Mostrar mensagens com a etiqueta madeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta madeira. Mostrar todas as mensagens

25.3.19

Nem serve para criar um posto de trabalho?



«Percebo o incómodo do Governo com a investigação da União Europeia à Zona Franca da Madeira. O Governo poderá porventura desconfiar, depois de tantas provas provadas de que assim é, de que Portugal é tratado com um sócio menor, que até serve para efeitos de demonstração, se não mesmo de fingimento de que a Comissão aplica com rigor o controlo das regras sobre a insularidade ou controlo das ajudas de Estado. Esta investigação, de que foi divulgado um projeto de relatório ainda não concluído, serviria assim como biombo de sala para que nada acontecesse nas zonas fiscalmente privilegiadas, a começar pelos mais poderosos offshores (e inshores) da Europa, como os das ilhas de Sua Majestade Britânica ou o Luxemburgo, do presidente Juncker, que ficou esquecido depois de ter sido apanhado num escândalo de colaboração com multinacionais para a fuga aos impostos.

O problema é que, mesmo que essa razão de queixa exista, a diplomacia portuguesa se foi treinando desde sempre na pose do “bom aluno”, aquela atitude que oscila entre a subserviência quando o professor olha para nós e o apoio entusiástico a tudo o que nos pode prejudicar ao longo do tempo. O Parlamento português, com um entendimento entre Passos Coelho, Portas e o então secretário-geral do PS, correu para ser o primeiro a aprovar o Tratado Orçamental, que, seis anos mais tarde, se aceita que não deve entrar no acervo legislativo comunitário por ser um conjunto de regras tão disparatadas como danosas — mas continuará em vigor. Pior ainda com a União Bancária, um machado sobre a cabeça dos sistemas bancários, que a breve trecho se vai traduzir na pressão para uma concentração que atingirá o que sobra da rede nacional. É sempre tudo assim, dá-se o passo errado e depois o Governo queixa-se de que era escusado. Por isso, é difícil de admitir que o Governo, este ou outro, se possa lamuriar de que este processo é um instrumento para uma exibição da Comissão, atingindo um país periférico por saber que este só protestará baixinho.

Mas nem um só empregado?

Ainda assim, para que o Governo se queixasse, era preciso que tivesse razão e que o processo movido pela Comissão não tivesse fundamento. O problema é que as duas críticas da Comissão à gestão da Zona Franca da Madeira são essencialmente corretas. A primeira é que não está provado que os rendimentos declarados por algumas das empresas registadas, para efeitos do benefício fiscal exorbitante de que beneficiam (5% de IRC), sejam gerados na economia madeirense ou sequer em algum lugar de Portugal. A segunda crítica é que não é aplicado o critério de verificação mais elementar que foi concebido, que é que estas empresas tenham pelo menos um empregado a residir e a trabalhar na região onde as empresas fingem que produzem estas vendas. Pois muitas destas empresas não têm nem produção nem empregados na Madeira, são puros fantasmas.

Por isso, a resposta encabulada do Governo às questões da Comissão (ou pelo menos à comunicação social acerca das questões da Comissão), que a função da Zona Franca não é criar emprego, é uma espécie de meia-confissão. Admita-se que a verdade arreliante é que o objetivo não é criar emprego, mas todos no governo justificaram sempre a continuidade do benefício fiscal, que chegou a determinar perdas de receitas em IRC orçamentadas oficialmente em cerca de mil milhões de euros, precisamente com a vantagem da criação de emprego numa zona ultraperiférica. E, além disso, fixaram legalmente esse meio de verificação, que era a obrigação de cada empresa ter pelo menos um empregado. Será que o Governo nos está a dizer que as regras legais são assim-assim e podem não ser cumpridas se convier a cada empresa?

Superempregados

João Pedro Martins publicou várias investigações sobre estas listas de empresas, muito antes de a atenção mundial ser iluminada pelos “Panama Papers” e por outros escândalos. No seu “Suite 605”, um livro de 2011, conta, entre outras, a história de um escritório de 102 metros quadrados na Avenida Arriaga, número 77, no centro do Funchal, e por onde passaram ou se estabelecem cerca de mil empresas. Ninguém então abria a porta ou atendia o telefone. Era um centro fantasma. Evidentemente, não estavam lá os mil trabalhadores, e com vantagem para a sua saúde, ficariam muito apertados em 10 centímetros quadrados para cada pessoa. De facto, o investigador encontrou na Zona Franca casos de dois homens que eram apresentados como gestores de oitocentas empresas.

E se há algumas empresas na zona franca industrial e que, produzindo localmente, cumprirão a regra legal, as que registam maiores vendas e lucros não existem na região. Beneficiam ilegalmente do IRC privilegiado. Fazem batota e toda a gente sabe.

