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24.3.12

A Crise de 1962 vivida também no Secundário



Com autorização da autora, republico este texto de Helena Cabeçadas

 Liceus e Luta Política – 1962/1965

As greves e o movimento estudantil de 1962 despertaram-me para a política e para a luta antifascista. Nessa altura eu tinha 14 anos e estava no Liceu D. Filipa de Lencastre, em Lisboa, mas a minha irmã mais velha já estava no 1º ano do Técnico e participava com entusiasmo no movimento estudantil de contestação ao regime. Eu e algumas das minhas amigas, da mesma idade, fugíamos do Liceu para ir assistir aos plenários, na Cidade Universitária. Não estávamos integradas no movimento associativo liceal e tínhamos imensa pena de não estar ainda na Universidade. Tentávamos disfarçar que vínhamos do Liceu, as batas enroladas dentro das pastas, com receio que os universitários nos mandassem embora. E ficávamos quase em êxtase a ouvir os dirigentes associativos de então, os seus discursos inflamados, tanto mais apreciados quanto mais radicais.

Foi, pois, com grande entusiasmo que, no ano lectivo seguinte (1962/63), já no Liceu Rainha D. Leonor, aderi à Comissão Pró-Associação dos Liceus. Vivia-se, nessa altura, uma certa euforia, apesar das expulsões decorrentes das greves estudantis de 62. Abriam-se brechas fundas no regime – com a guerra colonial nas suas diferentes frentes de luta, o movimento estudantil cada vez mais radicalizado, a grande jornada de luta que fora o 1º de Maio de 1962… tudo isto nos dava a esperança de um fim próximo da ditadura.

Pouco depois, com 15 anos, aderi ao Partido Comunista, a única força política antifascista organizada na altura. Tenho a noção, hoje, de que teria aderido a qualquer outro partido ou grupo organizado antifascista que me tivesse surgido, fosse socialista, comunista ou anarquista, tal era o meu desejo de me empenhar na luta pela liberdade e pela democracia.

Claro que, para nós, adolescentes, era uma aventura excitante estar numa organização clandestina, ter um pseudónimo e actividades secretas tendo, ainda por cima, um objectivo último exaltante: a construção de uma sociedade mais justa, mais livre e mais fraterna. Sentíamo-nos heroínas de filme ou de romance (falo no feminino porque a minha experiência directa se passava, de facto, num universo adolescente feminino). O anticomunismo violento do regime salazarista ainda mais exacerbava a atracção que a actividade clandestina do PCP exercia sobre nós. Claro que ler Marx era uma tarefa difícil e maçadora e Lenine ainda pior, mas também não nos eram exigidas tais leituras que, aliás, não estavam disponíveis porque eram proibidas. Recebíamos o jornal do partido, o “Avante” e tínhamos que o distribuir, às escondidas, nas caixas do correio ou em locais que não dessem muito nas vistas. Era uma tarefa divertida porque tinha os seus riscos, fazíamo-la aos pares e, quando surgia alguém nas escadas do prédio, fingíamos, para disfarçar, que estávamos a namorar.

Hoje é o dia



Passe a publicidade: a «Revista» do Expresso de hoje traz uma longa e excelente reportagem sobre a Crise Académica de 1962, dirigida por José Pedro Castanheira e baseada na visita que tenho vinda a referir.

(Na foto, o grupo que visitou todos os lugares relacionados com os acontecimentos.)
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23.3.12

22 Março de 2012 / 24 de Março de 1962 – 50 anos e assim estamos



Quem anda às voltas com os factos ligados ao 50º aniversário do Dia do Estudante, e passou a tarde de ontem em manifestações nas ruas de Lisboa, não pode deixar de associar cargas policiais, separadas por cinco décadas, mas que nem por isso se tornaram menos brutais e desproporcionadas. 

Do Castanheira de Moura ao Chiado vão poucas dezenas de quilómetros e, pelos vistos, ligeiras diferenças de comportamento. Não foi para aqui chegarem que muitos lutaram contra a ditadura e o que está a acontecer é absolutamente inadmissível em democracia. 

E quem cala consente, agora como há cinquenta anos. 

P.S. - Para os mais novos que, eventualmente, ignorem factos e referências ao passado, deixo um pequeno relato, tirado de uma entrevista feita a Fernando Rosas e José Medeiros Ferreira, em 1997. 

