13.10.18

13.10.1921 – Yves Montand



Yves Montand, de facto Ivo Livi, nascido italiano e naturalizado francês, cantor e actor, que começou por ser comunista para deixar de o ser mais tarde, faria hoje 97 anos.

Pretexto para recordar algumas das suas interpretações, entre muitas.


Paris, Paris:






Porque é tempo delas:




E, inevitavelmente:


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Os «polícias» da net



Há alguns dias divulguei aqui um vídeo sobre as condições em que, nas Filipinas, milhares de pessoas são contratadas para «limparem» a net e em que contextos terríveis e traumáticos trabalham. Alguém me disse então, no Facebook, que isso também existe em Portugal. Aqui fica a confirmação:

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O Orçamento da burocracia de Bruxelas



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Ele é preciso estar sempre a repetir as mesmas coisas, porque há uma intencional dureza de ouvido, que ao menos vale a pena incomodar. Repito: o Orçamento de 2019 que vai ser apresentado ao Parlamento português não é nem português, nem é decidido pela Assembleia da República, nem é o que vai ser aplicado, nem é o resultado das “regras europeias”, não é nenhuma coisa daquelas com que vai ser designado. Voltando a Orwell, é um exemplo primoroso do doubletalk parecido com a designação da defunta República Democrática Alemã, que não era nem república, nem democrática, nem alemã.

Voltamos às repetições: o Orçamento não é português, é estrangeiro, subordinado aos interesses dos nossos credores e às políticas que eles impõem, que não são “portuguesas” num aspecto fundamental — é que não servem o interesse nacional, nem as necessidades de desenvolvimento do país, mas apenas a submissão às políticas alemãs e à vulgata política da troika disfarçada de inevitabilidade económica. O Orçamento serve o pagamento da dívida transformado no alfa e no ómega de toda a política de défice zero. Há outras coisas sob o mesmo céu, mas aqui o sol não nasce para todos.

O Orçamento não é aprovado pelo Parlamento português, que apenas assina de cruz um texto que é decidido em Bruxelas e no Eurogrupo, que tem um direito efectivo de veto sobre as suas medidas. A perda do poder orçamental do Parlamento português, nunca discutida, nem decidida pelos portugueses, é uma das mais graves entorses da nossa democracia. O Parlamento, cuja função orçamental é crucial na identidade de qualquer parlamento em democracia, está castrado nessa função e uma elite, que fala fininho como os eunucos nas óperas antigas, faz a rábula de uma autoria e de um poder que não tem. Também não é verdade que a perda de soberania do Parlamento seja o resultado da adesão aos tratados europeus, visto que muitas das “regras” que recitamos como um mantra não estão em nenhuns tratados, alguns dos quais, como o de Lisboa, foram “vendidos” com dolo, apresentados como reforçando os poderes dos parlamentos nacionais. Quem conheça a burocracia europeia em acto, com a sua enorme arrogância, ao considerar que governa melhor os países da União do que os políticos eleitos, sabe muito bem como se fez e com quem se fez o caminho para a submissão de países como Portugal. E acresce, repetindo-me, que o Tratado Orçamental e o Eurogrupo não são instituições da União Europeia. E, repetindo-me, de novo, o Orçamento aprovado vai ser tão ficcional como a Branca de Neve. Como já aconteceu aos orçamentos anteriores, o Orçamento real é o Orçamento resultante das cativações dentro do Orçamento de fachada.

Nestas matérias está-se como a “voz clamando no deserto”. O que se ouve de imediato como resposta é uma variante do discurso do ocupado que interioriza o discurso do ocupante, uma soma de argumentos ad terrorem, de que quem contesta o oito quer o 80, ou do desabar cataclísmico de tudo, à mais pequena contestação do estado de coisas. É um discurso de quem tem medo de levantar um dedo que seja, e que começa por se apresentar como “realista” e contrariado pela ocupação, para acabar por ser entusiástico com o ocupante.

Na história, é um discurso conhecido e, sem querer ser excessivo, é muito parecido com o discurso dos franceses depois da derrota de 1940, em que começaram por pregar uma atitude de “realismo”, face à ocupação alemã, dizendo que ser patriota era apoiar Pétain, que obteve a “pacificação” da França derrotada. Diziam que a soberania muito limitada que os alemães permitiram durante algum tempo garantia a continuidade da França no fim da guerra, claro, se ela fosse vencida pelos alemães. Terminou tudo como se sabe, com a “colaboração”, com o fim da zona “livre”, com os italianos a ocuparem a Riviera e os alemães a França toda, e a guerra civil com todas as suas violências. A excepção solitária foi De Gaulle e alguns dos seus companheiros que, esses sim, salvaram a França.

