15.8.20

Grandes árvores deste mundo (6)



São Tomé, 2019.

Esta bela árvore de grande porte é uma OCÁ que pode chegar a ter 130 metros de altura e que é utilizada para fabricar embarcações de pesca – as canoas.

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Agosto, 15



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Marcelo em «férias»



Serão seis dias com sessenta declarações políticas – em calções de banho ou polo, mas sempre cor azul cueca.

E já foi hoje nadador salvador:

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O prazer indiscreto da orgia



«A curiosa entrevista de Durão Barroso ao “Observador” na semana passada tinha um só alvo: lembrar a sua própria existência. Há de facto quem, porventura sentindo um íntimo chamamento para se eternizar como mandante, não se consiga libertar dessa feroz ansiedade de preparar o próximo passo na trabalhosa escadaria do poder. No caso de Barroso, a presidência da República em 2026 é um apetite motivador, pese embora a inconsistência da ambição, pois é mais provável que, uma vez estrangeirado e esquecido, esquecido continue, ou que, se for lembrado, o seja precisamente pela razão que torna implausível que a direita vá requisitar a sua candidatura.

No entanto, a entrevista tem um picante suplementar, a frase que veio a ser mais citada, que a União Europeia despejou uma orgia de dinheiro para cima dos coitados da pandemia. É uma revelação curiosa de um modo de ver e, mesmo ignorando outras conotações, algo desapontante. Lagarde, mais profissional, reconhecia que a dotação do plano de recuperação foi muito menos do que o necessário; o Governo alemão, mais enérgico, determinou um plano nacional que dobra o do total do Conselho Europeu. Não sei se, no caso, o termo orgia quer dizer uma inundação, ou se se referia à multiplicação de pecados que esta tornaria possível. Mas, de uma forma ou outra, nem é demais nem se sabe ainda como vai ser usada.

Em contrapartida, há mesmo uma orgia a decorrer e dela Barroso sabe o suficiente. No segundo trimestre do ano, os grandes bancos internacionais de investimento, ou seja, alguns dos maiores operadores financeiros, viveram uma rara prosperidade: os seus resultados foram os maiores desde a grande crise de 2008 e o dobro dos do mesmo trimestre de 2019. Para o Citibank, o Goldman Sachs e o JP Morgan, os lucros de negociação de títulos subiram 70%. A explicação é simples, as emissões de dívida provocadas pela evolução inicial das bolsas, pela recessão covid e mesmo pelo alto nível de endividamento das empresas antes da nova crise foram gigantescas, 5,4 biliões de dólares, um terço dos quais nos Estados Unidos (o que, no caso, equivale a 5% do total das obrigações empresariais no mundo). Essas emissões garantem um confortável lucro para os agentes financeiros, mais 56%. Ao mesmo tempo, estes três bancos, com o Wells Fargo, são obrigados a constituir elevadas provisões para os riscos de crédito (mais 30 mil milhões de dólares no segundo trimestre, depois de 20 no primeiro), e por isso o resultado final dependerá dos efeitos prolongados da recessão e de como estes monstros financeiros equilibram as suas carteiras de crédito e as suas operações especulativas. Para já, estão felizes: o Goldman Sachs, o banco presidido por Barroso, melhorou neste período os seus resultados em 41% e aumentou os seus salários e compensações em 35% (o lucro para os acionistas só subiu 2%, é a vida). Isto é que é uma orgia, não acha?»

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14.8.20

Grandes árvores deste mundo (5)



Parque Kuranda, perto de Cairns, Austrália, 2017.

No Norte da Austrália, este parque tem cerca de 27 mil hectares de floresta tropical montanhosa e andei por lá durante um dia, em vários meios de transporte: comecei por um combóio preparado para proporcionar belíssimas perspectivas de montes, vales e cascatas, continuei num tanque anfíbio que já andou pela Segunda Guerra Mundial e acabei num teleférico, com sete quilómetros de comprimento, que passa por cima de muitos milhares de árvores gigantescas e permite que se tenha uma ideia da variedade e da dimensão do que está em causa. Tudo isto com o Mar de Coral no horizonte.