«José Medeiros Ferreira - Repentinamente, não só há a proibição do Dia do Estudante pelo ministro Lopes de Almeida (…), mas a cidade universitária aparece ocupada pela polícia de choque [24 de Março de 1962]. 
Fernando Rosas – Facto sem precedentes na história do regime. 
José Medeiros Ferreira – Facto sem precedentes, pelo menos para aquela geração de estudantes. (…) E eu lembro-me muito bem, que os dirigentes tinham uma relação de diálogo, como se diria hoje, com o professor Marcelo Caetano, foram a casa do professor Marcelo Caetano que era o reitor da Universidade Clássica (…) dizer o que estava a acontecer, que havia polícia de choque na universidade, na cidade universitária e ele ficou, genuinamente, aborrecido e até irado. Telefonou ao ministro do Interior, Santos Júnior, na nossa frente, pedindo-lhe para ele retirar a polícia de choque e quando desligou o telefone garantiu-nos que a polícia de choque iria retirar (…) Isto é na manhã do dia 24 de Março de 1962, exactamente. Mas quando lá chegamos a polícia de choque, de facto, estava a principiar a entrar nas carrinhas, mas não saíram da cidade universitária. (…) 
José Medeiros Ferreira – (…) Portanto, convocamos os estudantes para a tarde no Estádio Universitário, um outro espaço novo que existia portanto também na cidade universitária. (…) Até por volta das seis horas, a polícia não saiu da cidade universitária. Aliás, cercou de certa maneira de novo o estádio universitário e o professor Marcelo Caetano, talvez pensando que assim resolvia a situação, terá convidado ou pelo menos dito que o melhor era os estudantes irem jantar ao restaurante Castanheira de Moura. (…) A cantina é fechada e (…) quando os estudantes se dirigem para o restaurante há uma carga de polícia muito forte (…). 
Fernando Rosas – Os estudantes saem em manifestação. 
José Medeiros Ferreira – E os estudantes saem em manifestação e são carregados no Campo Grande pela polícia de choque que criou, obviamente, um facto mobilizador muito grande. (…) Imediatamente, os dirigentes associativos promovem uma reunião das reuniões interassociações na Associação de Económicas.»
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21.3.12

A voz às mulheres de 1962



Para não os perder de vista nos labirintos nem sempre preservados dos jornais online, aqui ficam mais dois vídeos divulgados pelo Expresso. Foram gravados no passado dia 13, durante a visita aos locais da Crise Académica de 1962, que já anteriormente referi.

No primeiro, Isabel do Carmo sublinha a participação das estudantes nos acontecimentos de há 50 anos.

No segundo, Maria João Geraldo fala da estadia das estudantes detidas no Governo Civil de Lisboa, já detalhadamente relatada neste blogue pela Helena Pato.



Gostei de ver por dentro um edifício onde nunca tinha entrado e que tem um belíssimo pátio. As celas (muitíssimo rudimentares, diga-se de passagem) estavam vazias quando as visitámos, mas tinham sido utilizadas na noite anterior. Subterrâneos da vida desta cidade, que não conhecemos mas que permanecem vivos apesar do tempo que passa.

Fonte: (1) e (2)

Para além de Lisboa



.. também houve Dia do Estudante, em 1962.

Número especial da revista de Coimbra «A Cabra», em formato pdf. Ler e descarregar AQUI.
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20.3.12

Revisitar o passado



(Jorge Sampaio e Medeiros Ferreira recordam, na varanda da Reitoria, o dia em que convenceram Marcello Caetano a deslocar-se à mesma para falar aos estudantes, em 1962.) 

Há cerca de uma semana, o Expresso convidou um grupo de protagonistas da Crise Académica de 1962 para recordarem os respectivos acontecimentos, percorrendo os diversos locais relacionados com os mesmos: da Cantina Universitária a um quartel da Parede, passando pela Reitoria, pelo Estádio Universitário, pelo Governo Civil e por Caxias.

O jornal começou agora a publicar o que se passou, com a divulgação de algumas entrevistas – hoje a António Ribeiro (filho do mítico professor Orlando Ribeiro) e a Medeiros Ferreira – e incluirá, no próximo Sábado, uma longa reportagem.



Foi uma iniciativa interessante por parte do Expresso e gratificante para quem nela participou. Fiz parte do grupo e irei comentando alguns episódios, mas quero, desde já, precisar o seguinte: a minha participação na Crise de 1962 foi puramente tangencial porque eu era então estudante em Lovaina e não em Portugal. Por puro acaso, estive umas semanas em Lisboa, o que me permitiu viver a primeira fase da luta. (Mais tarde, quando se deu o episódio da greve da fome e da prisão dos estudantes, no início de Maio, tinha já regressado à Bélgica.)

Para além de assistir a horas e horas de plenários, tive uma «missão» curiosa. Era amiga pessoal dos professores Lindley Cintra e Maria de Lourdes Belchior, dois dos poucos que estiveram sempre do lado dos estudantes, e eles pediram-me que fizesse algumas acções de pequena «espionagem», como, por exemplo, ver se a polícia já tinha encerrado a Cantina numa determinada noite, julgo que na véspera do projectado Dia do Estudante. Não tinha, fê-lo logo a seguir a eu ter sido a última pessoa que lá jantou – vi-a chegar. LC e MLB esperavam-me num carro escondido nas matas próximas, temia-se que fossem presos nessa noite e Lindley Cintra convenceu a Mª de Lourdes a não ir para casa mas sim a «refugiar-se» algures perto de Bucelas. (Inimaginável? Mas era assim...) Para lá fui com ela e de lá vinha, todas as manhãs, para a Cidade Universitária. E ia sabendo as notícias do lado dos professores e transmitindo-lhes o que se passava na rua.

