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29.8.20

Bicharada Pré-Covid (10)



Os burros da Etiópia, 2013.

Num país paupérrimo são quase um ícone, tão grande é a sua quantidade, tão importantes as funções que exercem como meio de transporte de mercadorias e de pessoas: chegam mesmo a ser as «ambulâncias» que levam os doentes a quilómetros de distância. Verdadeiros heróis para os etíopes que dizem por graça que, na terra deles, «quem trabalha são as mulheres e os burros».




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17.8.20

Grandes árvores deste mundo (8)



Banhos Reais de Fasiledes, Gondar, Etiópia, 2013.

Estes Banhos Reais foram uma iniciativa do imperador Fasiledes e construídos durante o seu reinado (1632-1667). No vale do Rio Qeha, são constituídos por uma estrutura rectangular com muros de pedra, que todos os anos se enche de água para a Epifania (Timket), em que se celebra o baptismo de Jesus no Rio Jordão. As árvores «incrustaram-se» na pedra, como é bem visível.





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3.8.20

Templos, Mesquitas e outros que tais (12)



Mosteiro Ortodoxo Azwa Mariam, Bahir Dar, Lago Tana, Etiópia, 2013.

Visitei uma das muitas igrejas ortodoxas, normalmente circulares, das 37 ilhas do Lago Tana, na maioria habitadas. Azwa Maria, do século XIV, com tecto de colmo, é revestida do chão até ao tecto por belíssimas pinturas que, para além do efeito decorativo, tinham como função permitir a explicação de cenas bíblicas às populações analfabetas. Absolutamente fascinante!



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16.7.20

Vidas antes desta Covida (13)



Os meninos etíopes também fazem TPCs, Awra Amba, Etiópia, 2013.

Awra Amba é uma comunidade extraordinária de cerca de 460 pessoas (era este o número, em 2013…), que vive segundo normas pouco usuais no país, com destaque para duas: a igualdade entre homens e mulheres, em todos os planos, e o respeito pelos velhos.Com mais de 40 anos de existência, Awra Amba começou por ser ignorada, e mesmo «olhada de esguelha», mas passou a ser seguida atentamente pela UNESCO, e pelo próprio governo etíope, como um modelo a divulgar e expandir. Quem tiver paciência, veja o que escrevi então e muitas fotografias AQUI.
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12.7.20

Vidas antes desta Covida (9)



Oração numa das onze igrejas escavadas na rocha no século XII, Lalibela, Etiópia, 2013.

[Não há palavras que possam dar uma ideia do que são esses onze templos, escavados na rocha e em muitos casos ligadas por túneis. O Templo de S. Jorge foi o último a ser construído e é o mais espectacular, com a forma em cruz, enterrado e com quinze metros de altura. (Ver foto mais abaixo .) As escavações começaram em pleno século XII e todo o conjunto foi construído em apenas vinte e quatro anos! Terão estado implicados nas obras 40.000 homens, com recurso a instrumentos mais do que rudimentares, e conta a lenda que trabalhavam enquanto havia Sol e que os anjos faziam o turno da noite...]

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14.10.19

Etiópia


MAR DAS ÍNDIAS – OS TERRAÇOS DE PRESTES JOÃO

Já que o Nobel da Paz trouxe a a Etiópia para a boca de cena, não deixem de ver, ou de rever, este magnífico documentário apresentado por Miguel Portas:


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13.10.19

Finalmente o Nobel para quem fez a paz



«Abiy Ahmed venceu o Nobel da Paz e, no entanto, o seu rosto era o mais difícil de reconhecer entre os quatro que muitos jornais, incluindo o DN, publicaram nos dias como fazendo parte dos favoritos ao prémio da Academia norueguesa. Tanto Greta Thunberg como Jacinda Arden e Donald Trump têm tido mais destaque mediático do que o primeiro-ministro da Etiópia, e sobretudo a jovem ecologista sueca parecia bem lançada para bater a paquistanesa Malala Yousafzai como a mais jovem galardoada de sempre.

