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22.2.19

Arnaldo Matos e «O Tempo e o Modo»



Morreu hoje e sucedem-se obituários, na sua maioria objectivos, mas com excepções jocosas ou nojentas de quem não é capaz de distância e de decência perante o desaparecimento de alguém que, à sua maneira, foi um grande lutador.

Cruzei-me com Arnaldo Matos durante o marcelismo na cidade universitária de Lisboa, quando eu dava aulas em Letras e ele aguerridamente imperava em Direito, do outro lado do relvado, com lutas épicas nomeadamente durante a greve de 1969.

Mas foi na revista «O Tempo e o Modo», na fase de sobreposição entre duas redacções, que conheci elementos do MRPP e que fiquei amiga de alguns até hoje. Mais tarde, a vida aproximou-me de muitos que lutaram nesse partido durante a ditadura, que dele foram saindo e que nunca largaram a esquerda, nem perderam uma marca aguerrida que muito aprecio. Há outros dos quais também reza a história, mas que não é a minha.

Regressando a «O Tempo e o Modo», tinha no meu baú quatro pequenos vídeos muito interessantes, divulgados em 2009, nos quais Arnaldo Matos fala de factos e ambientes do marcelismo e dos primeiros anos da democracia. Repesco-os hoje. 
(Foram tirados de um DVD lançado pela Fundação Mário Soares, Centro Nacional de Cultura e Centro de História da Cultura da FCSH-UNL.)







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12.10.17

12.10.1972 - O dia em que a PIDE assassinou Ribeiro dos Santos



No dia 12 de Outubro de 1972, a PIDE assassinou José António Ribeiro Santos, militante do MRPP.

Quando ia realizar-se um «meeting contra a repressão» em Económicas, gerou-se uma confusão quando foi identificado, junto das instalações da Associação de Estudantes, um desconhecido que analisava cartazes e tomava apontamentos. Seguiu-se uma série de episódios, resumida por Jorge Costa em texto publicado há alguns anos e mais tarde retomado, que culminou em disparos de revólver por um agente da PIDE – António Gomes da Rocha –, que mataram Ribeiro dos Santos e feriram José Lamego, também ele militante do MRPP (que esteve internado sob prisão no Hospital de S. José, até ser levado para Caxias e aí ser sujeito à tortura do sono).

O assassinato de Ribeiro dos Santos despoletou uma grande reacção em todo o movimento estudantil e marcou-o até ao 25 de Abril. Ainda na noite do dia 12, foi tomada em plenário de estudantes a decisão de paralisar a universidade para permitir a participação no funeral. Este deu lugar a uma forte carga policial, à saída da casa dos pais de Ribeiro dos Santos, perto da igreja de Santos, com a polícia a impedir que os colegas carregassem-se a urna, a pé, até ao cemitério da Ajuda. Houve feridos, algumas detenções e os distúrbios continuaram mais tarde pela cidade.

O que se seguiu? Cito Jorge Costa: «Nos dias seguintes, a universidade está parada. Face ao crescendo de manifestações, são emitidos mandados de captura contra os quatro primeiros dirigentes da AE de Ciências e da direcção cessante da AEIST. Alguns conseguem escapar e permanecer na sombra. Os plenários de 19 e 20 de Outubro são impedidos e toda a cidade se encontra super-policiada. A DGS realiza buscas nas casas de dirigentes associativos e muitos são levados para Caxias. Em Novembro, multiplicam-se as greves estudantis. Para impedir a agitação contínua, Sales Luís encerra o Técnico. Farmácia e Letras também fecham. Muitos dos estudantes suspensos são incorporados no exército colonial. Há muitos estudantes do ensino secundário entre os presos, em Lisboa e no Porto (...). No final de 1972, os estudantes estão em todas as batalhas da "quarta frente" da guerra que condena a ditadura.»
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15.12.15

Ninguém há-de calar a voz do MRPP



Confesso que não estava psicologicamente preparada para ler textos como este, escrito pelo grande educador do início dos anos 70, Arnaldo Matos, a propósito dos acontecimentos de Paris.