A discussão enganadora sobre o Orçamento e as migalhas de decisão que o Governo e o Parlamento ainda têm retiram conteúdo à política em democracia, ou seja, tornam-na menos democrática. O PSD, o CDS e PS são partidos do Tratado Orçamental, o BE e o PCP por razão da “geringonça” não têm qualquer autonomia nesta matéria. À mais pequena crise de fora, vai desabar tudo. E depois queixem-se do populismo.»
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12.10.18

A Mafalda é que sabe


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12.10.1960 - O sapato de Nikita


Há 58 anos, durante uma agitadíssima Assembleia Geral da ONU, Nikita Kruschev tirou um sapato e bateu furiosamente com ele na sua bancada.

O incidente produziu-se num momento de grande tensão na Guerra Fria, cinco meses depois de um avião-espia americano ter sido abatido em território soviético e quando o recentíssimo governo de Fidel Castro se aproximava cada vez mais da URSS.

Na origem do gesto de Kruschev esteve uma intervenção do representante das Filipinas, em que este acusou a União Soviética de «colonizar» os países da Europa de Leste e os privar de direitos civis e políticos.

Seguiu-se uma sequência rocambolesca: Nikita protestou com o sapato, o presidente da Assembleia tentou controlá-lo batendo na mesa com um martelo, partiu-o, apagou a comunicação das traduções simultâneas e interrompeu a sessão.

Nos dias que se seguiram, não se falou de outra coisa - num mundo muito menos mediático do que hoje, foi «um sucesso».

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(Fonte)
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Brasil: Isto não é um poema, é um desabafo!




Obrigatório ouvir.
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O fim da realidade



«Não é "1984" de George Orwell que define estes dias. Nem, talvez, o injustamente esquecido "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley. Embora uma frase deste anda ecoe: "A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão." Talvez o mais visionário de todos, sobre este novo tempo, tivesse sido Philip K. Dick. Foi o desaparecimento da realidade que ele antecipou nestes tempos de Donald Trump, de Jair Bolsonaro, de Salvini, Órban ou Steve Bannon. Ou dessas figuras menores e vazias como André Ventura. Em que o caos destrói, sem remorsos, a pretensa ordem e o desarticulado contrato social no qual julgávamos viver. Muitos, nesta era de globalização económica e financeira, se espantam com o regresso das fronteiras estanques. Com os votos em Bolsonaro, arauto de um Brasil que quer ordem, porque todos necessitam de acreditar em algo. Não se percebe a admiração: se escutarmos música este é o tempo definido por George Clinton e os Parliament, com o seu álbum novo, "Medicaid Fraud Dogg" ou, se atentarmos à cultura, pelo significado do quadro de Bansky adquirido por 1.185.000 euros e que se autodestruiu segundos depois. Porquê a admiração? Alguém comprava um nome e não uma obra. De que serve a realidade nestes dias?

Nestes dias em que a democracia vive os seus piores momentos, e que o Estado do Bem-Estar se afunda no mal-estar das sociedades, em que os partidos tradicionais não vislumbram a mudança climática e dos costumes, os erros acumulam-se para conduzir à chegada de messias. A pobreza acumulada, o fim da classe média por causa da austeridade e do final da lógica de ascensor social, só poderiam conduzir a este beco com uma única saída: as ideias musculadas. A vitória de Bolsonaro que tanto escandalizou as almas castas entre nós é o fruto podre de uma sociedade perdida. É a crise da cultura, da ética e da verdade. É sobretudo o fim da palavra. Porque, como sucedeu nos EUA, deixou de se cumprir a democracia: não há debate de opiniões. Não se discutem ideias, programas. Tudo o que é importante discutir é tratado com leviandade ou com um grande cansaço. Afunila-se tudo: já não importa o conteúdo, mas sim o que se dizer como "slogan". Os factos deixaram de importar, porque já ninguém se importa em saber se eles são verdadeiros ou não. As redes sociais tornaram-se o laboratório destes dias: frases com ódio extremo devoram qualquer tentativa de uma discussão franca. Não há espaço para o debate, só para o ruído. Tudo é "heavy metal" ou "rap" do pior. No Brasil, o culpado não é Bolsonaro nem quem tem um projecto para "limpar" o Brasil: é também de todos os que, como Lula da Silva ou a inefável Dilma Rousseff (cuja arrogância é impossível esquecer quando visitou Portugal nas alturas da intervenção da troika), em vez de criarem uma aliança, julgaram poder vencer sozinhos o "tsunami" do "contra". Erraram e agora o Brasil está à beira do abismo. Mas, na Europa, não podemos sorrir: os mesmos erros estão a cometer-se aqui. A realidade, como anteviu Philip K. Dick, evaporou-se.»