Embora «protagonista» puramente secundária, faço a tal ponto parte daquela geração, e daquela época, que passei, desde há muito, a membro integrante e permanente de um grupo que se reúne pelo menos uma vez por ano (com grande prazer e a maior das honras, devo dizê-lo). E, por isso mesmo, falo agora quase todos os dias deste 50º aniversário.

Os mais novos entenderão dificilmente, julgo, a importância existencial destas realidades para quem as viveu. Mas que tudo isto se tenha passado há 50 anos, isso, sim, é que parece irreal!
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19.3.12

Um, dois, três… vamos lá, outra vez!



Texto de Helena Pato, enviado para republicação neste blogue. 

Mesmo sendo pouco dada a saudosismos, tenho essa noite na memória, e não só eu, pois que quando nos encontramos – os da geração de sessenta – e falamos do antigamente na universidade, vem sempre à baila a prisão dos 1.500. Mil novecentos e sessenta e dois. 

1962 foi um período marcante para todos nós envolvidos, de uma maneira ou outra, na Resistência à ditadura, para o movimento associativo e para o regime. 

Estávamos às centenas, sentados no chão por tudo o que era espaço ocupável na cantina da Cidade Universitária de Lisboa. Reclamávamos a possibilidade de comemoração do Dia do Estudante e havia, na cantina, um grupo de umas dezenas de jovens universitários em greve de fome. Era o culminar de uma luta que vinha de muito antes. 

Pela noite dentro, foram chegando mais estudantes que vinham juntar-se a nós. Isto porque, ao cair da noite, começou a correr que a PIDE ia aparecer e fazer prisões assim que a maioria dos que, durante o dia, ali haviam permanecido fosse para casa. Perante este «diz-se que», quem ia embora não foi e desencadeou-se um movimento de telefonemas (de cabines) para colegas ausentes, a chamá-los «para a frente de batalha». Com excepção das meninas dos lares universitários, quase não ficou colega por contactar. «Liga à Emília, eu falo aos jornalistas do República…» Acordados eles e as famílias pela noite dentro, os apoiantes do movimento associativo começaram a chegar. Viam-se entrar, como que estremunhados. Em alguns casos, tinham-se escapado de sapatos na mão, pelo corredor da casa fora, fugindo ao controlo paternal – elas, sobretudo, que a moral vigente não lhes dava cobertura em saídas nocturnas. Um pé-de-vento. Chegaram muitos. Não admitiam que, no dia seguinte, viessem dizer – como era costume do governo – que apenas uma minoria, sem significado, estava naquela luta. Não era verdade, a Universidade de Lisboa, na quase totalidade dos alunos e muitos, muitos docentes, apoiava os dirigentes do movimento associativo, o que era evidente nas reuniões plenárias em que apareciam aos milhares. Por isso, logo que começou a circular que naquela noite ia tudo dentro, até os habitualmente mais difíceis de convencer a agirem se levantaram da cama e foram para lá. 

O previsto – e que durante a noite era já aguardado por todos – aconteceu mesmo. O regime não aguentou nem a pressão da contestação, em crescendo na universidade, nem a coesão dos dirigentes e do movimento estudantil. 

A vida não lhes corria mesmo nada de feição com as inúmeras greves operárias desse ano e agora eram até os meninos da burguesia a criar-lhes problemas? Só faltava essa… Decidiram cortar o mal pela raiz – que já era tarde – e antes de perderem totalmente o controlo da situação, prenderam de uma assentada 1.500 jovens – na esmagadora maioria, oriundos das classes sociais tradicionalmente afectas ao regime (era, não esqueçamos, a Universidade enormemente elitista do início da década de 60). Zás! Tudo «dentro». Intimidados por esta acção repressiva, talvez os pais tivessem mão nos seus filhos. 

18.3.12

A crise académica, 50 anos depois — e agora?



Um importante texto de Jorge Sampaio, Secretário-Geral da RIA (Reunião Inter-Associações) em 1961/1962, publicado ontem no Expresso (sem link). 

Comemora-se agora a o cinquentenário da crise académica de 62. Seria, porém, redutor ficarmos no agridoce conforto de nostalgias, pois essa data – e o que significou – pede-nos sobretudo a pedagogia de um inventário e o dever de um testemunho. E isto porque, ao olharmos para trás, voltamos a sentir que essas foram horas de aprendizagem de vida e de cidadania, de múltiplos desafios, de inevitáveis testes de carácter. Mas foi também um raro momento de unidade, em que muitos descobriram como construir o triunfo da razão sobre a força, ou da justiça sobre a prepotência. 