Mas para premiar quem fez a paz então dificilmente se encontrará outro tão justo nos últimos anos. Chegado ao poder em 2018, Ahmed pôs fim à guerra intermitente com a Eritreia, que se separou da Etiópia em 1993 de forma pacífica mas cinco anos depois se envolveu num conflito com o vizinho. Não só se evitou assim o acumular de milhares e milhares de mortos em combate, como se libertaram verbas que vão salvar muitas mais vidas em ambos os países se bem aplicadas, por exemplo, no sistema de saúde. A mortalidade infantil na Etiópia é 51 por mil, na Eritreia 46 por mil. E em termos desenvolvimento humano estas duas nações do Corno de África andam perto dos últimos lugares (173.º e 179.º).

Ahmed merece também o prémio porque neste ano e meio como presidente tem mudado a sua Etiópia para melhor. O único país de África que nunca foi colonizado - apesar das duas tentativas italianas - é um colosso de 105 milhões de habitantes repartidos em múltiplas etnias, e cada vez mais dividido entre cristãos e muçulmanos, com um potencial enorme de desenvolvimento, inclusive na agricultura.

Nós, portugueses, cedo estabelecemos relações com os etíopes e ajudámos mesmo os imperadores a salvar o país da conquista por exércitos muçulmanos. Pêro da Covilhã lá viveu grande parte da vida a representar os reis de Portugal e um filho de Vasco da Gama, Cristóvão, morreu no século XVI na defesa do que se dizia ser o reino do mítico de Prestes João. Dessa relação privilegiada restam vestígios arquitetónicos, desde palácios a fortalezas e pontes ainda hoje reconhecidos como portugueses.

Mas se as elites pertencem ainda em boa medida à igreja copta, o facto de um terço da população seguir hoje o islão obriga os governantes a ter um pensamento integrador, tanto étnico como religioso. E, nesse campo, a própria biografia de Ahmed faz dele o homem certo no cargo certo no momento certo, pois o pai era um muçulmano da etnia oromo e a mãe uma cristã ahmara. Falar três das línguas principais do país também facilita a sua afirmação como líder unificador do país que, pelo seu peso histórico, alberga a sede da União Africana.

No plano interno, este antigo guerrilheiro - juntou-se ainda adolescente à rebelião contra o ditador Mengistu - libertou presos políticos, autorizou o regresso de dissidentes exilados, criticou os abusos anteriores do regime, apesar de praticados pela mesma Frente Popular Revolucionária Democrática da Etiópia que o promoveu a primeiro-ministro. Ahmed mostrou-se também ousado ao criar um governo com metade dos membros a serem mulheres, sendo que entretanto o Parlamento de Adis Abeba elegeu para chefe do Estado também uma mulher, Sahle-Work Zewde.

Que Ahmed sirva de inspiração na Etiópia, no resto de África, no mundo em geral. Não só há muitas guerras por parar como nenhuma paz está garantida só por causa de um Nobel a ter reconhecido, basta pensar na tensão na Colômbia, apesar do diálogo entre governo e guerrilha das FARC que levou o comité norueguês a premiar o presidente Juan Manuel Santos há três anos.»

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30.7.19

Etiópia, esse grande, grande país




353 milhões de árvores em apenas 12 horas parece tarefa impossível. Mas não foi.

(A Etiópia tem cerca de 110 milhões de habitantes.)
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4.7.17

Bichos, muita bicharada (12)



Verdadeiros heróis num país onde «quem trabalha são as mulheres e os burros». Perto de Gondar, Etiópia (2013).

São mesmo um ícone, tão grande é a sua quantidade, tão importantes as funções que exercem como meio de transporte de mercadorias e de pessoas Chegam mesmo a ser «ambulâncias», que levam doentes a quilómetros de distância. 
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12.6.17

8.5.17

Gentes deste mundo (4)



Oração numa das onze igrejas escavadas na rocha no século XII. Lalibela (Etiópia), 2013.
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4.5.17

Convidada: JOANA LOPES



Vizinhos da blogosfera convidaram-me a escrever um texto para o «Delito de Opinião». Escolhi recordar uma das minhas viagens e aqui fica para quem estiver interessado num resumo do que vi e vivi quando fui à Etiópia.

Por terras da Abissínia

Ser turista é limitativo, eu sei. Preferia ser «viajante», sem prazos nem restrições físicas e financeiras, mas não é possível. Turista portanto me assumo e, como tal, tenho tentado conhecer um pouco dos cinco continentes deste pequeno mundo.

