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28.8.20

28.08.1963 – Luther King: «I have a dream»



Há 57 anos, quando Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom», não podia ter imaginado que, depois de todo o progresso que se seguiu, o seu país viria a ter, mais de meio século depois, um presidente como Donald Trump. A história dos direitos adquiridos não será destruída. Mas não está a ser fácil.



(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)


A propósito:






«I have a dream» – Texto:


12.8.19

12.08.1963 – «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Mas seria esta frase, rebuscada bem no seu estilo, que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».



«Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e do Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem

aqui e aqui mais duas partes do discurso.

Tudo isto passou-se apenas há 56 anos. 
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29.1.19

29.01.1963 - «O Tempo e o Modo»



Nasceu há 56 anos, em 29 de Janeiro de 1963. Alguns (cada vez menos, infelizmente...) recordarão a importância que teve o lançamento desta revista como plataforma, para uma ampla esquerda, de um diálogo possível em tempos de censura bem dura, na sociedade portuguesa daquele início da década de 60. Pessoalmente, tive a sorte de nela participar e, para além do enriquecimento que esse facto me proporcionou, permitiu-me colaborar com grupos e pessoas, que, sem a existência da revista, estariam fora do meu universo de então.

António Alçada Baptista, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, Nuno Bragança, Alberto Vaz da Silva e Mário Murteira, todos católicos, concretizaram um projecto que, desde o seu início, foi aberto à colaboração de não crentes, o que hoje parece absolutamente trivial, mas que esteve longe de o ser e foi mesmo objecto de uma votação. Não resisto a resumir o que então se passou: antes de a dita votação se efectuar, foi rezada uma Avé-Maria para que o Espírito Santo iluminasse os presentes. A decisão, pela positiva, foi tomada por cinco votos a favor e dois contra, o que permitiu que tivessem sido colaboradores, desde o início, Mário Soares, Salgado Zenha, Jorge Sampaio e Sottomayor Cardia, entre outros. Este episódio, hoje dificilmente compreensível, revela bem o peso da mentalidade então vigente e a importância histórica dos que contra ela lutavam – «abertura» passou a ser um dos sinais de marca de O Tempo e o Modo.

Em 1964, por ocasião do primeiro aniversário da revista, António Alçada Baptista comentou, bem à sua maneira: «O Tempo e o Modo pretendeu ser essa mesa onde as pessoas se conheceram e à volta da qual alguns se quiseram sentar. Depois, e à mesma mesa sentados, acharam que era possível falar. Conversados, reconheceram que muitas preocupações lhes eram comuns e que, talvez, ao tentarem resolvê-las, o poderiam fazer em equipa.» (O Tempo e o Modo, nº 12, Janeiro de 1964, p. 1.)

Foi longa e atribulada a história da revista, publicada entre 1963 e 1977. Recentemente, foram disponibilizados online todos os números das diversas fases.

A ler: O Tempo e o Modo, 50 anos depois.


P.S. – Soube hoje que pode ser vista aqui uma interessante entrevista a Amadeu Lopes Sabino, agora divulgada.
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28.8.17

28.08.1963 – Luther King: «I have a dream»



Em 28 de Agosto de 1963, quando Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom», não podia ter imaginado que, depois de todo o progresso que se seguiu, o seu país viria a ter, mais de meio século depois, um presidente como Donald Trump. A História dos direitos adquiridos não será destruída. Mas não está a ser fácil.



(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)


A propósito:








«I have a dream» – Texto:


12.8.17

12.08.1963 – «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Mas seria esta frase, rebuscada bem no seu estilo, que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».



«Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e do Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem

aqui e aqui mais duas partes do discurso.

Tudo isto APENAS há 54 anos. Há muito sangue que ainda nos corre nas veias. 
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26.6.17

26.06.1963 – «Ich bin ein Berliner»



Frase proferida por John F. Kennedy, em Berlim Ocidental, no dia 26 de Junho de 1963, quase dois anos depois de o Muro de Berlim ter dividido a cidade, num discurso em que o presidente dos Estados Unidos quis mostrar o seu apoio à Alemanha Ocidental e que foi considerado um dos momentos mais importantes da Guerra Fria.



O texto do discurso pode ser lido aqui.

