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4.10.16

04.10.2015 - Interessante efeméride: uma reunião PS / BE no dia das eleições


«Vendo-a» como o Expresso a relata:

«As conversações entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, um início de diálogo entre os dois partidos que permitiria um dos entendimentos à esquerda, começaram logo no dia das eleições legislativas de 2015, muito antes de serem contados os votos. Foi em Lisboa, na zona de Picoas, num “encontro informal” até agora mantido em segredo, que estiveram frente a frente emissários de António Costa e de Catarina Martins. O líder do PS foi representado por Fernando Medina, o presidente da Câmara da capital e membro do Secretariado socialista. Já em nome da coordenadora do BE esteve Jorge Costa, da Comissão Política do partido (horas depois seria eleito deputado e é um dos vice-presidentes da bancada).
Um terceiro homem esteve presente: Francisco Louçã, antigo coordenador do BE. Foi ele, aliás, o intermediário entre os líderes, e a quem coube depois fazer as apresentações entre Fernando Medina e Jorge Costa.» 
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27.12.15

O ano em que tudo mudou



Vale muito a pena ler o texto de São José Almeida no Público de hoje. Uma espécie de resumo da matéria, não dada mas vivida.

Excertos:

«Se há um ano lhe dissessem que Pedro Passos Coelho ganhava as eleições legislativas de 2015 e que António Costa as perderia, acreditava? E se lhe acrescentassem que Passos tomaria posse como primeiro-ministro para, passados 12 dias, cair no Parlamento perante uma moção de rejeição do programa de Governo apresentada pelo PS e aprovada com o voto favorável do BE, do PCP e do PEV, daria uma gargalhada de incredulidade? E se lhe assegurassem que horas antes da votação o PS assinou com o BE, o PCP e o PEV, acordos bilaterais, abriria a boca de espanto? E se lhe avançassem em seguida que, apesar de o PS ser o segundo partido no ranking eleitoral, Costa seria empossado primeiro-ministro e o seu programa de Governo salvo no hemiciclo pelo BE, pelo PCP e pelo PEV, da moção de rejeição apresentada pelo PSD e pelo CDS, escangalhava-se a rir?

Pois é. Sem que ninguém sequer imaginasse possível, 2015 foi um ano cheio no domínio da política e nem as mais ousadas previsões conseguiram antecipar a reviravolta que o país viveu. Uma reviravolta que não é apenas formal e reduzível a jogos partidários e parlamentares, representa um corte real com uma maneira de fazer política e uma alteração estrutural no modelo de funcionamento do sistema político português.

De um momento para outro, a forma de funcionar da política institucional mudou. Há quem atribua a viragem a uma necessidade de sobrevivência política e à fome de poder do líder do PS. Mas a facilidade com que Costa o fez indicia que houve uma ruptura mais profunda e que o secretário-geral dos socialistas apenas surfou a onda que já estava em formação. Isto é, que a radicalização à direita que representou a governação do Governo conjunto do PSD e CDS, provocou a resposta à esquerda e abriu espaço a uma mudança no PS que possibilitou o entendimento deste partido com as formações da extrema-esquerda parlamentar. (…)

Quando se viu perder eleições e apenas com 86 deputados (em 2001 tinha tido 74), Costa olhou em volta e avançou para abrir um caminho até então nunca realmente tentado, um acordo à esquerda. Mas ao nível do que é a mudança de regime não basta a disponibilidade de António Costa para fazer história, ou segundo outras análises, a sua vontade de ser poder a todo o custo. Há um factor decisivo: a disponibilidade do PCP para permitir que o PS seja Governo. (…)

Depois de ter sido ultrapassado pelo BE e pelo CDS em número de deputados, ainda que a CDU tenha ganho mais um mandato parlamentar, num total de 17, para obter os seus objectivos estratégicos, o PCP alterou a sua posição táctica e estendeu a passadeira vermelha a Costa. E até o PEV, que ocupa dois dos mandatos conquistados pela CDU ganhou o protagonismo de assinar um acordo com o PS.