Preguntam-me, frequentemente, qual foi a minha viagem preferida, ou o «top 5» das que já fiz, mas deixei de ser capaz de responder. Escolho uma, sem lhe atribuir nenhum privilégio, mas porque me marcou de um modo especial. Talvez por ter nascido em África, talvez porque é o continente que menos conheço.

Há quatro anos passei duas semanas na Etiópia, pouco mais do que nada para ficar com ideias vagas sobre o segundo maior país africano em extensão. Parecia então ser um oásis naquele Corno de África, entre vizinhos em permanente conflito, e centro de onde irradiavam esperanças de conciliação e de progresso. Tristíssimo que tenha chegado a sua vez de contrariar expectativas, esperemos que não por muito tempo.

Percorri algumas centenas de quilómetros onde quase tudo é totalmente verde e fértil, com montes e vales bem cultivados (o celeiro etíope) e milhares de cabeças de gado que tornam o país praticamente autossuficiente em termos de alimentação. Mas falta tudo o resto e a pobreza é por isso extrema, as estradas e muitas outras infraestruturas são quase inexistentes ou muito rudimentares. Como mais do que rudimentares são os instrumentos usados na agricultura, numa terra onde «quem trabalha são as mulheres e os burros» – burros que são mesmo um ícone, tão grande é a sua quantidade, tão importantes as funções que exercem como meio de transporte de pessoas e de mercadorias.


O país depende cada vez mais de investimentos chineses e turcos, exporta algodão e têxteis, carne de várias espécies animais e, evidentemente, café. Aliás, reza a lenda ou a História (nem sempre é fácil perceber-se em que plano se está exactamente) que foi aqui que o café foi descoberto. Como? Uma cabra ter-se-á mostrado tão excitada depois de comer repetidamente a respectiva planta que os donos decidiram seguir-lhe o exemplo, descobrindo assim as suas potencialidades. A Etiópia é governada há quase trinta anos praticamente em regime de partido único, com as inevitáveis consequências em termos de corrupção, e a moeda nacional é tão fraca que tudo o que tem de vir do exterior tem um peso difícil de suportar. Em todo o caso, aparentemente vai-se (ou ia-se?) progredindo, por exemplo através de um interessante e muito louvável sistema de cooperativas. E, ao contrário dos vizinhos da Eritreia e da Somália, tem sido raro que multidões de etíopes fujam por essa África abaixo para se afogarem às portas da Europa.

Há também um povo altivo, orgulhoso da sua etnia («a Norte temos os árabes, a Sul os negros, nós estamos no meio»); orgulhoso também pelo facto de nunca ter sido verdadeiramente colonizado e de ter uma História rica, sem fronteiras muito nítidas que a separem de um extenso conjunto de lendas – uma realidade estranha, mas fascinante, para as nossas cabeças cartesianamente formatadas.

Axum, no Norte, é um paraíso para os arqueólogos, tantos são os rastos de civilizações antiquíssimas já descobertos e os muitos que há ainda por explorar. Conta a lenda que um filho de Noé, pai de todos os povos de pele castanha, era avô de Etiopos que foi enterrado em Axum e deu o nome a todos os habitantes do país. Seja como for, sabe-se hoje que as origens da civilização etíope remontam o século X a.c. Os etíopes reivindicam ter em Axum a «verdadeira» Arca da Aliança e «veneram» a rainha de Saba que, segundo as crónicas, teria regressado de uma viagem a Jerusalém grávida de um filho do rei Salomão, criança que viria a ser o célebre rei Menelik, fundador da dinastia Salomónica que perduraria na Etiópia até ao século XX e a ter, como último representante, o imperador Haile Selassie (tio avô de um dos elementos da troika que por aqui andou…).

Há também a Cidade Imperial de Gondar, um conjunto de seis castelos construídos seguindo técnicas introduzidas pelos portugueses no século XVI, implantados numa grande cerca que chegou a ter doze portas. E, acima de tudo, as igrejas de Lalibela, a «Nova Jerusalém» da Etiópia, cravada numa região árida e agreste. Não há palavras que possam dar uma ideia, mesmo que aproximada, do que são esses doze templos, escavados na rocha e em muitos casos ligadas por túneis, distribuídos por dois conjuntos separados por um rio, estando fisicamente afastado o décimo primeiro: último a ser construído e o mais espectacular, com a sua forma em cruz, enterrado, e com quinze metros de altura. As escavações começaram em pleno século XII e todo o conjunto foi construído em apenas vinte e quatro anos, o que é quase inacreditável! Terão estado implicados nas obras, usando instrumentos mais do que rudimentares, 40.000 homens e conta a lenda que trabalhavam enquanto havia Sol e que os anjos faziam o turno da noite… As igrejas de Lalibela, Património da Humanidade segundo a UNESCO, são um dos grandes motivos de orgulho dos etíopes – e com toda a razão.


