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19.7.20

19.07.1975 – O PS na Fonte Luminosa



No dia 19 de Julho, o PS organizou a famosa manifestação da Fonte Luminosa – marco importante na história d Verão quente de 1975.

Foi António Guterres que organizou o comício, no qual intervieram vários dirigentes socialistas, sendo Salgado Zenha o penúltimo e Mário Soares a encerrar, com um discurso violentíssimo contra o PCP e o governo de Vasco Gonçalves. No blogue, alguns excertos desse discurso, num post de 2018, que pode ser lido AQUI.
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30.4.20

30.04.1975 – O fim da Guerra do Vietname



No dia 30 de Abril de 1975, a rendição de Saigão (actual Ho Chi Minh) pôs fim à Guerra do Vietname que durou quase duas décadas e se saldou, como se sabe, por uma estrondosa derrota dos norte-americanos.

Foi motivo para grandes contestações enquanto durou, despertou para a política toda uma geração, nos Estados Unidos e não só, esteve na origem de protestos um pouco por toda a parte. Até em Portugal, em tempos de fascismo e apesar de proibidas, tiveram lugar pelo menos duas manifestações em Lisboa, em 1968 e em 1970. Quem lá esteve lembra-se certamente da polícia a pé e a cavalo, na Duque de Loulé (era lá que se situava então a Embaixada dos EUA), a dispersar tudo e todos à bastonada. Mas confesso que só interiorizei verdadeiramente a dimensão do que foi o conflito em questão quando estive no Vietname.

Nunca esquecerei o War Remnants Museum, um dos mais terríveis que conheço, onde se encontram muitas imagens, instrumentos de tortura e outros pavorosos testemunhos da ferocidade de que o homem foi e é capaz. Foi muito difícil percorrê-lo depois de ter visitado Cu Chi, «Terra de ferro, cidadela de bronze», como se autodenomina, localidade a 60 quilómetros a Noroeste de Ho Chi Minh, que se orgulha de ter contribuído de um modo muito especial para a vitória da «Guerra anti-Yankees». É lá que se encontram 200 quilómetros de túneis que serviram de vias de comunicação, de esconderijo, de hospitais, e até de salas de parto, para os resistentes vietnamitas. Se tinha lido varias descrições, o que vi toca os limites do inacreditável.

E, para além de tudo isto, é quase impossível perceber como é que os americanos alguma vez acreditaram que podiam ganhar aquela guerra, apesar dos dois milhões de mortos que ficaram para trás.

Dois vídeos, um sobre o Museu, outro sobre os túneis de Cu Chi:






28.11.19

Uma carta de Zeca Afonso



No dia 22 de Novembro de 1975, José Afonso mandou esta carta aos paraquedistas de Tancos: «CAMARADAS - Tendo tomado conhecimento pelos jornais do vosso trabalho de consciencialização revolucionária e de algumas das vossas últimas tomadas de posição em face da actual situação política, ofereço os meus serviços para eventuais sessões de convívio dentro dos objectivos de dinamização político-cultural e prática já existente em algumas unidades progressistas do país.» (In Centro de Documentação 25 de Abril).

Na sequência do 25 de Novembro de 1975, o Zeca foi preso no dia 28 em Tancos, por ser considerado «indivíduo suspeito ou perigoso» (ao abrigo da alínea b), nº4 da Base XXXI da Lei nº2084, de 16 de Agosto de 1956) e se estar em Estado de Sítio…
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6.11.19

06.11.1975 - «Olhe que não, olhe que não!»



Nem os seus dois intervenientes, nem muitos dos que assistiram àquele que foi o mais célebre debate da nossa democracia, estão cá hoje para o recordar. Os outros nunca esquecerão o frente-a-frente entre Soares e Cunhal, em 6 de Novembro de 1975. Durou quase quatro horas – uma eternidade impossível de repetir nas televisões apressadas que hoje temos – e o país parou para ver e ouvir.

Há 44 anos, a poucos dias do 25 de Novembro, eram mais do que raros os pontos de acordo entre Soares e Cunhal. Dessa noite ficou para a história uma frase com que Cunhal respondeu a Soares quando este afirmou que o PCP dava provas de querer transformar Portugal numa ditadura: «Olhe que não! Olhe que não!»