Determinante para a solução de Governo do PS com apoio à esquerda no Parlamento foi a anuência do BE. Aliás, a forma como o Bloco de Esquerda deu a volta por cima é um dos acontecimentos políticos do ano. Depois de em Novembro de 2014 ter saído dividido do Congresso e com uma solução de liderança fragilizada que apostava numa direcção colegial e em manter Catarina Martins como porta-voz, o Bloco recuperou eleitoralmente, transformando-se no terceiro partido e mais que duplicando o número de deputados passando de 8 para 19. (…)

Um dos momentos em que Catarina Martins marcou pontos na campanha foi precisamente quando, no final do debate televisivo com Costa atirou para cima da mesa a garantia de que o BE apoiaria um Governo do PS mediante três condições: os socialistas deixarem cair a baixa da TSU, o congelamento e novos cortes nas pensões e prestações sociais e o regime conciliatório de cessação de contractos laborais.» 
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21.11.15

A geringonça e a avantesma



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«A caracterização do eventual governo do PS como uma “geringonça” foi feita por Vasco Pulido Valente e repetida com evidente gozo por Portas, dando o mote para vários deputados do CDS que costumam repetir o chefe. Muito bem, não me parece que haja qualquer problema em aceitar a classificação, tanto mais que ela não é tão pejorativa como eles pensam. Mas proponho outra simétrica para o governo PSD-CDS, muito menos ambígua e que não há imaginação criadora que lhe encontre qualquer sentido positivo: a avantesma. A geringonça apareceu para que não nos assombre a avantesma. (...)

O governo minoritário do centro-esquerda do PS com a apoio parlamentar do BE e do PCP ainda é uma geringonça, mas quanto mais baixas forem as expectativas mais a geringonça se pode transformar numa máquina a sério. Ou talvez não. (...)

A geringonça é um frágil meio de combater a avantesma, mas hoje não há outro para reequilibrar o sistema político puxado violentamente à direita. Talvez o melhor exemplo dessa viragem à direita esteja no número de vozes que afirmam alto e bom som que preferem um governo de gestão sabendo bem de mais os estragos que isso trará à economia, à paz civil e à legalidade democrática. É que a avantesma alimenta-se do “único”, do “não há alternativa”, do direito natural e irrevogável de governarem, para si e para os seus.

Se gosta de ser enganado, junte-se ao exército dos mortos vivos, mas não se esqueça em Janeiro de 2016 de ir lá buscar a reposição dos 35%. Sim, porque para si, nem Passos, nem Portas, nem Albuquerque, iriam fazer essa coisa socratista de mentir para ganhar eleições.

É que a avantesma, mete medo e deve meter medo. Não me canso de dizer, é perigosa, muito capaz na defesa dos seus interesses, com enormes recursos, com muitas contas a ajustar, e muitas velhas e novas mentiras para dizer.

E deve-se ser implacável com a geringonça, para que não se parta por dentro, já que por fora vai respirar ácido sulfúrico.

Ou que esperam da avantesma que é do domínio do enxofre? Sim, daquele enxofre que vem na Bíblia.» 
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19.11.15

Maquiavel e as bananas


@Pedro Vieira

«Cavaco Silva acha que a Madeira tem "uma banana maior e mais saborosa". Ao tentar transmitir um elogio, o Presidente da República depreciou um alimento único.

A qualidade única da banana da Madeira baseia-se no seu tamanho reduzido, o que a torna mais sólida quando comparada com as uniformizadas em formato XL. O político que um dia disse que "eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas" equivocou-se, mais uma vez. Nada que espante, nestes seus penosos últimos meses como PR. A política não é uma banana. Mas em Portugal parece. (...)

Cavaco parece acreditar que, como o Tio Patinhas, vivemos numa caixa-forte e a nossa piscina, em vez de água, tem dólares ou euros. É uma convicção como qualquer outra. O problema é que todas estas afirmações de Cavaco, desconexas e contraditórias, apenas servem para iludir o óbvio: temos um Governo que não governa. E o PR parece desejoso de, com a sua dilação de decisões, ir desgastando António Costa até que ele possa ser alvo fácil de todas as contradições de um acordo à esquerda.

Cavaco quer vencer pelo cansaço. Acredita que a dilação, o não fazer nada, é a táctica perfeita para domesticar António Costa. Ao contrário de Maquiavel, que recorria à eficiência, à energia política e ao espírito empreendedor, como prática política, Cavaco prefere não tomar decisões. O que, no caso, é uma decisão: favorecer Passos Coelho. Cavaco tenta ser Maquiavel: soube como alcançar o poder e está à procura de saber como há-de manter Passos Coelho no poder. É uma atitude clara: Cavaco não deseja glória, pretende eternizar o poder do seu partido. Mas a ânsia talvez lhe esteja a toldar a razão.»

Fernando Sobral

18.11.15

Que o Presidente da República deixe de fazer pouco do país


José Manuel Pureza, hoje, na AR:



«O Presidente da República foi mais rápido que a própria sombra quando se tratou de proteger o seu governo prestes a evaporar-se pela demissão irrevogável de Paulo Portas, espera-se que responsavelmente deixe de fazer pouco do país e garanta o regular funcionamento das instituições democráticas.» 
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No Sábado, ouve os sete anões

Filme mudo com legendas



«A política portuguesa, por estes dias, parece um filme de série B. Compreende-se: em tempos de austeridade, os orçamentos para contratar actores são bastantes reduzidos. É por isso que muito do que a generalidade dos dirigentes do sítio diz parece um argumento de um filme de "suspense" ou de terror.

