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28.4.21

A Índia também é isto

 


Com o pensamento no drama que a Índia está a viver, a beleza do TAJ MAHAL em Agra.
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27.4.21

Índia



 


O que se passa na Índia ultrapassa a nossa capacidade de imaginação!

«A Índia tem registrado mais de 300 mil casos por dias. Na segunda-feira, o país registrou o maior número de casos diários de coronavírus pelo quinto dia consecutivo, com 352.991 novas infecções e outras 2.812 mortes em um período de 24 horas. (…)

Vários pacientes morreram em Delhi devido à falta de suprimento de oxigénio. Os hospitais da cidade estão desesperados e alguns têm emitido alertas diários, dizendo que restam apenas algumas horas de oxigénio.»
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18.4.21

O drama da Índia

 

DN, 18.04.2021

Desde o início deste drama mundial que penso na Índia como a provável maior vítima.

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18.12.20

18.12.1961 – Goa: o primeiro golpe no império

 



Foi na manhã de 17 de Dezembro de 1961 que tiveram início as operações militares que levaram à ocupação da cidade de Pangim, capital de Goa, na noite do dia seguinte. O «império português» levou então uma grande machadada com a anexação de parte do seu território pela União Indiana. Lembro-me bem da consternação quase generalizada que os acontecimentos provocaram no país, mesmo em certos meios da oposição. Houve algum tempo depois uma peregrinação a pé a Fátima (julgo que para que os céus nos devolvessem a «católica» Goa).

Os factos são conhecidos, mas vale a pena recordar o célebre discurso que Salazar fez na Assembleia Nacional, em 3 de Janeiro de 1962 (*). É um longo elogio (de 24 páginas A5) ao «pequeno país» que manteve o seu território «com sacrifícios ingentes», ignorados e combatidos por quase todos e, antes de mais, pela ONU, desde sempre objecto de um ódio muito especial.

Ficam algumas passagens a começar pela primeira frase do texto: «Não costumo escrever para a História e sinto ter de fazê-lo hoje, mas a Nação tem pleno direito de saber como e porque se encontra despojada do estado Português da Índia». Mais: «Não sei se seremos o primeiro país a abandonar as Nações Unidas, mas estaremos certamente entre os primeiros. E entretanto recusar-lhes-emos a colaboração que não seja do nosso interesse directo.» Há que perguntar se vamos no bom caminho «quando se confiam os destinos da comunidade internacional a maiorias que definem a política que os outros têm de pagar e de sofrer».

Amplamente conhecida é a frase que encerra o discurso: «Toda a Nação sente na sua carne e no seu espírito a tragédia que se tem vivido, e vivê-la no seu seio é ainda uma consolação, embora pequena, para quem desejara morrer com ela.»

(*) Estava afónico «com as emoções das últimas semanas» e quem o leu, de facto, foi Mário de Figueiredo.
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10.8.20

Grandes árvores deste mundo (1)



Howrah (perto de Calcutá), Índia, 2010.

The great banyan tree, é uma árvore ficus benghalensis (figueira-de-bengala) que se encontra no Jardim Botânico Acharya Jagadish Chandra Bose Indian, em Howrah, nos arredores de Calcutá. É a maior árvore do mundo em termos de área ocupada (cerca de 14.500 metros quadrados) e estima-se que tenha pelo menos 250 anos.





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9.8.20

Índia: o drama que se previa




«A Índia ultrapassou os 2 milhões de casos do novo coronavírus e é o terceiro país do mundo com o maior número de infetados - depois dos Estados Unidos e do Brasil. (…) No entanto o número pode estar subestimado, visto que as autoridades indianas não testam pacientes assintomáticos.»
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2.7.20

A normalidade é uma ilusão: a crise não



«A interrupção da vida quotidiana causa pela pandemia de covid-19 na Índia lembrou-me uma chocante decisão de Narendra Modi em Novembro de 2016: descontinuar 86% da moeda indiana (desmonetização); o desaparecimento abrupto de dinheiro prejudicou a cadeia de fornecimento e fez com que o desemprego sistémico piorasse a vida dos indianos mais pobres – interrompendo as suas vidas – do mesmo modo que a pandemia os afecta agora. Devido à covid, o Estado indiano, como outros, enfrentou uma situação anormal – uma suspensão da normalidade. O que significa a normalidade para a população indiana? A quem serve a normalidade?

