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16.5.16

16.05.1974. Posse do 1º Governo Provisório



No dia 16 de Maio, tomou posse o 1º Governo Provisório. Uma Geringonça difícil de gerir (basta olhar para os partidos que a compunham e para os nomes dos ministros…) e que iria durar apenas dois meses. Na sequência do pedido de demissão de Palma Carlos, foi formado o 2º Governo Provisório, presidido por Vasco Gonçalves.




Quem era o quê:


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27.4.16

27.04.1974 – O dia em que os PIDES chegaram a Caxias



O Diário de Lisboa de 27 de Abril relata que, na madrugada desse dia, 170 agentes da PIDE foram levados da António Maria Cardoso para a prisão de Caxias, depois de cerca de outros 200 terem fugido por uma passagem subterrânea que ligava a sede daquela polícia a um outro prédio. 

Vinte e quatro horas antes tinham saído os antigos presos. O sinistro forte passou a ter outros hóspedes.

Mais:

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31.3.16

31.03.1974. As últimas palmas para Marcelo Caetano



Quinze dias antes tinha falhado o golpe das Caldas, três semanas mais tarde terminaria a ditadura. No dia 31 de Março de 1974, teve lugar um Sporting – Benfica que viria a ficar célebre e não só porque os visitantes venceram por 3-5.

Num texto publicado em 1978, MC comenta: «Quando o alto-falante anunciou que eu me achava no camarote principal, a assistência calculada em 80.000 espectadores como que movida por uma mola oculta, levantou-se a tributar-me quente e demorada ovação que a TV transmitiu a todo o Pais. Isso foi interpretado como repúdio por aventuras militares.»

E é verdade – confirmo eu que lá estava. Terá havido vaias mas não foram significativas quando comparadas com a ovação. À minha volta, só o grupo de amigos em que eu me integrava e, umas filas mais abaixo, Vasco Pulido Valente e Filomena Mónica, assistíamos, perplexos, ao entusiasmo generalizado.

Guardo a memória fotográfica desse momento e tive-o bem presente, no Largo do Carmo, no dia 25 de Abril. Estou certa de que muitos daqueles que então me rodeavam também tinham estado no estádio de Alvalade. E que tinham aplaudido Caetano. As multidões gostam de vencedores, não de vencidos.


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16.3.16

16.03.1974 - O falhanço das Caldas, a caminho do 25 de Abril



Há 42 anos, o golpe falhado das Caldas foi um passo importante para a queda da ditadura.

Em 2014, por ocasião do 40º aniversário dos acontecimentos, o Diário de Notícias ocupou duas páginas com vários textos sobre «A coluna rebelde que Spínola e Costa Gomes impediram de ocupar o Aeroporto de Lisboa». Excertos:

«A imagem que ficou na memória dos portugueses sobre a intentona tentada pelo Regimento de
Infantaria N. º 5 das Caldas da Rainha no dia 16 de Março de 1974 foi a de uma coluna militar que ficou parada às portas de Lisboa. Ilustrava perfeitamente o golpe militar frustrado, que só teria o seu epílogo a 25 de Abril, e que logo deu origem a uma anedota bastante popular. A de que os camiões com 200 militares que iriam ocupar o Aeroporto de Lisboa teriam parado às portas de Lisboa porque o então presidente da República, Américo Tomás, ameaçou que o primeiro a chegar à capital seria obrigado a casar com a sua filha. (...)
A anteceder o 16 de Março tinham- se verificado mais dois factos políticos que fizeram o presidente do Conselho hesitar: a 22 de fevereiro dera- se o lançamento do livro Portugal e o Futuro, do general Spínola, que defendia uma solução política e não militar para a guerra no Ultramar; a 14 de março, o Governo demitira os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de chefe e vice- chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, devido à ausência no evento em que as chefias militares se solidarizavam com Caetano, numa cerimónia definida como representativa da “Brigada do reumático”.
A demissão dos dois generais espoletou a Intentona das Caldas e criou esse acto militar falhado.»