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11.10.18

Gabriela Moita



Vale muito a pensa ouvir esta entrevista, transmitida ontem pela RTP3.
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Dica (816)




«La democracia brasilera recibió un nuevo y duro golpe. Entenderlo es una de las condiciones necesarias para seguir luchando por ella. Los fascistas pueden tener victorias, pero éstas serán siempre pasajeras, mucho más efímeras de lo que ellos creen. Porque el fascismo está condenado a ser siempre derrotado por los que seguimos, a pesar de todo, convencidos de que la esperanza vence al miedo.»
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O silêncio dos bons



«"O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

Como falar sobre comunicação nesta semana sem referir as eleições presidenciais brasileiras? Os ângulos possíveis são muitos, todos vão de alguma maneira incomodar uma ou ambas as partes políticas envolvidas.

O meu Tio Olavo costumava dizer que "o fim do mundo não é esse fim do mundo todo que as pessoas pensam". Costumava. Mudou de opinião. É que ele tem, como eu, uma quantidade imensa de brasileiros a frequentar o timeline do Facebook.

Onde antes pululavam gatinhos e frases bonitas assinadas por Machado de Assis, Fernando Pessoa e Clarice Lispector, mesmo que nunca ditas pelos próprios, agora há ofensas em caixa alta, ameaças seguidas de múltiplas exclamações e muitos emojis zangados ou a vomitar.

As recentes eleições transformaram as redes sociais brasileiras em batalhas campais, em que familiares se ofendem, amigos se insultam, conhecidos se bloqueiam.

Isto nem é muito novo, apenas ganhou mais expressão. Desde as precursoras caixas de comentários dos jornais online (lar das mais bizarras opiniões, reduto dos que só são valentes por trás do anonimato) que a insanidade verbal se tornou o novo normal. O problema é que o que era só virtual vazou para o mundo real.

O provável futuro Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, já avisou que o que os seus militantes fazem não é da conta dele. Ou seja, assobiou para o lado pois sabe que uma vez a porteira aberta a boiada não tem mais controle.

Como todos os líderes extremistas, Bolsonaro funciona como o fulano que cobre a floresta de querosene, mas não se considera incendiário, pois quem levou o isqueiro foi um amigo. E, assim, alguns milhões de brasileiros mostram ao mundo o que há de mais feio, rude e violento.

Peço desculpas antecipadas aos eleitores de Bolsonaro que não fazem parte da imensa militância fascista que o acompanha. Mas, diz-me com que votas e tirarei algumas ilações sobre quem és.

Para os que gostam de relativizar, o argumento que os petistas também eram e são chatos e radicais, apesar de verdadeiro, não serve como justificativa para os péssimos comportamentos da nova direita.

Os novos bárbaros misturam-se aos bem-intencionados, desinformados, ingénuos ou revoltados contra o sistema criando o caldo de cultura que dá força a um verdadeiro gangue que quer ditar comportamentos ("Morte aos maconheiros", "Vamos acabar com a ditadura gay", "Quem adora o diabo que vá para o inferno"), reativar preconceitos ("Lugar de negro é na senzala", "Brasil: ame-o ou deixe-o", "Mulher é ser inferior"), regredir a um passado que só na cabeça deles era bonito, limpo, honesto, seguro, onde todos eram felizes e os rios eram de chocolate.

A narrativa de Bolsonaro é tão eficaz quanto irreal. O que faz lembrar Aristóteles que alertou na sua "Poética" o quanto o ser humano tinha necessidade de ficcionar o mundo. Só tenho pena que o meu Brasil está a um passo de optar em se tornar um filme de época, em preto e branco e de terror.»

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10.10.18

Nem precisa de legenda



É Hong Kong, obviamente.
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Há 55 anos, calou-se Edith Piaf



Uns dizem que morreu em 10 de Outubro de 1963, outros que foi no dia seguinte, poucas horas antes do seu grande amigo Jean Cocteau.

Piaf colou-se para sempre à «pele» da minha geração, como tantos outros cantores sobretudo franceses, quando este país era quase tão sombrio como os vestidos pretos que ela nunca largou. Mas acrescento uma nota pessoal: acabada de regressar de Portugal, onde tinha vivido a primeira parte da crise académica de 1962, eu vi-a e ouvi-a, em Lovaina, no mesmo dia (vim a sabê-lo algumas horas mais tarde) em que 1.500 estudantes foram presos na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa. «L'hymne à l'amour» ficou para sempre associado, em mim, ao Dia do Estudante.



Cantou Paris como poucos:



Mais:







P.S. - Site de homenagem a Piaf, criado por ocasião do 50º aniversário da sua morte.
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Tropa fandanga. Comentários para quê




«Uma das casas do Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA) alugadas a militares em Lisboa estava arrendada ao filho do major Vasco Brazão, ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), detido no âmbito do caso Tancos. Contudo, a casa não era habitada pelo arrendatário e era o pai, o major Vasco Brazão, o responsável pelo subaluguer da habitação a turistas estrangeiros.»
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Democratas brasileiros, uni-vos!