O maior exportador português

Em 2008, era então deputado, apresentei num debate com o primeiro-ministro o caso de um gigante que era a maior empresa mundial de produção de alumínio, a Rusal, que tinha registado uma empresa no Funchal, a Wainfleet. A Wainfleet tinha sido em 2007 a maior exportadora portuguesa, registando vendas de três mil milhões de euros, quase o dobro do que a Autoeuropa produziu e vendeu nesse mesmo ano. Só que a Autoeuropa faz mesmo os automóveis, ao passo que a Wainfleet nunca produziu um átomo de alumínio na Madeira. Era tudo falso. Mas a empresa, declarando na região uma parte dos lucros da sua operação planetária, não tinha pago um cêntimo de imposto em 2005, em 2006 e em 2007.

Acresce que, para tornar a história mais picante, o dono da Rusal e da Wainfleet, Oleg Deripaska, tinha sido acusado de cumplicidade com a máfia russa na luta pelo controlo do sector e, em nome dessa suspeita, estava desde 1998 proibido de entrar nos Estados Unidos, onde corria uma investigação. Ao contrário de outras empresas na zona franca do Funchal, no entanto, a Wainfleet tinha quatro empregados na região. Seriam porventura os trabalhadores mais produtivos do mundo, dado que eram responsáveis pelo registo de vendas na ordem dos três mil milhões de euros. Já com as declarações fiscais não tinham muito trabalho, a empresa não pagava nada.

Esta história acaba bem, não tanto para a Madeira, pois a Wainfleet foi-se embora e a região perdeu os zero euros de IRC que recebia da multinacional. Mas termina bem para Deripaska, que continuou sancionado pelas autoridades norte-americanas até que Trump, em nome das boas relações e, ao que diz a imprensa de Washington depois de um pedido pessoal de Putin, decidiu há poucas semanas levantar as sanções contra o milionário, que já tinha contratado um ex-ministro conservador britânico, um lorde distintíssimo, para gerir o seu negócio, bem como tinha pago generosamente os serviços de um ex-candidato presidencial e republicano norte-americano.

O mundo das zonas fiscais especiais é um espetáculo e Portugal escusava de ser submetido a este vexame.»

.

5.10.18

Ronaldo?



Tivesse a FLAMA (Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira) declarado a independência da ilha nos idos de 70 e TVs e, sobretudo, redes sociais portuguesas tinham perdido 2/3 do seu conteúdo nas últimas 48h.
.

28.3.17

A mula da cooperativa


Esta não me sai hoje da cabeça. E por que raio é que passou a ser obrigatório dar nome de gente a aeroportos?


.

3.9.14

Nem animais, nem jornalistas



Quando eu era estudante na velha universidade de Lovaina, vários cafés da cidade exibiam um proibitivo aviso: «Ni chiens, ni soldats». Sempre me fez impressão a aparente equivalência entre os dois tipos de seres vivos, mas enfim... 

Décadas depois, mudaram-se os tempos mas não urbi et orbi, já que nas sedes do PSD Madeira haverá certamente cartazes semelhantes: «Nem animais, nem jornalistas»

Além disso, segundo o Público, também só podem passar o limiar da porta das ditas sedes militantes do PSD, é proibido «comer, beber ou fumar no interior» (nem beber um copito de água?) e não será permitido «qualquer comportamento que afecte o normal decurso de um evento, o seu usufruto pela assistência ou que viole a integridade de pessoas ou bens». 

Não sei se são os ares do Atlântico que levam estes madeirenses a tanta fúria autoritária e esperemos que não cheguem, enquanto estão no poder, a proibir ajuntamentos de mais de três pessoas, a restaurar a licença para uso de isqueiros ou a multa de 2$50 para os peões que atravessarem ruas fora das passadeiras. Serão apeados antes disso – assim o esperamos. 
.

30.7.14

Os nossos encapuzados



Quem sou eu para não levar a sério a justeza das razões da passagem do Partido da Nova Democracia (PND) à «clandestinidade revolucionária» (notícia e vídeo aqui), mas, ao ver isto, é impossível não recuar umas décadas e recordar os SUV (Soldados Unidos Vencerão), em 1975, ou mesmo as FP25 de Abril, dez anos mais tarde.

SUV, Porto, 6 de Outubro de 1975:



FP25, 11 de Dezembro de 1985:



Em termos de encapuzados da nossa história recente, julgo que estamos conversados. Mas qualquer semelhança entre o PND e os outros dois casos só coincide no uso de capuzes. 
.

11.10.11

10.10.11

Quem empresta uns óculos?


Um dos episódios mais patéticos do serão de ontem foi certamente o discurso de vitória de Alberto João Jardim. Em zapping pelos diferentes canais de televisão (que, uma vez mais, pretenderam demonstrar a tese de que, em Portugal, não há mais do que 15 ou 20 pessoas aptas para tudo comentarem, da política à crise financeira, passando obviamente pelo futebol), esbarrei com Marcelo Rebelo de Sousa que, contristado para português ver, confessou ter ficado com pena do seu amigo em noite de vitória pírrica: o simbolismo da falta de óculos impressionou-o...