Poucos meses depois, Kennedy foi assassinado em Dallas.
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28.8.15

28.08.1963: «I HAVE A DREAM !»



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom» que pode ser recordada neste vídeo.




A propósito:






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12.8.15

12.08.1963 – «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Mas seria esta frase, rebuscada bem no seu estilo, que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».



«Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e do Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem

aqui e aqui mais duas partes do discurso.

Nada disto deve ser esquecido: 1963 foi anteontem, há muito sangue que ainda nos corre nas veias. 
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29.10.14

«Análise Social» – tema do dia



Quando li a notícia, pensei imediatamente em Adérito Sedas Nunes: «Um dos mais importantes cientistas sociais portugueses do século XX, foi fundador, durante as décadas de 1950 e 1960, da moderna Sociologia em Portugal. Ajudou a criar, em 1962, o Gabinete de Investigações Sociais, o primeiro centro de investigação inteiramente dedicado às Ciências Sociais. Em 1963 foi fundador e primeiro director da revista Análise Social, a mais antiga e prestigiada neste domínio em Portugal.»

Embora sem ter nada a ver, profissionalmente, com a área da Sociologia, lembro-me bem da verdadeira pedrada no charco que constituíram a criação do Gabinete de Investigações Sociais e o lançamento da Análise Social e a oportunidade que criaram para tantos, conhecidos e até amigos próximos, nesse terrível país cinzento do início da década de 60.

E que diz a referida notícia de hoje, no ano da graça de 2014? Que a Análise Social foi suspensa pelo director do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, José Luís Cardoso, por conter um «ensaio visual» com texto de Ricardo Campos, intitulado «A luta voltou ao muro», acompanhado de fotografias de graffitis em paredes de alguns centros urbanos. O referido director considerou estar-se em presença da utilização de «linguagem ofensiva».

Ver para crer: a versão deste número da revista chegou a estar online, já foi retirada, mas pode ser vista aqui.Os exemplares em papel foram recolhidos dos postos de venda.

Negue-se ou não, estamos na presença de censura pura e dura (estúpida, ainda por cima), 51 anos depois de um acto de coragem, académico e de cidadania, ter conseguido furar anos de chumbo. Duro de engolir, mas é isso mesmo.

P.S. - Na imagem à direita, a primeira página do nº1 da Análise Social (1963). (Daqui.)
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28.8.14

Sempre neste dia – «I have a dream»



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom» que pode ser recordada neste vídeo.



(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)


A propósito:








«I have a dream» – Texto:



12.8.14

«Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Na biografia que escreveu sobre Salazar, Franco Nogueira dedica-lhe várias páginas e quem tiver em casa o volume V pode dar uma vista de olhos pelas páginas 504 a 509. É todo um tratado para explicar que «também somos, além do mais e a melhor título que outros, uma nação africana» e para atacar «os governos comunistas que pretendem destruir o Ocidente» e de outros que querem captar a simpatia africana, «contra a vontade dos próprios».

Mas seria esta frase que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».

Este foi o único registo sonoro que encontrei do excerto em questão:



«Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e do Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem.»

Mas há aqui e aqui mais duas partes do discurso.

Inútil recordar tudo isto? Não é, não é...
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26.6.14

«Ich bin ein Berliner» – há 51 anos



Frase proferida por John F. Kennedy, em Berlim Ocidental, no dia 26 de Junho de 1963, quase dois anos depois de o Muro de Berlim ter dividido a cidade, num discurso em que o presidente dos Estados Unidos quis mostrar o seu apoio à Alemanha Ocidental e que foi considerado um dos momentos mais importantes da Guerra Fria.



O texto do discurso pode ser lido aqui.

Poucos meses depois, Kennedy foi assassinado em Dallas.
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29.1.14

O Tempo e o Modo



Nasceu há 51 anos, em 29 de Janeiro de 1963. Alguns (cada vez menos, infelizmente..) recordarão a importância que teve o lançamento desta revista como plataforma de diálogo possível, à esquerda, em tempos de censura, na sociedade portuguesa daquele início da década de 60.

