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3.8.17
30.5.17
30.05.1968 – O fim do «Maio de 68»
Há 49 anos o general de Gaulle pôs fim a um mês verdadeiramente alucinante que a França viveu em 1968. Numa alocução difundida pela rádio, que ficou célebre, dissolveu a Assembleia Nacional e anunciou a realização de eleições antecipadas: contra o perigo do «comunismo totalitário», «La Réplubique n'abdiquera pas!»
Nessa mesma noite, uma gigantesca manifestação de apoio (500.000 pessoas?) invadiu os Campos Elíseos e marcou o desejo de «regresso à ordem», que os resultados das eleições, que tiveram lugar em 23 e 30 de Junho, confirmaram com uma vitória esmagadora da direita.
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7.1.17
Deportação para S. Tomé - uma terrível data para Mário Soares
No dia em que Mário Soares morreu, e quando praticamente ninguém se
cala em inúmeras declarações laudatórias, prefiro retomar um texto antigo que
retrata um dia bem importante da sua atribulada vida – a deportação para S.
Tomé – e a solidariedade que a mesma suscitou em todos os que então resistiam e
lutavam contra o fascismo.
Mário Soares foi deportado para S. Tomé, pouco depois de ter estado preso e incomunicável, durante três meses, pretensamente por ter fornecido a um jornalista do Sunday Telegraph informações relativas a um escândalo sexual que envolveu suspeitas de actos pedófilos por parte de várias figuras públicas – o chamado caso dos «Ballet Rose». No fim de Fevereiro de 1968, conseguiu sair em liberdade na sequência de um pedido de habeas corpus.
O que se seguiu, aqui resumido por Maria João Avillez (Soares. Ditadura e Revolução, 1996, Círculo de Leitores, p. 197):
Detido pela PIDE nesse 19 de Março, foi-lhe comunicado que partiria para S. Tomé no dia seguinte, por volta das onze horas da noite. Rapidamente espalhada a notícia (sem internet, sem telemóveis...), centenas de pessoas, de todos os quadrantes da oposição, dirigiram-se para o velho aeroporto da Portela, na tentativa de chegarem a uma varanda de onde então se podia assistir a descolagens e aterragens de aviões. Em vão, porque a polícia correu tudo à bastonada. Recordo bem algumas cabeças partidas e correrias atabalhoadas por corredores e escadarias. Alguns escaparam: Maria Belo, por exemplo, porque era loira, foi tomada por estrangeira e saiu calmamente, sem pressas e sem que os bastões lhe tocassem. Eu não era loira, mas só um me tocou – e de raspão.
In illo tempore, havia um consenso sagrado: contra a PIDE, sempre, quaisquer que fossem as afinidades ou as divergências. E, se existiam algumas (poucas) excepções, não faziam mais do que confirmar a regra.
. 31.12.16
Há 48 anos «comemorámos» assim, hoje festejamos, amanhã não sabemos
Francisco Fanhais cantou pela primeira vez a Cantata da Paz, com letra de Sophia Mello Breyner, numa vigília contra a guerra colonial.
Ler AQUI.
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1968
3.8.16
3.5.16
03.05.1968 e a Sorbonne ao rubro
Foi numa 6ª feira da primeira semana de Maio que o mítico movimento estudantil francês, que arrancara em 22 de Março com a ocupação da Universidade de Nanterre e chegara ao Quartier Latin na véspera (2 de Maio), tomou maiores proporções. Depois de reuniões várias e de confrontos entre grupos de estudantes rivais, o reitor da Sorbonne ordenou a evacuação desta pela polícia e seguiram-se horas de verdadeira batalha campal, com barricadas, cocktails Molotov, pedradas, matracas e gases lacrimogéneos. Tudo resultou em dezenas de feridos e mais de 500 prisões e os distúrbios continuaram nos dias que se seguiram.
Depois, o movimento extravasou para o mundo do trabalho, a nível de operários, de camponeses e do sector terciário, reuniu-se numa gigantesca manifestação em 13 de Maio e esteve na origem de uma longa greve geral incontrolada.
Foram-se acalmando as hostes, foi dissolvida a Assembleia Nacional em 30 de Maio e realizaram-se eleições legislativas (que os gaulistas ganharam por larga maioria) no mês de Junho. Mas nada ficaria na mesma e não só em França.