A nota oficiosa difundida pelo governo foi esta:

«Na madrugada de Sexta-feira para Sábado, alguns oficiais em serviço no Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, capitaneados por outros que nele se introduziram, insubordinaram-se, prendendo o comandante, o segundo comandante e três majores e fazendo em seguida sair uma Companhia autotransportada que tomou a direcção de Lisboa.

O governo tinha já conhecimento de que se preparava um movimento de características e finalidades mal definidas, e fácil foi verificar que as tentativas realizadas por alguns elementos para sublevar outras unidades não tinham tido êxito.

Para interceptar a marcha da coluna vinda das Caldas foram imediatamente colocadas à entrada de Lisboa forças de Artilharia 1, de Cavalaria 7 e da GNR. Ao chegar perto do local onde estas forças estavam dispostas e verificando que na cidade não tinha qualquer apoio, a coluna rebelde inverteu a marcha e regressou ao quartel das Caldas da Rainha, que foi imediatamente cercado por Unidades da Região Militar de Tomar.

Após terem recebido a intimação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo. Reina a ordem em todo o País.»

Alguns dias depois (em 22 de Março), na sua última «Conversa em Família», foi assim que Marcelo Caetano se referiu ao golpe das Caldas:


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28.9.15

28.09.1974 – A «Maioria Silenciosa» que não se manifestou



Há 41 anos, o país esteve agitado. Esperava-se a realização da chamada «Manifestação da Maioria Silenciosa» – uma iniciativa de apoio ao apelo do general Spínola, convocada dias antes por cartazes que invadiram a cidade.


Acabou por ser proibida pela Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Antes disso, Spínola, que tinha tentado, sem sucesso, reforçar os poderes da Junta de Salvação Nacional, acabou por emitir um comunicado, pouco antes do meio-dia, a agradecer a intenção dos manifestantes, mas declarando que, naquele momento, a manifestação não seria «conveniente».

Os partidos políticos de esquerda (CARP M-L, CCRM-L, GAPS, LCI, LUAR, MDP/CDE, MES, PCP m-l, PCP, PRP-BR, URML), sindicatos e outras organizações tinham desencadeado, no próprio dia, uma gigantesca operação de «vigilância popular»: desde as primeiras horas da manhã, dezenas de grupos de militantes distribuíram panfletos e pararam e revistaram carros em todas as entradas de Lisboa. Mas não só: foram erguidas barragens, para impedir o acesso à manifestação, em Viana do Castelo, Santo Tirso, Trofa, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Porto, Chaves, Mealhada, Viseu, Guarda, Coimbra, Vila Nova de Poiares, cintura industrial de Lisboa, Grândola e Alcácer do Sal.

Em 30 de Setembro, Spínola demitiu-se do cargo de presidente da República, sendo substituído pelo general Costa Gomes. Fechou-se assim o primeiro ciclo político do pós 25 de Abril. 
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28.4.15

A «Primavera» de João Abel Manta



Em 28 de Abril de 1974, vivia-se a euforia dos primeiros dias de imprensa livre, bem patente nesta legenda do Diário de Lisboa dessa data. 
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26.4.15

Caxias nunca mais



26/27 de Abril de 1974: a libertação dos presos de Caxias.
O primeiro dia do resto das nossas vidas o fim das prisões do fascismo.












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16.3.15

Um 16 de Março a caminho da liberdade



Há 41 anos, o golpe falhado das Caldas foi um passo importante para a queda da ditadura. Medeiros Ferreira disse um dia que o 16 de Março esteve para o 25 de Abril como o 31 de Janeiro esteve para o 5 de Outubro, facto que tem sido injustamente esquecido.

Quem quiser recordar a sequência dos factos, pode recorrer a esta descrição: A coluna militar que marchou sozinha para fazer um 25 de Abril 40 dias antes.