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Extrema-direita: a saga continua




«A história tornou-se conhecida na quinta-feira com um comunicado enviado ao PÚBLICO pela Frente Unitária Antifascista. Nessa nota, a organização dá conta das ameaças recebidas através de mensagens. “[No] fim do mês estaremos em Braga. Sabemos onde dormes. Vamos iluminar-te o cérebro. Nos não perdoamos. Nós não esquecemos”, lê-se nas mensagens. “O Babalu Ma [Mamadou Ba] já foi avisado, o próximo a sentir a nossa presença serás tu. Não vais conseguir correr pela ribanceira abaixo nem te vais esconder.” Numa fotografia enviada pela Frente Nacional Antifascista é possível também ver uma parede grafitada com uma suástica e a frase “ANTIFA. Jonathan chibinho, estás morto”.»
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14.08.1385 – Dia da nossa Padeira



Em 2020, estaria no Facebook? Pela blogosfera era pouco provável que andasse. Já teria regressado ao Twitter, cada vez mais cool, ou optado directamente pelo Tik Tok?
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Passividade é cumplicidade



«Há um tema recorrente na discussão sobre a extrema-direita que se pode resumir na frase: “isso é o que eles querem”. Devemos indignar-nos perante cada provocação da extrema-direita? “Não lhes dês palco, isso é o que eles querem”. Devemos fazer de conta que não reparamos nas suas provocações, para não lhes dar palco? “isso é o que eles querem; se não reagires eles aproveitam para ganhar espaço”.

O que está de errado nesta premissa, seja qual for a conclusão, é que passamos a determinar as nossas atitudes e decisões por aquilo que “eles” querem — mesmo que seja sob o pretexto de fazer exatamente o contrário daquilo que “eles” querem. E assim perdemos rasto ao fundamental: o que é que nós queremos? Nós — os defensores da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos — qual é a nossa vontade? Que agenda política queremos que seja a dominante? Que narrativa deve ser a nossa, inadulterada e independente das pressões, caprichos e provocações de adversários e inimigos?

Esta pergunta, por ser a fundamental, deveria ser a de mais fácil resposta para nós. Tem também de ser a que mais imediatamente temos na ponta da língua, sob pena de confundirmos matérias puramente táticas, e como tal mutáveis, com aquilo que para nós tem de ser estratégico ou, mais ainda do que isso, cardinal e imutável.

Felizmente, a resposta é simples: o que os defensores da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos querem é a defesa intransigente da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos. É isso que nos une, ainda antes de sermos de esquerda ou de direita, de cima ou de baixo, de trás ou da frente. É nossa a defesa intransigente das instituições democráticas. É nossa a defesa intransigente dos direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição. É nossa a defesa intransigente dos direitos humanos, de que ninguém possa ser discriminado por cor de pele, orientação sexual, origem étnica ou opinião. É nossa a defesa intransigente de que a democracia e o Estado de direito se fazem de pessoas concretas, que merecem e têm de viver sem medo, sem insegurança, sem ameaças.

E essa defesa que é nossa e nos deve unir para lá de todas as diferenças, tem de se fazer de forma permanente, assumida e clara. A própria noção de que deveríamos calibrar esta defesa em função dos desejos ou das táticas de outros já é em si mesma uma cedência. Causa por isso espanto que três deputadas da República — Beatriz Gomes Dias, Joacine Katar Moreira e Mariana Mortágua — tenham esta semana sido ameaçadas de morte sem que isso tenha gerado um coro unânime e imediato de condenação, da esquerda à direita. Causa por isso espanto que cidadãos e associações — incluindo a SOS Racismo e o Conselho Português de Refugiados — tenham sido incluídos nessas mesmas ameaças, e coagidas e intimidadas por uma manifestação de mascarados empunhando tochas — sem que tenha havido uma mais vigorosa reação dos órgãos de soberania.

Eu compreendo o que quer dizer o Presidente da República quando apela à “sensatez” na reação, e quando diz ser “tão condenável uma manifestação racista com contornos criminais contra deputados como contra outro cidadão”. Mas não por acaso nos EUA uma ameaça de morte a um congressista é imediatamente crime federal e merece visita dos serviços secretos mesmo que o autor dela seja maluquinho — porque um ataque às pessoas que transitoriamente representam a democracia é um ataque à democracia. Pouco importa em quem votámos, que diferenças ou que afinidades temos, as três deputadas que foram ameaçadas — duas delas mulheres negras, já por muitas outras vezes atacadas com discurso de ódio — são deputadas de nós todos e devemos-lhes que possam exercer o seu mandato em segurança, e em sossego para as suas famílias, que foram também visadas pelas ameaças.

