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27.1.11

Mais um aniversário


Libertação de Auschwitz, 27 de Janeiro de 1945

No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, um excelente dossier: Viaje al Holocausto
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12.10.10

No dia em que um sapato parou o mundo


Foi há 50 anos, em 12 de Outubro de 1960, durante uma agitadíssima Assembleia Geral da ONU, que Nikita Kruschev tirou um sapato e bateu furiosamente com ele na sua bancada.

O incidente produziu-se num momento de grande tensão na Guerra Fria, cinco meses depois de um avião-espia americano ter sido abatido em territorio soviético e quando o recentíssimo governo de Fidel Castro se aproximava cada vez mais da URSS.

Na origem do gesto de Kruschev esteve uma intervenção do representante das Filipinas, em que este acusou a União Soviética de «colonizar» os países da Europa de Leste e os privar de direitos civis e políticos.

Seguiu-se uma sequência rocambolesca: Nikita protestou com o sapato, o presidente da Assembleia tentou controlá-lo batendo na mesa com um martelo, partiu-o, apagou a comunicação das traduções simultâneas e interrompeu a sessão.

Nos días que se seguiram, não se falou de outra coisa - num mundo muito menos mediático do que hoje e quando niguém ainda se lembrava de fazer corninhos em parlamentos.



(Fonte)

(Data recordada via Palmira Silva no Facebook)
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14.8.10

De pequenas histórias que ficam para a História


«O meu primeiro emprego, entre 1959 e 1963, em plena ditadura salazarista, foi o de “locutor da rádio”. Uma das coisas que tinha de fazer era um “programa de discos pedidos” às sextas-feiras, em que os ouvintes telefonavam das 21h00 às 21h30, eu gravava os telefonemas e o programa era transmitido depois, com os telefonemas e as respectivas músicas. Eu arranjei um truque: em vez de atender os telefonemas dos ouvintes, arriscando-me a só me pedirem porcarias, era eu que telefonava aos meus amigos, indicava-lhes a música que eles deviam pedir, e assim compunha programas inteiros com músicas de resistência e contestação de todo o mundo…»

Dois exemplos:





Pescado aqui.
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4.8.10

25 de Abril, esse «carnaval esquerdista»

Rui Ramos só me interessa como historiador na medida em que temo que extractos de livros seus venham a ser incluídos (ou já são?...) em manuais escolares daqueles que vão governar este país nas próximas gerações e que a ministra quer que lá cheguem sem «repetências». Também, e como alguém me lembrou há poucos dias, porque não se estranhará se a RTP vier a convidá-lo para legítimo sucessor de José Hermano Saraiva, no cultivo da alma das gentes.

Vem isto a propósito de uma ligação que recebi hoje, por mail, para um texto de António Rego Chaves - «Da provocação ao delírio» -, onde é analisada uma obra de Rui Ramos, já com alguns anos: Outra Opinião – Ensaios de História.

Alguns excertos do texto de ARC valem mais do que dez considerações minhas, que aqui pudesse feixar:

«Quer nos fale da monarquia constitucional, da I República, de Salazar, do 25 de Abril, de Spínola, do antifascismo, de Álvaro Cunhal, de Mário Soares ou de Sá Carneiro, a tónica é sempre a mesma: afirmar algo de contrário àquilo que quase todos consideram adquirido ou consensual, não apoiado numa sólida articulação dos dados disponíveis, mas em arreigadas convicções pessoais. (…)

Não menos «interessante» é a forma como Rui Ramos se refere à independência da Guiné, Angola e Moçambique. Eis as suas palavras: “Só à esquerda seria possível imaginar as ditaduras sanguinárias e corruptas do PAIGC ou da FRELIMO como uma ‘libertação’, ou chamar ‘descolonização’ à ocupação de Angola por um exército expedicionário cubano.” Digamos que, em matéria de imparcialidade, ficamos conversados, sobretudo quando se parece querer passar em claro todas as atrocidades cometidas por portugueses, não apenas durante a Guerra Colonial, mas ao longo de séculos, na Guiné, Angola e Moçambique.