«A democracia brasileira está à beira do abismo. O golpe institucional que se iniciou com o impeachment da Presidente Dilma e prosseguiu com a injusta prisão do ex-presidente Lula da Silva está quase consumado. A consumação do golpe significa hoje algo muito diferente do que foi inicialmente pensado por muitas das forças políticas e sociais que o protagonizaram ou dele não discordaram. Algumas dessas forças agiram ou reagiram no convencimento genuíno de que o golpe visava regenerar a democracia brasileira por via da luta contra a corrupção; outros entendiam que era o modo de neutralizar a ascensão das classes populares a um nível de vida que mais tarde ou mais cedo ameaçaria não apenas as elites mas também as classes médias (muitas delas produto das políticas redistributivas contra as quais agora se viravam). Obviamente, nenhum destes grupos falava de golpe e ambos acreditavam que a democracia era estável. Não se deram conta de que havia três bombas-relógio construídas em tempos muito diversos mas podendo explodir simultaneamente. Se tal ocorresse, a democracia revelaria toda a sua fragilidade e possivelmente não sobreviveria.

A primeira bomba-relógio foi construída no tempo colonial e no processo de independência, foi acionada de modo particularmente brutal várias vezes ao longo da historia moderna do Brasil mas nunca foi eficazmente desactivada. Trata-se do DNA de uma sociedade dividida entre senhores e servos, elites oligárquicas e povo ignaro, entre a normalidade institucional e a violência extra-institucional, uma sociedade extremamente desigual em que a desigualdade socio-económica nunca se pôde separar do preconceito racial e sexual. Pese embora todos os erros e defeitos, os governos do PT foram os que mais contribuíram para desactivar essa bomba, criando políticas de redistribuição social e de luta contra a discriminação racial e sexual sem precedentes na história do Brasil. Para a desactivação ser eficaz seria necessário que essas políticas fossem sustentáveis e permanecessem por várias gerações a fim de a memória da extrema desigualdade e crua discriminação deixar de ser politicamente reactivável. Como tal não aconteceu, as políticas tiveram outros efeitos mas não o efeito de desactivar a bomba-relógio. Pelo contrário, provocaram quem tinha poder para a activar e a fazê-lo quanto antes, antes que fosse tarde de mais e as ameaças para as elites e classes médias se tornassem irreversíveis. A avassaladora demonização do PT pelos media oligopolistas, sobretudo a partir de 2013, revelou a urgência com que se queria pôr fim à ameaça.

A segunda bomba-relógio foi construída na ditadura militar que governou o país entre 1964 e 1985 e no modo como foi negociada a transição para a democracia. Consistiu em manter as Forças Armadas (FFAA) como último garante da ordem política interna e não apenas como garante da defesa contra uma ameaça estrangeira, como é normal nas democracias. “Último” quer dizer em estado de prontidão para intervir em qualquer momento definido pelas FFAA como excepcional. Por isso, não foi possível punir os crimes da ditadura (ao contrário da Argentina mas na mesma linha do Chile) e, pelo contrário, os militares impuseram aos constituintes de 1988 28 parágrafos sobre o estatuto constitucional das FFAA. Por isso, também muitos dos que governaram durante a ditadura puderam continuar a governar como políticos eleitos no congresso democrático. Apelar à intervenção militar e à ideologia militarista autoritária ficou sempre latente, pronta a explodir. Por isso, quando os militares começaram a intervir mais activamente na política interna nos últimos meses (por exemplo, apelando à permanência da prisão de Lula) isso pareceu normal dadas as circunstâncias excepcionais.

