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20.7.20

20.07.1969 - A Lua


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26.10.19

26.10.1969 – Há 50 anos, as primeiras eleições do marcelismo



Há 50 anos, há meio século, votei pela primeira vez, e pela última, durante a ditadura (em 1973, abstive-me). Em 26 de Outubro de 1969, realizaram-se as primeiras eleições legislativas do marcelismo e muitos acreditaram que a tal «primavera» anunciada iria permitir que o processo eleitoral se passasse mais normalmente do que no passado, ou seja, com um mínimo de liberdade e de decência. Não foi o caso, como é sabido.

Apesar da velha querela de ir ou não às urnas, a oposição foi a votos – com resultados bastante modestos porque todo o processo foi marcado, uma vez mais, pela manipulação e pela arbitrariedade do governo. Concorreu-se em duas frentes – CDE e CEUD –, depois de um longo processo de alianças e dissidências. As divergências giravam, não só mas fundamentalmente, à volta do processo para escolha de nomes para candidatos. A CEUD propunha uma escolha em «perfeita paridade», feita a nível das duas Comissões, a CDE, mais «basista», defendia «uma concepção de representatividade construída a partir “de baixo”, devendo por isso os candidatos a deputados ser apenas a resultante da aplicação sistemática do princípio electivo em todos os escalões, a partir da base» (Comunicado da CDE, publicado em alguns jornais de 11 de Setembro de 1969.)

A cisão acabou por acontecer, apesar de muitas tentativas para a evitar, mais ou menos convictas conforme os intervenientes, e consubstanciadas em múltiplas e longuíssimas sessões. No que se refere a Lisboa, lembro-me de uma delas (terá sido a última?), relativamente restrita, que se realizou em casa de Salgado Zenha. José Tengarrinha e Mário Sottomayor Cardia (que, tacitamente, representavam o PCP) foram os mais empenhados em manter a unidade, desdobrando-se em sucessivas propostas de conciliação. Sem sucesso.

P.S. – Alguns podem estar interessados em conhecer, ou relembrar, o «Resumo do programa político da Comissão Democrática Eleitoral do Distrito de Lisboa».
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22.7.19

22.07.1969 – Rei de Espanha designado como sucessor de Franco


Há 50 anos, Juan Carlos I de Bourbon foi designado pelas cortes espanholas como sucessor de Franco, jurando-lhe lealdade e respeito pelas leis vigentes - e cumpriu. 

Viria a ser proclamado rei em 22 de Novembro de 1975, depois da morte do generalíssimo, tendo então tido início o processo da Transição Espanhola. Os espanhóis não tiveram, como nós, a experiência única de viverem uma Revolução depois do fascismo.

Voltando a 1969, sempre me fez muita impressão ver este vídeo: 


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25.5.19

E porque hoje há final da Taça de Portugal



Nunca tinha ido ao Jamor, mas em 22 de Junho de 1969 lá estive, como muitos milhares de pessoas, não por causa do jogo Benfica-Académica mas em solidariedade com a luta académica de Coimbra, que estava então ao rubro. Cartazes, 35.000 comunicados distribuídos, palavras de ordem.

Pela primeira vez, o desafio não foi transmitido pela RTP, pela primeira vez, também, a taça não foi entregue pelo presidente Américo Tomás. Foi um grande dia de luta.





(Para quem tem acesso ao Expresso, ler na Revista da edição de ontem: Quando Coimbra tocou no céu.)
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20.4.19

Coimbra 1969




Muito se publicou, sobretudo em Coimbra, a propósito do 50º aniversário do início da Crise Académica de 69. Escolho este texto de Manuela Cruzeiro – uma verdadeira «pérola», bem ao nível da sua autora.
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28.2.19

O Marcelismo e o «meu» sismo de 1969



Hoje, jornais e redes sociais estão cheios de testemunhos pessoais sobre o sismo de há 50 anos. Aqui fica o meu.

