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18.5.21

Qual o mal de chamar "preta", afinal?

 


«Que o caso do take da Lusa sirva para que de uma vez se perceba que a linguagem é o princípio e o fim de tudo, o campo de batalha onde se travam todas as guerras. E que não pode haver "imparcialidade" ou sequer ingenuidade no jornalismo em termos de direitos humanos.»

«O que está aqui em causa não é pois só Hugo Godinho e o seu "preta". É o que raio se pensa que é o jornalismo. O que raio se pensa que é o racismo. O que raio se pensa que é a linguagem. Tudo, portanto.»

Fernanda Câncio no DN.
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14.5.21

Racistas, nós?

 


Uma das notícias do dia: a Agência Lusa identificou suplentes do PS a uma eleição, sendo uma pessoa identificada como "preta". Aparentemente (não fui verificar), vários jornais fizeram copy/paste sem pestanejar, agindo como robôs não inteligentes. Assim vamos, num país onde nem a sensibilidade ao racismo fez ainda o seu caminho.

(O editor de Política já pediu a demissão.)
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19.4.21

Um centenário

 


«O» jornal de muitos de nós durante décadas fez 100 anos no dia 7 de Abril.

«Se tirássemos o Diário de Lisboa do fio da história do jornalismo em Portugal, desmanchava-se a manta toda e ficávamos todos com os joelhos a bater nos cotovelos, a ver passar os navios.»
Miguel Esteves Cardoso, Público 19.04.2021
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7.4.21

Quer saber como se polariza o debate? Leia títulos de jornais

 


«A técnica do extremista político (a que por facilidade se tem chamado “populista”), num tempo em que as redes sociais contribuem para a polarização, é dizer ou escrever coisas polémicas e esperar que a indignação siga o seu caminho. Mesmo que ela seja mal fundamentada, garante atenção. As reações negativas são o seu melhor promotor. Não o tornam apenas protagonista do debate, conseguem que as coisas inaceitáveis que ele diz ganhem o estatuto de tema fraturante, centro de confronto e polémica, passando a ser ele a definir a agenda política. Até estarmos todos a discutir os temas que ele escolhe como relevantes, nos termos que ele define como oportunos e quase sempre em torno das simplificações e caricaturas que ele próprio desenha. Não falta, aliás, quem esteja disponível a corresponder ao adversário desejado, para ser a sua antítese. Porque aceita que seja o extremista a definir os termos em que se faz o confronto.

Como é que os extremistas (não confundir com radicais) descobriram esta técnica? Não descobrindo coisa alguma. Limitaram-se a aproveitar as regras impostas pela comunicação social. Não foram eles que inventaram os títulos polémicos e enganadores em busca de cliques para notícias que tinham tudo para ser sóbrias. Não foram eles que fizeram da exceção a regra, seguindo a máxima de que há notícia quando o homem morde no cão, não quando acontece o oposto. Uma coisa que fazia sentido quando não tínhamos ciclos noticiosos de 24 horas, com um matraqueamento tal que conseguimos convencer um país inteiro que a norma agora é os homens morderem os cães, ao contrário do que acontecia no passado.

Não foram os extremistas políticos que inventaram a lógica do debate prós e contras, que reduz os confrontos a dois lados contrastados e inconciliáveis. Seja qual for o tema. E já nem sequer são apenas (ou especialmente) os colunistas de extrema-direita que vivem de artigos de opinião que se esgotam nos títulos e que sugam de qualquer tema o que de mais polémico ele possa ter. E se não for polémico, o mais descarado “whataboutismo”, recurso preguiçoso de todos os preguiçosos.

É possível que qualquer pessoa que escreve e fala com frequência no espaço público já tenha cedido a esta facilidade, mas há quem faça disto carreira. E que seja aplaudido pelo “desassombro”, a “coragem”, a “frontalidade”, a “liberdade”. Ser polémico ou inaceitável, chocante ou abjeto, passou a ser uma qualidade profissional. No passado, tinha de se juntar a estes atributos uma enorme qualidade argumentativa. Assim, sim, compreendia-se a vantagem diferenciadora: defender bem o que é difícil de defender, que a maioria recusa, exige ser melhor do que os outros. Agora, não é preciso nada. Só a reação indignada. A cultura de trincheira fará o resto, com dois exércitos reativos prontos para se digladiarem em torno de pouco mais do que nada.