Vale, por isso, a pena assinalar, sobretudo junto das novas gerações, alguns fundamentos de uma crise académica que lhes parecerão anacronicamente absurdos. Quando em março de 1962 se procurou comemorar o dia do estudante, o regime escondia mal as feridas acusadas pela perda de Goa, pela insurreição em Angola, pelo frustrado assalto ao quartel de Beja, e por vários indícios de desgaste postos a nu pela falhada tentativa do general Botelho Moniz. Tudo isto se começava a refletir numa nova dinâmica do movimento associativo que, em Lisboa, congregava mais de uma dúzia de associações e organismos autónomos, coordenados por uma estrutura informal - a RIA (reunião interassociações). O ato da inauguração do edifício da reitoria dera já um sinal: coubera-me não aceitar, como representante dos estudantes, a censura ao texto que me propunha ler, o que motivaria a ausência institucional do corpo discente na cerimónia. A posterior proibição do dia do estudante atuou como faísca, ao mostrar a face arbitrária do governo, a arrogância do seu comportamento pela recusa do diálogo e pela desautorização do reitor, num atropelo à então débil autonomia da universidade. Depressa se abriram as portas da crise: encerramento de instalações, presença e repetidas cargas da polícia de choque na cidade universitária, maciças concentrações de protesto de estudantes no Estádio Universitário (a que inesperadamente se juntaria o reitor Marcelo Caetano) e na Alameda da Universidade, um justamente famoso jantar de confraternização de estudantes e alguns professores, por convite pouco antes feito pelo reitor devido ao fecho da cantina, o qual originaria nova carga e consequentes correrias. De tanta inabilidade de um governo acossado, surgiria uma inédita unidade de estudantes e professores: demissão do reitor e dos diretores da Universidade Clássica; comunicado do Senado (apenas formado por docentes) defendendo a autonomia universitária; e a decisão, com o magnífico apoio de Coimbra, de iniciar o luto académico. A crise, entre recuos, faltas de palavra e endurecimento do governo, persistiria até julho, e, na barricada universitária, as associações, sob a coordenação da RIA, iriam atravessar dias arrebatados, numa febril cooperação e capacidade organizativa cuja eficácia ainda hoje me surpreende. Foi um tempo repartido por reuniões pela madrugada fora; pela desmontagem das notas oficiosas através de comunicados informativos que a PIDE nunca conseguiu calar; por experiências de alguma incipiente clandestinidade e encontros vagamente conspirativos; pela mobilização de apoios de intelectuais e artistas; e, para vários, o primeiro contacto com a prisão. 

15.3.12

O fim do «bom comportamento» (1962)


Isabel do Carmo, membro da Comissão da Pró-Associação da Faculdade de Medicina de Lisboa, fala da passagem de reivindicações puramente académicas para um plao mais político e, sobretudo, da importância que a Crise Académica teve para a emancipação das estudantes que cortaram com um longo passado de «bom comportamento». 


Em A Crise Académica de 62, Fundação Mário Soares, 2007 (dvd)
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13.3.12

Os dois lados da barricada (1962)




(Clicar em cada uma das imagens e aumentar para ler.)

Quando publiquei ontem um texto de Artur Pinto, que citava parte do primeiro Comunicado dos estudantes sobre o início da crise académica de 62, fui procurar a versão «oficial» dos acontecimentos. 

Dois documentos bem datados, só que apenas um (aqui publicado no Diário de Lisboa do dia 25) chegou às bancas dos jornais e aos noticiários da rádio e da televisão. 

Assim vivíamos, assim se resistia, contra muros de silêncio. Com muito mais força e convicção do que os mais novos possam hoje imaginar. 
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12.3.12

100 dias que abalaram o regime – No Cinquentenário da Crise Académica de 1962



Texto de Artur Pinto, enviado para publicação neste blogue. O autor foi activista na Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, em 1961/1962, e é um dos principais animadores das comemorações que terão lugar no próximo dia 24.

«COMUNICADO
Lisboa, 26 de Março de 1962
Colega:
Efectuou-se anteontem o maior atentado de sempre contra a autonomia da Universidade e a dignidade dos professores e alunos. Por ordem do Governo foi encerrada a Cantina Universitária, passando-se por cima do Sr. Reitor, das Associações e da Comissão Administrativa da dita Cantina.
Camiões da polícia, transportando centenas de polícias de choque, armados de pistolas-metralhadoras, tomaram a Cidade Universitária. Tudo isto, para que lá se não realizassem os Colóquios e o jantar de confraternização do Dia do Estudante.»

Este comunicado, assinado pelas Associações de Estudantes, relatava os factos que deram origem à Crise Académica de 62, que se prolongaria por quase quatro meses: foi a maior e mais longa luta estudantil durante e contra a ditadura. De permeio, assistiu-se a uma greve às aulas nas universidades de Lisboa, Coimbra e Porto, a muitas cargas policiais algumas com invasão de instalações universitárias, ao pedido de demissão do reitor da Universidade Clássica de Lisboa, Prof. Marcelo Caetano e à prisão, na noite de 10 para 11 de Maio, dos cerca de 1.500 estudantes que se encontravam na cantina universitária em solidariedade com os seus 81 colegas que faziam a Greve de Fome. Tudo isto só foi possível porque as estruturas estudantis tiveram uma prática democrática de decisão que permitia a participação directa dos estudantes, unindo-os em torno de reivindicações e propostas justas.

