brutal, uma economia anémica, uma classe política exangue e uma sensação de insegurança (derivada da emigração e do terrorismo) que cresce. Há barris de pólvora com menos hipóteses de explodir. A Europa bem comportada pensa, com a provável vitória de Macron, que as sombras do apocalipse foram afastadas. Estão equivocados. Nem Macron já ganhou, porque estamos a sobrevalorizar o sentido da lógica neste mundo cada vez mais extremado, nem Marine Le Pen pereceu em combate. Tudo por uma simples razão: Le Pen tem um projecto mobilizador, Macron tem uma salada russa de ideias feitas à vontade dos fregueses.

A colisão dos titãs na doce França pode ter sido retardada, mas vai acontecer: as forças do nacionalismo e do elitismo centralizado (disfarçado de liberalismo) estão à espera da batalha final. Os adeptos desta Europa mais ou menos unida pelo euro podem achar que uma vitória de Macron será uma trégua definitiva entre as duas visões da sociedade. Não é. O radicalismo poderia ajudar o poder europeu (e a elite que se acolhe atrás de Macron) a regenerar-se, ou seja a reformar as instituições políticas e a actualizar o contrato da sociedade de bem-estar. Não parece que estejam dispostos a isso. Por isso, a tendência para o desastre vai crescer, porque Macron parece representar mais do mesmo, ainda que com artimanhas de marketing. A doce França está cada vez mais amarga.»

25.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (3)



Basílica do Sagrado Coração de Paris, Montmartre, Paris (França), 2009. 
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25 de Abril em Lisboa




Não só, mas também isto. 
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25 de Abril – As estórias que a História não conta



Duas organizações - «É Apenas Fumaça» e «Divergente» reuniram quatro pessoas à volta de uma mesa «para conversar sobre o outro lado do 25 de Abril». Fui uma dessas pessoas e convido-vos a reservar algum tempo (a conversa foi longa…) para nos ver e ouvir.



Daqui, onde existe uma versão apenas em som.
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Está é inevitável



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Cidade ocupada e radiosa



«A cidade apareceu ocupada e radiosa. Deparámos com colunas militares inundadas de sol; e povo logo a seguir, muito povo, tanto que não cabia nos olhos, levas de gente saída do branco das trevas, de cinquenta anos de morte e de humilhação, correndo sem saber exactamente para onde mas decerto para a LIBERDADE!

Liberdade, Liberdade, gritava-se em todas as bocas, aquilo crescia, espalhava-se num clamor de alegria cega, imparável, quase doloroso, finalmente a Liberdade!, cada pessoa olhando-se aos milhares em plena rua e não se reconhecendo porque era o fim do terror, o medo tinha acabado, ia com certeza acabar neste dia, neste Abril, Abril de facto, nós só agora é que acreditávamos que estávamos em primavera aberta depois de quarenta e sete anos de mentira, de polícia e ditadura. Quarenta e sete anos, dez meses e vinte e quatro dias, só agora.»

José Cardoso Pires, Alexandra Alpha
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25

24.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (2)



Mausoléu de Gur-e Amir, Samarcanda (Uzbequistão), 2011.
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Não comento, não comento, não comento



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Macron / Le Pen



Daniel Oliveira no Expresso diário de hoje:


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E agora, povo português?



Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade – (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
– no negro desespero sem esperança viva –
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?


Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe –
E agora, povo português?


Essas promessas – há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos -
E agora, meu general?


E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade ?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometem ?
E agora, povo português?


Jorge de Sena, 40 anos de servidão
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Gostam muito do novo? Aqui têm o novo



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Macron e Le Pen passam à segunda volta com uma diferença mínima, ambos acima dos vinte por cento. Pelo caminho ficam, pesadamente derrotados, os socialistas e os gaulistas. O candidato da esquerda radical teve praticamente os mesmos votos que Fillon, o gaulista. Tudo isto era mais ou menos previsível, mas é no seu conjunto uma mudança importante na política francesa, tanto mais importante quanto vai no sentido de mudanças idênticas noutros países como a Holanda. (…)

Macron, que tudo indica vai ser o próximo presidente da França, é o retrato do medo dos franceses, o candidato que não é carne nem peixe, e por isso mesmo o único obstáculo a Marine Le Pen. Verdade seja que Le Pen deve meter medo, muito medo, mas mesmo perdendo, ganha. O que é preocupante, não é o facto dos candidatos da Frente Nacional, Le Pen, pai e a filha, nunca ganharem na segunda volta das presidenciais, é que reforçam significativamente a sua posição. Hoje a Frente Nacional é o primeiro partido francês, e a sua candidatura presidencial tem um partido por trás, enquanto que a de Macron não tem. (…)

