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1.9.20
Não tem de ser um caos
«O estudo em casa pode ter sido o melhor dos piores recursos em tempos de pandemia, mas hoje sabemos como o ensino presencial é insubstituível. Meses depois do primeiro susto, o regresso às aulas não tem de ser uma impossibilidade, nem um caos.
Assim como o SNS, também a Escola Pública precisa de cuidados e preparação para cumprir o seu papel enquanto serviço público essencial e universal. Com um corpo docente envelhecido e falta crónica de técnicos especializados e trabalhadores não docentes, há muito que as medidas mais importantes estão identificadas. A covid só aumentou a sua urgência.
No regresso à escola, as regras sanitárias são certamente importantes, mas não podem ser asseguradas sem o pessoal de apoio necessário. O distanciamento social deve ser levado em atenção, mas vale de pouco com turmas sobrelotadas em espaços limitados. O ensino de qualidade tem de ser prioridade, mas é ameaçado pela falta de professores, agravada pela necessidade de substituir todos os que se insiram em grupo de risco.
Em Lisboa, o Agrupamento de Escolas Vergílio Ferreira, que esteve aberto durante todos estes meses para receber os estudantes filhos de trabalhadores essenciais, não registou qualquer surto de covid. Isto porque foi possível garantir que tanto o espaço como o número de professores e técnicos eram adequados à quantidade de crianças. Embora na Autarquia de Lisboa (onde o Bloco é responsável pela pasta da Educação) todas as escolas cumpram pela primeira vez os rácios de funcionários por aluno, esse cumprimento é responsabilidade do Ministério da Educação. Se o Governo já estava em falta porque nunca chegou a implementar a revisão de rácios aprovada no Orçamento de 2020, agora tudo isso se tornou insuficiente.
Em Madrid as turmas já começaram a ser desdobradas. Em Portugal essa medida (óbvia) de proteção da comunidade escolar foi rejeitada no Parlamento com os votos contra do PS e da Direita. Foi tempo que se perdeu para preparar o ano escolar que agora começa.
Chegamos hoje a setembro e o Governo não contratou mais pessoal nem fez o levantamento das necessidades de professores. Não preparou a redução das turmas nem assegurou o desdobramento dos espaços, recorrendo, por exemplo, às autarquias. Falta fazer quase tudo, mas isso não é desculpa quando se sabe o que tem de ser feito para evitar que o início do ano escolar seja um caos.»
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31.8.20
Sem palavras
«A Associação Alzheimer Portugal deixou, este domingo, um apelo às autoridades de saúde para que tenham especial atenção com os pacientes que sofrem de demência, no contexto da pandemia de Covid-19.
Nos últimos meses, perto de uma dezena de idosos com demência foram proibidos de entrar com acompanhante nos hospitais por causa das medidas de contenção da Covid-19 e acabaram mais tarde por ser dados como desaparecidos, depois de receberem alta hospitalar sem que os familiares tivessem conhecimento.»
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Amanhã é o primeiro dia do resto da sua vida
«Num Tempo Que Passou, estava em Lisboa a gravar o "Sexualidades" e alguém me entregou uma carta. Familiar, no plural, qualquer coisa do género "vemos-o-programa,-vens-jantar-cá-a-casa?."
A minha disposição em Maré Alta, partilhar a mesa com o Sérgio Godinho! As suas canções há anos e anos comigo; inconfundíveis. Maravilhava-me como tantas palavras nelas cabiam, não metidas a martelo, mas por a sua mestria as tornar esguias e maleáveis, tudo encaixava e era único; seria ridículo ter Cuidado Com As Imitações.
Foi uma delícia, saímos pela Lisboa Que Amanhece, havia quem nos visse parecidos e lhe perguntasse "é teu primo?". Posto à la Nizan, eu tinha 40 anos e não deixarei ninguém dizer que estávamos No Lado Errado Da Noite. Vim-me embora Com Um Brilhozinho Nos Olhos e uma certeza - Hoje Fiz Um Amigo.
Trinta anos volvidos, cada reencontro é pretexto para continuarmos a conversa, indiferentes aos meses ou até anos de intervalo entre duas frases. Várias vezes me enrosquei na plateia para assistir a ensaios, com o fascínio que me despertam os artistas nesses momentos. Há neles a cumplicidade de anos de estrada que permite as associações livres mais hilariantes ou ternurentas, a banda toca, ensaia e vive por e para si mesma, o velho entusiasmo permanece, dir-se-ia que usaram e abusaram do Elixir Da Eterna Juventude.
