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26.5.17

À sombra de um Oliveira Costa



«Cerca de oito anos depois já há condenados no caso BPN. Ainda dizem que a Justiça é lenta. Oito anos não dão para um PM tirar um curso. (…)

É bom ver banqueiros atrás das grades mas, desculpem-me a minha insatisfação, parece-me que nestas coisas apanham sempre a arraia miúda. Arranjam um paspalho para ser só ele e o contabilista. Ao Oliveira Costa basta ouvi-lo e vê-lo, e ver como veste, para imaginar que planeou aquilo tudo sozinho... Foi falar com o Dias Loureiro que lhe disse - "isso é demasiado complexo para a minha cabeça". Resultado final, Oliveira Costa catorze anos de prisão, Dias Loureiro quinze dias de férias. (…)

Tenho a teoria que é sempre o que veste pior e está menos bronzeado que vai dentro ou leva a pena maior. É sempre o sucateiro. Se é o Oliveira Costa que leva a maior talhada acredito que no do BES o único condenado vai ser o senhor do bigode, o Amílcar Morais Pires e não um Espírito Santo. No caso do Sócrates, é condenado o Perna e o primo gordo do ex-PM.

É tão curioso ver um indivíduo que pede sandes de Bimbo com queijo levar catorze anos de pena e o Dias Loureiro que ao pequeno almoço faz brincos com lavagantes nem aparecer nos acusados. A esta hora está Aníbal Cavaco Silva a ligar para o Dias Loureiro a dizer: "Sempre pensei que este era um tipo honesto, as pessoas são uma surpresa!". Diz o ex-conselheiro de Estado - "É verdade, quem diria?! Que sorte que tivemos que ainda conseguimos fazer dinheiro com aquilo".

Como dizia um amigo meu - "pelo menos agora podermos parar com alegadamente e chamar-lhes mesmo ladrões" - É verdade, mas na realidade o "alegadamente" é o que lhes tirava o estilo. Ficam só ali a meio: nem eram de confiança nem tinham o charme de um bandido.

Neste momento em que o nosso dinheiro do BPN já ardeu todo, a única coisa que me preocupa é o Oliveira Costa não ter estado presente na leitura da sentença porque fez uma operação cirúrgica e estava em recuperação. O que me preocupa é se foi uma cirurgia plástica e agora chama-se Rute Oliveira e nunca mais lhe pomos a vista em cima.»

João Quadros

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