Para os milhões de trabalhadores informais a “normalidade” pode ser uma ilusão. Durante o lockdown indiano centenas de trabalhadores migrantes morreram e desapareceram da superfície da sociedade, sem deixar rasto. Trabalhadores informais, vendedores de vegetais, fazendeiros pobres, vendedores de rua, pessoas em situação de rua – todos são partes dessa normalidade da excepção. Eles têm vivido, desde sempre, uma situação dura, uma vida anormal sendo a normalidade para eles. Essas pessoas, pessoas de lugar de abjecção como nos diz Julia Kristeva, sobrevivem com escassos salários diários, enfrentam a violência policial e têm a apatia do resto da sociedade – isto, diariamente; possivelmente, a normalidade é apenas uma ilusão para eles.

O lockdown na Índia forçou a deslocação da população migrante. A pandemia não é uma situação de crise que podemos claramente opor à normalidade; essa é uma crise permanente para milhares de trabalhadores e trabalhadoras migrantes – incapazes de garantir mesmo a própria alimentação – que foram forçadas a regressar a pé às suas cidades, enfrentando descalças centenas de quilómetros, sem comida e sem poderem aceder aos transportes, que pararam. A crise, para eles, não é uma excepção em relação à dita normalidade. Já tantas vezes sentiram a interrupção das suas vidas diárias que a palavra “normalidade” perdeu o sentido para eles.

As suas vidas foram sabotadas pelo “discurso da normalidade”, que faz parecer que as suas vidas são vividas na normalidade, como os restantes compatriotas. Na verdade, foram encurralados num inescapável ciclo de crises pelo Estado, pelas corporações e pela classe média privilegiada. A maioria vive em favelas; sentem a crise através da extrema pobreza, da fome, da doença e da profunda desigualdade salarial. A crise é uma parte essencial das suas vidas, vidas onde a ideia de “vida normal” está ausente.

Eles são o fundamento invisível da sociedade visível, fundamento sobre o qual a nação e o Estado se mantêm. Sem eles, a sociedade indiana não poderia funcionar. Para os 450 milhões de trabalhadores informais indianos, a vida nunca foi normal. Se é que a sua própria existência importa ao Estado indiano – eu tenho sérias dúvidas sobre isso. Sem seguro de saúde, em condições de trabalho precárias, sem segurança social, baixos salários; as suas vidas têm sido um permanente estado de crise, mesmo durante os ditos “tempos normais”.

Durante o infame lockdown indiano, vimos os cadáveres dos pobres, dos famintos, dos pedintes, desempregados, trabalhadores migrantes, mulheres e crianças – desumanamente espalhados ao longo do país. Mesmo nos tempos ditos normais, eles já morriam assim; morriam de fome, de doença, suicidavam-se devido a dívidas, morriam pelas mãos da violência estatal ou da discriminação estatrificada. Não obstante, foi durante os tempos anormais da pandemia que as suas mortes chamaram mais atenção e simpatia. Contudo, aqueles que sobreviveram agora morrem aos poucos com o desemprego, a inflação e a incapacidade para comprarem comida. A transformação necessária na Índia ainda está por acontecer.

De facto, a pandemia perturbou profundamente a vida de milhões, a nível global; contudo, foi a incapacidade da liderança de certos países que exacerbou a crise. O caos organizado do governo da Índia levou a uma crise humanitária de proporções épicas, reproduzindo desigualdades já existentes e aprofundando a exclusão da população marginalizada. São tempos como estes que atestam a capacidade do Estado para assegurar as necessidades básicas da população vulnerável. Em tais crises, a liderança efectiva poderia evitar o desastre, como aconteceu no caso de Portugal e da Nova Zelândia.

Em Portugal, em contraste com a Índia, foi adoptada uma abordagem humana no combate à pandemia. Foi dado tempo suficiente para que as pessoas se organizassem antes que a emergência nacional passasse a ser efectiva – aos indianos, foram dadas apenas horas antes do lockdown – ninguém foi brutalizado pela polícia e o transporte público passou a ser completamente gratuito para todos. No entanto, entristeceu-me ver, em Lisboa (aonde estive durante o lockdown), como alguns empresários da comunidade asiática, principalmente bengaleses, paquistaneses e chineses exploravam os seus empregados asiáticos. Salários diminuídos, extensão das horas de trabalho, demissões sem direitos, coacção, incumprimento do contrato de trabalho – esses são algumas das violações dos direitos humanos a que me refiro. Durante o lockdown, trabalhadores asiáticos sofreram nas mãos dos patrões asiáticos. Mas, em tempos normais, eles sofrem o mesmo destino, diariamente. A normalidade, provavelmente, é uma ilusão para eles – mas a crise não é. Dor, agonia e frustração que emergem da crise é algo bastante real para eles.