Compreendo também — e espero verdadeiramente que seja o caso — que haja averiguações a fazer discretamente pelas forças policiais e de investigação. Mas também não por acaso, na Alemanha a agência de segurança que investiga este tipo de crimes se chama de Serviço Federal de Defesa da Constituição. Porque é de defesa da Constituição que se trata, contra grupos que desejam subvertê-la. E porque sabemos, nomeadamente através de copiosas e profundas investigações jornalísticas, que há ligações entre a extrema-direita portuguesa e os neo-nazis alemães (que ainda recentemente mataram políticos), e que os elementos que destes grupúsculos fazem parte já tiveram no passado participação em crimes violentos de índole racial e política. As investigações, por discretas que tenham de ser, não podem prescindir de uma sinalização política clara, por parte do governo e dos partidos parlamentares, de que a Constituição é mesmo para defender sem tergiversações contra os cultores da intimidação e da violência política — todos eles, venham de onde vierem, ainda que nos últimos anos em Portugal seja unicamente da extrema-direita que estejamos a falar.

O que é inaceitável não pode ser aceitado. Isso deve ser dito sem nenhuma hesitação, e logo à cabeça. O que é que “eles” querem? A única coisa que quero saber é que não vão conseguir — e ponto final.»

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A extrema-direita reorganiza-se


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13.8.20

Grandes árvores deste mundo (4)



Ayutthaya, Tailândia, 2012.

Esta árvore encontra-se no Wat Mahathat de Ayutthaya, antiga capital do reino de Sião. No recinto vêem-se muitas estátuas mutiladas, mas esta cabeça de Buda, envolvida por raízes de uma árvore gigante, é absolutamente única. Os portugueses foram, provavelmente, os primeiros europeus a visitar Ayutthaya, em 1511.

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Em 13.08.1961 nasceu um Muro em Berlim






Começou a ser construído há 57 anos, durou 28. Os muros hoje são outros e têm nomes insuspeitos como Mediterrâneo. Um dia também cairão.




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Racismo e antirracismo



Além do email com ameaças, enviado no dia 11 a dez pessoas, já largamente divulgado, um outro com o mesmo remetente e datado de 06.08 tinha sido recebido pelo SOS Racismo e pela Frente Unitária Antifascista. Fica aqui o texto:

“Queremos que Portugal volte a pertencer aos portugueses. Enquanto patriotas, iremos defender a nossa Pátria com todos os meios ao nosso alcance, usando se for necessário das armas, contra os invasores e quem hoje, decidiu vender a nossa terra ao Marxismo e às hordas de imigrantes.

Não iremos mais aceitar o marxismo cultural que tentam infligir às nossas crianças, nem a doutrinação de um governo que nos rouba desde a trista data do 25 de Abril, revolução dos comunistas contra o povo português. Não iremos mais aceitar que a Esquerda possa se apropriar das ruas e impedir a livre expressão dos patriotas, preocupados com as nossas tradições e os nossos valores. Não iremos mais aceitar a degeneração dos homossexuais e transexuais na nossa sociedade. Não iremos mais tolerar a presença dos terroristas Antifas nas nossas ruas e o perigo que representam para cada pessoa de bem deste país!”

“A partir de hoje, o medo irá mudar de lado. Para cada nacionalista preso, um antifa será enterrado. Para cada cidadão morto, dez estrangeiros serão eliminados.”

(Daqui)
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O medo não pode ter tudo



«Somos humanos na exata medida em que nos relacionamos, estabelecemos relações sociais. Nunca tivemos dúvidas desta circunstância que nos diferencia dos restantes seres. Mas as coisas estão a mudar. O vírus, que nos apanhou de surpresa, mais do que a ameaça do risco de morte, parece roubar-nos a humanidade, uma longa história de partilha de afetos. Empurra-nos para a solidão, para um egoísmo securitário. Quantas vezes dou comigo, hesitante, sem saber o que fazer, sem ter a certeza se deva procurar aquela pessoa querida ou se ao fazê-lo estarei a causar um problema - a ternura a tornar-se ameaça.