Claro que já perdi a conta aos espectáculos, mas retenho um na memória. O Coliseu do Porto a rebentar pelas costuras para ouvir um dos filhos dilectos da cidade. Canções cantadas em coro e a plenos pulmões, não importa o dia, É Terça-Feira. De repente, o meu filho mais novo murmurou, com orgulho satisfeito - "estão aqui três gerações". Era verdade, O Coro das Velhas contagiara gargantas juvenis. Que pode mais ambicionar um artista? A sua obra correu de mão em mão, saltou de ouvido para ouvido, jovens cresceram a escutar os mais velhos trautearem canções que também os tocaram; fizeram-nas suas. Que Força É Essa, que faz do talento património imaterial das lendas familiares?
Por isso, Espalhem A Notícia - o Sérgio faz anos. E presenteiem-no com o que maior ternura lhe pode despertar, trauteiem-lhe as canções; A Vida É Feita De Pequenos Nadas, ficará feliz. Eu vou fazer figas para que um dia destes, nas suas andanças, pense - "O Porto Aqui Tão Perto, vou desafiar o Júlio para um peixe em Matosinhos."
E sentados em amena cavaqueira sobre o quotidiano deste Portugal, Portugal - talvez acompanhados pelo Palma - brindaremos Aos Amores.
Revivendo O Primeiro Dia da nossa amizade.
Nota: O texto em itálico é da autoria de Sérgio Godinho, com excepção de Portugal, Portugal (António Joaquim Fernandes/Márcia Lúcia Amaral Fernandes Fernandes).»
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30.8.20
Salvem-se a si próprios
«Setembro aí está à porta num contexto nacional e internacional que não permite empurrar lixo para debaixo do tapete, nem a mais pequena desatenção por parte do Governo ou das forças políticas e sociais que não aceitam o agravamento das injustiças, das desigualdades e dos bloqueios ao desenvolvimento do país.
Durante seis meses, conscientemente, congelaram-se problemas à espera de melhores dias, o Estado foi chamado a prestar proteção reforçada e a assegurar rendimentos a muitos portugueses e, acima de tudo, a apoiar empresas que jamais sobreviveriam apenas pelos seus próprios meios. Como se perspetivava, a partir deste fim de férias (que imensos portugueses não tiveram) não é sustentável prosseguir aquelas políticas nos moldes em que vinham a ser aplicadas. Os recursos são limitados e está na hora de fazer escolhas na perspetiva de se encetar um plano estratégico progressista para a saída da crise. No Orçamento do Estado para 2021, peça primordial de opções de longo alcance, essas escolhas devem estar refletidas.
O país precisa de investimento público e privado, de apoios ajustados a todos as formações e estruturas económicas, mas é notória a existência de demasiados empresários entregues ao velho vício da pedinchice ao Estado, escamoteando responsabilidades próprias. Entretanto, eleva-se o coro ensaiado por "destacadas" figuras do jornalismo e "líderes" de opinião, que visa colocar os trabalhadores e o povo português sob a batuta da austeridade. Estas pessoas, em regra privilegiadas, estão imbuídas da suprema e permanente tarefa de ensinar os pobres a apertar o cinto.
A rentrée política este ano é muito exigente. Necessitamos de soluções para problemas prementes: é um imperativo proteger e reforçar (já) o sistema de saúde; abrir as escolas e garantir aulas presenciais; reforçar a proteção da maioria dos trabalhadores no ativo e os desempregados; preservar meios para apoios cirúrgicos a empresas nos seus processos de retoma, de reestruturações ou de criação de novos projetos. Nestas soluções, por experimentações calculadas, a ação do Estado será fundamental, mas de igual relevo serão, também, a participação da sociedade e o assumir de riscos e responsabilidades por parte das empresas.