Classificando o dia 25 de Abril de 1974 como "carnaval esquerdista do Largo do Carmo”, dizendo que “Salazar, ao contrário do general Franco em Espanha, fez sempre eleições” ou não disfarçando o seu entusiasmo perante a contra-revolução de Julho e Agosto de 1975, o autor renuncia às suas funções de historiador tanto quanto possível isento e adopta o tom do propagandista. Está no seu pleno direito, desde que não venda gato por lebre e se assuma como aquilo que de facto se revela – um panfletista.»

P.S. – Por pura coincidência mas, já agora, que funcione como símbolo, escrevo este post um dia depois  do 42º aniversário da queda de Salazar de uma cadeira (se é que aquela aconteceu…).
A ler: «40 anos depois da morte Salazar está na 'moda'» e, também, uma entrevista a António Simões do Paço a propósito do lançamento do seu livro O Ditador Encoberto: «A ditadura tem sido banalizada e trivializada».
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18.6.10

Nem só de calendários vive o homem


A possível diminuição do número de feriados em Portugal, e a sua eventual colagem a fins-de-semana, quase rivalizam com o Mundial em número de notícias e comentários. Mais um.

Poderia ir pela via das laicidades, mas não me apetece e parece-me totalmente salomónica a opinião (ou decisão, não entendi bem) de cortar um número igual de feriados laicos e religiosos. Tal como considero demagógica a afirmação do chefe da UGT que declara ser absurdo aumentar o tempo de trabalho quando aumenta o desemprego. E lamentável a ignorância de excelsos deputados e bloggers de esquerda, pura e dura, que gritam aos quatro ventos que seria inimaginável que Portugal fosse o único país no mundo a não celebrar o Dia do Trabalhador no 1º de Maio: pelo menos em Inglaterra, nem sei desde quando mas há muitos anos, é na primeira 2ª feira de Maio que ele é comemorado.

Qualquer que seja a redução e os critérios quanto a mobilidade, mudar o Natal é mexer a tal ponto nos usos e costumes que parece absurdo, 1 de Janeiro é dia de ressaca mundial e o resto é fantasia. Sobre feriados religiosos, «passo»: entenda-se quem de direito para manter quais e quando.

Sobre os outros, avanço um critério, tão discutível como todos, certamente mais absurdo do que muitos, mas que é o meu: considero inadmissível que sejam «transladados» aqueles que assinalem acontecimentos de que haja ainda protagonistas vivos. Explico melhor: enquanto existir algum sobrevivente do 5 de Outubro (deve havê-los, pelo prolongamento da esperança de vida…) e enquanto todos os que vivemos o 25 de Abril não morrermos, essa datas são tão «sagradas», para quem as viveu, como a do nascimento de um filho. É-me perfeitamente indiferente recordar dois ou três dias mais tarde a morte de Camões ou a Restauração de 1640, mas nunca o será confundir a última semana do marcelismo, ou a ansiedade pela libertação dos presos em Caxias a 26, com as horas passadas nas ruas no dia 25. Pieguice, sentimentalismo bacoco? Quero lá saber! São também os afectos que é necessário preservar, a vida não é um compêndio actualizado da velha História do pai Mattoso.
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Há 70 anos



Discurso de De Gaulle, lido na BBC, em 18 de Junho de 1940. Considerado como símbolo e início da Resistência francesa na II Guerra Mundial.

Mais informação.
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1.9.09

1 de Setembro de 1939

Há 70 anos, a Alemanha invadiu a Polónia. Dois dias depois, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha.



Está também disponível uma série de três outros vídeos sobre a invasão da Polónia, num total de cerca de vinte minutos: I, II e III.




Léo Ferré, L'affiche rouge

25.2.09

Minuto Pub

Hoje à noite, a Irene Pimentel e eu participaremos num debate organizado por Le Monde Diplomatique sobre:

«Entre Portugal e Espanha: a luta em prol da memória histórica»

Associação O Bacalhoeiro (R. dos Bacalhoeiros, 125, junto à Casa dos Bicos, em Lisboa),
25 de Fevereiro, quarta-feira, às 22h.