Um «cheirinho»:

«E atenção: não só não foi um massacre, como foi um acto legítimo de guerra; não foi cometido por islamitas, mas por jiadistas, isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês; e acima de tudo – coisa que estes revisionistas de pacotilha intentam ocultar – foi praticado por franceses, nascidos em França, vivendo em São Dinis e noutros bairros do Paris suburbano. (...)

Os atacantes de Paris nem chocolates roubaram: levaram a guerra aos franceses, apenas para acordá-los: para lembrar-lhes que o governo e as forças armadas do imperialismo francês estão, em nome da França e dos franceses que julgam ter o direito de se poderem divertir impunemente no Bataclan, a matar, a massacrar, a aterrorizar com crueldade inenarrável os povos do mundo.»
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12.10.14

Ribeiro dos Santos – assassinado há 42 anos



No dia 12 de Outubro de 1972, a PIDE assassinou José António Ribeiro Santos, militante do MRPP.

Quando ia realizar-se um «meeting contra a repressão» em Económicas, gerou-se uma confusão quando foi identificado, junto das instalações da Associação de Estudantes, um desconhecido que analisava cartazes e tomava apontamentos. Seguiu-se uma série de episódios, resumida por Jorge Costa em texto publicado há alguns anos e agora retomado, que culminou em disparos de revólver por um agente da PIDE – António Gomes da Rocha –, que mataram Ribeiro dos Santos e feriram José Lamego, também ele militante do MRPP (que esteve internado sob prisão no Hospital de S. José, até ser levado para Caxias e aí ser sujeito à tortura do sono).

O assassinato de Ribeiro dos Santos despoletou uma grande reacção em todo o movimento estudantil e marcou-o até ao 25 de Abril. Ainda na noite do dia 12, foi tomada em plenário de estudantes a decisão de paralisar a universidade para permitir a participação no funeral. Este deu lugar a uma forte carga policial, à saída da casa dos pais de Ribeiro dos Santos, perto da igreja de Santos, com a polícia a impedir que os colegas carregassem-se a urna, a pé, até ao cemitério da Ajuda. Houve feridos, algumas detenções e os distúrbios continuaram mais tarde pela cidade.

O que se seguiu? Cito Jorge Costa: «Nos dias seguintes, a universidade está parada. Face ao crescendo de manifestações, são emitidos mandados de captura contra os quatro primeiros dirigentes da AE de Ciências e da direcção cessante da AEIST. Alguns conseguem escapar e permanecer na sombra. Os plenários de 19 e 20 de Outubro são impedidos e toda a cidade se encontra super-policiada. A DGS realiza buscas nas casas de dirigentes associativos e muitos são levados para Caxias. Em Novembro, multiplicam-se as greves estudantis. Para impedir a agitação contínua, Sales Luís encerra o Técnico. Farmácia e Letras também fecham. Muitos dos estudantes suspensos são incorporados no exército colonial. Há muitos estudantes do ensino secundário entre os presos, em Lisboa e no Porto (...). No final de 1972, os estudantes estão em todas as batalhas da "quarta frente" da guerra que condena a ditadura.»
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P.S. – A partir desta página do PCTP/MRPP, tem-se acesso a um conjunto de textos sobre Ribeiro dos Santos e o seu assassinato. 
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31.1.12

Política na parede


O Pedro Correia diz-me que anda por Lisboa à procura de Política na parede e eu apresso-me a oferecer-lhe esta «peça» antes que ele a descubra.

P.S. – A foto foi tirada por Jorge Pires da Conceição e o muro ainda existe (julgo que perto da Estrada da Luz, em Lisboa).
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18.9.10

O MRPP tem 40 anos


No dia em que o MRPP comemora o seu 40º aniversário, divulgo uma faceta pouco conhecida da actividade de muitos dos seus primeiros dirigentes, desde o fim da década de 60 (mesmo antes da fundação formal daquele partido, portanto) até 1977: a participação na revista «O Tempo e o Modo», primeiro em colaboração com um grupo de católicos, depois autonomamente.

Ela é descrita numa apresentação de Arnaldo Matos, incluída num DVD lançado em 2009 pela Fundação Mário Soares, Centro Nacional de Cultura e Centro de História da Cultura da FCSH-UNL, muito interessante para quem queira conhecer, ou recordar, factos e ambientes do marcelismo e dos primeiros anos da democracia.






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