A recordar, a célebre intervenção de Daniel Cohn-Bendit no pátio da Sorbonne e a evacuação pela polícia:
Há 48 anos. Para mim foi anteontem.
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31.12.15
Vemos, ouvimos e lemos
Há 47 anos, Francisco Fanhais cantou pela primeira vez a Cantata da Paz, com letra de Sophia Melo Breyner, numa vigília contra a guerra colonial. Relembrar aqui:
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22.11.15
Maurice Béjart morreu em 22 de Novembro de 2007 e fez-me regressar a 1968
Retomo um texto que publiquei em tempos, com uma correcção porque continha um erro.
«Em 6 de Junho morreu Robert Kennedy, vítima de um atentado que tivera lugar dois dias antes. Nessa mesma noite, em Lisboa, Maurice Béjart apresentou o seu «Ballet du XXe. Siècle», no Coliseu dos Recreios absolutamente repleto. Assistimos a um magnífico «Romeu e Julieta». Durante a última cena, ouviu-se gritar, repetidamente, "Façam amor, não façam guerra!". Simultaneamente e em várias línguas, eram lidas notícias sobre lutas, revoltas e injustiças. Foi arrepiante a emoção vivida na sala que se levantou em aplauso prolongado. Béjart veio então ao palco para afirmar que Robert Kennedy fora “vítima de violência e de fascismo” e para pedir um minuto de silêncio “contra todas as formas de violência e de ditadura”. Com a maior parte dos espectadores de pé, renovaram-se os aplausos, com mais força e com mais entusiasmo.
Informado do sucedido, Salazar proibiu os espectáculos seguintes e ordenou que Béjart saísse imediatamente de Portugal. Franco Nogueira cita uma nota distribuída à imprensa pelo Secretariado Nacional de Informação:
“Foram dirigidas à juventude exortações derrotistas e tomadas atitudes de especulação política inteiramente estranhas ao próprio espectáculo. Perante a luta que teremos que manter em defesa da integridade nacional, não pode consentir-se que uma companhia estrangeira aproveite, abusivamente, um palco português para contrariar objectivos nacionais.”
Béjart nunca se referiu a Portugal. Mas Salazar era bom entendedor e bastava-lhe menos de meia palavra para perceber – como nós – que Béjart quisera deixar um sinal de solidariedade aos antifascistas portugueses.
Momentos raros como este funcionavam para nós como bálsamo e como estímulo. Ajudavam-nos a não desanimar.» (*)
(*) Joana Lopes, Entre as Brumas da Memória. Os católicos portugueses e a ditadura, Âmbar, 2007, pp. 118-119.
Alguns minutos de «Romeu e Julieta»:
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26.9.15
26.09.1968 – A primeira noite sem Salazar e com o Prof. Marcelo I
No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, num discurso histórico e sinistro:
No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre uma frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)
Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil compreender que muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que NÃO era Salazar constituía, por si só, uma experiência única). A «Primavera Marcelista» alimentou muitas sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». O desfecho é conhecido...
Começariam as «Conversas em Família»:
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21.8.15
Praga, na madrugada de um 21 de Agosto
... de 1968, quando as tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a Checoslováquia.
A não perder, este belíssimo vídeo com mais fotografias.
(Texto e fotos de Josef Koudelka, Invasion of Prague, Thames & Hudson, 2008.)
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30.5.15
Num 30 de Maio, o fim de muitos sonhos
Foi exactamente há 47 anos que o general de Gaulle pôs fim a um mês verdadeiramente alucinante que a França viveu em 1968. Numa alocução difundida pela rádio, que viria a ficar célebre, dissolveu a Assembleia Nacional e anunciou a realização de eleições antecipadas: contra o perigo do «comunismo totalitário», «La Réplubique n'abdiquera pas!»
Nessa mesma noite, uma gigantesca manifestação de apoio (500.000 pessoas?) invadiu os Campos Elíseos e marcou o desejo de «regresso à ordem», que os resultados das eleições que tiveram lugar em 23 e 30 de Junho confirmaram com uma vitória esmagadora da direita.
