Morreu hoje e sucedem-se obituários, na sua maioria objectivos, mas com excepções jocosas ou nojentas de quem não é capaz de distância e de decência perante o desaparecimento de alguém que, à sua maneira, foi um grande lutador.
Cruzei-me com Arnaldo Matos durante o marcelismo na cidade universitária de Lisboa, quando eu dava aulas em Letras e ele aguerridamente imperava em Direito, do outro lado do relvado, com lutas épicas nomeadamente durante a greve de 1969.
Mas foi na revista «O Tempo e o Modo», na fase de sobreposição entre duas redacções, que conheci elementos do MRPP e que fiquei amiga de alguns até hoje. Mais tarde, a vida aproximou-me de muitos que lutaram nesse partido durante a ditadura, que dele foram saindo e que nunca largaram a esquerda, nem perderam uma marca aguerrida que muito aprecio. Há outros dos quais também reza a história, mas que não é a minha.
Regressando a «O Tempo e o Modo», tinha no meu baú quatro pequenos vídeos muito interessantes, divulgados em 2009, nos quais Arnaldo Matos fala de factos e ambientes do marcelismo e dos primeiros anos da democracia. Repesco-os hoje.
(Foram tirados de um DVD lançado pela Fundação Mário Soares, Centro Nacional de Cultura e Centro de História da Cultura da FCSH-UNL.)
















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