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19.7.18

Nicarágua: desgraçado povo!



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17.3.14

15.3.14

As Cidades e as Praças (54)



Praça da Independência (Granada, 2014)




 
(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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6.3.14

Granada, «La Gran Sultana»



Granada foi a minha última paragem na Nicarágua e valeu bem a pena porque é uma bela cidade que pouco fica a perder na comparação com Antígua, na Guatemala.

Fundada em 1524, tal como Léon, mantém-se no mesmo local até hoje, ao contrário do que aconteceu à sua rival de sempre. No sopé do Vulcão Mombacho e à beira do grande Lago Cocibolca (ou Lago da Nicarágua), com acesso através deste e do Rio San Juan ao Mar das Caraíbas, Granada depressa se tornou um importante centro de comércio e alvo de ataques de piratas e não só, tendo sido queimada cinco vezes.

Tem hoje uma belíssima praça central, cheia de vida e de cor, dominada por uma grande catedral e rodeada por uma série de edifícios lindíssimos, muitas igrejas, ruas e ruas com casas ousadamente coloridas, muitas delas com pátios andaluzes.

É já procurada por muitos turistas e estou certa de que, em breve, veremos o seu nome incluído em listas de destinos a não perder. Há casas para vender e para alugar, a vida é barata, a comida óptima. Tivessem os nicaraguenses a iniciativa de oferecer uns vistos, que nem precisavam de ser «gold» mas apenas mais ou menos prateados, e atrairiam europeus desfalcados em busca de locais agradáveis para viver de reformas encolhidas. Os futuros passam por terras como esta. 








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5.3.14

Vulcões e mais vulcões



Há quase duas semanas que ando por dois países onde se avistam vulcões dia sim, dia sim. Leio agora que, no passado Sábado, o Pacaya, um dos três vulcões activos na Guatemala, teve uma forte explosão, lançando depois lava e cinzas com gravidade suficiente para levar à evacuação de alguns milhares de pessoas. Pacaya fica muito perto de Antígua e eu estava lá nesse dia, mas não vi nem ouvi nada…

Mas é na Nicarágua que mais se sente a presença vulcânica. Há neste país 22 vulcões, que fazem parte do chamado «Cinturão de Fogo do Pacífico», e estive hoje em Massaya, entre Manágua e Granada, onde existem dois, um com duas crateras e outro com três, estando uma destas activa (como se vê pelos fumos nas duas últimas fotografias e no vídeo). Aqui, as erupções mais graves deram-se em 1670 e e 1772, mas continuam a acontecer frequentemente embora em menor escala. Fazem parte da vida dos nicaragueneses e tornam-na ainda mais difícil do que ela seria sem eles.

Guatemala e Nicarágua:








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4.3.14

Léon – versão 1 e versão 2



Como já referi anteriormente, a verdadeira colonização espanhola da actual Nicarágua teve início em 1524, com a fundação de Léon e de Granada.

Mas quando se fala hoje de Léon, onde estou desde ontem, não é da cidade fundada por Francisco Hernández de Córdoba, que se trata. Essa chamava-se Santiago de los Caballeros de Léon e a actual, situada a 30 quilómetros da primeira, é Léon Santiago de los Caballeros .A cidade primitiva (ver ruínas no vídeo) encontrava-se numa região especialmente vulcânica e sísmica e, após um terramoto que teve lugar em 1610 e que a arrasou, foi decidido criar uma outra, de raiz, numa localização menos perigosa.

A «nova» Léon é bem mais agradável do que Manágua, embora também pobre, tem muito movimento, muitas igrejas herdadas da colonização espanhola, com especial relevo para a Catedral (Insigne y Real Basílica Catedral de la Asunción de la Bienaventurada Virgen María), situada na grande praça central. É nessa praça que se encontra também o Palácio Tridentino, onde funcionou a primeira universidade fundada em 1813. Estão sepultados na catedral vários poetas (Léon orgulha-se especialmente dos seus), entre os quais o mítico Rúben Dario.

Para hoje nova etapa: irei até Granada.



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O «Chaimite» da Nicarágua



Léon foi a primeira cidade a libertar-se da ditadura da era Samoza.

Numa antiga cadeia, primeiro destinada a detidos por crimes comuns e depois também a presos políticos, hoje transformada em museu (Museo de Leyendas y Tradiciones), está guardado um tanque considerado como símbolo da revolução sandinista que teve início em 19 de Julho de 1979. Foi tirado à própria Guarda Nacional e usado para combates nas ruas de Léon. (Explicações nas duas fotos que se seguem. Clicar para ler.)



No pátio da cadeia, vêem-se tanques com água que eram usados para tortura dos presos.


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3.3.14

Manágua (Mana-ahuac = cercada de água)



Já que atravessei um oceano para vir à Guatemala, aproveito para conhecer um pouco alguns dos seus vizinhos e passarei os próximos dias aqui, na Nicarágua. Com o Mar das Caraíbas de um lado e o Pacífico do outro, este é o maior país da América Central mas também um dos mais pobres.

Os vestígios mais antigos de humanos têm 6.000 anos e os primeiros contactos com europeus deram-se em 1502, quando Cristóvão Colombo navegou pela costa caribenha. Mas a verdadeira colonização espanhola, liderada por Francisco Hernández de Córdoba, teve início em 1524 com a fundação de Léon e de Granada. A Nicarágua deixou de estar sob a alçada da Espanha em 1821, fez parte do México durante algum tempo e alcançou a independência total em 1838.

Quanto aos tempos mais recentes, poderia estar aqui horas a resumir o que entretanto reli, e hoje ouvi, sobre a era Somoza e Sandino, a ditadura de mais de 40 anos, que terminou com o arrancar da revolução em 19 de Juho de 1979, o fim desta com as eleições de 25 de Abril de 1990, das quais Violeta Chamorro saiu presidente. Mas os factos são recentes e relativamente conhecidos.

Manágua, onde estou, é uma cidade onde tudo isto está presente a cada esquina (e também Hugo Chávez, Salvador Allende, etc., etc.). Nasceu tarde (1852), e apenas porque as permanentes guerras entre Léon e Granada forçaram a criação de uma outra capital, foi destruída por mais de um terramoto e é agora relativamente desarrumada, longe de ser bonita, mas hoje, Domingo, com multidões, tipicamente barulhentas, junto ao grande lago onde é possível ter alguma sensação de frescura, apesar dos mais de 30º C e nem sei quantos de humidade…

Tento apreender semelhanças e diferenças entre países e povos e continuo a verificar, nas grandes linhas e nos detalhes, que há duas Américas Latinas, a do Sul e a Central, bem distintas, por mil razões mas sobretudo por uma: a permanente tentativa de tutela dos Estados Unidos em relação à segunda, consentida ou combatida ao longo de séculos – e que se vai mantendo, apesar de todas as crises ou em parte por causa delas.





Tanque oferecido por Mussolini a Anastasio Somoza:


Praça da Revolução e Palácio da Cultura:




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