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14.2.17

O Grilo Falante e o PSD



«O PSD vive obcecado por manuais de auto-ajuda. Não conseguindo convencer os portugueses da bondade da sua táctica suicida, como se pode ir vendo nas sondagens, procura convencer-se de que o que faz é o máximo.

Procura ganhar autoconfiança para que o que faz fique mais ou menos na mesma. Veste a pele de Grilo Falante e cria factos políticos para encher de lágrimas os olhos dos cidadãos. Com um António Costa vestido com colete à prova de bala, ao PSD sobra disparar sobre Mário Centeno. Mas, nos últimos tempos, o PSD descobriu um novo inimigo público n.º1: Marcelo Rebelo de Sousa. A estratégia de transformar o PR num alvo parece digna de um principiante que vai à barraquinha de tiro de uma feira pela primeira vez: tenta acertar naquele que se desvia sempre dos disparos. O que custa ao PSD é Marcelo defender o Governo ou mesmo Centeno e não lhe fazer uma guerrilha institucional que ajudasse a dança da chuva de Passos Coelho. O problema é que não chovem intenções de voto no PSD. Pelo contrário, elas vão secando.

Na política, vencer é convencer de que se vai ter o poder e se vai utilizá-lo. Os antigos gregos inventaram a retórica para que assim, na sua democracia, todos tivessem hipóteses iguais de persuadir os cidadãos. Mas, como alertava Platão, isto não tinha nada que ver com estar certo ou estar errado. O que importava era ganhar. Com argumentos ou votos. Não é isso que está a acontecer a um PSD que não percebe a nova realidade nacional. Mesmo que um dia um qualquer dilúvio da dívida se volte a abater sobre Portugal. Marcelo conseguiu trocar a culpa dorida da ideologia de Passos pela alegria de viver. E isso agrada aos portugueses. António Costa, com mais ou menos rodopios, vai governando. E todos estão fartos do discurso da crise. Ao mesmo tempo Marcelo sabe que este é o tempo da paz possível. E só quando o PSD tiver uma direcção sensata haverá hipóteses de mudar as cartas da mesa. O PSD, nervoso, acha que só a guerra total serve aos seus interesses. Comete um erro trágico: criticar Marcelo é um "hara-kiri" político.»

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