Dava então aulas na FLUL, o meu salário não chegava a 2 contos por mês (é só fazerem as contas, menos de 10 euros), acrescido de mais 1 conto e tal por dar também teóricas, o que não estava previsto na função dos assistentes – uma vergonha, mesmo para a época.

Mas para meu azar e de muitos, já devia haver «cativações» na era de Marcelo I, e, chegados ao fim de Fevereiro de 69, ainda não nos tinha sido pago um tostão do tal acréscimo precioso a que tínhamos direito. Alguém se lembrou então de pedir uma audiência ao ministro da Educação, José Hermano Saraiva, e, audiência concedida, lá fomos recebidos em grupo ao fim da tarde do dia 27. Saímos com a certeza de que o problema seria resolvido (e foi) e resolvemos acabar a tarde e a noite a festejar em casa do irmão de uma das contestatárias (btw prima direita do ministro em questão).

A conversa durou até altas horas da noite, cheguei a casa a caí num sono à prova de bala – e de tremor de terra. Ou seja: não senti nada, não acordei, e a minha mãe, com quem ainda vivia então, viu tudo tremer e, embora apavorada, não me acordou (o que as mães não fazem pelos filhos…), mesmo quando um meu amigo atravessou Lisboa e tocou à campainha para perguntar se não queria que nos evacusaase no seu carro.

E foi assim que falhei a única hipótese de ver os meus vizinhos em cuecas nas ruas de Lisboa.
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8.1.18

08.01.1969 – A primeira «Conversa em Família» de Marcelo Caetano



Quem anda por cá há muito tempo, recorda-se das célebres «Conversas em Família» (foram 16) que Marcelo Caetano dirigiu ao país entre 8 de Janeiro de 1969 e 28 de Março de 1974.

Estão agora todas online nos arquivos da RTP e quem quiser ver e ouvir a primeira, que teve lugar há exactamente 49 anos, pode encontrá-la aqui.

Deixo como «recordação» um excerto da última, de 28 de Março de 1974, já depois do golpe falhado das Caldas. Caetano não sabia – e nós também não – que nunca mais teríamos aqueles cinzentos e sinistros serões na sua companhia. Ponto final.


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31.12.17

31.12.1968 – Vemos, ouvimos e lemos



É quase um ritual: em 31 de Dezembro regresso à passagem do ano de 1968 para 1969. Há sempre quem não saiba que a Cantata da Paz, tão divulgada por Francisco Fanhais depois do 25 de Abril, foi por ele «estreada» nessa noite, numa Vigília contra a guerra colonial, com letra propositadamente escrita para o efeito por Sophia de Mello Breyner.



Em 31 de Dezembro de 1968, cerca de cento e cinquenta católicos entraram na igreja de S. Domingos, em Lisboa, e nela permaneceram toda a noite, naquela que terá sido a primeira afirmação colectiva pública de católicos contra a guerra colonial. O papa Paulo VI decretara que o primeiro dia de cada ano civil passasse a ser comemorado pela Igreja como dia mundial pela paz e, alguns dias depois, os bispos portugueses tinham seguido o apelo do papa em nota pastoral colectiva.

Assim sendo, nada melhor do que tirar partido de uma oportunidade única: depois da missa presidida pelo cardeal Cerejeira, quatro delegados do grupo de participantes comunicaram-lhe que ficariam na igreja, explicando-lhe, resumidamente, o que pretendiam com a vigília:

«1º – Tomar consciência de que a comunidade cristã portuguesa não pode celebrar um “dia da paz” desconhecendo, camuflando ou silenciando a guerra em que estamos envolvidos nos territórios de África.

2º – Exprimir a nossa angústia e preocupação de cristãos frente a um tabu que se criou na sociedade portuguesa, que inibe as pessoas de se pronunciarem livremente sobre a guerra nos territórios de África.

3º – Assumir publicamente, como cristãos, um compromisso de procura efectiva da Paz frente à guerra de África.»