Não falei de Addis Abeba? Nada de especial a assinalar, a não ser dois museus e um gigantesco e caótico mercado que tem nada menos do que 103 hectares e onde se vende tudo o que imaginar se possa.

Gostava de voltar à Etiópia? Talvez, mas é pouco provável. Até porque repetir viagens não é a minha praia: temo que não haja amor como o primeiro. 
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22.8.16

Cry for Ethiopia



Feyisa Lilesa ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos e, ao cruzar a meta, levantou os braços e cruzou as mãos acima da cabeça, numa manifestação contra o seu governo, que pode custar-lhe a vida. Um gesto que ficará para a história actual da resistência desse magnífico país que é e Etiópia, até há pouco exemplo de paz em África e que passa agora por um período terrível de perseguições.

Estive lá há três anos. Parecia ser um oásis naquele Corno de África, entre países em permanente conflito, e era centro de onde irradiavam esperanças de conciliação e de progresso. Tristíssimo que tenha chegado a sua vez de contrariar expectativas, esperemos que apenas por pouco tempo e episodicamente, o que não parece ser o caso.

A Etiópia é um país muito extenso e tem por isso regiões com características muito diferentes. Tudo é muito pobre, as casas são absolutamente rudimentares, pessoas e animais inundam as estradas e andam grandes distâncias a pé. (Conta-se como piada que os etíopes ganham tantas medalhas em maratonas e não só porque, desde crianças, se habituam a correr quilómetros para chegar à escola.)

Embora o país seja praticamente autossuficiente em termos alimentares, tendo de importar muito pouco, tem falta de quase tudo o resto em infraestruturas e tecnologia. E aí é que as coisas se complicam, não só por problemas políticos num país que é governado há vinte e cinco anos praticamente em regime de partido único, com as inevitáveis consequências em termos de corrupção, como pelo facto de a moeda nacional ser tão fraca que tudo o que tem de vir do exterior tem um peso difícil de suportar.

Em todo o caso, aparentemente vai-se (ou ia-se?) progredindo, por exemplo através de um interessante sistema de cooperativas. E, ao contrário dos seus vizinhos da Eritreia e da Somália, é raro que etíopes fujam por essa África abaixo para se afogarem às portas da Europa. Em 2015, o PIB terá aumentado 8,7%, uma das maiores taxas de crescimento do mundo.

A paisagem é magnífica, mas não é tudo. Há também um povo altivo, orgulhoso da sua etnia («a Norte temos os árabes, a Sul os negros, nós estamos no meio»...), do facto de nunca ter sido colonizado e da sua História e das suas lendas sem fronteiras muito distintas.

Aguardemos o que aí vem, com a esperança que um povo sofrido merece. 
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24.4.16

Miguel Portas



O Miguel Portas partiu há 4 anos e cada um presta-lhe a homenagem que entende. Eu escolho este vídeo que me fez conhecer melhor esse espantoso país que é a Etiópia, já depois de lá ter estado.


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20.2.16

Faz de conta que estou lá (10)



Igreja de S. Jorge, Lalibela, Etiópia, 2013.

Não há palavras que possam dar uma ideia do que são 11 templos, escavados na rocha e em muitos casos ligadas por túneis, distribuídos por dois conjuntos separados por um rio, estando fisicamente afastado o décimo primeiro: este, o último a ser construído e o mais espectacular, com a sua forma em cruz, enterrado, e com quinze metros de altura.
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24.11.15

Indigitação no dia de um fóssil



Não deve ser por acaso que o desfecho cavacal se deu no dia em que se festeja o 41º Aniversário da descoberta do fóssil Lucy (com 3,2 milhões de anos) e que até o Google se associa ao evento.  

Está preservado no Museu Nacional da Etiópia e, sim, vi uma réplica que está exposta no dito museu.
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