Ler detalhes aqui.

N.B. - «Historiadora» não sou - quando muito memorialista amadora e con mucho gusto.

23.1.09

A cooperativa PRAGMA – Uma bela história














Regressei às minhas memórias, neste caso a uma cooperativa fundada por católicos em 1964, que foi um pólo importante na actividade da oposição ao salazarismo. O texto é demasiado longo para este blogue, mas pode ser lido ali ao lado.

24.11.08

Maoísmo em Portugal

Se querem saber como foi (eu vou tentando, eu vou tentando...), reservem alguns minutos e leiam este texto do Miguel Cardina.

20.10.08

Memória Histórica

No blogue Caminhos da Memória, foram publicados hoje três textos a propósito da problemática vivida neste momento em Espanha: um de Rui Bebiano, outro de Irene Pimentel e este meu, abaixo transcrito praticamente na íntegra.


Memória e cidadania

Um artigo de Jorge Almeida Fernandes (JAF) no suplemento P2 do Público de ontem abriu uma discussão, tão importante quanto complexa, a propósito das polémicas geradas em torno da recuperação da Memória Histórica em Espanha e da actuação do juiz Baltasar Gárzon na mesma. Desta vez, o que está principalmente em causa é o papel dos historiadores em toda esta problemática, a relação entre a sua actividade e os poderes político e judicial, entre «liberdade» de quem investiga e leis de criminalização do passado.

Regressando ao artigo de JAF (que, diga-se de passagem, parece misturar diferentes temas e planos distintos): a polémica sobre este papel do historiador está muito acesa em França e reflecte-se no texto do abaixo-assinado citado no P2. Acaba de ser lançado um livro de Pierre Nora e Françoise Chandernagor precisamente sobre a mesma problemática. Repito: trata-se de um tema apaixonante mas complicadíssimo.

Talvez por isso, nunca me senti tão aliviada por não ser historiadora, mas apenas alguém que se interessa muito pelas questões relacionadas com a memória. Porque história e memória não são a mesma coisa.

Não sei se os republicanos espanhóis foram vítimas de crimes comuns ou contra a humanidade (e, portanto, se os respectivos processos prescreveram ou não). Não sei se Gárzon é competente ou não para se ocupar do problema (questão muito polémica em Espanha neste momento), nem se o faz por exibicionismo, nem se um juiz pode «escolher» as suas vítimas.

Sei que, tal como não há almoços grátis, também não existem políticas de memória inocentes e imparciais: o governo de Zapatero não promulgou a lei da Memória Histórica por acaso, o PP não põe entraves à toa, Bento XVI não beatificou quase 500 «mártires» franquistas só porque sim. E eu, cidadã comum, sinto-me com todo o direito de escolher as memórias que quero preservar, as vítimas que quero «desenterrar», não só para que justiça se faça, mas porque acredito que é assim que posso tentar contribuir para o progresso da humanidade, nos caminhos que me parecerem mais correctos. Com todos os compagnons de route que for encontrando, sejam eles políticos, juízes, historiadores – ou simples mortais como eu.

1.7.08

Memória e silêncios


Aqui ao lado, nos «Caminhos da Memória», quinze dias de existência e um mar de textos sobre muitos temas, muitas vidas, muitas histórias esquecidas.

Reflexões teóricas também. Como esta de Manuela Cruzeiro, cuja leitura na íntegra recomendo: «Pior do que uma voz que cala é um silêncio que fala».

«Não podemos pedir à história o que ela não pode dar. A verdade não se reduz àquilo que pode ser verificado e explicado por qualquer sequência lógico-causal, por séries cumulativas de factos e datas, que organizam os acontecimentos, mas pouco nos dizem sobre o seu real sentido. A realidade é diferente da totalidade dos factos acontecidos. Tem a ver também com a nossa relação com o mundo e com os outros. E se sabemos quase tudo sobre as circunstâncias históricas (materiais, técnicas, burocráticas, jurídicas) que possibilitaram quarenta e oito anos de fascismo, já passado, mantemos uma paradoxal incompreensão sobre a significação ética e política dessa experiência totalitária, bem como da dimensão humana dos acontecimentos. Isto é, da sua real actualidade. Do que a sua dimensão de tragédia, sobretudo nos mais dolorosos episódios da prisão, da tortura e da morte (expoente máximo do esquecimento) nos interpela e questiona hoje.(...)