Foi esta a nota oficiosa difundida pelo governo:

«Na madrugada de Sexta-feira para Sábado, alguns oficiais em serviço no Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, capitaneados por outros que nele se introduziram, insubordinaram-se, prendendo o comandante, o segundo comandante e três majores e fazendo em seguida sair uma Companhia autotransportada que tomou a direcção de Lisboa.

O governo tinha já conhecimento de que se preparava um movimento de características e finalidades mal definidas, e fácil foi verificar que as tentativas realizadas por alguns elementos para sublevar outras unidades não tinham tido êxito.

Para interceptar a marcha da coluna vinda das Caldas foram imediatamente colocadas à entrada de Lisboa forças de Artilharia 1, de Cavalaria 7 e da GNR. Ao chegar perto do local onde estas forças estavam dispostas e verificando que na cidade não tinha qualquer apoio, a coluna rebelde inverteu a marcha e regressou ao quartel das Caldas da Rainha, que foi imediatamente cercado por Unidades da Região Militar de Tomar.

Após terem recebido a intimação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo. Reina a ordem em todo o País.»

Alguns dias depois (em 22 de Março), na sua última «Conversa em família», foi assim que Marcelo Caetano se referiu ao golpe das Caldas:





Um mês e pouco depois, não houve falhanço.
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28.9.14

Há 40 anos e também era Sábado



Também foi num Sábado cinzento. Esteve marcada para 28 de Setembro de 1974 e tinha como objectivo reforçar a posição do presidente da República, António de Spínola, então já em confronto com o governo e com o MFA, não só mas também por questões ligadas à independência das colónias.

Teria sido a chamada manifestação da Maioria Silenciosa e acabou por ser proibida pela Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Antes disso, Spínola, que tinha tentado, sem sucesso, reforçar os poderes da Junta de Salvação Nacional, acabou por emitir um comunicado, pouco antes do meio-dia, a agradecer a intenção dos manifestantes, mas declarando que, naquele momento, a manifestação não seria «conveniente».

Os partidos políticos de esquerda (CARP M-L, CCRM-L, GAPS, LCI, LUAR, MDP/CDE, MES,
PCP m-l, PCP, PRP-BR, URML), sindicatos e outras organizações tinham desencadeado, no próprio dia, uma gigantesca operação de «vigilância popular»: desde as primeiras horas da manhã, dezenas de grupos de militantes distribuíram panfletos e pararam e revistaram carros em todas as entradas de Lisboa. Mas não só: foram erguidas barragens, para impedir o acesso à manifestação, em Viana do Castelo, Santo Tirso, Trofa, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Porto, Chaves, Mealhada, Viseu, Guarda, Coimbra, Vila Nova de Poiares, cintura industrial de Lisboa, Grândola e Alcácer do Sal. (*)

Os sinais públicos de ruptura crescente entre o presidente da República e o governo de Vasco Gonçalves e o MFA tinham sido mais do que evidentes, dois dias antes, durante uma tourada organizada pela Liga dos Combatentes, no Campo Pequeno, durante a qual Spínola foi aplaudido e Vasco Gonçalves apupado e, das bancadas, saíam vivas a Portugal e ao Ultramar.

Em 30 de Setembro, Spínola demitiu-se do cargo de presidente da República, sendo substituído pelo general Costa Gomes. Fechou-se assim o primeiro ciclo político do pós 25 de Abril.

(*) Uma enumeração de todas as peripécias que rodearam os acontecimentos, no próprio dia 28 e não só, pode ser lida aqui.) 
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1.5.14

Em 74 foi assim




Aqui, outro vídeo da RTP, com o comício no fim da manifestação, discursos incluídos. 
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27.4.14

«Declaração de Entrega dos Ex-Membros do Governo»



Este documento é magnífico!

No dia 26 de Abril de 1974, «foram entregues» no Funchal, pelo comandante do avião que as levou de Lisboa, as «seguintes entidades»: Américo Tomás, Marcelo Caetano, Silva Cunha e Moreira Baptista.