Mas hoje, no DN, Ferreira Fernandes, ironiza e explica:

Falta de lentes aumenta buraco
Para ontem estava marcado o fim da campanha "Quem Empresta uns Óculos a Jardim?", que tem decorrido há vários dias na Madeira. O conhecido animador da campanha, Alberto João, como bom profissional que é, apresentou-se dentro do espírito da coisa: pólo escuro, o pouco do cabelo desgrenhado e umas folhitas escritas à mão. Enfim, com ar de quem pede óculos emprestados. E sem mais delongas, lançou o mote: "Quem me empresta uns óculos?" Pergunta aparentemente banal mas que ocasionou um dos minutos mais dramáticos da história política nacional: arrastaram-se segundos e segundos, sem que alguém se prestasse a ajudar. Um minuto! E por uns simples óculos, que nem eram pedidos, mas emprestados, e a um idoso de cara simpática... O crédito da Madeira anda ainda mais baixo do que se pensava. Enfim, alguém lhe estendeu um par, manhoso, daqueles com uma fitinha entre as hastes. Alberto João Jardim ainda os pôs, mas num assomo de orgulho, devolveu-os. Atirou-se, então, à tarefa de ler as folhas manuscritas. Lembro: ele, que nos tem maravilhado com as palavras mais soltas e afiadas da política nacional. Mas sem crédito nem para óculos, soletrou, engasgou-se, por três vezes cometeu o erro que noutros tempos nunca faria, sublinhou uma fraqueza: "Desculpem-me, estou sem óculos..." E calou-se. Dizem os números, 25 deputados, que Jardim vai poder governar sozinho. Mas nós vimos, ontem: sem que lhe emprestem, Jardim já não pode governar sozinho.
.

3.9.11

Tempo de Antena

.


(Via Paulo Coimbra no Facebook, com a seguinte informação: «O vídeo do tempo de antena que a CNE proibiu o Tribunal Constitucional permitiu.»
.

22.8.11

Escrito nas estrelas


«Ponhamos, portanto, reformas e salários de miséria de molho. Não tardará que o Governo "liderado pelo PSD" venha buscar o que resta do subsídio de Natal ou aumente outra vez os transportes ou o IVA da electricidade e do gás, pois o Carnaval orçamental madeirense precisa de "liquidez" e, com crise ou sem crise, "the show must go on".»

Manuel António Pina
.

6.7.11

Teúda e manteúda


«"Um BPP à deriva": a metáfora do que é hoje a Madeira para o país e para a arruinada parte do país que é o OE é de um comentador anónimo do 'post' com o título de "Quantos 13ºs meses vale a Madeira?" publicado em http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com a propósito do livro em que o actual ministro da Economia analisa a chantagem independentista regularmente brandida (o homem não tem propriamente uma imaginação prodigiosa) por Jardim sempre que se prepara para ir de novo ao bolso dos otários do "cont'nente".

Segundo Álvaro Santos Pereira, o problema que teria uma Madeira independente seria o dos seus "défices gémeos": défice orçamental ("receitas dos impostos [que] não chegam para pagar as despesas do Estado") mais défice externo ("importações muito mais elevadas do que as exportações").

Isto é, a Madeira nem tem receitas próprias para se financiar nem tem com que pagar o que compra no exterior e precisará sempre de ser a teúda e manteúda de um velhinho qualquer, seja de um que lhe ache graça seja, como no caso presente, de um que se sinta sentimentalmente obrigado a pagar-lhe as extravagâncias e noitadas (como, por algum motivo singular, tem acontecido também com BPP e BPN).

Por isso, Jardim não tem outro remédio senão continuar a suportar os casamentos gay ("Se há casamentos gay pode haver quem pense na independência", ameaça ele), por mais bandeiras da FLAMA, ou lá o que for, que agite.»

Manuel António Pina, hoje no JN.

P.S. – Mais uma excelente crónica de MAP, mas sou honesta: hoje reproduzi-a, sobretudo, por constatar que o meu cronista preferido continua a passar por esta casa e, até, a entrar na Caixa de Comentários
.

4.7.11

Quantos 13.os meses vale a Madeira?


Álvaro diz que «se a Madeira quiser, um dia poderá tornar-se independente», Jardim insiste na chantagem. Sempre achei que seria uma excelente ideia, com a condição de ser recusado a Alberto João o visto para entrar no «cotinente».

Mas o mundo mudou e, em tempo de guerra, não se limpam armas nem jóias da coroa. Há certamente 10.354 russos e 1.232.121 chineses interessados em comprar «a pérola do Atlântico», faça-se constar que Passos Coelho segue as possíveis pisadas de Papandreou e de Berlusconi e livramo-nos, por uns tempos, de prazos das troikas e de pesadelos germânicos.

Pagodes manhosos espalhados pelas encostas? Uma réplica da Praça Vermelha no Funchal? Who cares! Muitos madeirenses, certamente, mas acolheríamos de braços abertos os que não quisessem lá ficar.

Para chantagem, chantagem e meia. Álvaro: please!
.