As reivindicações fundamentais de centenas de milhares de trabalhadores - dos setores público e privado - que perante os duros impactos da pandemia foram considerados essenciais e que continuam com salários de miséria e frágeis condições de trabalho devem ser cumpridas. Sem hesitações, há que pôr de lado políticas de desvalorização interna que impõem reduções de salários e cortes nos direitos e rendimentos do trabalho. Entretanto, tenha-se presente que, quanto mais a Direita (ou partes desta) descamba para posições retrógradas e fascistas, mais se enfraquece a capacidade de mobilização dos cidadãos e mais crescem as reivindicações parasitárias ao Estado.
Dados divulgados sobre a evolução do défice público apresentam-nos, sem surpresa, mas com preocupação, uma quebra das receitas e um aumento das despesas. Este cenário reclama maior atividade económica e disponibilização de rendimentos na sociedade. O envolvimento empenhado e responsável das empresas na obtenção destes objetivos será um contributo para a própria salvação da maioria delas.»
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29.8.20
Bicharada Pré-Covid (10)
Os burros da Etiópia, 2013.
Num país paupérrimo são quase um ícone, tão grande é a sua quantidade, tão importantes as funções que exercem como meio de transporte de mercadorias e de pessoas: chegam mesmo a ser as «ambulâncias» que levam os doentes a quilómetros de distância. Verdadeiros heróis para os etíopes que dizem por graça que, na terra deles, «quem trabalha são as mulheres e os burros».
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Berlim, hoje
«Nas ruas de Berlim nasceu em 1989 a Liberdade e a esperança de uma nova ordem mundial. A revolução pacífica que comoveu o mundo mudaria a Europa e reforçaria a Democracia alemã, pilar da nossa estabilidade e paz.
Nas ruas de Berlim hoje não havia judeus, nem muçulmanos, nem estudantes asiáticos ou negros. As organizações de estudantes das várias universidades pediram aos seus alunos estrangeiros para não saírem.
Nas ruas de Berlim marcharam hoje grupos de combate da extrema-direita, alguns condenados por homicídio, nas ruas de Berlim pediu-se o derrube do governo, gritou-se morte aos judeus e desfilaram bandeiras proibidas. Houve ataques a jornalistas. Houve grupos que viajaram de toda a Europa e da Rússia. Havia muitas bandeiras de apoio a Trump.
Nas ruas de Berlim os adeptos das teorias da conspiração, os anti-vacinas, os anti-ciência marcharam ao lado de nazis contra a “ditadura do Corona”. O bando de egoístas que não quer usar máscara prefere a ditadura verdadeira a um constrangimento individual.
Nas ruas de Berlim houve católicos, evangélicos, organizações da sociedade civil, organizações anti-racistas a gritar bem alto: “Rua Nazis”. Os alemães saíram à rua.
Há alturas em que é preciso fazer escolhas e a Polícia de Berlim ao ordenar a desmobilização desta “manifestação” fez a escolha certa. Tire-se-lhe o chapéu.»
Texto e imagem de Helena Ferro de Gouveia no Facebook
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Disto já não se fabrica
«As irmãs Anna Del Priore, de 107 anos, e Helen Guzzone, de 104 anos, já estiveram infectadas com o novo coronavírus e conseguiram recuperar.»
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Bairros de lata: porquê?
«Poucas coisas simbolizam tanto a doença de uma sociedade como o bairro de lata. Grandes metrópoles pelo mundo inteiro padecem dessa chaga enorme que é o slum ou a favela. S. Paulo, Cidade do México, Nairobi, Bombaim… batem recordes dramáticos. O problema é social e tem um nome simples: pobreza. E por detrás desta palavra ‘pobreza’ vêm inúmeros outros problemas: degradação, ressentimento, doença, violência… a lista é quase infinita.
Quando a desigualdade chega ao ponto de as casas dos que vivem na pobreza serem barracas feitas dos restos que outros deitam fora o problema é já antigo, muito grave e a sua solução não pode ser apenas local. O bairro de lata não é uma doença que se cure; é o sinal de um problema maior que dá a volta à governação toda de um país.
Infelizmente, em Portugal também temos situações destas. Sobretudo nos subúrbios das grandes cidades e concretamente na região de Lisboa, onde o Expresso, há cerca de um ano, contou 13 bairros de lata com mais de 12 mil famílias. Ninguém diria? Fala-se pouco neles, a não ser quando são notícia policial, como aconteceu no Bairro da Jamaica, no Seixal. De resto, oculta-se esta realidade e faz-se por ignorá-la.