Entregaram-lhe também um longo comunicado [que está online] que tinha sido distribuído aos participantes, no qual, entre muitos outros aspectos, era sublinhado o facto de a nota pastoral dos bispos portugueses, acima referida, tomar expressamente partido pelas posições do governo que estavam na origem da própria guerra, ao falar de «povos ultramarinos que integram a Nação Portuguesa».

Apesar de algumas objecções, o cardeal não se opôs a que permanecessem na igreja, ressalvando «a necessidade de uma atitude de aceitação da pluralidade de posições».

Pluralidade não houve nenhuma e, até às 5:30, foram discutidos todos os temas previstos e conhecidos: vários testemunhos, orais ou escritos, sobre situações de guerra na Guiné, Angola e Moçambique.

Hoje, tudo isto parece trivial, mas estava então bem longe de o ser. Aliás, seguiu-se uma guerra de comunicados entre Cerejeira e os participantes na vigília. Com data de 8 de Janeiro, uma nota do Patriarcado denunciou «o carácter tendencioso da reunião», terminando com um parágrafo suficientemente esclarecedor para dispensar comentários: «Manifestações como esta, que acabam por causar grave prejuízo à causa da Igreja e da verdadeira Paz, pelo clima de confusão, indisciplina e revolta que alimentam, são condenáveis; e é de lamentar que apareçam comprometidos com elas alguns membros do clero que, por vocação e missão, deveriam ser não os contestadores da palavra dos seus Bispos, mas os seus leais transmissores».

A PIDE esteve presente (há disso notícia em processo na Torre do Tombo), mas não houve qualquer intervenção policial. Alguns jornais (Capital e Diário Popular) noticiaram o evento, mas sem se referirem ao tema da guerra colonial – terão provavelmente tentado sem que a censura deixasse passar. A imprensa estrangeira, nomeadamente algumas revistas e jornais franceses, deram grande relevo ao acontecimento. E foi forte a repercussão nos meios católicos.

P.S. – Quatro anos mais tarde realizou-se uma outra vigília pela paz, na Capela do Rato, com consequências bem mais gravosas porque envolveu uma greve de fome, prisões e despedimentos da função pública.
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15.11.17

15.11.1969 - «Give Peace a Chance»



Em 15 de Novembro de 1969 teve lugar «Moratorium March on Washington», considerado o maior protesto anti-guerra da história dos Estados Unidos, contra o conflito que então tinha lugar no Vietname: uma manifestação quase totalmente pacífica de meio milhão de pessoas, que se integrou num vasto movimento que percorreu a América, de S. Francisco a Boston, e não só. Apesar disso e como é sabido, a guerra em questão iria durar ainda quase seis anos, até 30 de Abril de 1975.

No protesto de Washington participaram políticos como Eugene McCarthy, George McGovern e Charles Goodell e cantores como Peter, Paul and Mary, Arlo Guthrie, John Denver e Pete Seeger que interpretou a celebérrimo canção «Give Peace a Chance» (lançada por John Lennon na Primavera desse ano), juntamente com os outros cantores e com a multidão que a terá repetido durante dez minutos.




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20.7.17

20.07.2017 – A Lua



Pisar a Lua sempre funcionou no imaginário dos homens como um símbolo de que tudo se tornaria de certo modo possível a partir do momento em que isso acontecesse.

Há 48 anos, três astronautas americanos concretizaram esse velho sonho e milhões de pessoas viram Neil Armstrong sair do módulo lunar e andar na superfície lunar. Logo a seguir, com uma pequena máquina fotográfica, mostrou ao mundo o que ia vendo e disse uma frase que viria a ficar célebre: «É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade».

Nunca pensámos então que, quase 50 anos depois, um louco viesse a governar os EUA: soaria tanto a teoria da conspiração como a daqueles que, ainda hoje, garantem que nada se passou em 20 de Julho de 1969. (Em termos de teorias da conspiração, por cá, em 2017, contentamo-nos com uma versão mais modesta, proporcional à nossa humilde dimensão: terá havido algum roubo em Tancos?)




