«Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro é testemunha das esperanças e dos bloqueios que foram construindo o país durante mais de quatro décadas. Filmado integralmente na Guiné-Bissau, em setembro de 2018, quando se celebravam os 45 anos da independência, o documentário regista os testemunhos de um conjunto de académicos de várias nacionalidades, membros da sociedade civil guineense, artistas e combatentes da luta de libertação nacional que refletem e debatem as memórias e os legados desse passado.
Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro percorre uma ampla viagem reflexiva sobre a imaginação e a construção da Guiné independente, mostrando-nos, também, como a memória pode servir de instrumento à geração do presente para a construção do futuro.»
Projecto CROME-CES
Sumário Ficha Técnica: Documentário / 60 minutos / Portugal – 2019
Realização: Diana Andringa
Guião: Diana Andringa e Miguel Cardina
Produção: Garden Films e CES-UC
Legendas: português e inglês
Um projeto com o apoio financeiro do ICA / Ministério da Cultura.
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Já que, aparentemente, a Fundação Mário Soares continua com «futuro incerto», ainda bem que algum do fruto do seu excelente trabalho vai para um destino correcto.
«Entretanto, os manuscritos de Amílcar Cabral, e também CDs e livros digitalizados, que têm estado até agora à guarda da Fundação Mário Soares, uma instituição cujo futuro é ainda incerto depois da morte do seu patrono, vão regressar à Guiné-Bissau, segundo informou esta terça-feira M´Bala Alfredo Fernandes, embaixador guineense em Cabo Verde.»
Nasceu na Guiné (Bafatá), em 12 de Setembro de 1924, fez o liceu em Cabo Verde, veio mais tarde para Lisboa onde se licenciou em Agronomia. Em 1956 foi um dos fundadores do PAIGC, partido que liderou e que, em Janeiro de 1963 declarou guerra contra o colonialismo de Portugal. Dez anos mais tarde, em 20 de Janeiro de 1973, assassinaram-no em Conacri.
Foi precisamente na Guiné Conacri que lhe foi feita esta entrevista, em 11/11/1969:
Vale a pena percorrer um riquíssimo arquivo, disponibilizado na internet desde Janeiro do ano passado, depois de recuperado e tratado pela Fundação Mário Soares, a pedido das autoridades guineenses e caboverdeanas e com o especial empenho de Aristides Pereira, Iva Cabral e Pedro Pires. Encontra-se agora na «Casa Comum», site criado por aquela Fundação, e pode ser consultado a partir daqui.
Em Angola, Cabo Verde e Guiné celebra-se a data de hoje. Em Portugal? Não encontrei nem uma referência...
Convido-vos a utilizar 10 minutos do vosso tempo com a leitura de um texto de Vavá Oliveira no Passa/Palavra – Guiné-Bissau: uma luta por luz e água – a propósito da acção do «Movimento Luz e Água» (MLI) naquele país.
«Actualmente, o movimento está a trabalhar numa campanha por luz e água nos bairros de Bissau. A finalidade é levar à população o nosso manifesto. Para isso estamos a trabalhar nos bairros e liceus de Bissau. A nossa meta é fazer com que, a curto prazo, a EAGB [empresa pública de luz e água] se submeta ao controle social. A médio prazo, queremos criar dois conselhos nacionais de gestão democrática dos recursos naturais e outro de gestão da luz e água. E a longo prazo queremos que a EAGB seja completamente gerida pelo povo, pois assim nos garante a nossa constituição nos artigos 2 e 3. No art. 2, diz que o povo pode exercer o poder político directamente ou através de seus representantes. E no art. 3 diz que a cidadã ou cidadão têm o direito de participar na gestão pública. Nós queremos que isso seja respeitado.» – Ailton J.
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O MLI tem também em curso uma campanha de angariação de fundos para a reabilitação da estrutura física e a compra de materiais didácticos para a Escola Comunitária Bandim Bilá. Informações detalhadas AQUI.
«Há algum paternalismo de extracção vagamente neocolonial na forma como Portugal aborda e enfrenta as questões relacionadas com os novos países de língua oficial portuguesa. (…)
Vem isto a propósito do modo como Portugal reagiu ao golpe militar na Guiné-Bissau, mobilizando e mandando de imediato avançar a tropa, o que poderá ser visto como dar continuação à política por outros meios (...). Ou seja, comportando-se como potência administrante de um país independente.
Há governantes portugueses que parecem não perdoar a si próprios o facto de terem perdido a oportunidade histórica de seguir a política da velha senhora.»