O governador militar assina a aceitação da «mercadoria» e o Chefe do Estado Maior / CTIM autentica. Tudo ordeiramente, na maior das legalidades – estranho ou não, mas foi assim.

26.4.14

Caxias, há 40 anos



Republico este post todos os anos, nesta data. Foi mesmo o primeiro dia do resto das nossas vidas - o fim das prisões do fascismo.












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16.4.14

1974 – O mural de 48 artistas



Há cerca de cinco anos, Fernando Matos Silva deu-me acesso a uma copia deste documentário (realizado por Manuel Costa e Silva), notável e então muito pouco conhecido. Coloquei-o online, neste blogue e num outro, não sem alguma dificuldade. Hoje já circula por aí, mas recordo-o sempre, em vésperas do 25 de Abril. 

No dia 10 de Junho de 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos pintou, em Lisboa, um mural que viria a desaparecer, num incêndio, em 1981. Entre os pintores, muitas caras conhecidas: Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro, etc, etc. 



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9.4.14

A última acção armada contra a ditadura – 9/4/1974



Os principais alvos das organizações de luta armada, que surgiram em Portugal durante o marcelismo, enquadravam-se no protesto contra a guerra colonial. Com uma população desesperada e exausta por partir e ver partir os seus para uma terrível aventura sem fim à vista, tudo o que fosse atingir símbolos da política colonialista da ditadura tinha uma grande repercussão e era objecto de um significativo regozijo, mesmo que discreto e silencioso.

Foi o caso com a acção de sabotagem ao navio Niassa, no dia 9 de Abril, no Cais de Alcântara em Lisboa, no momento em que ia partir para Bissau com um contingente de soldados. Tratou-se de uma iniciativa das Brigadas Revolucionárias (BR) que avisaram a PSP do porto de Lisboa uma hora e quinze minutos antes, para que o navio fosse evacuado.

Há na net vários testemunhos de militares que se encontravam a bordo. Um exemplo:
«Para todos nós que íamos para um cenário de guerra, durante a nossa instrução já tínhamos assistido a rebentamentos de granadas, morteiros etc. mas sempre em situações controladas.
Este rebentamento para todos os presentes foi, surpresa seguida de um descontrole, mas para quem preparou a acção foi controlo completo.
O local onde foi colocado o engenho explosivo assim como a hora da sua detonação foi de tal forma feito a não permitir qualquer baixa, mas não evitou a perda, total ou parcial das bagagens dos companheiros que iam nesse porão.
A explosão verificou-se num dos porões mesmo junto da linha de água, fez um rombo de cerca 80cm nas duas chapas de ferro.
Depois do navio estar completamente evacuado, foi adernado por forma a evitar entrada de água no porão e entretanto começaram a reparação do rombo na parte exterior.
Até à meia noite tivemos de embarcar e na manhã seguinte quando acordamos estávamos no meio do Tejo junto à Ponte.
Neste dia tive oportunidade de me deslocar ao local da deflagração e verifiquei os estragos que provocou.
O rombo interior estava a ser reparado nesta altura.
Na manhã do dia 11 de Abril quando acordámos já navegávamos em alto mar.»

Outro testemunho aqui.

E os preparativos da acção, descritos por quem neles esteve envolvida: 
«A bomba foi dentro de um colete meu. Eu tinha um fato com um colete integrado. Nós cortámos o plástico em fatias e enchemos o forro desse colete, que por sua vez, foi dentro do blusão do militar que transportou a bomba para dentro do navio. Lembro-me de nos preocuparmos com o facto de ele ter de se abraçar à família antes de partir. A bomba não ia explodir, mas a carga plástica ia nesse colete que ele levava vestido e, ao ser abraçado, a família podia aperceber-se de algo anormal.» In Isabel Lindim, Mulheres de Armas, p. 215.
Laurinda Queirós, a «Branquinha», militante das BR, 23 anos em 1974, estudante de Medicina, hoje médica no Porto.