A novidade da actual situação geoestratégica torna por isso as eleições francesas não só relevantes para a Europa, quer a geográfica, quer a institucional, mas também para o mundo. E a situação é tanto mais nova, quanto uma candidata da extrema-direita como Le Pen, vai ao Kremlin, sem temer pela sua reputação anticomunista que, quer se queira quer não, ainda está associada à Rússia e a Putin. E Trump, um Presidente da democracia americana, não tem pejo de apoiar a mais proeminente representante na política europeia do radicalismo de direita que seria pestífera para qualquer outro Presidente americano.

Le Pen é, como Trump, a face da mudança nas actuais eleições presidenciais e tem votos só por isso, pelo cansaço enorme do eleitorado em relação aos partidos tradicionais. Vai ser ela a ter o voto de protesto, que hoje a esquerda europeia parece incapaz de conseguir, pela combinação da decadência dos partidos socialistas, com o acantonamento da esquerda mais radical, embora esta tenha em França um candidato que sobrevive mais do que os socialistas à hecatombe da esquerda.»
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23.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (1)



Catedral da Assunção, Kremlin, Moscovo (Rússia, 2012)

(Série que já teve alguma vida no «Brumas», agora selecionada e actualizada.)
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França



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23.04.1936 – Tarrafal, 81 anos



O «Campo da Morte Lenta» foi criado em 23.04.1936, encerrado em 1954, reactivado em 1961 por portaria assinada por Adriano Moreira, então Ministro do Ultramar, com o nome de «Campo de Trabalho do Chão Bom», para receber prisioneiros da Guerra Colonial. Durou até 1974. 

Ler aqui um post do ano passado. 
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Macron, a ascenção inquietante de um homem do sistema



Procurei em vão, na imprensa portuguesa, um texto «decente» sobre aquele que tem mais hipóteses de vir a ser o próximo presidente de França. Encontrei, sim, tanto em jornais como nas redes sociais, os velhos arautos do «voto útil» na primeira volta de hoje, sobretudo em eleitores do PS, que ainda não terão entendido onde esse dito não levou a grande maioria dos partidos socialistas europeus – com o gritante falhanço do francês e do seu candidato Hamon. Tivesse ele desistido a favor de Méchenlon – como devia – e estaríamos hoje com uma esperança diferente para a França e para a Europa.

No Público.es, este texto sublinha bem alguns aspectos «interessantes» da ascenção de Macron. 

«La comisión Attali permitió a Macron codearse con grandes empresarios, como el propietario de la compañía de seguros Axa, Claude Bébéar; el presidente de Nestlé, Peter Brabeck; o el gestor de fondos de inversiones Serge Weinberg. De hecho, este último lo promocionó como gerente asociado del Banco Rothschild en Francia.

Tanto como inspector de finanzas o banquero, “Macron siempre supo destacar por encima de sus compañeros y esto le ha permitido rellenar su agenda de contactos”, afirma Endeweld. Unos vínculos con las élites económicas que se estrecharon durante su paso por el Ministerio de Economía.

Por este motivo, no sorprende la simpatía que despierta la candidatura de Macron entre buena parte de los dirigentes del Cac40 (la bolsa de París). (…) Dirigentes de multinacionales francesas componen, asimismo, el equipo de campaña de Macron.

Los responsables de En Marche! han reunido una parte significativa de sus fondos a través de fiestas privadas muy chic en las que piden donaciones a los invitados. (…) A través de un préstamo bancario de 8 millones de euros más las donaciones privadas, el líder centrista “ha prácticamente alcanzado los 21 millones, el presupuesto máximo de un candidato a las presidenciales”. Gracias a sus contactos con las élites políticas y económicas, el joven Macron ha puesto en marcha toda una máquina electoral.»