António Alçada Baptista, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, Nuno Bragança, Alberto Vaz da Silva e Mário Murteira, todos católicos, concretizaram um projecto que, desde o seu início, foi aberto à colaboração de não crentes, o que hoje parece absolutamente trivial, mas que esteve longe de o ser e foi mesmo objecto de uma votação. Não resisto a resumir o que então se passou: antes de a dita votação se efectuar, foi rezada uma Avé-Maria para que o Espírito Santo iluminasse os presentes e a decisão, pela positiva, foi tomada por cinco votos a favor e dois contra, o que permitiu que tivessem sido colaboradores, desde o início, Mário Soares, Salgado Zenha, Jorge Sampaio e Sottomayor Cardia, entre outros. Este episódio, hoje dificilmente compreensível, revela bem o peso da mentalidade então vigente e a importância histórica dos que contra ela lutavam – «abertura» passou a ser um dos sinais de marca de O Tempo e o Modo.

Em 1964, por ocasião do primeiro aniversário da revista, António Alçada Baptista comentou, bem à sua maneira: «O Tempo e o Modo pretendeu ser essa mesa onde as pessoas se conheceram e à volta da qual alguns se quiseram sentar. Depois, e à mesma mesa sentados, acharam que era possível falar. Conversados, reconheceram que muitas preocupações lhes eram comuns e que, talvez, ao tentarem resolvê-las, o poderiam fazer em equipa.» (O Tempo e o Modo, nº 12, Janeiro de 1964, p. 1.)

Foi longa e atribulada a história da revista (publicada entre 1963 e 1977, em duas séries).
A ler: O Tempo e o Modo, 50 anos depois

(A totalidade do conteúdo da revista está disponível em dvd (dois exemplares, uma para cada série) e pode ser comprada na Fundação Mário Soares.)
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28.8.12

Há 49 anos



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom»



Ver também o vídeo sobre a Marcha

«Um dos mais angustiosos problemas da nossa experiência humana é o de verificar como são poucos ─ se alguns houver ─ os que conseguem ver realizadas as suas esperanças mais queridas. As esperanças da nossa infância e as promessas da nossa maturidade são sinfonias incompletas. Um quadro célebre de Georges Frederic Watts representa a Esperança como uma tranquila figura de mulher, sentada sobre o nosso planeta, a cabeça inclinada tristemente, a tanger a única corda inteira duma harpa. Haverá algum de nós que tenha experimentado a agonia das esperanças perdidas ou dos sonhos desfeitos?»

Martin Luther King, jr, Força para amar.
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11.4.12

No tempo em que as encíclicas abalavam o mundo



Quando pensei escrever este texto, estava convencida de que se comemoraria hoje o 50º aniversário da encíclica Pacem in Terris. Adiantei-me um ano, já que João XXIII só a lançou em 11 de Abril de 1963, mas aqui fica um apontamento. 

O Concílio Vaticano começara seis meses antes, as expectativas quanto ao mesmo eram muito grandes e, em plena Guerra Fria, este texto veio defender que «os conflitos entre as nações devem ser resolvidos com negociações e não com armas, e na confiança mútua». Foi um verdadeiro grito expressamento lançado a todos os homens «de boa vontade» poucos meses depois da crise dos mísseis em Cuba e com o Muro de Berlim nos primeiros anos de vida. 

Em Portugal, já em plena guerra colonial e cada vez mais acossado internacionalmente por esse motivo, a P.in T. foi um bálsamo para a oposição e mais uma preocupação para o regime. Na sua obra sobre Salazar (vol. V, p. 477), Franco Nogueira viria a escrever: «Sem o pretender, a Pacem in Terris agrava o desarmamento moral do Ocidente e enfraquece-o no plano ideológico e dialéctico. Do facto, sofre reflexos a posição portuguesa.» E, clarividente como sempre, Salazar anotou no seu diário, seis dias depois da publicação da encíclica: «João XXIII escancarou as janelas do Vaticano às tempestades do mundo.» 

Com toda a razão, diga-se. Nunca se saberá como teria evoluído o Concílio Vaticano, e a própria Igreja, se João XXIII não tivesse morrido dois meses depois. O travão veio a seguir, as ditas janelas foram-se fechando. 

P.S. – Também num 11 de Abril, e precisamente para comemorar o primeiro aniversário da publicação da P.inT., foi fundada, em Portugal, a Cooperativa PRAGMA
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