Julgo que tudo isto pode parecer muito estranho para quem tenha hoje 23 anos. Ou mesmo 43. A muitos de nós, então jovens, moldou-nos o resto da vida. 
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6.4.14

«E depois do adeus» – 6 de Abril de 1974



Foi nessa noite que Paulo de Carvalho cantou «E depois do adeus» no Festival da Eurovisão, em Brighton, depois de ter vencido o concurso em Portugal.

Se os votos que a canção obteve não foram muitos (ficou em último lugar, ex-aequo com mais três...), nem por isso teve um destino menor: foi a primeira senha para a Revolução, emitida pelos Emissores Associados de Lisboa, às 22h55m do dia 24 de Abril, escolhida precisamente pela sua popularidade e por o seu conteúdo não levantar qualquer tipo de suspeitas.




Já agora, a vencedora dessa noite:


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3.4.14

Para a «pequena história» de um grande concerto



A propósito de um espectáculo realizado há poucos dias no Coliseu de Lisboa, e que comemorou um outro que teve lugar no mesmo local há 40 anos, o Centro de Documentação 25 de Abril divulgou no Facebook o «Relatório da Brigada de fiscais da Repartição de Fiscalização e Contencioso da Direcção de Serviços de Espectáculos sobre o I Encontro de Canção Portuguesa em 29 de Março de 1974».

Fica aqui para a posteridade, com uma nota especial que me foi enviada pelo meu amigo Alexandre Romeiras: descobriu agora que um dos elementos da referida Brigada, que assina o relatório (Malta Romeiras), era seu familiar próximo. Muitas histórias haverá ainda enterradas em arquivos espalhados por esse Portugal fora!

Contribuição para a história do concerto do Coliseu.

O meu pai tinha três primos direitos:
- Cel Romeiras, com intervenção (contrária) no 25 de Abril – contou-me o Sousa e Castro que teve uma pistola apontada à cabeça, mas a coisa resolveu-se.
- Morgado Romeiras, diretor de abastecimentos da CM Lisboa, saneado, por levar para casa, ao longo de muitos anos, víveres sem fim.
- Juiz Malta Romeiras, que assinava mandatos de captura para o Rapazote (Ministro do Interior), após a prisão dos ativistas pela PIDE, para «legalizar» o acto. Foi considerado agente da PIDE, constando da lista, publicada na imprensa, dos que não se apresentaram.

Este último tinha um filho, Filipe Malta Romeiras, da minha idade, nazi, suásticas como botões de punho, conhecido também pelas provocações e sovas ao Jorge Silva Melo, com o seu grupo. Um dia houve uma manifestação em frente ao Centro Cultural Americano, na Duque de Loulé, e ele estava em casa de um colega de curso aí residente, à janela. Pois foi ao telefone da casa denunciar todas as pessoas que conhecia, incluindo o dono da casa!!! (...)

Descobri ontem o relatório anexo relativo ao concerto do Coliseu de há 40 anos. Comprova que era agente da PIDE, ou a censura tinha outros agentes? (dúvida minha)

Considerando o relatório uma pequena maravilha, junto em anexo. Para a pequena história. 



Ver as restantes quatro páginas:

31.3.14

31/3/1974 - A última ovação a Marcelo Caetano



Retomo, com algumas modificações, um post escrito há cerca de um ano.

No dia 31 de Março de 1974, quinze dias depois do golpe falhado das Caldas e três semanas antes do fim da ditadura, Marcelo Caetano fez a sua última aparição em público, num Sporting-Benfica que viria a ficar célebre não só, nem sobretudo, porque os visitantes venceram por 3-5.