A terceira bomba-relógio foi construída nos EUA a partir de 2009 (golpe institucional nas Honduras) quando o governo norte-americano se deu conta de que o sub-continente estava a fugir do seu controlo mantido sem interrupção (com excepção da “distração” em Cuba) ao longo de todo o século XX. A perda de controlo continha agora dois perigos para a segurança dos EUA: o questionamento do acesso ilimitado aos imensos recursos naturais e a presença cada vez mais preocupante da China no continente, o país que, muito antes de Trump, fora considerado a nova ameaça global à unipolaridade internacional conquistada pelos EUA depois da queda do Muro de Berlim. A bomba começou então a ser construída, não apenas com os tradicionais mecanismos da CIA e da Escola Militar das Américas, mas sobretudo com novos mecanismos da chamada defesa da “democracia amiga da economia de mercado”. Isto significou que, além do governo dos EUA, a intervenção poderia incluir organizações da sociedade civil vinculadas aos interesses económicos dos EUA (por exemplo, as financiadas pelos irmãos Koch). Portanto, uma defesa da democracia condicionada pelos interesses do mercado e por isso descartável sempre que os interesses o exigissem. Esta bomba-relógio mostrou que já estava operacional no Brasil a partir dos protestos de 2013. Foi melhorada com a oportunidade histórica que a corrupção política lhe ofereceu. O grande investimento norte-americano no sistema judicial vinha do início dos anos de 1990, na Rússia pós-soviética e também na Colômbia, entre muitos outros países. Quando a questão não é de “regime change”, a intervenção tem de ser despolitizada. A luta contra a corrupção é isso. Sabemos que os dados mais importantes da operação Lava-Jato foram fornecidos pelo Departamento de Justiça dos EUA. O resto foi resultado da miserável “delação premiada”. O juiz Sergio Moro transformou-se no agente principal dessa intervenção imperial. Só que a luta contra a corrupção por si só não seria suficiente no caso do Brasil. Era suficiente para neutralizar a aliança do Brasil com a China no âmbito dos BRICS, mas não para abrir plenamente o Brasil aos interesses das multinacionais. É que, em resultado das políticas dos últimos quarenta anos (e algumas vindas da ditadura), o Brasil teve até há pouco imensas reservas de petróleo fora do mercado internacional, tem duas importantes empresas públicas e dois bancos públicos, e 57 universidades federais completamente gratuitas. Ou seja, é um país muito longe do ideal neoliberal, e para dele o aproximar é preciso uma intervenção mais autoritária, dada a aceitação das políticas sociais do PT pela população brasileira. E assim surgiu Jair Bolsonaro como candidato “preferido dos mercados”. O que ele diz sobre as mulheres, os negros ou os homossexuais ou a tortura pouco interessa aos “mercados” desde que a sua política económica seja semelhante à do Pinochet no Chile. E tudo leva a crer que será porque o seu economista-chefe tem conhecimento directo dessa infame política chilena. O político de extrema-direita norte-americano Steve Bannon apoia Bolsonaro, mas é apenas o balcão da frente do apoio imperial. Os analistas do mundo digital estão surpreendidos com a excelência da técnica da campanha bolsonarista nas redes sociais. Inclui micro-direcionamento, marketing digital ultra-personalizado, manipulação de sentimentos, fake news, etc. Para quem assistiu na semana passada na televisão pública norte-americana (PBS) ao documentário intitulado Dark Money, sobre a influência do dinheiro nas eleições dos EUA, pode concluir facilmente que as fake news (sobre crianças, armas e comunismo, etc.) no Brasil são tradução em português das que o “dark money” faz circular nos EUA para promover ou destruir candidatos. Se alguns dos centros de emissão de mensagens estão sediados em Miami e Lisboa é pouco relevante (apesar de verdadeiro).

A vitória de Jair Bolsonaro no segundo turno significará a detonação simultânea destas três bombas-relógio. Dificilmente a democracia brasileira sobreviverá à destruição que causarão. Por isso, a segunda volta é uma questão de regime, um autêntico plebiscito sobre se o Brasil deve continuar a ser uma democracia ou passar a ser uma ditadura de tipo novo. É certo que a direita brasileira revelou nos últimos dois anos um apego muito condicional à democracia ao alinhar com o comportamento descontrolado (mas bem controlado noutras paragens) de parte do judiciário, mas estou certo de que largos sectores dela não estarão dispostos a suicidar-se para servir “os mercados”. Têm de unir-se activamente na luta contra Bolsonaro. Sei que muitos não poderão recomendar o voto em Haddad, tal é o seu ódio ao PT. Basta que digam: não votem em Bolsonaro. Imagino e espero que isso seja dito publicamente e muitas vezes por alguém que em tempos foi um grande amigo meu, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e, antes disso, um grande sociólogo e doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, de quem eu fiz o elogio. Todos e todas (as mulheres não vão ter nos próximos tempos um papel mais decisivo para as suas vidas e a de todos os brasileiros) devem envolver-se activamente e porta-a-porta. E é bom que tenham em mente duas coisas. Primeiro, o fascismo de massas nunca foi feito de massas fascistas, mas sim de minorias fascistas bem organizadas que souberam capitalizar nas aspirações legítimas dos cidadãos comuns a viverem com um emprego digno e em segurança. Segundo, ao ponto que chegámos, para assegurar uma certo regresso à normalidade democrática não basta que Haddad ganhe, tem de ganhar por uma margem folgada»

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9.10.18

Um drama de todas as famílas


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Brasil: esta cova é a parte que te cabe deste latifúndio



«Acabou. Não vai começar nada, não dá tempo, aquele chavão de “brasileiro, profissão esperança” é coisa do passado. Acabou mesmo. Não me venham falar do amor, do sorriso e da flor. O barquinho já não está no mar. Afundou. E eu cansei. Não há mais essa conversa do país do futuro, dos jovens, nem da alegria, nem do futebol ou do samba. Esqueçam isso, tirem a maquilhagem. Dispam a fantasia. O Carnaval acabou.