A segregação habitacional, a miséria residencial, a própria estigmatização territorial do estatuto social abjeto são qualquer coisa que corrói profundamente uma sociedade desde o seu interior. Viver naquela miséria é o horror; ter aquela miséria a viver entre nós deveria sê-lo também.
Portugal que multiplica condomínios de luxo, que vende ao desbarato propriedade pública com desconto aos fundos imobiliários especulativos e atrai milionários isentando-os de impostos com vistos gold ou sem eles é o mesmo país que vira hipocritamente a cara aos seus bairros de lata, esperando que a discreta ação da Igreja e de algumas associações cívicas faça o que manifestamente não pode fazer. Ou seja, atacar o problema no ponto onde ele nasce: na desigualdade, na pobreza e na exclusão.
É que a pobreza e a desigualdade extrema, a exclusão e o mal-estar social de todos esses problemas são um rastilho de revoltas e constituem uma autêntica bomba-relógio: não há nada a fazer contra a explosão. É antes que as políticas são úteis, não é depois.
Um bairro de lata é uma violência todos os dias que se pode tornar violento de um dia para o outro. Ora, os bairros de lata, os guetos degradados, não se acabam com políticas contra a fealdade das suas barracas ou edificações precárias ou contra o mau comportamento cívico de alguns dos seus habitantes. É preciso uma iliteracia sociológica muito profunda para acreditar nisso. O bairro de lata é a expressão alarmante dos erros mais graves que persistentemente minaram as prioridades políticas sucessivas do país.
De quando em vez lançaram-se políticas para tentar resolver o problema. Foi o caso do pós-25 de Abril, quando só em Lisboa existiam 100 mil barracas; e mais tarde, depois de, em 1993, Mário Soares ter dedicado uma Presidência Aberta ao assunto — altura em que se lançou o PER — Programa Especial de Realojamento. Passados quase 30 anos, alguns destes bairros estão hoje muito degradados e sem políticas de inclusão. Em 2006, o programa Porta 65 colocou fogos devolutos a preços razoáveis apoiados pelo Estado. Em 2018 foi a vez do programa 1º Direito, com a garantia governamental de que se iria acabar com estas situações até 2024.
Tudo sempre pouco, tudo sempre muito insuficiente e ineficaz. Entretanto, o problema agrava-se e as tensões sobem. E a pergunta continua eternamente a mesma: ainda há bairros de lata — porquê?»
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28.8.20
Bicharada Pré-Covid (9)
Orfanato de Elefantes de Pinnawala, Sri Lanka, 2011.
Este orfanato foi fundado em 1975, com sete elefantes órfãos. Atrai ao Sri Lanka estudiosos do mundo inteiro e é objecto de muitos filmes e livros. Cresceu e multiplicou-se e os primeiros órfãos já são avós.Duas vezes por dia, avós, pais e netos vão tomar banho e beber água ao rio e, quando regressam a casa, as mães tratam das «crianças».
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28.08.1963 – Luther King: «I have a dream»
Há 57 anos, quando Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom», não podia ter imaginado que, depois de todo o progresso que se seguiu, o seu país viria a ter, mais de meio século depois, um presidente como Donald Trump. A história dos direitos adquiridos não será destruída. Mas não está a ser fácil.
(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)
A propósito:
«I have a dream» – Texto:
Situaçã ode Contingência?
Esta ameaça de Situação de Contingência a mais de duas semanas de distância lembra-me uma velha história. Um pobrezinho bate a uma porta e diz à dona e casa que está cheia de fome. Ela pergunta-lhe se ele gosta de peixe frito na véspera e ele responde, entusiasmado, que adora. A senhora diz-lhe que volte no dia seguinte porque acabou de o fritar.
Entretanto, haverá quase vinte dias para os portugueses espalharem o vírus, à voltas por Portugal porque ainda têm os filhos em férias, e os ingleses podem desembarcar em massa no Algarve e beberem uns litros de cervejolas até tarde na noite. Deve ser essa a ideia. Boa tarde e boa sorte.