Estamos conversados? 
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22.4.17

Dica (533)



The Mélenchon Economy. (Liêm Hoang-Ngoc) 

«Jean-Luc Mélenchon’s senior economic advisor explains his proposals to grow the economy and carry out an ecological transition.» 
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Futebol


Como é que se pretende que o futebol seja ainda um desporto cívico quando estão em causa milhões e milhões e quando as televisões fazem dele o alfa e o ómega da vida dos cidadãos? Já há mortes? Haverá mais. 
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A Europa testa os seus limites



«A sociedade francesa polarizou-se e radicalizou-se. E esta eleição, onde se discute sobretudo identidade e segurança, acontece no momento em que Theresa May, do outro lado da Mancha, faz a sua jogada de mestre para enfrentar a União Europeia e destroçar a oposição (trabalhista e interna, dentro dos próprios conservadores). (…)

Nesse aspecto a UE está mais frágil: não consegue reforçar-se politicamente de uma forma tão clara. As próximas eleições em França, na Alemanha e na Itália ilustram a sua debilidade. (…) A Europa está fracturada e volta a dividir-se ao meio, como aconteceu há um século. O sucesso de Le Pen e Mélenchon em França não é estranho: é o reflexo de sociedades onde se tem destruído o factor de estabilidade, a classe média, em nome da necessidade de austeridade cega. Une-os uma crença: o valor do trabalho deixou de existir e grande parte dos cidadãos olha, revoltada, contra uma elite de privilégios. (…)

Com um Fillon sem grande força, resta à elite e aos sectores menos radicalizados apostarem todas as fichas em Macron, o candidato que diz que é como De Gaulle: não é de direita, nem de esquerda, nem sequer do centro. É uma mistura de tudo isso. Ou seja, ele é o reflexo cosmopolita desse universo não ideológico em que só contam os resultados. Pode ser tudo e não ser nada. Mas é isso que leva a que seja confiável pelos sectores que mais têm a perder em caso de radicalização. (…)

O que é curioso é que três dos candidatos em França (Macron, Le Pen e Mélenchon) falam da necessidade de uma "revolução". Não uma nova Revolução Francesa, como a de 1789, mas à medida dos nossos dias. Sobre isso Macron é o menos convincente, mas seja qual for o resultado, dificilmente França voltará a ser a mesma.»

Fernando Sobral

Mostrem isto ao papa



… quando ele estiver a fazer a viagem para Fátima e perguntem-lhe o que pensa deste espectáculo. Tem sempre respostas tão politicamente correctas que gostava de saber o que diria neste caso.
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21.4.17

Janelas e mais janelas


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Dica (532)



Divided Turkey. Erdogan Leads His Country into the Abyss. (Onur Burçak Belli e Maximilian Popp) 

«Recep Tayyip Erdogan emerged victorious from last Sunday's referendum, but his slim margin of victory may actually have weakened his rule. Opposition to the Turkish president's power grab is forming and the EU can do little other than stand aside and watch.»
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Fátima - «Visões Imaginativas»



Espero, ou gostaria de esperar, que a comunicação social e os responsáveis políticos, presidente da República incluído, passassem a falar das «VISÕES» de Fátima ou, pelo menos (vá lá, sou condescendente...), das «ALEGADAS» Aparições em Fátima.


«Delegado pontifício da Cultura no Vaticano diz que é o momento de se falar com a “linguagem exacta” sobre o que se passou há 100 anos na Cova da Iria: foram visões místicas, não aparições.» 
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Eu assinei

Sete vezes vem ao pêlo



«É o tema da semana: uma epidemia de sarampo em Portugal em 2017. Parece uma ideia das lojas da Catarina Portas, mas não é.

Oiço falar em pessoas com sarampo e de imediato volto à infância. Vejo garrafas de Laranjina C e bicicletas de amoladores, vejo anúncios a preto e branco que dizem que capas de amianto na tábua de passar a roupa é que é bom, e recordo o meu pai a apagar o fogo de uma almofada do quarto porque fumava na cama. (…)

Anda por aí uma lógica de contrariar a ciência como se esta gente fosse saudosista dos anos 80, mas AC. Na verdade, vivemos num país que se escandaliza com pais que não vacinam filhos no século XXI, mas que celebra pastorinhos canonizados por curarem doenças com milagres. É profundamente idiota não vacinar filhos, mas esta notícia passa na mesma televisão onde, com ar sério, se celebra dois pastores que vão ser santos por curarem doenças à distância depois de já falecidos.