Ficamos assim, por opção consciente ou apenas por constrangimento, longe de quem gostamos. Além do fim do abraço, um gesto tão antigo que a higiene sanitária proíbe, escondemos o rosto, recolhemos a casa, comodamente, para afugentar a peste. No fundo, julgamos que o outro prefere estar longe de nós. O medo, o medo vai ter tudo?

Em mais de 30 anos, este verão, o convívio que a minha família faz todos os verões numa serra do Minho ficou ensombrado. O receio de contágio, contagiar o outro ou ser contagiado, está a provocar o que nenhuma circunstância, mesmo as mais trágicas, alguma vez ousou alcançar. Desistir de estarmos juntos, de inventar jogos para os mais pequenos, de fazermos a desforra do jogo de damas que perdemos no ano anterior. De nos rirmos, de ouvir o discurso jocoso a fechar a festa e nomear os "mordomos" para a do ano seguinte. Senti que pertencia à família quando fui pela primeira vez a esta festa ao ar livre, quando levei comigo os meus pais, e com os meus filhos ao longo do ano preparamos a reunião fraterna. Se este ano não formos à serra da Cabreira com um belo farnel, é aos mais novos desta enorme família que estamos a roubar alguma coisa. Não deixemos que o vírus nos vença. O medo não pode ter tudo.»

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12.8.20

Grandes árvores deste mundo (3)



Castelo S Felipe del Golfo, Lago Izabal Guatemala, 2014.

Esta árvore lindíssima é um sapotizeiro (sapota zapotilla), produz um fruto chamado sapoti ou sapota que pode ser comido ao natural ou em doces. Os pré-colombianos da Guatemala extraiam da árvore uma resina chamada chicle, que mascavam pelo seu sabor agradável, e que veio mais tarde a ser usada para fabricar… chiclete.


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Não se leve a sério, não...



«Um grupo de dez pessoas recebeu uma ameaça por email a intimá-las a abandonar o “território nacional” em 48 horas e a rescindir “as suas funções políticas”. Entre elas estão as deputadas Beatriz Gomes Dias, Mariana Mortágua (do Bloco de Esquerda) e Joacine Katar Moreira (deputada não inscrita), Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo, Danilo Moreira, sindicalista, Jonathan Costa e Rita Osório, da frente unitária antifascista, Vasco Santos, do Movimento Alternativa Socialista, e Melissa Rodrigues, do Núcleo Anti-racista do Porto.

No email que foi enviado na noite desta terça-feira, os autores que se identificam como Nova Ordem de Avis-Resistência Nacional, ameaçam aqueles cidadãos dizendo que, se o prazo for “ultrapassado, medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”: “O mês de Agosto será mês da luta contra os traidores da nação e seus apoiantes. O mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista.”»

(Daqui)
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Dia do Elefante



No Sri Lanka é sempre. Ou não se veria este belo animal doméstico à entrada de um templo, mesmo no centro da capital do país.
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Talvez fosse melhor zerar o Novo Banco



«Agora, no mais fresco destes escândalos, descobre-se que a Comissão Europeia obrigou a venda de um dos ativos do banco, uma companhia seguradora, que o candidato escolhido foi um fundo gerido por um fulano acusado de crimes nos Estados Unidos, que afinal não foi o comprador, pois apareceu outro pelas artes da magia financeira, e no fim das contas quem paga o prejuízo é o contribuinte, são mais uns generosos milhões.

A explicação é tão embrulhada como sempre, os guionistas destas fábulas não carecem de imaginação, mas o que verificamos é o mesmo padrão de outras operações anteriores desta gigantesca lavandaria: como está assegurado que, qualquer que seja a dimensão do prejuízo, o dinheiro público vai tapar o buraco (fingindo-se que serão os outros bancos a pagar, apesar de nem tidos nem achados nesta tramoia), a pressa e a conveniência do negócio estão acima de qualquer consideração de eficiência ou rentabilidade. O que eram prédios valiosos e empresas prestáveis passa a ser classificado como sucata e é vendido ao deus dará, polvilhando o mundo financeiro de carinhosas vendas, algumas das quais nem esperam pela missa do sétimo dia para se espanejarem na praça pública, orelha e rabo para o matador.