Leio na imprensa de referência e oiço nos espaços de comentário televisivo um enorme incómodo com a polarização da política e da sociedade. E a responsabilização das redes sociais por isso. Ou dos partidos de extrema-direita ou até “antissistémicos”. Mas foi a lógica concorrencial dos media, que pede espetáculo em vez de reflexão, grotesco em vez de inteligência, apenas ajudada pelas redes sociais, que tornou este discurso mais apetecível para quem queira ter algum sucesso mediático. Foi a comunicação social mainstream que alimentou o debate polarizado e deu valor comercial à afirmação chocante. A política veio depois.»

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23.3.21

Pontue a verdade. Se não gostar, damos-lhe outra

 


«No "Daily Telegraph", equaciona-se vincular uma parte do salário dos seus jornalistas ao número de cliques que tenham os seus artigos e ao número de assinaturas geradas. Pelo menos, o "Guardian" assim o garante, depois de ter acesso a um mail dirigido aos funcionários e ter recolhido vários testemunhos. Pelo que consegui perceber, a informação não foi totalmente confirmada pelo jornal visado. Certo é que, por dificuldades técnicas, a medida não avançará já. Mas o editor do jornal considera justo que aqueles que trazem mais leitores sejam mais bem pagos. Os jornalistas indignaram-se e levantaram objeções, esperando que seja uma ideia louca que passará. Tenho uma notícia para lhes dar: não passará. Mais tarde ou mais cedo ela vai chegar a quase todas as redações. Já é esse o espírito instalado, quando, nas redações, há painéis com tráfego online de cada notícia.

É provável que muitos jornalistas e editorialistas do "Telegraph", conotado com a direita (enquanto o "Guardian" é mais ligado à esquerda), tenham defendido esta lógica para muitas atividades. Que a produtividade deve ser medida e premiada no salário. À partida, parece justo. Todos já tivemos colegas que, fazendo pouco e esforçando-se nada, recebem o mesmo que todos os outros. E sabemos o mal que isso faz a uma organização. Todos, da esquerda à direita, valorizamos o mérito e o esforço. Mas não há nada como uma proposta destas aplicada ao jornalismo para se perceber a perversidade da lógica produtivista como ética geral do trabalho. Sobretudo a atividades que tem funções sociais, como o jornalismo, a medicina ou na academia.

Não é por acaso que jornalistas de um meio de comunicação social conotado com a direita se indignam com esta proposta, na liberal Inglaterra. Ela corresponde à destruição do jornalismo. O critério de um jornalista que recebe por cada clique não será o da verdade, muito menos num tempo em que as pessoas deixaram de a distinguir da mentira. Não será o da relevância. Quem perderá tempo a escrever sobre cultura ou assuntos internacionais? Que pobre miserável se entregará a ler e a explicar estudos ambientais? A tratar de temas complexos e aborrecidos? Mesmo que sejam os mais relevantes para o futuro de um país ou do mundo. Quem dará tempo a minorias se é a maioria que o pontua? O critério também não será o da sobriedade. Aquilo a que já assistimos em títulos de jornais, enganadores para puxarem pelo clique desprevenido, passaria a ser incontornável para o jornalista que não quisesse viver na penúria.

Hoje, muitos jornalistas são escravos de editores e diretores que abandonaram a sua fidelidade ao jornalismo para se transformarem em meros representantes do acionista na redação. Com esta proposta, passam a ser escravos dos leitores. Parece bom? É péssimo. Um jornalista que dá aos leitores o que eles querem não faz jornalismo. Não lhes conta coisas incómodas. Não segue o critério da relevância. Substitui o interesse público pelo interesse do público. O interesse público norteia o jornalismo, o interesse do público norteia o comércio.

A maioria dos jornalistas (e também dos comentadores) vive entalada entre o seu dever deontológico e social e a atividade empresarial da imprensa. Não é a única atividade em que isso acontece e isso não é, por si só, um problema incontornável. Quando empresas privadas de comunicação social deixam de procurar o lucro até nos devemos preocupar: quer dizer que os acionistas procuram comprar influência política por via do jornalismo. Como em muitas outras atividades, a regulação e a autonomia deontológica dos profissionais deveria garantir que os planos não se confundem. Os jornalistas fazem jornalismo, não são meros produtores de conteúdos.

O problema é que, de uma economia de mercado, passámos para uma sociedade de mercado. Permitimos que, em vez desse equilíbrio e dessa tensão, que exige conflito e regulação, a ética do mercado tomasse conta de todos os domínios da nossa vida. Como em todos os momentos em que a balança cai demasiado para um lado, as coisas correm mal.

