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14.8.18

Comissões há muitas!



«Como Portugal não descobriu os Gremlins, inventou as comissões. Estas não se multiplicam com a água. Florescem como soja geneticamente modificada. São viçosas. Há, como nos supermercados, para todos os gostos e preços: de inquérito, de análise, de prevenção, de estudo. Há quem diga que já foram propostas entidades como a Comissão para a Tributação do Tremoço e a Comissão Consultiva da Comissão Eventual para a Criação de uma Unidade de Missão para as Missões a Criar. Algumas até têm nomes divertidos como a CADA (Comissão de Acesso aos Dados Administrativos), que funciona junto do Parlamento. Umas aparentam ser úteis. Outras são claramente inúteis. Todos, em Portugal, querem ter uma comissão. Não se entende porque este desiderato não está na Constituição da República. A maior parte das comissões são criadas por uma única razão: porque é necessário criar algo para ofuscar a incompetência de tudo o que tinha sido feito. Assim investiga-se e arquiva-se. E todos dormem descansados.

Agora Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu a criação de uma comissão independente que ajude o Governo a analisar se as formas de prevenção e respostas resultaram no combate aos incêndios. Há já um Observatório Técnico Independente, que aparentemente serve para a mesma coisa. O absurdo é que o país está farto de comissões sobre incêndios. E estes não acabam. Em 1990, foi criada a Comissão Eventual para a Análise e Reflexão da Problemática dos Incêndios em Portugal, a que se seguiu em 2003 a Comissão Eventual para as Incêndios Florestais e publicado o Livro Branco dos Incêndios Florestais. Em 2005, foi anunciada a Comissão Eventual de Acompanhamento e Avaliação das Medidas para a Prevenção, Vigilância e Combate aos Fogos Florestais e de Reestruturação do Ordenamento Florestal e em 2007 mais uma: a Comissão de Acompanhamento e Avaliação da Política Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios. E em 2013 foi constituído o Grupo de Trabalho para Análise da Problemática dos Incêndios Florestais. Comissões há muitas. Serviram para quê?»

Fernando Sobral
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24.7.18

E quanto à Grécia




«“Portugal não é a Grécia”, repetíamos desesperados em 2010 e 2011, com medo “dos mercados”. É verdade, não éramos. Mas hoje, neste preciso dia, somos. Somos países que ardem, onde se morre nas chamas em casa e a fugir delas nos carros. Somos países a fingir estratégias nacionais e irrelevantes na Europa, que nos quer para postal. Lá chegaremos, a esse debate, sem procurar culpas nem encontrar desculpas, esperando que nessa hora se entenda que isto não são casos nem acasos. É um planeta mais quente, é uma União Europeia mais fria, são Estados fracos e enfraquecidos pelos seus próprios sistemas políticos, administrativos e orçamentais»
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13.8.17

Televisões pirómanas



A ERC (ou outra qualquer instituição) nada tem a dizer, com urgência, sobre o estímulo para pirómanos, que as TVs estão a fornecer ao exibirem belíssimas imagens de incêndios durante dezenas de horas diárias??? 
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19.8.16

Fogo que arde e se vê



«Chegou tarde, mas chegou em força, a temporada de incêndios. Como sempre, nesta altura, há especialistas em incêndios nos sete canais.

Todos têm teorias sobre o que já devia ter sido feito, o que não se fez e o que não deviam ter desfeito. Chegando o fresco Setembro, já nunca mais ninguém pensa nisto. Depois, passam uns meses e vêm os especialistas nas cheias em Albufeira e Santarém, e o ano termina com a falta de limpa-neves na serra da Estrela (que tem a única estância de esqui do mundo que, quando neva, fecha). Já todos sabemos que, depois, fica tudo na mesma. A única medida para ajudar na prevenção dos incêndios em 2017 era aumentar o tamanho dos baldes das esfregonas, porque acaba sempre por ser o popular com o balde a lutar com o incêndio. (…)

Na verdade, Portugal acabou a ser ajudado pelos russos e pelos marroquinos, nossos parceiros na União Europeia. Não sejamos injustos, há uma explicação. A UE justificou a ajuda limitada a Portugal com falta de disponibilidade de meios devido aos incêndios registados em vários Estados-membros, e ao gato do Schäuble, que não queria descer de uma árvore.

Pior do que a prevenção de incêndios, só a cobertura jornalística dos mesmos. O jornalista está convencido de que é melhor jornalista quanto mais perto estiver do fogo. Se estiver com dificuldades em respirar, melhor ainda. Mas não ajuda no combate, isso, nem pensar. Entrevista um senhor que está a lutar pela vida, com um ramo contra uma labareda, mas não intervém. Limita-se a perguntar - vocês correm o risco de ficar sem nada? - Sim, se o senhor não se chegar para o lado ou não for buscar um balde.

Depois, há os senhores jornalistas que, perante pessoas em choro e desespero, a quem tudo ardeu, perguntam sempre o mesmo: "É uma situação que nunca tinha vivido?"
- A minha casa ardeu, fiquei sem nada, não sei do meu filho...
- É uma situação que nunca tinha vivido?
- Não, ainda na semana passada lutei com uma lula gigante.

Evitem. É só estúpido.»

13.8.16

Incêndios: e se os políticos não fizessem promessas?


