18.5.18

O desporto sem rei nem roque



«Depois de um adepto assassinado junto ao Estádio da Luz, estádios com bancadas que ameaçam cair e afinal são sólidas, cânticos de alegria sobre mortos por "very-lights" e aviões com equipas que deviam ter caído, invasões de campo e agressão a jogadores, visitas da PJ a vários estádios, programas de TV com ameaças físicas, claques ilegais, e de um grupo de trinta adeptos encapuzados, em Janeiro, ter invadido o treino do Vitória de Guimarães e agredido vários profissionais do clube, finalmente, após o nojento ataque a Alcochete e aos jogadores do SCP, praticado por 50 bisontes ligados à Juve Leo, o Governo acordou para o estado do futebol português. Temos uma espécie de repetição do momento "afinal, Sócrates era um patife", mas desta vez com o desporto-rei. Provavelmente, a seguir, vamos ver a ex-mulher de Bruno de Carvalho vir dizer que ele enganou toda a gente.

Em pouco tempo, falaram Marcelo, Costa e Ferro Rodrigues. Só faltou falar o Salvador Sobral e teríamos as mais altas figuras do país a comentar o caso.

O presidente da AR, Ferro Rodrigues, disse que não ficaria surpreendido se a final da Taça de Portugal se realizasse à porta fechada ou em Vila de Aves e responsabilizou Bruno de Carvalho pelos incidentes: "Põe em causa o país." Que pena não ter sido tão rápido a julgar Sócrates. Imagino que se Bruno de Carvalho fosse deputado e tivesse dado a morada de Alcochete para receber subsídios de deslocação, Ferro Rodrigues diria "nunca alinhei, não alinho e não vou alinhar em dinâmicas que apenas visam diminuir a representação democrática com julgamentos éticos descabidos e apressados".

Já o PM, António Costa, admitiu criar uma autoridade nacional para a violência no desporto. Esperemos que corra melhor do que com os incêndios. Uma coisa é certa, sabemos há uns tempos que António Costa anda a pensar nisto da segurança no desporto. Talvez por isso tenha pedido bilhetes para ficar na tribuna de honra no Benfica-Porto (ao lado do maior devedor do Novo Banco que tinha sido vendido no dia anterior, por tuta-e-meia devido às imparidades) - porque é o local mais seguro do estádio.

Também o Presidente da República veio falar do caso, mostrando-se chocado e exigindo que os suspeitos do ataque sejam rapidamente levados à justiça, até porque neste caso podemos estar à vontade dado que, segundo se sabe, não há nenhum cidadão angolano envolvido na invasão que possa atrapalhar as nossas relações com Angola.

O Presidente também acrescentou que ainda não sabe se vai assistir ao jogo da final da Taça. Marcelo, segundo as notícias, está incomodado com a possibilidade de se sentar ao lado de Bruno de Carvalho. Se calhar, o melhor é o nosso PR convidar o Salgado para o jogo no Jamor e sentar-se ao lado dele, como fazia no Estoril Open. Assim, já não sente incómodo.

Imagino que, de agora em diante, depois do ataque a Alcochete e com o futebol tão mal visto, os políticos vão deixar de pedir bilhetes para a bola e começar a meter cunhas a pedir camarotes para a ópera ou o teatro. É um final feliz.»

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1 comments:

esteves, ayres disse...

Eu até estava para fazer um pequeno comentário sobre os tristes acontecimentos no desporto e em particular no futebol "Rei" e sobre uns tantos corruptos que continuam a viver às custas deste tipo de desporto ao longo dos anos, mas com este V/texto "O desporto sem rei nem roque" teria pouco para dizer... Porquê? Porque tudo foi dito....
Por fim: Onde andaram os ministros para o desporto ou seja os sucessivos ministros?
E já agora: Para que serve os deputados que se encontram bem estalados na Assembleia da República , que só agora vêm a terreiro, como se eles não tivessem responsabilidade politicas...e os sucessivos governos, a justiça, as policias!!!