Ao público que vai acompanhando a novela, isto cheira a esturro. São vezes de mais, dinheiro de mais, descaramento de mais. Este parece mesmo ser o caso em que o criminoso volta sempre ao local do crime e se sente protegido para o fazer, visto que as desculpas dos administradores, reguladores e outras autoridades sempre que se revela uma ponta do véu são demasiado parecidas, demasiado atabalhoadas, demasiado impossíveis.

Ora, como a corrida se está a acelerar, ainda falta a venda de mais de mil milhões em imobiliário e o prazo é só mais um ano para o Novo Banco esgotar a verba prometida no contrato e preparar a sua venda, conviria não perder mais tempo em encontrar uma solução. Como é evidente, a Deloitte, ao protelar a entrega da auditoria desde março, dá uma resposta a esta questão, que é ajudar a administração do banco a continuar a sua feira de garagem.

Não vejo outra escolha que não seja zerar este processo. Ou seja, parar todas as operações suspeitas, fazer a auditoria necessária sem depender do mercado interessado no seu resultado, antes promovendo o controlo das contas e estudando assim se há base jurídica para romper o contrato com a Lone Star, verificar a idoneidade e substituir os administradores que conduziram este descalabro, mandatar uma nova direção para o Fundo de Resolução e reforçá-lo com competências técnicas adequadas.

O outro caminho é deixar os mesmos a fazer o mesmo até ao fim do prazo. Suponho que quem lê estas linhas não terá a menor dúvida sobre qual o resultado alcançado se a estratégia de fechar os olhos e dançar a música da Lone Star continuar a conduzir a ação dos reguladores e ministros.»

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11.8.20

Grandes árvores deste mundo (2)



Santa Marta, Colômbia, 2012.

Esta magnífica árvore é da Quinta de San Pedro Alejandrino, construída no século XVII e onde Simón Bolivar (o grande herói que contribuiu para a independência de uma série de países da América Latina como Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia) passou os últimos dias da sua vida e onde morreu, em 17 de Dezembro de 1830. Esperava por um barco que o levasse a Espanha para ser submetido a tratamentos de males pulmonares, mas o barco não chegou a tempo.

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O vírus do abandono


«Cerca de 40% das mortes por covid em Portugal aconteceram nos lares. Numa carta enviada ontem ao primeiro-ministro, o Sindicato Independente dos Médicos classifica de "criminosa" a inação do Estado relativamente a estas estruturas, considerando que faltam planos de contingência e "não existem orientações nem regras claras" quanto aos procedimentos de atuação em caso de surtos. "Acima de tudo, como é que foi possível o Estado Português, através do ministério que tutela lares, não exercer a sua função fiscalizadora"?, questionam os médicos. (…)

Na habitual conferência de imprensa onde diariamente são comunicados os óbitos, o secretário de Estado da Saúde informou ontem que há neste momento surtos ativos em 72 lares, com um total de 545 idosos infetados. Quantos desses lares serão como o de Reguengos de Monsaraz? E quantas outras mortes já não terão sido - ou serão ainda - provocadas pelo vírus do abandono?»

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Carta de um reformado a Juan Carlos




«Somos casi quintos, usted nación en 1938, y yo en 1937, por lo tanto crecimos en un país que estaba en Guerra, con una durísima postguerra de miseria y hambre y poco a poco fuimos levantando el vuelo. (…)

Podía haber elegido el monasterio de Yuste, lugar escogido por el emperador Carlos, que no era antepasado suyo al ser un Austria, pero que sí estuvo al frente de nuestro país, por aquel entonces Imperio.

No. Usted para tomar conciencia de lo injusto que está siendo su destino, al parecer ha elegido un hotel de súper lujo, cuya noche ronda los 11.000€.

