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24.1.17

A última aposta de Passos Coelho



«Pedro Passos Coelho está a portar-se como o jogador que chega a Las Vegas e aposta tudo num número. Não tem segunda hipótese: ou perde tudo ou ganha o primeiro prémio. (…)

E por isso vislumbrou a sua oportunidade histórica para não ser cilindrado pelo frio caminho da História: mesmo contra a ideologia do PSD, vai impedir a descida da TSU e o aumento do salário mínimo para reentrar no jogo político. A oposição não tem de ser leal. Confrontar-se e competir é um modo natural de actuar na política partidária. Mas Passos Coelho não é uma reencarnação de Maquiavel: não tem o seu requinte e prefere optar pela estratégia que ficou definida como a carga da brigada ligeira. Carrega contra os canhões. Poderá ultrapassar as linhas defensivas do Governo. Mas o mais provável é que fique ferido no campo de batalha.

Passos Coelho não tinha neste momento outra táctica disponível. Ou atacava ou perecia. Parece um kamikaze. Mas é neste momento que testará de uma vez por todas a eficácia das antiaéreas da chamada geringonça. Passos Coelho, vendo Trump na televisão como se fosse uma telenovela, percebeu que, na política, o estado de ânimo é a chave para a vitória. E, neste último ano, a pilha de Passos não tinha energia. Nada mobiliza um partido quando não há ilusão e energia. Passos percebeu que não tinha submetido o PSD à sua personalidade. A TSU foi a sua bebida energética. Por momentos, Passos julga-se Clark Kent quando se transforma em Super-homem.»

Fernando Sobral