As televisões estão cheias de anúncios, com gente famosa, de remédios com nomes de desentupidores de sanita que dizem fazer bem ao cálcio dos mais velhos. Há um mês, vi a bruxa/cartomante da SIC a diagnosticar um problema de tiróide, a uma senhora que telefonou para lá, aflita, lendo cartas. Se tem saído a carta "A Carroça", era cirrose hepática. Espero que no futuro a senhora bruxa tenha uma apendicite e seja operada por um ilusionista. (…)

Falta vir o deputado do PAN alertar para a terrível extinção do tão raro vírus do sarampo. Deve um partido que defende a obrigatoriedade de vacinar os animais não defender o mesmo para os humanos? Ó terrível dúvida! (…)

Na minha opinião, a vacinação devia ser obrigatória. Mesmo que tivesse de ser dada com uma espingarda da dardos à distância. Estava a criança no baloiço e tau!, com mira telescópica. Se há pessoas que querem viver na idade da pedra, tudo bem, mas não arrastem os outros com elas. E se for necessário para convencer aquelas pessoas que gostam de fazer nascer os filhos em casa e de não dar vacinas aos miúdos, ofereçam um cheque de cem euros em missangas que elas aparecem.»

João Quadros

20.4.17

Janelas e mais janelas (12)



Casapueblo, Punta del Este (Uruguai), 2015.
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Isto é mesmo um país em forma de assim



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1975 – Nos últimos dias da primeira campanha eleitoral



A propósito de uma conversa recente sobre as primeiras eleições em democracia, retomo um «post» que publiquei já há algum tempo.

Há 42 anos, viviam-se os últimos dias da primeira campanha eleitoral em liberdade: em 25 de Abril de 1975 tiveram lugar as eleições para a Assembleia Constituinte.

A imprensa da época relata as inúmeras sessões de todos os partidos, um pouco por todo o país e recorde-se que foram muitas as interferências de uma parte do clero português quanto a intenções de voto, sobretudo a Norte. Mas até o Rádio Vaticano se pronunciou: o Diário Popular de 17 de Abril citou declarações da emissão portuguesa daquela rádio, segundo as quais «os católicos portugueses não devem dar o seu voto a partidos cujas opiniões e métodos são incompatíveis com as determinações cristãs do homem e a sua vida social. (...) Ninguém ainda conseguiu demonstrar que a visão católica (...) pode ser reconciliada com ideias marxistas». (*)

Não me admirava nada que este tipo de pressões tenha tido alguma influência nos resultados obtidos.

(*) Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, p.78. 
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O pôr-do-sol e o exantema maculopapular



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:


Na íntegra AQUI.
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E se em França os favoritos fossem quatro?



«Esta é a questão que coloca, muito seriamente, a revista "L'Obs". A poucos dias das eleições Marine Le Pen e Emmanuel Macron estão à frente nas sondagens, mas têm muito perto François Fillon e Jean-Luc Mélenchon.

Ou seja, da extrema-direita à extrema-esquerda todos podem vencer. Os patrões franceses, segundo um inquérito do "L'Expansion" preferem Fillon ou Macron. Mas resta saber o que pensam os franceses no geral. Na "L'Obs", Serge Raffy observa: "Um pequeno fenómeno, chamado Jean-Luc Mélenchon, veio virar o jogo. O 'pequeno pai dos povos' da França insubmissa, no papel de raposa no galinheiro, provocou um forte pânico nos estados-maiores. Mélenchon encontra-se no centro do jogo, uma espécie de árbitro das elegâncias eleitorais, testemunha da segunda divisão que se tornou actor principal".

No "El Mundo", Arcadi Espada argumenta: "Isto quer dizer o impensado, o impensável: que Marine Le Pen ou Jean-Luc Mélenchon possam ser presidentes de França é uma possibilidade real. Há uma maneira brutal de descrever esta possibilidade: depois de 1945 o fascismo e o comunismo voltam a competir frente a frente na Europa. Mélenchon e Le Pen só são a versão vermelha e negra do mesmo desembrulhar populista. Ou para dizê-lo em linguagem de ontem: a mesma crise das democracias. Por estes dias, e salvo nos comícios de Macron, em França só se fala de nação e de identidade. A decadência é imparável". No meio está Emmanuel Macron, cada vez mais considerado o candidato que pode conquistar votos à direita e à esquerda. Num dos seus comícios desta semana, em Paris, ele foi claro: "Como De Gaulle eu escolho o melhor da esquerda, o melhor da direita e mesmo o melhor do centro". E acrescentou: "Eu não sou de um lado ou de outro, eu sou pela França". A seu favor citou Lech Walesa, Vaclav Havel, Bob Dylan, Michel Rocard, François Mitterrand e Jacques Chirac. Chegará?»

Fernando Sobral

Jacinta e Francisco «canalizados»?