Texto com alguns excertos do que foi dito:


Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, Expresso / Público, Lisboa, 2006, pp. 382-383. 
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6.10.19

As primeiras noites eleitorais da democracia



Já publiquei este texto há uns anos, mas apetece-me recordar hoje o que foram as primeiras noites eleitorais, sobretudo a primeira, quando ainda não se elencavam «pais» da democracia e eram muitos os considerados «fundadores» da mesma.

Nem a panóplia tecnológica com que tudo hoje acontece consegue fazer-me esquecer os bastidores do que então se passava. Por motivos profissionais, estive envolvida no apuramento e na divulgação dos resultados das votações e é certamente difícil para as novas gerações imaginarem a dificuldade, o pioneirismo e o stress com que tudo acontecia.

Depois da contagem dos votos, os resultados eram introduzidos manualmente duas vezes: primeiro, descentralizadamente (nas capitais de distrito), em aparelhos de telex, que os faziam chegar a Lisboa. Eram depois reintroduzidos numas outras máquinas que os transmitiam para o computador central do Ministério da Justiça. Tudo isto demorava horas, como é óbvio!

Nem entro na descrição da complexidade que era programar antecipadamente, de raiz, sem software «pré-fabricado», todas as validações e cálculos necessários para o apuramento. Na noite das eleições, todos os dados eram processados no centro de informática do Ministério da Justiça, de onde os resultados iam sendo transmitidos, exclusivamente, para a RTP e para a Gulbenkian, onde se concentravam VIP’s e jornalistas. Aí eram visionados em sinistros terminais a verde e verde (ainda nem existiam PC’s…) e depois, pelo menos nos primeiros anos, passava-se de novo ao tratamento manual ou à pura oralidade.

Nem sei quantas directas terei feito nestes três locais, mas era na RTP que se viviam as maiores emoções. Parecerá hoje impossível, mas a emissão da noite eleitoral de 25 de Abril de 1975, coordenada por Carlos Cruz, teve início às 19 horas e terminou… às 24 do dia seguinte – durou trinta horas.

Não sei exactamente em que ano, Joaquim Letria dirigiu as operações, a partir do Estúdio 2 no Lumiar. Tinha atrás dele, preso a uma cortina, um gráfico de cartão, onde ia deslocando manualmente um ponteiro, à medida que os resultados «iam caindo». O drama que vivi, durante toda essa noite, foi ser obrigada a passar dezenas de vezes por trás da dita cortina, sem tropeçar num colossal emaranhado de cabos espalhados pelo chão, nem tocar na cortina, o que nem sempre era possível. Quando isso acontecia, o gráfico abanava e… os espectadores viam em casa!

Poderia contar dezenas de histórias, mas resumo só mais uma. Por ocasião de umas eleições autárquicas, talvez as primeiras, no dia seguinte à tarde ainda faltavam os votos de uma freguesia do Norte. Localmente, ninguém conseguia encontrar o presidente da respectiva mesa, mas o inesperado veio a acontecer: ele acabou por chegar, em pessoa, ao Ministério da Justiça em Lisboa. Trazia a urna ainda fechada e tinha deixado à porta… o cavalo!

(Na foto: Carlos Cruz, RTP, 25 de Abril de 1975)
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16.4.19

16.04.1975 – O dia de muitas nacionalizações


@Alfredo Cunha

Logo após o 11 de Março de 1975, mais concretamente por decretos publicados nos dias 14 e 15, foram nacionalizadas quase todas as instituições de crédito e de seguros.

Mas 16 de Abril foi um marco importante no processo, já que foi longa a lista de empresas que passaram a ser controladas pelo Estado nessa data: TAP, CP, empresas portuguesas refinadoras e distribuidoras de petróleo, de transportes marítimos, de siderurgia e empresas produtoras, transformadoras e distribuidoras de electricidade – entre as quais a Companhia Nacional de Navegação, Siderurgia Nacional, Cidla, Sonap e Sacor.