Finalizando, pode-se dizer que a pandemia instaurou uma crise de carácter excepcional para as elites e para a classe média. Contudo, para os milhões de trabalhadores migrantes indianos a crise é a normalidade. A pandemia expôs a fragilidade da sociedade indiana. Mostrou o desprezo da sociedade indiana aos seus trabalhadores migrantes. O quanto as sociedades podem aguentar forças de voláteis disrupções – só o tempo dirá. A pandemia pode até ter redefinido a ideia de normalidade aos privilegiados. Mas para os excluídos, marginalizados e discriminados, o conforto da normalidade foi sempre uma ilusão.»

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28.6.20

O mundo à janela (13)



Instituto de Estudos Budistas Karma Shri Nalanda, Sikkim (Himalaias Orientais), Índia, 2010.
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8.6.20

Entretanto na Índia



«Actualmente, cadáveres estão espalhados por toda a Índia – maioritariamente trabalhadores e trabalhadoras imigrantes e pobres. Depois de dois meses de lockdown, enquanto desesperadamente tentaram voltar às suas casas, morreram de exaustão, fome, ataque cardíaco, acidentes de viação, entre outras causas. (…) A maioria de trabalhadores e trabalhadoras migrantes ficou desempregada desde o lockdown nacional imposto há dois meses, desencadeando o maior movimento de migração intranacional visto na Índia desde 1947.»
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30.4.20

O lado rosa da crise



Com os habitantes de Bombaim recolhidos em casa, os flamingos preencheram os espaços. Quase inimaginável.
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3.4.20

Índia, a tal tragédia inevitável




«Num artigo de opinião no The New York Times, o economista e epidemiologista Ramanan Laxminarayan, vice-presidente para a Investigação e Políticas da Fundação de Saúde Pública da Índia, admitia, citando “estimativas iniciais”, que entre 300 a 500 milhões de indianos pudessem vir a ficar infectados até ao final de Julho.

Mesmo considerando que “a maioria dos casos não teria sintomas ou teria apenas infecções ligeiras”, os números apontavam para que entre 30 a 50 milhões pudessem ter sintomas mais graves. (…)

Numa entrevista ao Nouvel Obs, a escritora indiana Arundhati Roy reforça a ideia: “Não temos um sistema de saúde como deve ser para os pobres, nem sequer para a classe média. Imaginem o que é falar de distanciamento social, de gel hidro-alcoólico, de confinamento e mesmo de lavagem de mãos a pessoas que vivem em bairros de lata, nas ruas, em campos de refugiados, pessoas cujas casas foram queimadas na onda de violência anti-muçulmana poucos dias antes do início da epidemia… não tem qualquer sentido.”

Um exemplo da abissal diferença de universos é, segundo a escritora, o facto de o primeiro-ministro Modi ter apelado a que as pessoas fossem às varandas bater as palmas contra o coronavírus. Mas “quantas pessoas têm varandas na Índia”? É por isso que, alerta Arundhati Roy, “se o coronavírus atacar a Índia como atacou a Europa, será um cataclismo”.»
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31.3.20

A Índia à beira de uma tragédia mais do que previsível




«A paragem de muitas das atividades produtivas deixou milhões de trabalhadores sem salários e sem condições de subsistência. Muitos estão a regressar a pé às zonas rurais de que são originários. A polícia tenta reprimir quem o faz. (…)

Sem redes públicas de apoio e sem proteção contratual, largos milhões de trabalhadores dos setores informais da economia, para além dos migrantes, sazonais e à jorna, que trabalham nas fábricas, perderam desta forma a possibilidade de pagar o alojamento e o ganha-pão. Em grandes quantidades começaram a tentar regressar às zonas rurais de onde são originários. Muitos pé, porque a maior parte de comboios e autocarros estão suspensos e porque as deslocações por transportes públicos implicariam custos que agora se tornam incomportáveis.»
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25.3.20

O drama na Índia




Há muitos dias que penso que a Índia será, muito provavelmente, o país onde a tragédia poderá vir a atingir valores inimagináveis, pela população que tem, pelas condições em que vive uma percentagem elevadíssima das pessoas, até por razões culturais e religiosas.