«Será que os políticos não podem fazer um voto de silêncio até ao fim da época de incêndios, no que diz respeito a promessas? Acima de tudo, não nos tratem como crianças. Nós sabemos que este é o país do eucalipto, do abandono do interior e da decadência da agricultura. Nós vivemos no país onde a floresta entra pelas povoações dentro e os proprietários não limpam terrenos, e já por cá andávamos quando foi aprovado, em 2006, o Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios. E, sim, nós também sabemos, mesmo que façamos de conta que não, que temos um quadro legal duro para com os incendiários e que, mais do que com mangueira, os incêndios se têm de combater de enxada e machado.»

David Pontes

12.8.16

Os portugueses são estúpidos?



«Todos os anos temos a mesma lengalenga. O país cobre-se de incêndios de norte a sul passando pelas ilhas.

Às televisões, invadidas pelas labaredas e por uma histeria maior do que a habitual, acorrem especialistas enumerando as causas dos sinistros, propondo as mesmas soluções de sempre, misturados com o natural desespero dos populares que tentam apagar fogos com baldes e mangueiras precárias. Já os jornalistas nunca resistem a falar dos cenários dantescos revelando que nunca leram "A Divina Comédia" de Dante. De resto, os políticos expressam solidariedade com as populações, o que é à borla e fica sempre bem, enquanto o Governo promete mais meios, coisa que diga-se em abono da verdade, têm cumprido ao longo dos anos. Nunca houve tanto bombeiro, tanto carro, avião e helicóptero. E, no entanto, o país continua a arder. (…)

O problema dos fogos é também esse. Instalou-se em Portugal um poderoso lóbi, que há quem, menos comedido, chame uma verdadeira máfia, que canaliza todas as verbas disponíveis para o combate ao fogo. A gestão da floresta e a prevenção ficam com as migalhas. Portugal não precisa de mais bombeiros. Precisa de mais engenheiros florestais. (…)

Infelizmente, aquilo que se ganhou em ligeiro progresso económico não se conquistou em inteligência. Ter habitações no meio de matos ressequidos não é uma boa ideia. A preguiça em prevenir o fogo, limpando as matas, faz com que este consuma as casas, outro património e vidas. É assim tão difícil de perceber?

A dificuldade em encontrar os proprietários, em obrigá-los a fazer a limpeza ou a inércia das entidades responsáveis também não servem de justificação. O Estado, como todos sabemos, é eficiente sempre que quer. Há quem diga que isto não vai lá com multas. A realidade diz o contrário: vai, vai. Não há outra maneira. Infelizmente a maioria das pessoas só muda à força. Não o faz por informação, persuasão e raciocínio.

Arrume-se a floresta, modernize-se a sua gestão, aplique-se a lei e multe-se pesadamente quem não a limpa. Quem não tem capacidade para o fazer venda. A propriedade não é um bem absoluto. Inútil, abandonada, é um risco para todos.

Em suma: passe-se da estupidez para a inteligência.»

Leonel Moura

11.8.16

Solidariedade de «quem»?!




Esta senhora ministra vive em Marte, este governe não aprende! Ajuda da Europa???
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Incêndios e opinantes


Eu não percebo nada de incêndios nem de estratégias para os evitar.

Entretanto, já li e ouvi um batalhão de opinantes que vão dizendo tudo e mais ou menos o seu contrário. Mas se aprendi alguma coisa foi com EUGÉNIO SEQUEIRA, ontem, 10/8, pouco depois das 21h, na RTP3. Se puderem, rebobinem com ajuda da box porque julgo que vale a pena. 


P.S. – Afinal, pode ser visto também AQUI, a partir de minuto 24:30.
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10.8.16

E é isto

Os nossos terroristas



Os incendiários são os nossos terroristas, Não gritam «Allahu Akbar».
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O fogo e o gelo



«Em "Fahrenheit 451", a notável obra de Ray Bradbury, Guy Montag é um bombeiro que queima livros. Nesse mundo do futuro os bombeiros não apagam fogos.

O mundo está virado do avesso: as pessoas não lêem livros, não apreciam a natureza, não pensam por si próprios. Pelo contrário, conduzem demasiado depressa, vêem quantidades excessivas de televisão e escutam rádio com auriculares colocados nos ouvidos. É um mundo mórbido. Nos dias de 40 graus à sombra que hoje vivemos (que nos faz recordar a canção dos Radar Kadafi), os corajosos bombeiros são diferentes: tentam apagar os fogos que, como Gremlins, se reproduzem sem cessar. Vivemos tempos de brasa. Que se repetem todos os anos como cenas de uma telenovela infindável. Já não há palavras para descrever a descrença de que algo possa ser feito a menos que os marcianos aterrem aqui.

No ano passado, houve mais fogos em Portugal do que em Espanha e França juntas. Nos anos anteriores, a situação foi idêntica. Este ano, não deverá ser diferente. Há meios e há bombeiros. Não há aquilo que se sabe há muito: limpeza das florestas, prevenção junto dos proprietários, rentabilidade económica das propriedades, ordenação territorial, acção criminosa sem consequências judiciais sérias. Há relatórios e estudos que terminam como o célebre de Michael Porter: na gaveta do esquecimento. Há tudo e não há nada. Não há vontade política para alterar radicalmente as coisas, com a força que o Estado ainda detém. Basta ver as reacções dos dirigentes políticos: vamos reforçar meios e prevenir para o futuro. É gelo falsificado nestes dias de fogo.

As desculpas são faúlhas quando se assiste à desertificação de mais uma parte do país. Era preciso que alguém do Governo, o poder executivo neste país, chamasse a si a decisão. Dizendo: acabou! Porque é nestes momentos que se concretiza o desleixo português aos olhos de todos: deixamos queimar uma das poucas riquezas do país entre lamentos e promessas de futuros mais radiosos. Não há mais tempo.»

Funchal. Nao há palavras


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