Ainda de madrugada, o PS emitiu um comunicado em que «saúda as decisões (...) e apela para que o maior número de militantes e simpatizantes se associem à festa socialista, no próximo Domingo, às 15h30, no estádio 1º de Maio, em Lisboa, onde será manifestado o regozijo dos socialistas por essa decisão histórica e o apoio do PS ao MFA e ao Governo Provisório». (Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, p.77)

Para esse mesmo dia, ao fim da tarde, foi convocada uma manifestação – promovida pelo PCP e com a adesão de MDP/CDE, MES, FSP, Intersindical, LCI e PRT – de «apoio» e «regozijo» com as nacionalizações. Do Rossio a S. Bento, 100.000 pessoas (segundo notícia do Diário de Lisboa de 17 de Abril) desfilaram com bandeiras de partidos e de comissões de trabalhadores. Por volta das 23:00, Vasco Gonçalves, então primeiro-ministro do IV Governo Provisório, recebeu na residência oficial representantes dos partidos, que lhe manifestaram total apoio às medidas decretadas e a eventuais futuras com a mesma orientação.

(O Diário de Notícias de hoje assinala a data: Aconteceu em 1975 - O apogeu do PREC.)
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12.3.19

11 de Março, um passado cheio de agora



«O dia 11 de Março de 1975 é um marco na história da democracia portuguesa. Se o 25 de Abril representa o dia em que o anterior regime político foi deposto, o 11 de Março constitui o momento de refundação do regime económico. Este facto, por si só, justifica que se recupere esta data e o seu significado. No momento actual, há motivos redobrados para o fazer.

Nas vésperas da revolução, o regime económico em Portugal era caracterizado por dois aspectos distintivos: uma elevadíssima concentração da propriedade (3/4 da produção eram assegurados por 16,5% das empresas); e uma forte articulação entre os poderes industrial e financeiro.

Os grupos industriais CUF e Champalimaud controlavam o Banco Totta & Açores e o Banco Pinto & Sottomayor, respectivamente. Grupos com origem no sector financeiro, como o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, o Banco Português do Atlântico ou o Banco Borges & Irmão, estendiam as suas participações a vastas áreas da actividade industrial.

Este pequeno núcleo monopolista, por vezes em parceria com empresas estrangeiras, controlava o essencial da economia portuguesa. O poder que advinha das suas actividades de crédito e a proximidade ao regime político permitiam-lhes manter esse domínio. O controlo da banca proporcionava o necessário músculo financeiro. O apoio do regime assegurava os mercados de escoamento, limitava a concorrência e reprimia as reivindicações dos trabalhadores.

O regime económico da era marcelista não terminou logo em 25 de Abril de 1974. Nos meses que se seguiram manteve-se intacta a estrutura de poder industrial e financeiro, apesar da instabilidade crescente. Para essa instabilidade contribuíam dois factores decisivos. O primeiro era a grande crise económica mundial, marcada pela desaceleração do crescimento nas economias capitalistas desde finais da década de 1960, pela implosão do sistema de câmbios fixos no Verão de 1971 e pelo enorme aumento dos preços do petróleo na sequência da guerra israelo-árabe do Yom Kippur, em Outubro de 1973. O segundo factor de instabilidade, claro está, foi a dinâmica do movimento social que se seguiu à queda do regime salazarista.

O 25 de Abril aconteceu quando os primeiros sinais de crise internacional começavam a chegar a Portugal, reflectindo-se no aumento da inflação e em dificuldades financeiras em muitas empresas. Incentivados pelo desmantelamento do aparelho repressivo do fascismo e pelas expectativas acrescidas de melhoria das condições de vida, centenas de milhares de portugueses fizeram sentir a sua voz nas ruas e nas empresas, reclamando os seus direitos e questionando as orientações de gestão dos empregadores.



11.3.19

11.03.1975, ainda



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11.03.1975 - O início do PREC



Nesse décimo primeiro dia de Março de 75, pelas 11:45, o RAL 1 (mais tarde conhecido por RALIS), foi bombardeado por aviões da Base Aérea nº 3 e cercado por paraquedistas de Tancos, na concretização de uma tentativa de golpe de Estado, liderada por António de Spínola.