Não me parece mal… 
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19.4.17

Janelas e mais janelas (11)



Riga (Letónia), 2003.
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Dica (531)




«A clear majority of Turkish voters in Germany cast ballots in favor of Erdogan's presidential system -- many out of spite for the country. The development reveals how far immigrants from Turkey still have to go before they will be integrated at the center of society.» 
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Carta à República





Gravado a partir do LP original de Milton Nascimento e Fernando Brant.
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Carta à Rep


Não em nosso nome, senhor presidente



Leia esta carta aberta, escrita a propósito das declarações do presidente da República em Gorée, e assinaturas, na mesma.


«Declarou Marcelo Rebelo de Sousa que Portugal aboliu a escravatura "pela mão do marquês de Pombal, em 1761," e que "essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade". Esta visão idealista e excecionalista do legado colonial da história portuguesa, assente num alegado pioneirismo humanista, foi sendo construída ao longo do século XIX e popularizada durante o Estado Novo. Serviu como ferramenta retórica que permitiu mobilizar a opinião pública nacional a favor do projeto imperial que começou a desenhar-se em fins do século XIX e, por outro lado, responder aos ataques de potências rivais ou de instituições internacionais como a ONU, quando, a partir dos anos 50, o colonialismo passou a ser rejeitado como modelo de desenvolvimento económico, social e cultural.»

E, a propósito:

Cícero e a corrupção



«Cícero comentou que, quando alguém ocupava um alto cargo de uma província romana, no primeiro ano de mandato roubava o que podia para saldar as dívidas adquiridas com o objectivo de conseguir o posto.

No segundo ano, roubava para enriquecer. E, no terceiro ano, delapidava o património público para subornar os tribunais por causa das acusações de corrupção. (…)

Ou seja, a corrupção não é uma sina ou um pecado de agora, como se observa, com mais ou menos provas, em Portugal. Há, claro, pequena, média e grande corrupção, típica de uma sociedade de favores, de condomínios privados de interesses e de uma pobreza secular.

O que admira em tudo isto é a pouca efectividade das condenações, a morosidade dos processos (como se a lei ajudasse a que se fossem esfumando), a incapacidade dos investigadores. São visíveis em Portugal casos que se vão arrastando nos tribunais (ou mesmo a nível da investigação) até que uma qualquer decisão se tome. É aí que a justiça se vai aniquilando a si própria, perdendo a sua imagem de supremo recurso de uma sociedade que assiste a desmandos sem fim. Pior, estamos a chegar a um ponto em que situações que aparentam crimes sonantes conduzem a becos sem saída. E que permitem a quem consegue ilibar-se de todas as suspeitas consagrar-se como mártir da justiça.

Talvez este seja o preço a pagar pelo triunfo de uma ideologia em que todos os meios justificam o fim pretendido, onde os valores morais são propalados mas não seguidos, onde quem ganha é o herói das massas. Mas não é isso que oxigena uma sociedade democrática que, julga-se, desejamos seja a nossa. A menos que democracia seja outra coisa.»

Fernando Sobral

18.4.17

Janelas e mais janelas (10)



Hanói (Vietname), 2009.
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População mundial: de séc.I a.c. a 2050




O vídeo destaca o crescimento populacional desde o ano 1 A.C, com projecção até 2050. Cada ponto amarelo significa 1 milhão de pessoas. 
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A França, nossa vizinha



«Creio que não se consegue encontrar ninguém à esquerda que responda simultaneamente a duas condições: primeira, aceitar a União Europeia como instituição capaz de cumprir a sua promessa; e, segunda, acreditar que é realizável um plano concreto de reforma democrática que corrija as suas contradições. Entendamo-nos antes que me bombardeiem: há por certo muito quem ache que esta União é o destino celestial, é a própria ideia de Europa, que encarna a paz, a prosperidade e até o Estado Social mas, com uma vénia, prefiro não discutir misticismos, tanto mais que até os iluminados se aperceberam, e alguns com quanta amargura, que Merkel e Hollande e Dijsselbloem não são os corifeus angelicais que nos conduzirão ao paraíso. Por isso, a contradição é esta: os que têm fé na União que nos pintaram sabem que não há forma de cumprir tal promessa e que nos afastamos inexoravelmente desse encantamento. Depois do ignóbil acordo com a Turquia sobre os refugiados, depois da austeridade curativa imposta a Portugal e outros países, depois da falência da Grécia, o tempo para a inocência acabou.