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saúde
Depois de Trump, o dilúvio
«Corre por aí um meme em que aparece Bernie Sanders ao lado da Ocasio-Cortez, em cima, e Joe Biden ao lado de Kamala Harri, em baixo. A legenda diz: “quando pedes uma Coca-Cola e eles perguntam: ‘pode ser Pepsi’”? Claro que este meme foi feito por um apoiante de Bernie. Se fosse este o sentimento dos democratas, Sanders teria ganho. Só que Biden é o “outro". Aquele que era preferível a Bernie para os centristas e agora será preferível a Trump para os progressistas, sem nunca mobilizar realmente muita gente. E não se pode sentar na vantagem que as sondagens lhe dão, porque o espera o inferno. Para Trump e as suas tropas vale tudo e tudo será feito. Se já é geralmente assim nos EUA,se já é assim com os republicanos há muito tempo, com Trump não há limites para o mergulho na lama.
Nas últimas semanas e na própria convenção republicana, Donald Trump regressou ao que parece ser a sua linha de campanha enquanto as sondagens não lhe correrem de feição: que os EUA se prepararam para o maior golpe da história do mundo. Com ele é sempre em grande. Em causa está a necessidade de alargar o voto por correspondência, devido à covid 19. Na realidade, os democratas até serão os que mais usarão este método de voto. O texto em português mais esclarecedor e sintético que li sobre o tema foi aqui.
A pandemia trocou as voltas a muitos governos. E também as trocou a Trump. Se todos tiveram de improvisar um pouco, a sua resposta foi especialmente incompetente. Uma pandemia não se combate com tweets e polémicas diárias. Nem sequer chega arranjar um inimigo, apesar de Trump, como Bolsonaro, o ter tentado com a China. Não consta que com isso tenha sido salva uma única vida. Para lidar com uma pandemia é preciso mínimos de competência política – e nem assim corre bem – que todo o foguetório de que vive a extrema-direita não consegue simular. E com a pandemia veio a crise económica. A economia, e não o seu discurso incendiário e de ódio, é que lhe podia dar a reeleição. Sobra o discurso da “lei e da ordem” perante a revolta racial. Um discurso que funciona.
Não sei se Trump tem as eleições perdidas. Desde as últimas, em que senti nos EUA coisas bastante diferentes daquelas que por cá se diziam, que desconfio de sondagens e previsões. Sei que tudo está contra ele. E ao lançar a suspeita de fraude eleitoral, Trump dá sinais de nervosismo. Se há quatro anos até um Trump vencia Hillary, pode ser que agora até um Biden vença Trump.
A preparação dos seus apoiantes para a recusa de uma derrota não surpreende. Trump usa a democracia, não acredita nela. Como Bolsonaro, que perante os contrapoderes que qualquer democracia exige põe os seus seguidores a defender golpes militares e o encerramento de tribunais. Todas as instituições e as suas decisões são politicamente contestáveis. Mas contestar é diferente de defender o derrube pela força dos que limitem o poder executivo.
Há uma diferença entre Trump, Bolsonaro ou, à sua pequeníssima escala, Ventura e os outros políticos, sejam moderados ou radicais: eles não têm um projeto de continuidade que exija a preservação das instituições; não têm um programa político que sobreviva ao seu exercício de poder. Eles são o projeto. À sua volta, há quem tenha projeto e os use, há quem tenha interesses e também os use. Bandos de fanáticos e de oportunistas, uns com projetos futuros outros com ganâncias presentes, aproveitam o momento da conquista para a violência ou o saque. Mas eles têm o seu próprio ego como único fim. Não faria qualquer sentido para um político como Trump aceitar uma derrota eleitoral. Ele está nos antípodas de Al Gore, que em nome do futuro do país aceitou uma derrota que estava convencido, ele e muita gente, que não tinha sofrido. Trump nada tem a preservar a não ser o seu próprio poder.»
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27.8.20
Bicharada Pré-Covid (8)
Um casuar, Sydney, Austrália, 2017.
O casuar é uma ave de grande porte, nativa do nordeste da Austrália, Nova Guiné e ilhas próximas, muito ágil (pode correr 50 km/hora e saltar 1,5m). Torna-se muito agressiva se se trata de proteger ninhos e crias. As fêmeas põem entre 3 e 5 ovos, mas depois vão-se embora para acasalar noutro sítio e os machos cuidam sozinhos dos ninhos e das crias durante os nove meses seguintes – muito «à frente» e grande contributo para alta taxa de natalidade…
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