Transformar cada artigo ou cada jornalista num produto torna o jornalismo inviável. Mata toda a sua ética e todo o seu propósito. E fomos nós, jornalistas, que deixámos que isto acontecesse. Assumindo que vender notícias era a nossa função. Permitindo que as administrações dos órgãos de comunicação social entrassem nas redações. Abdicando de poder e de autonomia. E assumindo guerras comerciais entre empresas de comunicação social como uma questão que nos diz respeito. Não diz. É assunto dos acionistas.

A lógica das estrelas que damos aos motoristas da Uber, que achamos excelentes por nos darem a ilusão de ser patrões, vai infetar todos os domínios da nossa vida. E vai afetar o jornalismo crítico - ou o que sobra dele. Perde-se a própria ideia de jornalismo de referência, que não pode depender de cada notícia, mas do conjunto coerente que deve ser um jornal. O jornalismo incómodo não é o jornalismo popular e populista, que simula afetar os poderes estabelecidos enquanto torna quem o lê, quem o ouve e quem o vê cada vez mais desinformado. Não é aquele que indigna o público, provocando o gesto imediato de clicar numa notícia e pontuá-la. É o que alimenta o que de menos imediato existe em nós: a inteligência. É o que faz o leitor pensar e perceber a realidade.

Quando um jornal de referência, como o "Telegraph", começa a pensar em institucionalizar no salário o clickbait, sabemos que o jornalismo incómodo vai morrer. E o jornalismo incómodo é o que incomoda o público. Porque perturba verdades feitas em vez de as confirmar. Porque faz pensar antes de reagir. Não se queixem os que, na imprensa, acham que a ética do mercado tudo resolve. Ela aí está, para ditar a verdade. Se uma verdade não vende, não interessa. Se nos incomoda, dão-nos outra.»

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8.9.20

Vicente Jorge Silva



Morreu hoje este excelente jornalista que, entre muitas outras funções, foi o primeiro director do Público. Pois este jornal não achou nada melhor para o «homenagear» do que repescar a mais polémica de todas as suas crónicas –«Geração rasca?» –, escrita em 1994, durante uma crise académica que marcou toda uma geração. Por ignorância, estupidez ou vingança? Vá lá saber-se!
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14.7.20

Que vergonha, Diário de Notícias!



O título principal do DN de hoje (online, em papel já sai apenas ao Sábado…) é este. Trata-se de uma escolha propositadamente enganadora, já que a própria notícia considera as ausências de deputados durante toda a legislatura, incluindo o período de pandemia. Ora a Assembleia da República, em linha com as recomendações da DGS, limitou o número de deputados presentes durante este período.

Aliás, no próprio artigo do DN é dito que “muitas faltas foram, na verdade, forçadas, por razões sanitárias (a lotação do plenário foi limitada por poder haver distância física entre os deputados).” E acrescenta-se ainda, em referência à sessão solene do 25 de Abril, que os deputados “não foram porque não puderam ir”.»

Vão longe com estas práticas. Depois, queixem-se…
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17.11.19

17.8.19

As graçolas da imprensa que temos



Ainda há quem se queixe do populismo nas redes sociais, mas nos órgãos de comunicação social clássicos é o que temos. 
(A segunda imagem é do Expresso, da autoria do seu director adjunto.)
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14.7.19

O Expresso, esse semanário de referência



Enviei ao Expresso a seguinte mensagem:

Exmos. Senhores,

Gosto de Palavras Cruzadas e faço as do vosso jornal desde que este existe. Quando peguei nas publicadas ontem, 13.07.2019, percebi que o paradigma tinha mudado: de simples passatempo, tinha-se passado para uma plataforma em que se permite um graçola de mau gosto sobre uma classe profissional, logo na primeira linha: 1.ENSINAM QUANDO NÃO ESTÃO EM GREVE. (Resposta certa: PROFESSORES.)
Como assinante do vosso jornal, não quero deixar de contribuir para esta vossa nova fase e proponho que, na próxima semana, incluam o seguinte: 1.SEMANÁRIO COM 46 ANOS, QUE JÁ TEVE RESPEITO PELOS SEUS LEITORES. (Resposta certa:?)