Por mais que custe reconhecê-lo, o medo, essa arma poderosíssima dos ditadores, sobrevive-lhes estranhamente. Não fomos a feliz mas improvável excepção. A terrível eficácia da política do silêncio e da invisibilidade não terminou com a liquidação da ditadura em 25 de Abril de 1974. (...)

Só a memória é o caminho para a cura. Não a memória asséptica e arquivada. Mas a memória viva e activa, inscrição no presente de algo sedimentado por camadas de silêncio ruidoso e de ofuscante invisibilidade. Um grito contra a impunidade do tempo.»

6.12.07

Colóquio «Dever da Memória»


O movimento NÃO APAGUEM A MEMÓRIA! realizou ontem, 5 de Dezembro, um Colóquio cujo resumo pode ser lido aqui.

4.12.07

Lugares da História - Convento do Carmo

Foto: Centro de Documentação 25 de Abril


5 de Outubro de 1910 – Machado dos Santos aceita a rendição do Estado-Maior das forças fiéis à Monarquia.

14 de Maio de 1915 – Refúgio e demissão do general Pimenta de Castro.

18 de Abril de 1925 – Teixeira Gomes e o seu ministério dialogam com o general Sinel de Cordes, delegado dos revoltosos.

19 d Julho de 1925 – Refúgio de Teixeira Gomes e de António Maria da Silva durante a intentona de Mendes Cabeçadas.

25 de Abril de 1974 – Refúgio e rendição de Marcelo Caetano.

11 de Março de 1975 – Rendição da GNR que apoiara a tentativa de golpe do general Spínola.

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Fonte:
Fernando Rosas, Lisboa Revolucionária. Roteiro dos Confrontos Armados no Século XX, Tinta-da-China, Lisboa, 2007, 322 p. (pp. 134-136)

29.11.07

Arquivos nazistas – Acesso a 47 milhões de documentos

Foto Le Soir

«Os arquivos nazistas de Bad Arolsen, documentos que recordam os trágicos destinos das 17,5 milhões de vítimas do regime de Adolf Hitler, podem ser consultados pelo público desde esta quarta-feira, depois de 60 anos de confidencialidade.

Estes 47 milhões de documentos, escrupulosamente ordenados pelo Estado nazista e arquivados em Bad Arolsen (centro da Alemanha), só podiam ser consultados com fins humanitários, ou seja, de forma individual e por ordem de uma ex-vítima ou de seus parentes.»

Ler mais aqui.

15.11.07

Memória e Democracia em Espanha (2)


Em Espanha,
«... nos trinta e sete anos entre o final da guerra civil, em 1939, e o do regime franquista, em 1975, mais de 200 000 espanhóis foram mortos e um milhão viu-se privado da liberdade por motivos políticos». (*)

Sublinho: o período considerado NÃO INCLUI os anos da guerra civil.

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(*) Irene Flunser Pimentel, A História da PIDE, Círculo de Leitores / Temas e Debates, 2007, pp. 533-534).

13.11.07

Memória e Democracia em Espanha


Decorre desde ontem este curso (organizado pela Universidade Nova e pela Fundação Mário Soares) em que estou a participar. A descrição detalhada do programa pode ser encontrada aqui.

Hoje, o tema geral foi Transição Pactuada e Memória dos Vencidos em Espanha e as apresentações foram feitas por três historiadores espanhóis: Carme Molinero, Ismael Saz e Julián Casanova. O comentário final e a coordenação do debate estiveram a cargo de Manuel Loff, da Universidade do Porto.

Foi uma sessão não só oportuna como muito interessante e esclarecedora. Na absoluta impossibilidade de a resumir, limito-me a realçar o tema que foi mais detalhadamente exposto e debatido.