Naturalmente que o poder reagiu de forma violenta. Para além da repressão policial directa, expulsou dezenas de estudantes das universidades, chamando outros, intempestivamente, para o serviço militar, muitos dos quais foram enviados para a Companhia Disciplinar de Penamacor. E, no entanto, nunca o governo conseguiu abafar a voz dos estudantes ou destruir as suas associações. De realçar que estas conseguiram criar estruturas de tal modo eficientes que as suas reuniões nunca foram detectadas pela PIDE, algumas foram feitas no telhado do Hospital de Santa Maria, nem a sua máquina de impressão e distribuição de comunicados foi alguma vez localizada. E dias houve em que se imprimiram e distribuiram quatro comunicados.

Estes e outros acontecimentos da Crise Estudantil de 1962, de que agora se comemoram os cinquenta anos, abalaram fortemente o regime de Salazar, destabilizaram a estrutura da sociedade portuguesa, despertaram muitas consciências para a realidade social e política do país e deixaram uma marca indelével em todos os estudantes e professores das tres universidades. As Associações de Estudantes viriam a revelar-se un extraordinário manancial da nova «inteligenzia».
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10.3.12

Ruptura entre a Universidade e o regime (1962)



Dentro de duas semanas celebra-se o 50º aniversário do início da Crise Académica de 1962.  

José Medeiros Ferreira, então Vice-Presidente da Pró-Associação da Faculdade de Letras de Lisboa, fala-nos da ruptura entre a Universidade e o regime, que a referida Crise significou, e relata alguns episódios relacionados com a proibição do Dia do Estudante de 24/3/1962.


Em A Crise Académica de 62, Fundação Mário Soares, 2007 (dvd)
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8.3.12

Vem aí uma data importante



Este blogue publicará, durante as próximas duas semanas, toda a informação disponível sobre o 50º aniversário da Crise Académica de 1962, bem como testemunhos, vídeos, etc. Para já, o programa oficial. 
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7.1.12

Ainda a propósito do Golpe de Beja e de um texto de Paulo Varela Gomes


Foi com emoção que li um texto de Paulo Varela Gomes no P2 do Público de hoje, ele que é o filho mais velho de um dos protagonistas da uma das mais importantes tentativas falhadas para derrubar o salazarismo. É também com estas memórias dos filhos das vítimas da ditadura que se tece a nossa História e é absolutamente fundamental que sejam preservadas! Nessa medida, este texto é exemplar.

Não conheço o Paulo pessoalmente. Ou melhor: vi-o uma vez, de raspão, em 1967, quando fui a sua casa ter com a mãe, Maria Eugénia Varela Gomes, para ela me entregar uma carta que o Paulo escrevera ao Papa Paulo VI, poucos dias antes da chegada deste a Portugal, pedindo-lhe que intercedesse pela libertação do pai, então ainda a cumprir os seis anos de pena a que fora condenado por causa de Beja. O objectivo era que a carta em questão fosse entregue na Nunciatura e, por razões que já expliquei em tempos mas que não vêm agora ao caso, era-me fácil desempenhar discretamente a tarefa. A Maria Eugénia acredita que a iniciativa foi eficaz e que à mesma se ficou a dever a redução das medidas de segurança a que o marido estava sujeito, de um ano e meio para seis meses. Nem sei se o Paulo se lembrará dessa carta, mas hoje, ao ler o seu texto, ela «regressou».

Não será fácil a quem nasceu ou cresceu em liberdade «sentir» o significado destes pequenos factos: uma carta de um adolescente que tem o pai preso pela PIDE, uma entrega semi-clandestina de um texto dirigido a um Papa cuja visita não se desejou mas da qual se tentou tirar partido, etc., etc., etc. Mas foi também assim que chegámos à liberdade. E que temos de a defender, como o Paulo tão bem sublinha no fim do seu texto: «A iniquidade não pode vencer.» Texto, belíssimo, que aqui fica na íntegra, já que não se encontra acessível online.