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6.5.15
Paris, 6 de Maio de 1968
Nessa segunda-feira, 6 de Maio, começou a semana das barricadas. A partir das 15:00 horas, registaram-se muitos e graves confrontos entre estudantes e polícia. Um bom resumo neste vídeo:
Na véspera, 5 de Maio, Cohn-Bendit, fizera a seguinte declaração:
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3.5.15
3 de Maio será sempre Paris – de 1968, obviamente
Foi numa 6ª feira da primeira semana de Maio que o mítico movimento estudantil francês, que arrancara em 22 de Março com a ocupação da Universidade de Nanterre e chegara ao Quartier Latin na véspera, 2 de Maio, tomou maiores proporções. Depois de reuniões várias e de confrontos entre grupos de estudantes rivais, o reitor da Sorbonne ordenou a evacuação desta pela polícia e seguiram-se horas de verdadeira batalha campal, com barricadas, cocktails Molotov, pedradas, matracas e gases lacrimogéneos. Tudo resultou em dezenas de feridos e mais de 500 prisões e os distúrbios continuaram nos dias que se seguiram.
Depois, o movimento extravasou para o mundo do trabalho, a nível de operários, de camponeses e do sector terciário, reuniu-se numa gigantesca manifestação em 13 de Maio e esteve na origem de uma longa greve geral incontrolada.
Foram-se acalmando as hostes, foi dissolvida a Assembleia Nacional em 30 de Maio e realizaram-se eleições legislativas (que os gaulistas ganharam por larga maioria) no mês de Junho. Mas nada ficaria na mesma e não só em França.
A recordar:
A célebre intervenção de Daniel Cohn-Bendit no pátio da Sorbonne e a evacuação pela polícia:
Duas canções da época, pela emblemática Dominique Grange:
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1.1.15
31/12/1968 – 1/1/1969: «Vemos, ouvimos e lemos»
É quase um ritual, mas há sempre quem não saiba que a Cantata da Paz, tão divulgada por Francisco Fanhais depois do 25 de Abril, foi por ele «estreada» na passagem de 1968 para 1969, numa Vigília contra a guerra colonial, com letra propositadamente escrita para o efeito por Sophia de Mello Breyner. Retomo por isso, parcialmente, o que já divulguei em tempos.
Em 31 de Dezembro de 1968, cerca de cento e cinquenta católicos entraram na igreja de S. Domingos, em Lisboa, e nela permaneceram toda a noite, naquela que terá sido a primeira afirmação colectiva pública de católicos contra a guerra colonial. O papa Paulo VI decretara que o primeiro dia de cada ano civil passasse a ser comemorado pela Igreja como dia mundial pela paz e, alguns dias depois, os bispos portugueses tinham seguido o apelo do papa em nota pastoral colectiva.
Assim sendo, nada melhor do que tirar partido de uma oportunidade única: depois da missa presidida pelo cardeal Cerejeira, quatro delegados do grupo de participantes comunicaram-lhe que ficariam na igreja, explicando-lhe, resumidamente, o que pretendiam com a vigília:
«1º – Tomar consciência de que a comunidade cristã portuguesa não pode celebrar um “dia da paz” desconhecendo, camuflando ou silenciando a guerra em que estamos envolvidos nos territórios de África.
2º – Exprimir a nossa angústia e preocupação de cristãos frente a um tabu que se criou na sociedade portuguesa, que inibe as pessoas de se pronunciarem livremente sobre a guerra nos territórios de África.
3º – Assumir publicamente, como cristãos, um compromisso de procura efectiva da Paz frente à guerra de África.»
Entregaram-lhe também um longo comunicado [que está online] que tinha sido distribuído aos participantes, no qual, entre muitos outros aspectos, era sublinhado o facto de a nota pastoral dos bispos portugueses, acima referida, tomar expressamente partido pelas posições do governo que estavam na origem da própria guerra, ao falar de «povos ultramarinos que integram a Nação Portuguesa».
Apesar de algumas objecções, o cardeal não se opôs a que permanecessem na igreja, ressalvando «a necessidade de uma atitude de aceitação da pluralidade de posições».
Pluralidade não houve nenhuma e, até às 5:30, foram discutidos todos os temas previstos e conhecidos: vários testemunhos, orais ou escritos, sobre situações de guerra na Guiné, Angola e Moçambique.