O que se passou durante o resto desse dia é resumido num documento do Centro de Documentação 25 de Abril e está parcialmente gravado nos vídeos (no fim deste post). Dia que acabou já sem Spínola no país: com a mulher e quinze oficiais fugiu de avião para Badajoz.

11 de Março marca o início do PREC, que viria a durar oito meses e meio – até ao 25 de Novembro. Quem já era adulto lembra-se certamente dos ambientes absolutamente alucinantes de tudo o que se seguiu, sobretudo a partir de 14 de Março quando foi criado o Conselho da Revolução e se deu a nacionalização da Banca e da maior parte das companhias de Seguros.

E não se julgue que foi só a chamada extrema esquerda a aplaudir essas medidas:
«As nacionalizações são saudadas à esquerda e não são contrariadas à direita. O PPD apoiou-as, embora prevenindo que "substituir um capitalismo liberal por um capitalismo de Estado não resolve as contradições com que se debate hoje a sociedade portuguesa".
Mário Soares mostrou-se eufórico, considerando tratar-se de "um dia histórico, em que o capitalismo se afundou". Disse num comício que "a nacionalização da banca, que por sua vez detém (…) a maior parte das acções das empresas portuguesas e, ao mesmo tempo, a fuga e prisão dos chefes das nove grandes famílias que dominavam Portugal, indicam de uma maneira muito clara que se está a caminho de se criar uma sociedade nova em Portugal".» (Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, p. 28.)

Foi assim, por mais inverossímil que pareça a 44 anos de distância.

Para quem quiser conhecer ou recordar os acontecimentos:






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21.11.18

21.11.1975 – O juramento no Ralis



Há quem não tenha idade para o recordar ao vivo e a cores, há os que ainda se lembram com terror do que sentiram com aquilo que o juramento no Ralis podia prenunciar e há aqueles a quem nunca será roubada a utopia de um acto que pertence a uma herança que ainda hoje os mantém de pé no presente e perante o futuro.

A quatro dias do 25 de Novembro, o juramento de bandeira dos cento e setenta novos recrutas do RALIS ficou para a História – queira-se ou não.



Imagens e palavras quase surrealistas quando vistas e ouvidas hoje, mas que funcionam para muitos como uma espécie de relíquia de «um sonho lindo que acabou». Um caminho que ficou para trás mas que não se apaga – nunca.

A notícia no Diário de Lisboa do dia:


19.9.18

19.09.1975 – Posse do último Governo Provisório




Discurso de Pinheiro de Azevedo, primeiro-ministro:

«Como o senhor Presidente da República, também eu rejeito a social-democracia como objectivo final da revolução. (…) Admitimos partidos que defendam a social-democracia, com os quais consideramos ser necessário e útil colaborar, sem, no entanto, lhes permitir tomar a direcção política do processo revolucionário.»

Ver mais AQUI.
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7.9.18

07.09.1975 – Quem se lembra dos SUV?




Os SUV (Soldados Unidos Vencerão) – uma auto-organização política de militares, clandestina, que se definia com «frente unitária anticapitalista e anti-imperialista» – apresentaram-se «embuçados por razões de segurança» numa conferência de imprensa realizada no Porto e transmitida pelo Rádio Clube Português , em 7 de Setembro de 1975.

Organizaram desfiles em várias cidades, mas julgo que nenhum teve a dimensão do de Lisboa, em 25 de Setembro, com apoio de partidos como o MES, a LCI, a UDP e o PRP. Centenas de soldados fardados, acompanhados por representantes das comissões de trabalhadores e de moradores e por uma verdadeira multidão, subiram do Terreiro do Paço até ao Parque Eduardo VII, onde teve lugar um comício. No fim deste, foram desviadas dezenas de autocarros da Carris, que levaram quem quis até ao presídio da Trafaria, de onde, pelas 2:00 da manhã, foram libertados dois militares que se encontravam detidos, precisamente por terem distribuído panfletos de propaganda da manifestação.

Para se perceber um pouco mais do que estava em causa, vale a pena ler o MANIFESTO com que os SUV se apresentaram, precisamente nesse 7 de Setembro.
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