Cumprimentos
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17.6.19

«Correio da Manhã», esse arauto das verdades



«O Correio da Manhã diz que tenho um gabinete no Banco de Portugal ao lado do de Constâncio. Era giro se não fosse mentira

Afirma o Correio da Manhã, com pompa, que tenho um gabinete no Banco de Portugal ao lado do de Constâncio. O único problema é que é mentira. Não tenho nenhum gabinete no Banco de Portugal.

Sou membro do Conselho Consultivo do Banco, o que implica participar duas vezes por ano numa reunião para discutir as contas da instituição. Não recebo um cêntimo por isso. Não tenho gabinete. Não tenho acesso a serviços do Banco.

O Correio da Manhã decidiu inventar. Podia ter investigado, perguntado ao Banco, podia ter-me perguntado. Mas isso implicava publicar a verdade e não uma mentira, e uma mentira é sempre mais apetitosa.

Da próxima vez, sugiro ao diretor do Correio da Manhã que invente melhor: porque não um gabinete com suite, um motorista, um BMW e uma casa de férias paga pelo Banco?»

Francisco Louçã no Facebook
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16.2.19

João Miguel Tavares, essa sumidade



Esta sumidade, escolhida por Marcelo para presidir às festas do 10 de Junho, quer fazer de nós parvos. Dizer que um dos filhos descobriu a expressão «Berloque de Esquerda» para falar do BE, quando ela tem barbas brancas, é o mesmo que eu afirmar que tenho um neto genial que inventou ontem «Geringonça» para caracterizar a actual maioria parlamentar. Haja pachorra!
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30.1.19

Desabafo de assinante de jornais



Actualmente, assino online dois jornais portugueses: o Diário de Notícias e o Expresso. E tenho duas histórias para contar:

1 – No dia 07.10.2018, critiquei, no Facebook e na caixa de comentários do jornal, o que considerei ser mau gosto reflectido na escolha da imagem para a capa do exemplar desse dia. Horas depois, com espanto e com gosto, recebi um mail do director do jornal em questão, onde me dizia que gostava de falar comigo e pedindo-me o meu número de telefone. Enviei-lho e… silêncio até hoje.

2 – No dia 19.01.2019, o Expresso começou a distribuir uma colecção de livros sobre Gandhi, que gostava de dar aos meus netos (em papel, obviamente, e não em versão online, nem sequer partilhável). Perguntei, para quatro endereços electrónicos diferentes do jornal, o que tinham a dizer-me sobre o tema. Recebi dois minutos depois uma resposta de um jornalista do semanário, bem conhecido e director nem sei de quê, na qual me dizia que ia «ver como se pode tratar e resolver essa situação». E… silêncio até hoje.

Nenhum dos dois me conhece. Se eu fosse «importante» para qualquer deles, é óbvio que o comportamento tinha sido outro. Alguma dúvida? Mas pergunto: querem manter assim leitores e assinantes fiéis? Ou só desejam cliques em links e uns euros por mês? Continuem a usar vinagre, mas não se queixem depois se não apanharem moscas.
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26.1.19

João Miguel Tavares



Quando num semanário como o Expresso, que se diz de referência, se lê isto, julgo que estamos conversados quanto ao que nos espera em tempos «popularuchos» que se avizinham.
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13.1.19

O «Público» esgotou hoje?



Dizem-me que sim, em muitos locais onde habitualmente se acumula. Adivinhem porquê. Nobre povo, aos pés de Cristina.
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O Estado Novo era de direita?



Não ponho aqui o link, mas o texto é todo ele fantasmagórico.
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12.1.19

No jornalismo o mais importante é a informação



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Um dos problemas do jornalismo contemporâneo português é a sua pouca atenção à informação e a sua substituição pela opinião. A opinião é um elemento importante do tecido democrático que estende pelo espaço público o debate, mas não substitui a informação, o velho programa do jornalismo de “quem, o quê, quando, onde, porquê e como”. Ora o que se está a passar é uma contínua degradação da informação e, pior do que isso, da “vontade de informar”, em detrimento de uma informação opinativa, uma forma de “narrativa” que envolve subjectivamente o seu autor naquilo que relata, e o prende a uma sucessão de opiniões e a uma escassez ou deturpação de informações.