Aquilo que é necessário

Na manhã do dia 1 de Janeiro de 1962, eu, o meu irmão e as minhas duas irmãs fomos acordados, não pelo meu pai ou a minha mãe como era costume, mas por um tio e uma tia. Mandaram-nos vestir um roupão sobre os pijamas e acompanhá-los. Atravessámos a curta distância que separava da casa do meu avô materno a casa onde vivíamos, e à qual nunca mais voltei. Durante semanas só nos disseram coisas vagas. As empregadas do meu avô calavam-se de repente quando passávamos. Soubemos depois que a família não tinha a certeza que o meu pai sobrevivesse aos ferimentos de bala que sofrera no ataque ao quartel de Beja na madrugada daquele dia 1. A minha mãe estava presa. Voltou para casa um ano e meio depois. Ele, ao fim de seis anos. Lembro-me: a minha mãe, a quem não deixaram abraçar os filhos pequenos, encharcando com lágrimas os punhos cerrados de fúria com que agarrava as grades do parlatório de Caxias. O nosso terror. O meu pai, numa cela da Penitenciária de Lisboa, entubado, magríssimo, a voz quase apagada, um fantasma desvanecido contra a luz da janela, aquele homem que eu recordava grande, alegre, garboso na sua farda. Desapareceu de vez a infatigável alegria do meu irmão, um miúdo palrador e de olhos cheios de luz. Ganhou dificuldades de fala e endureceu. Nunca mais encontrou a paz. Por mim, fui adolescente a querer ser homem sem ter para isso pai. Não foi fácil e não se tornou menos difícil depois. As minhas irmãs, eu sei lá, nunca falamos disso. A família juntou-se para nos acolher e ajudar, houve amigos que estiveram à altura da ocasião, mas vivíamos com alguma dificuldade. Quando a minha mãe foi libertada, tinha perdido a profissão que a PIDE a impediu de retomar. Arranjou os empregos possíveis. Dormia pouquíssimo, trabalhava loucamente e aguentou tudo. Só perdeu a juventude e a saúde.

2.1.12

50º aniversário do Golpe de Beja - Evocação por 23 participantes


Os subscritores, participantes sobrevivos da Revolta Armada de Beja - cujo quinquagésimo aniversário ocorre no próximo 1º Janeiro – pretendem, através da divulgação pública desta evocação, contribuir para resgatar a “memória apagada” dessa efeméride, remetida como está para o limbo dos acontecimentos avulsos, insignificativos; situação, aliás, em consonância com muitas outras relativas à memória da resistência antifascista; e em contraste flagrante com o desvelo comemorativo dedicado ao chamado Estado Novo, seus personagens e afins.

Na realidade, o combate e a resistência contra a ditadura e o fascismo em Portugal, constituíram um processo histórico contínuo ao longo de metade do séc. XX. Nesse processo insere-se a Revolta de Beja...porque aconteceu e ficou selada em sangue e morte. A sua importância e significado são-lhe conferidos pelo fluxo histórico no seu todo. Não foi um episódio isolado, fora do contexto da luta comum do povo português pela libertação de um regime ditatorial.

Com efeito, no caso da Revolta de Beja, é fácil estabelecer a sua ligação orgânica com o grandioso movimento de massas/levantamento popular provocado pelas eleições presidenciais em 1958; vindo a ser, exactamente, o general Humberto Delgado o impulsionador da Revolta de Beja e, como tal, figurando em 1º lugar na lista dos 87 incriminados pronunciados para julgamento no Tribunal Plenário Fascista.

Na sequência imediata da Revolta de Beja, eclodiu em Março desse mesmo ano de 1962, a revolta estudantil de maiores proporções contra o regime; o 1ºde Maio desse ano foi assinalado pelos trabalhadores e outros sectores da população com a maior força e amplitude de sempre. E o processo histórico continuou, já com a guerra colonial, por mais 12 anos, até 1974.

Tem sido prática corrente, após o derrubamento do fascismo até aos dias de hoje, minimizar a importância e o significado da Revolta de Beja. Obras antigas e recentes, de pretensa intenção histórico/cronológica, nem sequer anotam o acontecido. Mas bastaria ter consultado a imprensa da época para ver em grandes parangonas a dimensão do impacto e do sobressalto que provocou no País e além-fronteiras. O ditador tão emocionado ficou (citando) “com os acontecimentos das últimas semanas” que perdeu a voz e alguém teve de ler-lhe o discurso na sessão da Assembleia Nacional de 3 Janeiro; e cancelada teve de ser a costumada manifestação de desagravo.

Mas não serão certamente a contrafacção histórica ou a posição negacionista, até hoje dominante, que conseguirá alterar o significado patriótico/cívico/ético da Acção Revolucionária de Beja; que conseguirão apagar no registo da história o facto de “ter acontecido”; que abalarão as convicções e o orgulho, mantido sempre enquanto houve/houver alento pelos revoltosos de Beja, por terem dado corpo e presença e não terem recuado na hora de confirmação.

A 50 anos de distância temporal, neste ensejo evocativo os abaixo-assinados sentem-se felizes por poderem afirmar que a Revolta Armada de Beja insere-se, com honra, no processo histórico de luta e resistência do Povo Português contra a ditadura e o fascismo.

Simultaneamente, manifestam óbvia solidariedade, respeito e admiração, para com todas as outras “memórias apagadas”, por idênticos e obscuros propósitos de desvalorização do historial da resistência antifascista portuguesa.

