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16.5.17

As duas versões da globalização



«Xi Jinping é hoje a voz mais audível da globalização económica, contra os princípios mais proteccionistas da administração Trump. O acordo comercial entre EUA e China irá alterar algo? (…)

Vendedores norte-americanos e compradores chineses estarão felizes com os acordos comerciais feitos entre os dois países, que permitirão as exportações de carne, gás natural e outros produtos americanos ao mercado chinês, assim como o acesso ao mercado financeiro chinês por parte de empresas americanas. O acordo surge na sequência dos encontros entre Donald Trump e Xi Jinping que deverão permitir a redução do enorme défice comercial dos EUA face à China (…) Nas sombras há um outro acordo menos visível: a garantia de que se a China pressionar a Correia do Norte, os americanos não levantarão mais a questão da "manipulação" do renminbi. (…)

Não deixa de ser curioso que este acordo surja no momento em que Xi Jinping surge como o campeão da globalização e foi o anfitrião do fórum internacional que decorreu em Pequim para discutir a "Belt and Road Initiative". Grande beneficiária da globalização, a China tem lutado arduamente contra o proteccionismo, princípio que é defendido por Trump. Os dois acontecimentos não são assim obra do acaso: a China quer trazer os EUA de Trump para o mundo económico sem fronteiras. E, para isso, oferece o ramo da paz, ou seja, o seu próprio mercado. No encontro estiveram Presidentes como Vladimir Putin, Rodrigo Duterte, Joko Widodo da Indonésia e Aung San Suu-Kyi. Portos, auto-estradas, caminhos-de-ferro e "pipelines" são as veias dessa enorme circulação. Resta saber como é que, apesar dos acordos, se concretizarão dois ideais, um deles claro: o do "America First" de Trump.»

1 comments:

Francisco Manuel Gentil Apolónio disse...

Ou uma globalização do bem comum, discernimento,inteligência e com o coração ou do egoísmo e ganância do "patrão"?