Que conversa é essa? Temos de nos confrontar: 46 milhões de brasileiros vestiram-se com a bandeira nacional, apropriando-se do símbolo identitário do país, e votaram num candidato antidemocrático, racista, misógino, violento. Têm todo o direito de o fazer e exerceram este direito em plenitude, não se coibiram. Não lhes vou dar os parabéns, não me peçam. Mas também não lhes recuso o direito a expressar livremente a sua vontade. O que é preciso é arrancar a máscara, olhar com olhos de ver as consequências desta decisão. E este Brasil é feio de se ver.

Sinais: um compositor e professor de capoeira de 63 anos terá sido morto num bar em Salvador, estado da Bahia, depois de ter dito que votara no PT. Um dos responsáveis por partir ao meio uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano, foi o eleito com o maior número de votos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

É preciso sublinhar que os eleitores brasileiros não são inimputáveis, não são crianças, não são diminuídos mentais. Quem votou fez o que quis. Como quis. Não é porque o sotaque é mais doce, o sorriso mais aberto, o balanço do corpo mais fluido que eles não são seres racionais. São. Foram. E porque são adultos, têm de ser responsabilizados. Eu aceito o resultados, eles terão de prestar contas. E nós teremos de aprender a cobrar a dura fatura que já se antevê. Estamos todos avisados.

Os eleitores de Jair Bolsonaro não são analfabetos, iliterados, nem têm défice cognitivo. A “Folha de São Paulo” já analisou os resultados e constatou que “nos 25% dos municípios com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto, Bolsonaro teve média de 58% dos votos”. Sabem ler e souberam escrever, embora nem fosse necessário, bastava digitar alguns botões.

Não repitam, portanto, a ideia de que estes votantes são apenas pessoas de bem que querem a ordem e o progresso do país e que, se não for o capitão reformado, o caos será o destino do Brasil. Essas pessoas não foram ao engano, não podem invocar a banalidade do mal. Sérgio Rodrigues, escritor premiado em Portugal com “O drible” - um romance sobre o desporto-pátrio -, deixou o alerta na nova praça pública que são as redes sociais, dias antes da votação: “A vitória de Bolsonaro só se torna um evento provável porque pessoas bem intencionadas, pacíficas, civilizadas, muito distantes do estereótipo boçal de seus apoiadores iniciais, estão aderindo a ele. É o que chamo, citando a filósofa Hannah Arendt, BANALIDADE do mal. A banalidade do mal à brasileira”.

O escritor, profundo conhecedor da língua portuguesa, já entrevistado para o Expresso, continua a fundamentar o seu raciocínio: “Guardadas as devidas proporções, num processo semelhante ao que tornou a monstruosidade nazista viável porque implementada por gente comum, não monstruosa, estamos vendo que os fartos sinais de covardia, despreparo, ignorância, fanfarronice, falta de ética, de humanidade e de programa emitidos pelo candidato do PSL, em vez de desmoralizá-lo, são vistos como qualidades por pessoas que julgávamos insuspeitas. Sinais trocados: toda a crise política é também uma crise cognitiva. Por que ocorre essa distorção? Porque do outro lado temos um partido autocentrado e arrogante que nunca reconheceu seus graves erros. O PT subestima grosseiramente a potência do antipetismo. Talvez tente corrigir isso no segundo turno, quem sabe dá tempo. O problema é que pode não haver segundo turno.” Vai haver segundo turno, sim. Mas para quê?



Manuela Moura Guedes



Como referiu, sem criticar, que Bolsonaro defende o porte de arma, ela antecipou-se e levou um revólver pendurado ao pescoço, ontem, na sua estreia na SIC. Será que foi oferta da estação de Balsemão para enquadrar as parvoíces que debitou?
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O sítio do Picapau Amarelo