Hoje, tudo isto parece trivial, mas estava então bem longe de o ser. Aliás, seguiu-se uma guerra de comunicados entre Cerejeira e os participantes na vigília. Com data de 8 de Janeiro, uma nota do Patriarcado denunciou «o carácter tendencioso da reunião», terminando com um parágrafo suficientemente esclarecedor para dispensar comentários: «Manifestações como esta, que acabam por causar grave prejuízo à causa da Igreja e da verdadeira Paz, pelo clima de confusão, indisciplina e revolta que alimentam, são condenáveis; e é de lamentar que apareçam comprometidos com elas alguns membros do clero que, por vocação e missão, deveriam ser não os contestadores da palavra dos seus Bispos, mas os seus leais transmissores».
A PIDE esteve presente (há disso notícia em processo na Torre do Tombo), mas não houve qualquer intervenção policial. Alguns jornais (Capital e Diário Popular) noticiaram o evento, mas sem se referirem ao tema da guerra colonial – terão provavelmente tentado sem que a censura deixasse passar. A imprensa estrangeira, nomeadamente algumas revistas e jornais franceses, deram grande relevo ao acontecimento. E foi forte a repercussão nos meios católicos.
P.S. – Quatro anos mais tarde realizou-se uma outra vigília pela paz, na Capela do Rato, com consequências bem mais gravosas porque envolveu uma greve de fome, prisões e despedimentos da função pública.
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27.9.14
27/9/1968? Foi assim
No dia 27 de Setembro de 1968, tomou posse o governo chefiado por Marcelo Caetano e começou a chamada «Primavera Marcelista». Muitos portugueses ouviram, atónitos, uma palavra desconhecida – «ciclópicos» –, numa frase que viria a marcar o discurso do novo presidente do Conselho de Ministro: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)
Na véspera, às 20:00, Américo Tomás tinha anunciado a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, neste sinistro discurso:
Muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que não era Salazar constituía, por si só, uma experiência única...) e acreditaram no possível sucesso de uma «evolução na continuidade». Mas foram também muitos os que nunca alimentaram quaisquer esperanças – com razão, o desfecho é conhecido.
. 3.5.14
15.4.14
Portugal, início do marcelismo
Em 1968, por ocasião da tomada de posse de Macelo Caetano como sucessor de Salazar, dois jornalistas vieram a Portugal para prepararem uma reportagem a ser produzida pela «Société Suisse de Radiodiffusion Et Télévision» e pelo «Office National de Radiodiffusion Télévision Française».
Vêem-se imagens da dita tomada de posse e uma tentativa frustrada para obter declarações políticas de Marcelo. Mas o vídeo mostra sobretudo entrevistas a Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares (FST), que dão a cara, e a estudantes que preferem não o fazer. (Vale a pena registar, a partir do minuto 9' 32", as esperanças que FST depositava então no marcelismo. Não foi o único a tê-las, mas foi sol de pouca dura...)
São estes retratos da sociedade portuguesa que devem ser divulgados para que não se esqueça o que era o 24 de Abril.
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4.4.14
Luther King morreu num 4 de Abril e a PIDE proibiu uma homenagem
Martin Luther King foi assassinado em Memphis, em 4 de Abril de 1968.
Um mês
depois, em 4 de Maio, devia ter tido lugar, no salão de
uma igreja de Lisboa, uma sessão em sua homenagem. Estava planeada a projecção
do filme «Marcha em Washington», seguida de um debate orientado, entre outros,
por Luís Lindley Cintra e José Carlos Megre.
Na véspera,
a PIDE proibiu a sessão. Mas à hora marcada concentraram-se centenas de pessoas
em frente da igreja de portas fechadas. Como em muitas outras ocasiões, tudo
acabou com dispersão, à força, desta vez por agentes da polícia à
paisana.
Foi depois
elaborado, e amplamente distribuído, um folheto intitulado «Porquê?» com um
breve relato dos acontecimentos. Terminava com uma citação do próprio Luther
King:
Não vos posso prometer que não vos batam,
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa,
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco.
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo.
Era assim que vivíamos / tentávamos viver os grandes acontecimentos da História.
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