Já tenho várias vezes denunciado esse processo que se tem acentuado à medida que as redacções se tornam mais desertificadas, mais hierarquizadas e mais feudalizadas. E é um processo mais grave na imprensa de referência. Quem cobre um partido, ou uma área da cultura, ou do espectáculo, ou uma manifestação de rua, é hoje pouco mais do que um jornalista ou dois, e muito menos uma equipa, mesmo nos grandes jornais. Esse(s) jornalista(s) é (são) “especializado(s)” num assunto, o que em si é positivo, mas detêm o controlo da “narrativa” sobre esse assunto, o que é mau. Isto soma-se ao efeito do “jornalismo de rebanho” que isola as opiniões solitárias e tende a uniformizar o produto final, e a diminuir o pluralismo.

São eles também que falam com as “fontes”, muitas delas abusivamente anónimas, e com todos os problemas que essa relação tem, havendo quase sempre uma espécie de tradoff entre jornalista e "fonte". E não adianta rasgar as vestes porque toda a gente sabe que é assim, a que acresce a relação muito menos transparente com as agências de comunicação. Ainda me estão por explicar por que razão quando uma empresa, um escritório de advogados, uma consultora, paga a uma agência de comunicação consegue “colocar” as sua notícias e quem não tem ou não paga o serviço, não consegue publicar nada, independentemente do seu valor informativo. Os casos mais evidentes são as páginas especializadas, por exemplo, do jornalismo económico.

Existe jornalismo tendencioso por simpatia política, mas nem sequer é disso que estou a falar, embora o produto final possa caber nessa categoria. Um exemplo, do falhanço de informação, que neste caso não cumpriu a obrigação de informar, foi o completo desconhecimento na campanha eleitoral brasileira para as presidenciais em Portugal, de que havia uma forte simpatia a favor de Bolsonaro, que depois se revelou nas urnas. Os nossos jornais dedicaram muito mais atenção ao PT, nem sequer se interessando por um fenómeno também nacional.

Mas voltando à feudalização crescente nos jornais - o jornalista A “manda” no que se publica sobre a Europa, o B sobre a crítica de livros, o C sobre o PS, etc. - e condiciona a “narrativa” sobre essa matéria, e nesse caso acaba por ser envolvido no que escreve. Se diz que um autor ou um artista são muito bons, muito dificilmente dirá que são maus, mesmo que as suas obras futuras sejam de inferior qualidade. O mesmo se passa com a apreciação das pessoas em que factores de simpatia ou antipatia são inevitáveis e acabam por condicionar a “narrativa”.

O que acontece é que se algum facto ou actuação colocar em causa a apreciação jornalística, quem fica em causa é também o jornalista, porque algures cometeu um erro de julgamento ou de apreciação, ou porque se envolveu tanto com uma opinião pessoal ou de grupo, que não pode, consegue ou deseja sair desse casulo em que se meteu. E é por isso que as “narrativas” não mudam, porque há uma resistência psicológica à mudança, quando ela põe em causa todo um perfil, toda uma série de apreciações, toda uma sucessão de opiniões. É por isso quando alguém é bom, ou esperto, ou hábil, ou responsável, fica sempre assim, porque não são os factos que mandam, mas o julgamento opinativo do jornalista. E quem é mau, ignorante, desleixado, incompetente, fica também sempre assim, pelas mesmas razões.

Com a solidificação da “narrativa”, os factos deixam de contar porque ou são híper-valorizados para acentuar uma opinião, ou são ignorados se se tornam “factos incómodos”, porque colocam em causa a apreciação que o jornalista tem feito, nalguns casos de há muito tempo para cá. Não é difícil fazer uma lista de amizades, ódios, gostos e desgostos, em que se percebe bem demais a simpatia ou a antipatia em todas as áreas do jornalismo. Com a escassez de pessoas e o pouco trabalho de equipa, a feudalização e o mandarinato, os jornais são sucessões de opiniões com muito pouca informação por trás. No caso dos jornalistas individuais, isto pode ser psicologicamente compreensível, mas é mau jornalismo.»
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8.1.19

Não é Papa, é Pepa!



Francisco intercedeu pela vitória do Tondela? Parece que não: alguém confundiu Papa com Pepa, o treinador do clube em questão. Queridos jornais!
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21.12.18

Público 2019



No Editorial de hoje, são anunciadas algumas novidades para o ano que em breve começa, entre as quais a seguinte:

«Queremos diversificar a oferta de opinião relevante com novos colunistas. António Barreto, Luis Aguiar-Conraria, Nuno Severiano Teixeira, Paula Teixeira da Cruz e Vasco Pulido Valente passarão a escrever no Público a partir de Janeiro próximo.»

Diversificar? Com estes nomes? Em bom português: é preciso ter lata!
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