É precisamente isso que nos lembra a França na última semana da sua campanha eleitoral. A crise francesa é filha do vazio europeu ou, mais ainda, é o preço de uma política que destroça os regimes a que foi retirada a legitimidade e a capacidade de criar expectativas para a vida das pessoas. No que é porventura o país mais politizado da Europa, onde começaram todas as grandes esperanças e tragédias dos séculos XIX e XX, a disputa resume-se então a isto: o único candidato obediente-europeista é o homem do centro político, um aventureiro financeiro, Macron; os dois partidos que têm governado sucessivamente parecem estar afastados da disputa, com Hamon, do PS, abaixo dos 10%, e os Republicanos, a direita gaullista tradicional, remando contra a dissolução pelo escândalo; na direita, a candidata forte é Le Pen, dando corpo a um discurso nacionalista de extrema-direita; e o único candidato viável à esquerda, o que mais tem subido nos últimos dias, Mélenchon, é porta-voz da ruptura com os tratados europeus e o seu directório. (…)

Foi a emergência de um candidato à esquerda que mudou a paisagem eleitoral francesa, dado que Mélenchon respondeu ao colapso do centro e da direita tradicionais, mobilizando energias das lutas populares e da identidade nacional em resposta à perseguição que a União move contra as políticas sociais. Ele constitui o único antídoto que enfrenta Le Pen. Creio que é por isso que a sua candidatura cresce tanto nos últimos dias: passou a ser a voz da esquerda social contra o sono da razão. Ora, se as eleições são a única válvula de escape contra a mais opressiva das opressões, o discurso da inevitabilidade do empobrecimento em benefício da plutocracia e da cizânia entre comunidades, temos pela primeira vez uma resposta ao risco da extrema-direita: perdido o centro, é do surgimento de uma nova esquerda que queira ser maioritária que depende a salvação de uma política de bem-estar contra o fanatismo do mal-estar.»

Francisco Louçã

Dica (530)




«S'il fallait un signe pour démontrer l'inquiétude ambiante en France à l'orée de la dernière semaine de campagne présidentielle avant le premier tour du 23 avril, l'annonce ce dimanche par le ministère de l'intérieur du déploiement de 50 000 policiers et gendarmes dans les 67 000 bureaux de vote à travers le territoire est un bon indicateur.»
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Um murro no estômago



… por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.


«No Reduto Sul, onde estavam os pides e não os guardas prisionais, fizeram-me uma coisa que seria incompreensível, se não fosse o objectivo de humilhar, particularmente por eu ser mulher. Despiram-me completamente.» 
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O futebol é tudo?



«No futebol, não há muitas contemplações: ou existe o êxito ou há apenas lugar para o drama. Os últimos dias, nesse aspecto, foram sofríveis peças de teatro coreografadas e interpretadas dentro dos melhores princípios da comédia portuguesa.

Provou-se também que o futebol indígena é uma versão gastronómica da célebre "fast food": não se desfruta, não se digere, não se saboreia com prazer. Tudo tem um sabor amargo, que qualquer pessoa com bom senso quer esquecer rapidamente. Parece que já ninguém tem prazer em ver futebol. Tal como os sistemas de jogo se tornaram conservadores e há cada vez menos espaço dentro de campo para os artistas, porque se preferem jogadores que são robôs, também o discurso dos dirigentes parece ser uma bebida energética. Não se discute futebol: os dirigentes reciclam discursos radicais de ódio. Não há indústria que resista a isso: os nossos dirigentes desejam tribos que se guerreiam porque acham que o futebol é a mãe de todas as virtudes.

Não é um mal português: basta olhar para o que se passou nos últimos dias em França, onde também o radicalismo que se sente na sociedade saltou para os relvados. (…) A balcanização do futebol português, num debate de galos a três, e onde a televisão tem a maior parte da culpa, está a destruir a indústria. E parece que ninguém quer perceber isso, no seu afã de protagonismo pacóvio. O futebol precisa de mais jogadas de génio como as de Isco, do Real Madrid, e menos declarações idiotas de dirigentes. O futebol português já nem é "fast food". É apenas uma tragédia alimentar anunciada.»

Fernando Sobral

17.4.17

Janelas e mais janelas (9)



Thimbu (Butão), 2010.
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Saudades, quem as não tem…



As más memórias também devem ser guardadas.
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17.04.1975 – No Camboja, os Khmer Vermelho tomam Phnom Penh



Foi no dia 17 de Abril de 1975 que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 65 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como estes, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.





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