«Monteiro Lobato foi o criador do célebre "Sítio do Picapau Amarelo". Mas não só. Ele escrevia, em 1927, os diálogos de mister Slang, um expatriado, com o Brasil. E aquele dizia: "O orçamento do Brasil compõe-se de uma torneira como aquela, a Receita, e de uma infinidade de 'ladrões' por onde a água escapa. Sabe o que é 'ladrão' em técnica hidráulica?" O interlocutor respondia: "Sei. Falso escapamento de água." E mister Slang: "Isso. Há ladrões em excesso na caixa d'água do Tesouro deste país." O dinheiro que jorrou do petróleo (e da venda de matérias-primas da Amazónia) serviu para tudo, especialmente nas últimas décadas: até para servir de combustível para esta crise que abala a economia, a sociedade e o poder político brasileiro. O milagre esgotou-se. A vitória de Jair Messias Bolsonaro era previsível. Mas esmagou. Poderá perder para o voto útil em Fernando Haddad na segunda volta. Mas o mote está dado: o Brasil está dividido ao meio. Messias Bolsonaro, no seu extremismo fascizante, é a resposta radical à corrupção do PT (e não só, ao contrário do que faz crer o juiz Sérgio Moro) e à falta de segurança. É a implosão do sonho brasileiro: o país do futuro, construído à volta da alegria, do samba e das chuteiras, percebeu que tem pés de barro. A vitória de Messias Bolsonaro é o fim da grande conciliação brasileira promovida por Lula da Silva durante os seus momentos áureos, entre a elite e os excluídos. Durante anos, Lula, apresentado como se fosse o novo Roberto Carlos nos círculos de São Paulo, uniu o impossível: a elite económica do Brasil e o povo. Mas, nas vésperas da sua primeira eleição, o filme "Cidade de Deus" explicava como esse "contrato social" era impossível a prazo. O Mensalão e a Lava Jato ensombraram o PT. Mas o "sonho brasileiro" da conciliação nacional e do futuro próspero e global electrocutou-se. E a elite culpa Lula por isso. A luta anticorrupção foi apropriada por Bolsonaro. A elite vê nele o seu Messias redentor. O sítio do Picapau Amarelo desapareceu.»

Fernando Sobral
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8.10.18

Marcelo e Cavaco




A ideia que tenho é que Marcelo, que deve acordar cedo já que dorme pouco, salta da cama e pensa o seguinte: como é que vou hoje atirar-me a Cavaco?
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Bolsonaro: Quem financia a campanha?


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Nova Sondagem: finalmente uma óptima notícia!




«O PS cai um ponto percentual para 38,9% das intenções de voto (...) Os socialistas são mesmo a força que mais cai relativamente ao barómetro político de Setembro.

Em sentido inverso, o partido liderado por Catarina Martins é o que mais sobe ao ganhar 1,3 pontos para 9,1%. As restantes forças políticas com assento parlamentar (o PAN não é avaliado no barómetro Aximage) praticamente não mexem relativamente à sondagem do mês passado que marcou a rentrée política.»

Claro que, no próximo barómetro da Eurosonagem, o PS terá mais e o Bloco menos: Oliveira e Costa é como o teste do algodão… Mas recordo que a Aximage foi quem mais cedo, e mais correctamente, previu os resultados das últimas legislativas.




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Brasil: é isto


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Aguardando o colapso do sistema político



«Haverá uma segunda volta nas presidenciais brasileiras. O ex-capitão Jair Bolsonaro dispõe de uma larga vantagem mas três semanas de campanha é muito tempo. Os termos do debate vão mudar. Limitamo-nos a três notas de enquadramento, sobre Bolsonaro, o “cisne negro” da campanha eleitoral, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o impacto destas eleições sobre o sistema político brasileiro.

O ex-capitão tornou-se num fenómeno eleitoral, com uma irresistível dinâmica nos últimos dias. “De todos os candidatos competitivos, ele foi o único a registar uma alta consistente em todos os segmentos do eleitorado, em especial nos tradicionais redutos do lulismo. Conseguiu com isso estancar o movimento de ascensão do petista Fernando Haddad”, resumiu o jornalista Helio Gurovitz. Mas não foi suficiente para vencer na primeira volta.

PUB Se é um fenómeno, “ele tem raízes na sociedade brasileira. Há elementos que não apenas aderiram mas produziram o seu ‘mito’”, sublinha o politólogo Carlos Melo. “O ‘mito’ sustenta-se numa visão crítica, radical e sectária, que reage a um sistema político que, convenhamos, colapsou.”

A socióloga Esther Solano estudou durante meses as motivações dos seus eleitores. “Alguns que [antes] escolheram Lula, por ser um nome anti-sistema, votam hoje em Bolsonaro pelo mesmo motivo.” Ele surge com a imagem “do político honesto” em contraponto com “a classe política corrupta”. “Compraram a ideia de que o PT é o partido mais corrupto do Brasil.”

A sua retórica do “bandido bom é bandido morto” encontra eco em vastas camadas que se consideram reféns da violência, “enquanto o criminoso está superprotegido pelo Estado”. A Bolsa Família e as quotas universitárias são interpretadas como incentivo à preguiça e a parasitar o Estado. Os movimentos identitários — negro, feminista ou LGBT — produzem o “caos social” e desestruturam a família tradicional.