Resta portanto, aos resistentes sobreviventes da Revolta de Beja saírem em defesa da causa pela qual empenharam as suas vidas, que continua a ser a Causa da Liberdade pela Justiça Social, a qual, neste século XXI, corresponde a ser a Causa contra o retrocesso civilizacional, contra o neoliberalismo que retira todos os recursos da economia real para entregá-los ao capital financeiro, avassalando o mundo e ameaçando o destino das gerações vindouras.

Assim foi aqui feito,
Evocando o Cinquentenário da Revolta Armada de Beja.
Em Lisboa, na última semana do ano 2011

ass)
Airolde Casal Simões
Alexandre Hipólito dos Santos
Alfredo da Conceição Guaparrão Santos
António da Graça Miranda
António Pombo Miguel
António Ricardo Barbado
António Vieira Franco
Artur dos Santos Tavares
Delmar Silva
Edmundo Pedro
Eugénio Filipe de Oliveira
Fernando Rôxo da Gama
Francisco Brissos de Carvalho
Francisco Leonel Rodrigues Francisco Lobo
João Varela Gomes
José Duarte Galo
José Hipólito dos Santos
Manuel da Costa
Manuel Joaquim Peralta Bação
Raul Zagalo
Venceslau Luís Lopes de Almeida
Victor Manuel Quintão Caldeira
Victor Zacarias da Piedade de Sousa


(Fotos: Manuel Serra, um dos intervenientes no Golpe (1931-2010) e António Vilar / David de Abreu, os dois caídos civis em combate no interior do quartel.)
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O Golpe de Beja, 1 de Janeiro de 1962

(Clicar e ampliar para ler)

O Diário de Notícias (sem link) publica hoje uma reportagem, com excertos de entrevistas a três dos protagonistas e um texto do jornalista João Céu e Silva – O 25 de Abril que falhou em 1962 – que começa assim: «Há 50 anos vivia-se em Portugal o rescaldo de uma revolta civil e militar que poderia ter ditado o fim do regime de Salazar e que até obrigou a que o generalíssimo Franco mandasse avançar uma divisão de blindados até à fronteira de Badajoz para fazer frente aos efeitos da acção armada contra o quartel do Regimento de Artilharia n.º 3, de Beja»

EDMUNDO PEDRO
«Provou-se que éramos capazes de tomar o quartel.»

Antes de Manuel Serra morrer, foi ao hospital dar-lhe a ler o seu trabalho sobre Beja: “Ele leu o capítulo das minhas memórias e disse que era a verdade sobre essa noite.”

Para Edmundo Pedro, o seu papel na Revolta de Beja foi fornecer a componente civil ao movimento que Manuel Serra liderava em nome do general Humberto Delgado, de modo a obrigar os militares a participar no golpe de Beja: “Era muito importante para impedir a hesitação dos militares que, várias vezes, à última hora, estavam à espera uns dos outros e desistiam.” Em Beja, essa componente civil ensaiou duas tentativas de levantamento antes da derradeira e foi, refere, por falta de pessoas suficientes que acabaram por desistir do assalto. A intenção, diz, era que o movimento civil, apoiado no prestígio de Delgado e nas suas relações, tomasse conta do quartel: “Ficou provado que éramos capazes.” Isso confirma-se, justifica, pela reacção das autoridades: “Foi lenta e, apesar de haver tanta gente comprometida, a PIDE desconhecia o que se ia passar. Só o soube naquela noite, e às quatro da manhã já tinham assaltado a casa de onde tínhamos saído. Isto mostra que houve um trabalho conspirativo muito bom, mesmo não tendo sido muito rigoroso.”

O enviado do político que queria derrubar Salazar viera acompanhado de mais dois elementos, José da Silva Graça e Raul Marques, que, ao concluírem pela impossibilidade de fazer o levantamento, se refugiaram na embaixada do Brasil. Segundo Edmundo Pedro, Serra estava quase a fazer o mesmo quando o oposicionista Piteira Santos os pôs em contacto. A partir daí, o ex-preso político do Tarrafal participou activamente da acção, mas considera que “o projecto não estava tão consolidado como se pensava. Nós, civis, provámos que éramos capazes de tomar conta do quartel – quem complicou a situação foram os militares que colaboraram. Levávamos apenas duas pistolas e duas granadas de mão, porque o Manuel Serra dizia que as armas estavam lá dentro. Até podiam ser duas pistolas de plástico que serviriam na mesma!”. Ao fazer o balanço 50 anos depois, Edmundo Pedro não duvida de que sem a sua participação faltariam os meios essenciais para a operação: “Um dia o capitão Vasco Lourenço fez ao Manuel Serra a seguinte pergunta: ‘ Beja foi o quê?’ E este respondeu: ‘ Beja foi o Edmundo Pedro.’ Eu digo que Beja não fui eu, mas muita gente que se sacrificou. O que digo é que se não tenho intervindo não havia Beja.”