No era difícil echar la cuenta. He multiplicado mi pensión de autónomo, como millones de españoles que durante los años de la Transición levantamos este país con mucho esfuerzo y trabajo, teniendo en cuenta de dónde veníamos y la formación que teníamos, y sumándole las pagas extras, superamos por unos cuantos cientos de euros la cifra de 11.000. Eso sí, nosotros tenemos esa cantidad para gastarla durante todo el año. Con ella vivimos, seguimos pagando nuestros impuestos y de vez en cuento, le damos una propina a los nietos. Por favor majestad, díganos qué tiene esa habitación.»
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Quando a extrema-direita governa: ao cuidado de Rui Rio



«A crise de 2008 expôs ao Mundo o falhanço do modelo económico neoliberal, seja na sua versão mais radical (nos EUA) ou mais "social" (na Europa). Doze anos depois, nada mudou a esse respeito.

Wall Street soma e segue e nos EUA as grandes empresas até pagam menos impostos; a Apple acabou de ganhar um processo em que era acusada de um esquema de evasão fiscal de 13 mil milhões através da Irlanda; nos offshores nem um arranhão. A banca sombra sobreviveu bem à crise que provocou, embora o mesmo não se possa dizer de tanta gente que perdeu a casa e o emprego.

Doze anos depois, o poder das elites económicas continua intacto mas, para isso, o Mundo teve de mudar muito. Em vários países, instituições democráticas, herdeiras do sofrimento e da luta contra os horrores da guerra e da ditadura, estão a ser desmanteladas para que tudo o resto permaneça igual. EUA, Brasil, Polónia, Hungria, Turquia, Áustria... sob diferentes capas e de diferentes formas, todos os pilares da democracia estão em causa, com sucessivas ameaças à liberdade de imprensa e à independência do poder judicial; com ataques ao Estado social e ordem de soltura às milícias mais violentas; com discursos de ódio e preconceito.

Não nos enganemos, estas extremas-direitas são tão eficazes em desviar as atenções do sistema económico podre como das suas próprias políticas corrompidas e cúmplices desse sistema - veja-se o passado de Trump, de Bolsonaro ou de André Ventura. E por isso estes partidos e personalidades têm sido tão úteis à Direita tradicional. É a aliança que lhes permite juntar poder em torno de um programa económico liberal, mesmo tendo de abdicar de alguns compromissos democráticos, e mesmo que tudo isso seja feito à custa de bodes expiatórios. Não interessa quais: nuns países são os árabes, noutros os ciganos; nuns são os refugiados, noutros os emigrantes; nuns são os negros, noutros os homossexuais. Alimentam-se bodes expiatórios que cheguem para pôr remediados contra pobres, pobres contra pobres, e pobres contra remediados. E assim se avança, numa macabra dança das cadeiras que a História já dançou vezes mais que suficientes para reconhecer.

Agora mesmo, na Polónia, ativistas contra a homofobia estão a ser presas arbitrariamente por um Governo que falhou todas as promessas de justiça e bem-estar mas que está a desmantelar a constituição democrática do país. Um Governo liderado por um partido que trata os refugiados de guerra como uma "praga", mas chegou ao poder dizendo querer combater a corrupção e jurando a pés juntos que não era de extrema-direita. É assim que a extrema direita Governa, sempre que consegue chegar ao poder com uma pequena ajuda dos seus amigos.»

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10.8.20

Grandes árvores deste mundo (1)



Howrah (perto de Calcutá), Índia, 2010.

The great banyan tree, é uma árvore ficus benghalensis (figueira-de-bengala) que se encontra no Jardim Botânico Acharya Jagadish Chandra Bose Indian, em Howrah, nos arredores de Calcutá. É a maior árvore do mundo em termos de área ocupada (cerca de 14.500 metros quadrados) e estima-se que tenha pelo menos 250 anos.





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Nós resistimos a isto...


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Custos da pandemia



«Cerca de 186 mil precários perderam o emprego no segundo trimestre comparativamente a igual período de 2019.»

«Menos 122 mil jovens empregados o que equivale a dois terços da destruição de emprego total no ano que termina no segundo trimestre de 2020.»

«O grupo dos licenciados (com ensino superior completo) [sem emprego]: este quase duplicou de tamanho. São atualmente cerca de 66 mil, mais 89% do que no ano passado.»
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Vamos sequestrar os velhos por quanto tempo?