Os jovens identificam Bolsonaro como rebelde. “Se nos anos 70 ser rebelde era ser de esquerda, agora, para muitos desses jovens, é votar nesta nova direita, que se apresenta de uma forma cool, disfarçando o seu discurso de ódio sob a forma de memes e vídeos divertidos.”

Assinala Solana que “vivemos um momento de ascensão da extrema-direita no mundo e de frustração generalizada com a política”. Mas o caso brasileiro tem uma particularidade: “A extrema-direita não se construiu na retórica do inimigo externo”, como na Europa e nos Estados Unidos. “A ideia é que a ameaça vem de dentro: o jovem negro, o político de esquerda, o académico, a feminista.”

O Brasil progressista ignorou o que fermentava no fundo da sociedade.



7.10.18

Dica (815)




«Agora, o que temos mesmo de esclarecer é o essencial: 1) em Tancos roubaram-se armas e urge apanhar os ladrões; e 2) em consequência do roubo, militares e não se sabe quem mais envolveram-se numa manobra para proteger os ladrões. Os responsáveis de 1) e de 2) devem ser perseguidos e punidos. E devemos saber tudinho sobre isso.

Entretanto, que um hipotético caso Azeredo Lopes não lance poeira para cima da resolução do 1) e do 2). Um ministro cair é irrelevante perante a gravidade do 1) e do 2). Mais importante que estes, só um 3), com o ministro Azeredo Lopes a participar no roubo das armas e/ou no encobrimento da entrega das armas. Sobre os dois primeiros casos, grito perguntas. Sobre o 3), confesso, não estendo por enquanto microfones.»
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«Diário de Notícias» – do bom gosto



Isto é a capa de hoje. E querem convencer-me de que agora é que o DN está óptimo, que é o tal jornal de referência.
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Brasil, Brasil



Se Deus existe, prove que é brasileiro...
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Uma 4.ª via?



«Há precisamente três anos, na ressaca de umas eleições com um resultado atípico e após um período de austeridade que fragmentou a paisagem política na periferia da zona euro, Portugal encontrou uma solução de governo em contracorrente com a Europa. De tal forma que, hoje, muitos olham para a ‘geringonça’ como um caso de sucesso, passível de ser exportado. Será que é assim?

É, de facto, surpreendente a forma como, em Portugal, se integrou no arco da governabilidade partidos tradicionalmente de protesto e, ao mesmo tempo, se preservou o vínculo europeu e garantiu uma trajetória de consolidação orçamental. Vista assim, a ‘geringonça’ assenta numa combinação única de êxito político com sucesso nas políticas.

Em todo o caso, talvez seja pouco avisado olhar para a experiência portuguesa como uma 4ª via, passível de ser exportada, da mesma forma que convém manter algum ceticismo quanto à capacidade da gestão política se traduzir numa novidade estrutural nas políticas.

Desde logo, os fatores que tornaram possível a ‘geringonça’ são específicos do contexto português. Do ponto de vista conjuntural, se António Costa foi capaz de formar uma maioria a partir de uma derrota eleitoral, isso deveu-se à vontade maioritária de colocar fim à coligação Passos/Portas. Não menos importante, assistimos, entre nós, a um processo de radicalização do centro-direita, que viu na troika um álibi e uma oportunidade, escancarando as portas para que o PS resistisse eleitoralmente e ocupasse um espaço de moderação centrista.

No que também é singular, perante a crise económica, o sistema partidário português revelou uma notável resiliência: porque a influência do PCP nos movimentos sociais e o seu papel histórico de institucionalização do protesto diminuíram o espaço para a formação de um partido nativista com uma agenda conservadora, e porque o BE ocupou prematuramente um espaço que, noutros países, foi ocupado por novos partidos de matriz populista. Foi esta estabilidade do sistema partidário que tornou viável um acordo tático que, além do mais, permitiu aos três partidos preservarem a sua matriz ideológica.

Em países onde a volatilidade do voto, o desmoronamento dos partidos tradicionais e o reposicionamento ideológico têm sido a regra, dificilmente se formaria uma ‘geringonça’.

Resta o fundamental. A ‘geringonça’ representa uma mudança estrutural nas políticas, capaz de cortar com a ortodoxia europeia e afirmar uma plataforma política modernizadora? Também aqui o Governo português vive uma crise de sucesso. Se poucos anteviam a trajetória de consolidação orçamental e de recuperação do emprego, persiste uma incapacidade de articular interesses sociais em torno de um novo programa político. Sem esse exercício, dificilmente, desde Portugal, se contribuirá para uma 4ª via, que ultrapasse os bloqueios que a social-democracia enfrenta em toda a Europa. É, aliás, aí que radica a chave para o pós-legislativas.»

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Brasil




Bem gostaríamos de mandar um cheirinho de alecrim!
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