Durante o chamado período de transição para a democracia (entre a morte de Franco, em 1975, e a primeira vitória do Partido Socialista, em 1982), homenagear a «memória dos vencidos» ou exaltar os méritos dos activistas antifranquistas não foi – nem podia ter sido – uma prioridade. Por diversos tipos de razões, mas, antes de mais, porque a esmagadora «maioria social» (mesma grande parte da que se tinha movimentado contra a ditadura) queria democracia mas com garantias de estabilidade.

Funcionou, transversalmente, o medo de que quaisquer extremismos pudessem dar origem a uma nova guerra civil. Esta foi certamente uma das principais razões para que não se rompesse o equilíbrio entre os vários tipos de forças e que acabasse por se assistir, muito para além do período de transição, à hegemonia do discurso público do esquecimento. Por outras palavras, aquilo que habitualmente se designou por «Pacto de Silêncio» e que se concretizou, em 1977, numa amnistia recíproca (entre forças franquistas e antifranquistas) teve efeitos de amnésia: funcionou como uma procura de esquecimento.

As questões de verdade, de justiça e de memória ficaram pendentes durante muitos anos.

Tudo mudou, sobretudo na última década, e está-se agora num «Momento Memória» em que a sociedade espanhola tem de ajustar definitivamente as contas com o seu passado antidemocrático. Mas nada está a ser fácil, tantas são as crispações e também as resistências de algumas instituições com grande peso, como é o caso da Igreja católica.

5.11.07

Memória na História

Li com o maior interesse o texto Pela História Oral que Manuela Cruzeiro acaba de publicar no Passado/Presente.

Nele se fala, entre muitas outras coisas, da memória, «a mais épica» das faculdades do homem, do fascínio da memória oral, do seu papel especial nos «momentos de crise como as revoluções em que a pura racionalidade abstracta dos conceitos e dos sistemas cede face à invasão de elementos supra ou infra racionais», das características e do estatuto da História Oral.

Historiadora que não sou, entrei destemida e atrevidamente por esse universo quando escrevi Entre as Brumas da Memória. Se é verdade que reuni e estudei centenas de documentos escritos, sem o recurso à oralidade, com dezenas de pessoas, muitas das «histórias» que contei não existiriam ou seriam radicalmente diferentes – e mais erróneas. Escrevi aliás na introdução do livro:
«Em muitos casos, por inexistência de testemunhos escritos, a reconstituição foi feita por simples recurso à memória, pessoal ou colectiva. Com a fascinante experiência do carácter selectivo, porque afectivo, dessa memória: de um mesmo facto, vivido por vários intervenientes, alguns lembram-se de certos episódios e esqueceram totalmente outros. Cada um guardou, sabe se lá onde e porquê, a sua parte das histórias.» (p. 18)

Talvez em parte por isso seja tão sensível ao conceito de História Oral e a tudo o que com ela se relaciona, nomeadamente aos resultados que conheço do trabalho de Manuela Cruzeiro e do Centro de Documentação 25 de Abril.


Manuela Cruzeiro fala da necessidade de debate «sobre o estatuto científico-académico da História Oral», lembrando que «o testemunho constitui a estrutura fundamental da transição entre memória e história».

Tendo a crer que não é um debate pacífico.

No livro que acaba de publicar sobre a PIDE (*), Irene Pimentel diz expressamente (pp. 15-16) que optou «por não utilizar a chamada história oral», entre outros motivos porque «o testemunho oral é “provocado” pelo historiador, que, ao interrogar a testemunha, constrói a sua própria fonte, utilizando-a à maneira de um produtor». Conclui que «quando se trata de estabelecer factos cinquenta anos depois, são os documentos da época que marcam a diferença».

Sinto – pressinto – que é uma discussão que dá pano para mangas. Mas eu não tenho o pano – ficarei pois sem as mangas.

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(*) Irene Flunser Pimentel, A História da PIDE, Círculo de Leitores / Temas e Debates, 2007, 576 p.