VARELA GOMES
«A Queda de Goa Impulsionou militares»

Não quer especular sobre o que poderia ter sido Beja, nem destacar o significado na luta contra Salazar. Quer que fique na História.

O capitão Varela Gomes quase morreu varado por dois tiros à queima- roupa durante a tomada do Quartel de Beja. Uma situação que não lhe custou tanto sofrimento como o esquecimento a que a acção armada está votada pela História. Há dez anos enviou ao presidente Sampaio uma carta a alertar para um “pedido de desculpas” em falta. Desta vez, é um entre os 22 subscritores de um documento assinado pelos que ainda estão vivos, no qual já só se pede que a efeméride não seja apagada. O texto é curto e manifesta o desejo de resgate de uma memória no seu cinquentenário, porque, diz: “Este grupo de rapazes que o assinaram chegaram 50 anos depois firmes na posição ideológica e nunca traíram.”

Varela Gomes recusa protagonismo e pouco quer contar: “Tenho recebido críticas de que não me deveria ter exposto tanto.” Mas, reconhece, “que o fiz porque não me faltou coragem para me acobardar, mesmo que tudo aconselhasse a ser sensato e ir embora”. Recorda que foi contactado em cima da hora e só avisou: “Comigo, não voltam para trás.” No entanto, a acção correu mal: “Chegaram atrasados, falharam os encontros preparatórios e já tinha desmobilizado as unidades. Foi um ensaio geral mau.”

Segundo o militar, o movimento conspirativo estava em bom andamento na altura devido à campanha presidencial de Humberto Delgado, em 1958: “As manifestações que reuniu no Porto foram maiores que as do 25 de Abril e estava-se debaixo da repressão activa.” Era activo politicamente: “Um oposicionista mais do que referenciado por ser o único oficial do quadro permanente que foi candidato contra a União Nacional. Em 1961, tínhamos uma boa rede conspirativa, que foi fortemente ameaçada pela Guerra Colonial. Ficou tudo desnorteado e muitas unidades foram logo para Angola ou estavam a caminho, como era o caso da de Beja, de Évora e de Estremoz, que nos colocava sob uma grande dúvida. A queda de Goa, dias antes, é que deu um forte impulso à participação dos militares.” Acreditava que Delgado iria estar presente na revolta – “Olha quem! Ele vinha e pronto a assumir o comando” –, mas não quer especular sobre o que teria acontecido se o movimento fosse vitorioso: “O Delgado era um espontâneo, mas daquela vez foi espontâneo demais!”


HIPÓLITO DOS SANTOS
«A GNR e a polícia recusaram intervir»

Vai publicar a investigação intitulada ‘A Revolta de Beja’ em que sistematiza os factos do golpe civil e militar.

Tinha 29 anos quando fez de elemento de ligação na terceira tentativa golpista: “Estabeleci o contacto entre militares de Beja e o grupo do Varela Gomes, que estava muito hesitante. Quando se descobre que há um pequeno núcleo de Beja que era contra o regime e que estava disposto a participar, aí tudo muda e decidem ir para a frente.” Economista e quadro da CUF, irmão de um dos militares directamente envolvidos e um dos quatro julgados à revelia: “O meu irmão Alexandre é oficial no Regimento e diz-me o que se estava a passar no interior do quartel. Não era uma sublevação, mas vivia-se um ambiente contra e até tinham estado dois fins de semana de prevenção. O Varela Gomes perguntou-me se o meu irmão aceitaria conversar; fiz o contacto e, a partir daí, os militares decidiram juntar-se ao movimento do Manuel Serra.”Também entra na organização de um processo de agitação em Lisboa e Vale do Tejo para cortar a energia em Lisboa e paralisar transportes e fábricas no dia 2 de manhã. Na sua opinião, o regime estava preso por um fio: “Sentia-se e via-se isso dentro dos quartéis. A natureza do golpe surpreendeu a PIDE porque pensava que se preparava um desembarque de Delgado a sul.”

Da sua investigação, revela, o facto mais inédito é a descoberta de que a GNR e a polícia se recusaram a intervir no quartel, e que foram os tiros dos guardas que mataram o secretário de Estado que foi controlar a revolta.



Na TSF, o depoimento de um outro dos protagonistas, o coronel Eugénio de Oliveira.

P.S. – Os 22 sobreviventes elaboraram um documento por ocasião do 50º aniversário do Golpe, que divulgarei em breve.
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24.3.11

Hoje

… como em 24 de Março de 1962.

E o habitual jantar, na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa.

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24.3.10

1962 - O testemunho de José Medeiros Ferreira

Medeiros Ferreira referiu, no seu blogue, este meu post sobre o Dia do Estudante em 1962. Aqui fica mais um testemunho - o dele -, em jeito de homenagem a mais um dos grandes protagonistas dos acontecimentos (*).



Secretário Geral da RIA
(Reunião Inter-Associações) 62/63

(*) A Crise Académica de 62, Fundação Mário Soares, 2007 (dvd)