«Ainda nos idos de março, estava a pandemia no início, fiquei comovido com a forma como os portugueses se mobilizavam para proteger os seus mais velhos e doentes, que são os principais grupos de risco da covid. Rapidamente passou a comoção. Dada a histeria coletiva e a perceção totalmente distorcida do risco envolvido com a doença, convenci-me de que, afinal, a generalidade dos portugueses estava era preocupada consigo mesma ou, vá lá, com os seus familiares. Nada disto é científico, claro, eram perceções.

A reação pública, ou a falta dela, às mortes no lar de idosos de Reguengos de Monsaraz aumenta a minha convicção. Nesse lar houve um surto de covid, vários foram os infetados, não apenas entre os idosos, e acabaram por morrer 18 pessoas. No entanto, ficámos a saber, a maioria das mortes não resulta dessa doença, mas sim da falta de cuidados médicos. Os velhos morreram desidratados e, quando finalmente receberam assistência médica, tinham as suas doenças crónicas agravadas. Morreram porque foram abandonados à sua sorte. O que se seguiu? Gritos histéricos nas redes sociais? Não. Gritos histéricos dos partidos da oposição? Não. Palavras de conforto de Marcelo Rebelo de Sousa? Não. Mensagem grave, em direto para o telejornal das 20h, da Ministra da Saúde, da diretora-geral da Saúde ou da ministra do Trabalho e da Segurança Social? Não. Admito que me possa ter falhado alguma notícia, mas de facto não assisti a nenhuma comoção nacional. Nem pouco mais ou menos. Apenas nos disseram que o Ministério Público ia abrir um inquérito.

Esta ausência de choque com a morte de velhos abandonados à sua sorte mostra que não eram eles a nossa preocupação quando tirámos as crianças e jovens das escolas e nos enfiámos em casa. Mostra também que tão perigoso como a covid (ou, na verdade, mais) é o nosso medo. Mostra também o quão certeiro foi o Gato Fedorento quando em 2007 nos disse que os velhos não deviam ser despejados nas ruas, mas sim no Velhão, “o sítio onde deitamos os velhos fora quando já não precisamos deles.”



Neste momento, muitos velhos estão num regime de sequestro nos lares de terceira idade. Não podem, de facto, sair, porque se saírem a sua reentrada está vedada. Não podem receber visitas a não ser à distância, pelo que não podem sentir sequer um toque ou um carinho dos seus filhos. Como as visitas estão altamente condicionadas, a sua frequência é agora muito menor, apenas podendo ver os seus familiares de forma muito espaçada. Pelo menos em alguns lares, não sei se todos, a entrada está vedada a crianças até aos 12 anos de idade, pelo que nem grande parte dos netos podem ver.

O caso de Reguengos de Monsaraz leva-me a desconfiar que todas estas medidas não são para proteger os velhos, mas sim para preservar os responsáveis dos lares de eventuais chatices. Assim, podem sempre alegar que fizeram tudo o que era possível.

Não sei se não seria preferível a morte a tal sorte. De qualquer forma, seja com que intenção for, está na altura de perguntarmos com cada vez mais insistência: e se não houver vacina eficaz? Vamos manter os velhos sequestrados no lar durante quanto tempo? Até deixarem de reconhecer os netos?»

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9.8.20

Índia: o drama que se previa




«A Índia ultrapassou os 2 milhões de casos do novo coronavírus e é o terceiro país do mundo com o maior número de infetados - depois dos Estados Unidos e do Brasil. (…) No entanto o número pode estar subestimado, visto que as autoridades indianas não testam pacientes assintomáticos.»
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A telenovela «Juanina» continua



Ainda veremos um dia Marcelo num outdoor da Remax!
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09.08.1945 – Foi às 11:02 a.m. em Nagasaki


(Museu da Bomba Atómica, Nagasaki)

Já tinha estado em Nagasaki, mas sem visitar o Museu da Bomba Atómica. Fi-lo há dois anos e este é o relógio parado na hora em que se deu a tragédia. 

Três dias depois de Hiroshima, os EUA lançaram, em Nagasaki, uma bomba que matou 80.000 pessoas. Em 15 de Agosto de 1945, o Japão rendeu-se – no chamado Dia V-J que esteve na origem ao fim da Segunda Guerra Mundial.




Hoje, Parque da Paz de Nagasaki:





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