Alguns parecem saídos de um filme "de autor". Mas, na generalidade dos casos, como começa a ser evidente no caso de Cavaco Silva, é um filme mudo com legendas. O comum português não percebe: como é que é possível, um mês e meio depois das eleições, continuarmos sem ter um Governo e o PR dizer, como se estivesse a falar do ciclo de vida das cagarras, que ele próprio esteve cinco meses em gestão. E o país não pereceu, é claro.

Compreende-se que Cavaco prefira falar de si em vez de resolver algo que é fundamental para o país, mas este nível de abstracção começa a assemelhar-se ao dos piores momentos da alucinação psicadélica dos anos 1960. O que vale é que, consciente ou não, Passos Coelho confidenciou a Van Rompuy que teremos Governo "dentro de duas semanas" para alegria de Bruxelas. Numa coisa PS e PSD parecem estar de acordo (já que tudo o resto os separa): um Governo de gestão é o pior que pode acontecer. Mas como Cavaco parece ainda sonhar com os tempos em que esteve cinco meses em gestão não se sabe se não vai optar por esse delírio. Mesmo que isso torne a AR um pandemónio, as ruas um pesadelo, com um Governo atado de pés e mãos com uma maioria parlamentar contra.

Ou seja, Cavaco ameaça com um Governo que fique a "assar" no espeto, na expressão feliz de Passos Coelho. Mesmo que o país fique "torrado" por causa disso.»

Fernando Sobral

17.11.15

Sem pachorra...


António Costa almoçou ontem com um grupo de banqueiros, Cavaco Silva recebe-os amanhã, um a um. Eles, os banqueiros, que tão bem se têm comportado, serão certamente excelentes conselheiros e saberão o que é melhor para o nosso futuro. 
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15.11.15

Agenda de Cavaco


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Porque estamos em 2015



«Questionado porque escolheu tantas mulheres para o seu Governo, Justin Trudeau, recentemente eleito primeiro-ministro do Canadá, respondeu: porque estamos em 2015.

O mesmo se pode dizer do acordo à esquerda. O que durante muito tempo foi impensável hoje é não só possível como desejável. Fez-se. Porque estamos em 2015.

A direita não percebeu isto. Não percebeu a mudança sociológica que ela própria operou com a sua política brutal. Não percebeu que a sua política se tornou insuportável para uma maioria dos portugueses. (...)

Portugal mudou muito nestes últimos dias. A primeira consequência desta mudança é o regresso em força da política. Nos últimos anos fomos dominados pela tirania dos mercados. As pessoas, a sociedade no seu conjunto, a própria soberania do país, foram totalmente desvalorizadas. Interessava acima de tudo agradar aos mercados. Como se Portugal fosse uma espécie de apartado, um "offshore" deserto, sem gente. Com a esquerda recolocam-se as pessoas no centro da actividade política. As suas expectativas, os seus direitos, a ambição de vida melhor.

O regresso da política trouxe também consigo uma nova dignidade para o Parlamento. Desacreditado pela irrelevância que a maioria absoluta da direita lhe conferiu, volta agora a ser o centro do debate político e partidário. Os portugueses vão seguir com maior atenção o que se passa no Parlamento. Porque é das suas vidas que ali se trata. Vamos perceber o que está em causa, as dificuldades de se chegar a consensos, o que pode e não pode ser feito a cada momento.

Mais política significa menos espaço para os simplismos económicos, para os humores dos mercados, para a submissão a poderes não democráticos e alguns antidemocráticos, nomeadamente quando se trata de ingerência num país soberano.

Mais política anima a conversa no campo da esquerda precisamente porque é essa a sua natureza. Não será uma conversa fácil, algumas vezes tornar-se-á conflituosa, mas ao contrário do que por aí se diz também não será tão mau assim. Como é hábito, a direita, sem outros argumentos, acena com o medo. Os perigos do radicalismo à esquerda, a catástrofe económica que aí vem, mas acima de tudo a ideia de que o PS fica nas mãos do PC e do Bloco. É ridículo, nem sequer faz sentido. (...)

Insisto. A direita pode continuar com o choradinho da derrota e com os prenúncios da desgraça. Mas não lhe valerá de muito. A política da esquerda será incomparavelmente mais excitante.»

Leonel Moura
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