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11.1.17

As sinistras «Conversas em Família» – 8 de Janeiro de 1969



Passou quase meio século, mas lembro-me bem de 8 de Janeiro de 1969, quando Marcelo Caetano dirigiu ao país a primeira das suas dezasseis «Conversas em Família». 48 anos antes de Mário Soares morrer, ele que nesse momento estaria em Lisboa, entre o regresso da deportação em S. Tomé e o exílio que o esperava em França.

Uma síntese do que foi dito pode ser lido no Diário de Lisboa do dia seguinte. Marcelo (o primeiro…) frisou o embaraço do governo para aumentar salários sem desequilibrar o orçamento nem agravar o custo de vida. Soa a discurso familiar, é certamente uma sina que nos está gravada na palma da mão…

Não encontrei a imagem e o som dessa primeira «Conversa», mas deixo o vídeo da última: em 28 de Março de 1974, Já depois do golpe falhado das Caldas, o presidente da Conselho não sabia – e nós também não – que nunca mais teríamos aqueles cinzentos e sinistros serões, que nos entravam pela casa dentro. Faltava menos de um mês.


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20.7.16

Há 47 anos, a Lua



Pisar a Lua sempre funcionou no imaginário dos homens como um símbolo de que tudo se tornaria de certo modo possível a partir do momento em que isso acontecesse.

Exactamente há 47 anos, três astronautas americanos concretizaram esse velho sonho e milhões de pessoas viram Neil Armstrong sair do módulo lunar e andar na Lua. Logo a seguir, com uma pequena máquina fotográfica, mostrou ao mundo o que ia vendo e disse uma frase que viria a ficar célebre: «É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade».

Não esperávamos ver, na mesma América e quase 50 anos depois, um louco com expectativas, esperemos que não concretizadas, de vir a ser seu presidente. A Lua não nos roubará, esperemos que não venha a ter poder para estragar mais a Terra.




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8.1.16

08.01.1969 – Primeira «Conversa em Família» de um (outro) Marcelo



Quem anda por estas terras já há muito tempo, recorda-se das célebres «Conversas em Família» (foram 16) que Marcelo Caetano dirigiu ao país entre 8 de Janeiro de 1969 e 28 de Março de 1974.

Na primeira, cujo conteúdo os mais interessados podem ler no Diário de Lisboa do dia seguinte, frisou o embaraço do governo para aumentar salários sem desequilibrar o orçamento nem agravar o custo de vida. Nem sei o que diga e o que sinto, a 47 anos de distância: uma sensação (falsa, eu sei) de tempo parado, uma espécie de sina nas linhas traçadas na palma da mão, como cantava Hermínia Silva.

Não encontrei a imagem e o som dessa primeira «Conversa», mas deixo o vídeo da última: em 28 de Março de 1974, já depois do golpe falhado das Caldas, o presidente da Conselho não sabia – e nós também não – que nunca mais teríamos aqueles cinzentos e sinistros serões na sua companhia. Ponto final.


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26.10.15

26.10.1969. As primeiras eleições do marcelismo



Há 46 anos, votei pela primeira vez e pela última durante a ditadura. Em 26 de Outubro de 1969, realizaram-se as primeiras eleições legislativas do marcelismo e muitos acreditaram que a tal «primavera» anunciada iria permitir que o processo eleitoral se passasse mais normalmente do que no passado, ou seja, com um mínimo de liberdade e de decência. Não foi o caso, como é sabido.

Apesar da velha querela de ir ou não às urnas, a oposição foi a votos – com resultados bastante modestos porque todo o processo foi marcado, uma vez mais, pela manipulação e pela arbitrariedade do governo. Concorreu-se em duas frentes – CDE e CEUD –, depois de um longo processo de alianças e dissidências, hoje largamente documentado.

P.S. – Alguns podem estar interessados em conhecer, ou relembrar, o «Resumo do programa político da Comissão Democrática Eleitoral do Distrito de Lisboa».
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