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11.10.16

Os manuais escolares são de todos nós



«A entrevista que a secretária de Estado da Educação dá hoje ao PÚBLICO é reveladora da determinação com que o Governo quer enfrentar um dos sectores que há mais tempo goza da complacência do Estado na frente educativa: o da edição em geral e dos livros escolares em particular, onde um punhado reduzido de editores tem beneficiado do status quo há muito vigente à custa dos orçamentos familiares de muitos portugueses.

Ninguém sabe ao certo quanto vale o mercado da edição de livros escolares em Portugal e isso diz muito sobre a opacidade do sector. O que se sabe e o que poucos questionarão é que todos os anos milhares de portugueses são forçados a gastar o que têm e o que não têm em dezenas de manuais novinhos em folha, quando há alternativas menos onerosas para as famílias e para o ambiente. Os exemplos abundam e até nos são próximos: na Europa são vários os países que oferecem manuais aos seus alunos e o próprio Conselho Nacional de Educação já por três vezes indicou que este é o caminho a seguir. A multiplicação de bancos de partilha gratuita de manuais e os esforços de muitas câmaras para oferecê-los mostram que esse caminho não só é viável como há muitos portugueses dispostos a percorrê-lo.

O actual Governo fez, por isso, o que há muito devia ter sido feito: dar início a um programa verdadeiramente inclusivo de oferta gratuita de manuais escolares com vista à sua reutilização, para já exclusivo dos alunos do 1.º ciclo mas que se espera venha a ser alargado progressivamente aos restantes ciclos de ensino. (…)

É preciso agora que o mesmo Governo que parece apostar numa mudança de paradigma dê também o exemplo que tem faltado ao longo dos anos: uma nova política para o livro escolar não dispensa políticas educativas estáveis e programas que perdurem no tempo, para que a cada novo ciclo governativo tudo deixe de mudar, inclusive os manuais escolares.

Num país em que a educação tem sido vezes demais palco de disputas ideológicas, quando muda o Governo mudam os programas e as editoras fazem a festa. O desafio agora é que sejam as famílias a festejar.»

Tiago Luz Pedro

2.8.16

Provas de aferição: para…?



Tenho a maior das curiosidades em saber o que vai inferir o Ministério da Educação destes resultados (se é que tem intenção de o fazer ou se fica por aqui).

A ler.
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19.7.16

Aferição para…?



Duas dúvidas (que nada têm a ver com fim dos exames):

1 – Não sei quantos alunos fizeram provas de aferição de 2º, 5º e 8º anos mas foram certamente muitíssimos milhares. Quem / quantas pessoas (ou robots?) fizeram a análise qualitativa anunciada, que vai dar origem a «8000 possibilidades diferentes de relatórios individuais», num tão curto espaço de tempo (bem menos de três meses)? Quanto custou?

2 – Genericamente: alguém acredita em grandes vantagens desta pesadíssima e centralizadora iniciativa para a melhoria do ensino ou para o progresso individual dos alunos? 
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21.6.16

Exames: aos abrigos!



Algumas respostas lidas por uma professora, hoje, no exame do 12º ano de História:

«Derivado a muitas problematicas deusse a segunda guerra.»
«O povo Alemão não era libre com o nazismo mas vivia com muita dignidade.»
«A união Europeia foi muito util para se prestar-se mais atenção às especies em estinção, ao tráfego das drogas e às fronteiras maritimas..»

Comentários para quê. 
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29.5.16

O cardeal Clemente e os colégios



Não vislumbrei o cardeal nos degraus do Parlamento, mas talvez lá tenha estado assim, vestidinho de amarelo.

Que a Conferência Episcopal tenha apoiado expressamente a manifestação de hoje (e a notícia não é fruto de manobra de jornalistas, é da sua própria agência de informação), é inédito e absolutamente vergonhoso. Nunca fez algo de paralelo quando se tratou de protestos contra o empobrecimento da população portuguesa, ocorrido nos últimos anos, contra a emigração forçada de centenas de milhares de portugueses, etc., etc.

Ainda bem que os bispos portugueses mostram de que lado estão e quais são as suas escolhas. Quanto menos pessoas forem enganadas, melhor será para a sanidade deste pobre país.
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23.5.16

Saga dos contratos de associação? Assino por baixo


«Proprietários, professores, pais e filhos mobilizam-se para ter subsídios públicos a serviços privados. Vão organizados como um qualquer grupo político com um programa de exigências, mobilização na rua, símbolos comuns. Agora vieram dizer que não respeitam a lei e vão matricular as crianças. Isso exige dinheiro para compra de materiais, profissionais, contacto, assessoria de imprensa e deslocações. Um grupo com finanças, portanto. E clareza política sobre para onde querem ir - estratégia clara. Podia ser um sindicato, uma associação patronal ou qualquer outro grupo organizado - provavelmente partidos de direita e alguns sectores da igreja. Não subscrevo nenhuma das suas exigências, não tenciono entregar 1 euro de impostos a estas escolas, mas não estou nada indignada com a sua luta. E é isso que eles estão a fazer - luta política baseada na organização e mobilização da sua base social. Quem não concorda que se organize, pague quotas, mobilize em objectivos comuns, venha para a rua. E dedique 2 minutos por dia a pensar conjunta política e estratégia em vez de ir atrás da primeira causa fracturante que abre telejornais. Em vez de se queixar deles no Facebook porque "eles" - neste caso a destruição do orçamento público - só existe porque há um "nós " que abandonou a política como estratégia, a organização como vital e a ideologia como disputa de um projecto futuro - tudo coisas que não foram abandonadas do outro lado, de tal forma que a sua ideologia - o neoliberalismo - tem-se imposto no ocidente com uma unanimidade que a maioria das pessoas está convencida que é uma "ciência económica". A direita mostrou à esquerda que escreve em blogues e jornais que as lutas se ganham mas ruas com organização centralizada infernizando o adversário, dia a dia. E que quando pode vence no parlamento, quando não pode tenta nas ruas. É um cheirinho a PREC - oh! País que nunca para de nos surpreender - trazido pelos sectores conservadores, os mesmo que, em teoria, até há duas semanas, odiavam manifestações. Agora andam a ler O Que Fazer? do Lenine - compraram 100 no largo do Caldas. Nos compêndios de história a luta dos colégios chama-se luta de classes. Não estarei ao lado deles - tem que haver uma barreira clara entre público e privado, um fim à remuneração pública de capitais por pequenos que sejam privados - mas gabo-lhes o sentido de eficácia e determinação. Traçam um caminho e preparam-se para ele, por isso a sua caravana tem passado há décadas indiferente aos latidos, os choramingos, de indignação»