Num texto publicado em 1978 (Depoimento), MC comenta: «Quando o alto-falante anunciou que eu me achava no camarote principal, a assistência calculada em 80.000 espectadores como que movida por uma mola oculta, levantou-se a tributar-me quente e demorada ovação que a TV transmitiu a todo o Pais. Isso foi interpretado como repúdio por aventuras militares.»

E é verdade – confirmo eu que lá estava. Se houve vaias, e parece que sim, não foram significativas quando comparadas com a ovação. À minha volta, só o grupo de amigos em que eu me integrava e, umas filas mais abaixo, Vasco Pulido Valente e Filomena Mónica, assistíamos, perplexos, ao entusiasmo generalizado.



Há 40 anos que arrasto uma pergunta que nunca terá resposta: quantas daquelas pessoas terão estado no Largo do Carmo na última quinta-feira de Abril e nas ruas de Lisboa do 1º de Maio que se seguiu? Um grande número, certamente. As multidões manifestam-se contra muitas coisas, mas gostam de vencedores – é bom não esquecer. 
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16.3.14

O falhanço das Caldas



Vários órgãos de comunicação social assinalam o 40º aniversário do golpe falhado das Caldas da Rainha, em 16 de Março de 1974. Recorro ao Diário de Notícias de ontem, que ocupou duas páginas (não colocadas online) com vários textos sobre «A coluna rebelde que Spínola e Costa Gomes impediram de ocupar o Aeroporto de Lisboa»:

«A imagem que ficou na memória dos portugueses sobre a intentona tentada pelo Regimento de Infantaria N. º 5 das Caldas da Rainha no dia 16 de Março de 1974 foi a de uma coluna militar que ficou parada às portas de Lisboa. Ilustrava perfeitamente o golpe militar frustrado, que só teria o seu epílogo a 25 de Abril, e que logo deu origem a uma anedota bastante popular. A de que os camiões com 200 militares que iriam ocupar o Aeroporto de Lisboa teriam parado às portas de Lisboa porque o então presidente da República, Américo Tomás, ameaçou que o primeiro a chegar à capital seria obrigado a casar com a sua filha. (...)
A anteceder o 16 de Março tinham- se verificado mais dois factos políticos que fizeram o presidente do Conselho hesitar: a 22 de fevereiro dera- se o lançamento do livro Portugal e o Futuro, do general Spínola, que defendia uma solução política e não militar para a guerra no Ultramar; a 14 de março, o Governo demitira os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de chefe e vice- chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, devido à ausência no evento em que as chefias militares se solidarizavam com Caetano, numa cerimónia definida como representativa da “Brigada do reumático”.
A demissão dos dois generais espoletou a Intentona das Caldas e criou esse ato militar falhado.»


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Nota oficial do governo, difundida às 19:00 de 16 de Março:
«Na madrugada de sexta-feira para sábado, alguns oficiais em serviço no Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, capitaneados por outros que nele se introduziram, insubordinaram-se, prendendo o comandante, o segundo comandante e três majores e fazendo em seguida sair uma Companhia autotransportada que tomou a direcção de Lisboa.
O Governo tinha já conhecimento de que se preparava um movimento de características e finalidades mal definidas, e fácil foi verificar que as tentativas realizadas por alguns elementos para sublevar outras Unidades não tinham tido êxito.
Para interceptar a marcha da coluna vinda das Caldas foram imediatamente colocadas à entrada de Lisboa forças de Artilharia 1, de Cavalaria 7 e da GNR. Ao chegar perto do local onde estas forças estavam dispostas e verificando que na cidade não tinha qualquer apoio, a coluna rebelde inverteu a marcha e regressou ao quartel das Caldas da Rainha, que foi imediatamente cercado por Unidades da Região Militar de Tomar.
Após terem recebido a intimação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo. Reina a ordem em todo o País.»

Alguns dias depois, mais exactamente, no dia 22 de Março, na sua última «Conversa em família», Marcelo Caetano referiu-se assim ao golpe das Caldas:



Só faltava um mês.
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