«Mais de um milhão de indianos podem ser infectados com o novo coronavírus até meados de Maio. (…)

O pânico está a crescer com a possibilidade bem real de que atinja comunidades pobres, e com as muitas dúvidas de que o sistema de saúde público, parco em recursos, seja capaz de lidar com esta crise.»
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18.12.19

Há 58 anos – O primeiro golpe no império



Foi na manhã de 17.12.1961 que tiveram início as operações militares que levaram à ocupação da cidade de Pangim, capital de Goa, na noite do dia seguinte. O «império português» levou então uma grande machadada com a anexação de parte do seu território pela União Indiana.

Ler AQUI.
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11.11.19

Airbnb de marajás



Quando vi aquela «casinha» amarela em Jaipur (a fotografia é minha), que dá pelo nome de Palácio da Cidade, podia lá imaginar que ela viria a estar no Airbnb! Mas a realidade ultrapassa a ficção, sim.

Padmanabh Singh tem 21 anos, é herdeiro de uma fortuna imensa e é o Marajá de Jaipur, no Rajastão. É o primeiro anfitrião real no Airbnb. A partir do dia 23 é possível dormir no Palácio da Cidade.

Ler aqui.
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9.4.19

Eleições na Índia – para além do imaginável



Um milhão de assembleias eleitorais, eleições em sete fases, entre 11 de Abril e 19 de Maio, mais de 2.000 partidos, taxa de analfabetismo de 64,8%.

(Expresso diário, 09.04.2019)
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19.2.19

Índia, religião e vacas



O tipo de fundamentalismo religioso que existe na Índia sempre me horrorizou e me impediu de me sentir bem naquele país. Então esta história das vacas tira-me do sério!

Mas vacas nem são o pior. Varanasi, que é para muitos «o máximo» em termos de espiritualidade, ficou para mim como símbolo do horror. Numa cidade enorme e miserável, ao nascer do dia vêem-se velhos ex-leprosos estropiados a pedirem esmola, banhos de multidões na tal água indescritível, crematórios em pleno funcionamento (poupo a descrição dos cheiros…), eventualmente corpos de crianças mortas a boiarem – as crianças não são queimadas, mas sim atiradas ao rio sem que, por vezes, a pedra ao pescoço, que é suposto afundá-las, tenha sido devidamente colocada. Eu vi uma que deveria ter seis meses. Esta:



(Sobre a história das vacas, notícia aqui.)
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1.12.18

Depois da China, a Índia



«Para lá da dimensão, e apesar das diferenças de cultura e de tradição política, a Índia e a China têm algo em comum: a ambição de serem, dentro de 20 anos, as potências mais influentes do planeta. Xi Jinping formulou a nova “grande estratégia” da China no último congresso do Partido Comunista (PCC). Mas também a Índia sonha em fazer deste século o “Século Indiano”, ultrapassando as economias dos Estados Unidos e da China — e exercendo uma influência universal. A Índia tem aspirações paralelas às da China, dos EUA e da Europa em criar uma ordem mundial que reflicta os valores da sua civilização. Depois da era dos impérios, seria a sua vez. (…)

Sinais inquietantes são a pressão que o Governo e o BJP exercem sobre a liberdade de imprensa e a independência dos tribunais, primeiros sinais de uma deriva autoritária. Será exagerado comparar Modi a Erdogan. Mas a cópia duma máxima do antigo nacionalismo europeu — “Um país, uma cultura, um povo” — significaria o fim da “Índia que nós conhecemos”.

Modi tem um grande trunfo: o crescimento económico. A oposição tenta ser agressiva mas está, de facto, na defensiva. As eleições de 2019 serão determinantes para o projecto de Modi, o de um Estado etno-religioso. O segundo mandato poderá acentuar a vocação autocrática.

Assim vai a “maior democracia do mundo”.»

Jorge Almeida Fernandes
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1.5.18

Entretanto, China e Índia



… enquanto nós nos entretemos com minudências de défices.


«A nação chinesa experienciou uma ascensão repentina, o enriquecimento e o fortalecimento nacional, estando agora na busca da materialização do “sonho chinês” de rejuvenescimento nacional. O povo indiano tem também o seu próprio “sonho indiano”. As ambições dos dois países devem alinhar-se ao invés de confrontar-se. O dragão e o elefante podem dançar em sintonia. O mais importante é a garantia do entendimento mútuo e da confiança recíproca.»
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