Raquel Varela no Facebook.
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18.5.16

Contratos com privados, ainda


Julgo que isto passou mais ou menos despercebido ontem:


Ou seja: sem se saber quantos alunos serão impedidos de se inscreverem nas turmas de início de ciclo «autorizadas» pela secretária de Estado da Educação, por morarem fora da área geográfica definida oficialmente, continua a não ser possível dimensionar o rombo sofrido pelos colégios.

Já agora: alguém sabe se o ministro da Educação passou à clandestinidade? 
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11.5.16

Isto só pode andar tudo ligado



Muitas das escolas, que têm contratos de associação com o Estado, são «de inspiração cristã», Marcelo deve falar sobre o tema na 5ª ou na 6ªfeira (12 ou 13 de Maio) e o euromilhões saiu em Fátima.

9.5.16

Faltava o cardeal para atear mais o fogo




E com um presidente da República tão, tão católico, creio não errar ao prever que os próximos dias serão tristemente animados.
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Contratos de associação com Escolas Privadas


Já fiz a pergunta no Facebook, mas repito-a aqui: será que alguém me pode facultar uma FOTOCÓPIA do texto de um contrato, celebrado em 2015, entre o governo e uma das escolas privadas, que agora reclamam incumprimento? (Se sim, envio por favor, para o meu email indicado na coluna da direita deste blogue.)

Concretamente, queria ver aquela parte que fala de limite de três anos para ter a certeza de que dizem apenas respeito (ou não…) à finalização de ciclos de estudo.

Já fiz este pedido a deputados de esquerda, mas ou recebi uma resposta torta ou nenhuma. 
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23.4.16

Colégio Militar: um grande testemunho muito corajoso




«Hoje acredito que este código homofóbico no colégio me roubou uma adolescência igual à dos outros. Os colegas podiam apaixonar-se sem ser em segredo, sem pensar que havia neles havia algo de errado. Eu não. Só assumi a minha homossexualidade aos 20 anos para os amigos e a família. Hoje vivo na Austrália e quero contar a minha história porque acredito que a instituição militar deve mudar. Não odeio o colégio. Eu amo o colégio e é por isso que defendo que a instituição tem de aceitar e proteger os seus alunos homossexuais. Não é com proibições e exclusões que o Colégio Militar deve responder aos alunos. Deve sim aceitá-los e integrá-los.» 
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2.3.16

Hollywood e o ensino



«O grande cartaz onde está escrito "Hollywoodland" não se destinava, no início, a promover a terra dos sonhos do cinema. Era publicidade de uma empresa imobiliária que queria vender casas paradisíacas.

O cartaz tinha 50 mil luzes eléctricas que piscavam durante a noite. Muitas fundiam-se e havia um homem que tinha uma única missão: substituí-las. Nada de muito diferente do que se passa no Ministério da Educação. Cada ministro é contratado para substituir as lâmpadas que se vão fundindo. Alguns, como Maria de Lurdes Rodrigues ou, mais recentemente, Nuno Crato, esmeraram-se. Entretiveram-se a rebentar mais umas quantas, talvez a sonhar com um cartaz sem luzes a piscar. A animada conversa sobre cinema entre o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e a deputada do CDS, Ana Rita Bessa, apesar de divertida, mostra que a educação continua a ser um filme. Não digno de um Óscar, mas frequentemente próximo de uma série B ou Z. (…)

Os professores, neste país, têm sido tratados como "custos". E não como investimento. Criou-se uma cultura de valores inversos, onde não há uma luta da civilização contra a ignorância. E, nesse caso concreto, a escola pública tem sido demolida com rigor sádico. Talvez por isso Nuno Crato seja condecorado. A política seguida há anos ignora o ensino como base de uma sociedade democrática: fechou-se entre currículos que mudam como cogumelos e a conversão dos professores em inimigos públicos perfeitos. Tendo-se transformado a educação num mercado de lucro, caminha-se alegremente para o paraíso perdido: uma Hollywood que deixará de estar iluminada, porque todas as luzes estão fundidas.»

Fernando Sobral

2.6.15

Alô, Portalegre! A AR espera por vós




Depois das celebrações do Dia da Criança, que o Município de Portalegre decidiu celebrar com um confronto entre miúdos muito pequenos, onde unas (os maus, certamente) atacavam outros munidos com capacetes e viseiras, sem se saber se os segundos chegaram a simular qualquer carga policial, as redes sociais não se fizeram esperar e antevêem participação em futuras manifestações em frente à Assembleia da República. (A segunda foto foi entretanto retirada da página do Município em questão no Facebook, mas ficaram lá outras.)

Portugal está um pouco desorientado, mas nem tanto assim! Poupem-nos. 
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