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8.10.20

Glück… Glück… Glück…



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13.10.19

Finalmente o Nobel para quem fez a paz



«Abiy Ahmed venceu o Nobel da Paz e, no entanto, o seu rosto era o mais difícil de reconhecer entre os quatro que muitos jornais, incluindo o DN, publicaram nos dias como fazendo parte dos favoritos ao prémio da Academia norueguesa. Tanto Greta Thunberg como Jacinda Arden e Donald Trump têm tido mais destaque mediático do que o primeiro-ministro da Etiópia, e sobretudo a jovem ecologista sueca parecia bem lançada para bater a paquistanesa Malala Yousafzai como a mais jovem galardoada de sempre.

Mas para premiar quem fez a paz então dificilmente se encontrará outro tão justo nos últimos anos. Chegado ao poder em 2018, Ahmed pôs fim à guerra intermitente com a Eritreia, que se separou da Etiópia em 1993 de forma pacífica mas cinco anos depois se envolveu num conflito com o vizinho. Não só se evitou assim o acumular de milhares e milhares de mortos em combate, como se libertaram verbas que vão salvar muitas mais vidas em ambos os países se bem aplicadas, por exemplo, no sistema de saúde. A mortalidade infantil na Etiópia é 51 por mil, na Eritreia 46 por mil. E em termos desenvolvimento humano estas duas nações do Corno de África andam perto dos últimos lugares (173.º e 179.º).

Ahmed merece também o prémio porque neste ano e meio como presidente tem mudado a sua Etiópia para melhor. O único país de África que nunca foi colonizado - apesar das duas tentativas italianas - é um colosso de 105 milhões de habitantes repartidos em múltiplas etnias, e cada vez mais dividido entre cristãos e muçulmanos, com um potencial enorme de desenvolvimento, inclusive na agricultura.

Nós, portugueses, cedo estabelecemos relações com os etíopes e ajudámos mesmo os imperadores a salvar o país da conquista por exércitos muçulmanos. Pêro da Covilhã lá viveu grande parte da vida a representar os reis de Portugal e um filho de Vasco da Gama, Cristóvão, morreu no século XVI na defesa do que se dizia ser o reino do mítico de Prestes João. Dessa relação privilegiada restam vestígios arquitetónicos, desde palácios a fortalezas e pontes ainda hoje reconhecidos como portugueses.

Mas se as elites pertencem ainda em boa medida à igreja copta, o facto de um terço da população seguir hoje o islão obriga os governantes a ter um pensamento integrador, tanto étnico como religioso. E, nesse campo, a própria biografia de Ahmed faz dele o homem certo no cargo certo no momento certo, pois o pai era um muçulmano da etnia oromo e a mãe uma cristã ahmara. Falar três das línguas principais do país também facilita a sua afirmação como líder unificador do país que, pelo seu peso histórico, alberga a sede da União Africana.

No plano interno, este antigo guerrilheiro - juntou-se ainda adolescente à rebelião contra o ditador Mengistu - libertou presos políticos, autorizou o regresso de dissidentes exilados, criticou os abusos anteriores do regime, apesar de praticados pela mesma Frente Popular Revolucionária Democrática da Etiópia que o promoveu a primeiro-ministro. Ahmed mostrou-se também ousado ao criar um governo com metade dos membros a serem mulheres, sendo que entretanto o Parlamento de Adis Abeba elegeu para chefe do Estado também uma mulher, Sahle-Work Zewde.

Que Ahmed sirva de inspiração na Etiópia, no resto de África, no mundo em geral. Não só há muitas guerras por parar como nenhuma paz está garantida só por causa de um Nobel a ter reconhecido, basta pensar na tensão na Colômbia, apesar do diálogo entre governo e guerrilha das FARC que levou o comité norueguês a premiar o presidente Juan Manuel Santos há três anos.»

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20.11.17

Nobel da Paz, para que te queremos?



Um possível belo enterro para o Prémio Nobel da Paz, já tão chamuscado.


«Tudo isto surge depois de o Partido do Progresso (PP) norueguês ter revelado, na semana passada, que o seu antigo líder de 73 anos – conhecido pelas suas opiniões polémicas sobre muçulmanos, homossexuais, mães solteiras e anti-imigração – iria ocupar um dos lugares do Comité Nobel da Paz, por merecer o lugar e por ter vários anos de experiência.»
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17.11.17

17.11.2013 – O dia em que Doris Lessing morreu



Morreu há quatro anos com 94. Em 2007, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura e escreveu então um belíssimo discurso de que recordo como se o tivesse lido hoje. Intitulou-o: «Como não ganhar o prémio Nobel».

Falou de livros, do sonho de saber nos países pobres, da falta de interesse da juventude no mundo dos ricos. Falou sobretudo de África, do Zimbabwe que ela tão bem conheceu, recordou uma «aldeia onde a população não comia há três dias, mas onde se falava de livros e dos meios para conseguir obtê-los»; um autor negro, seu amigo, que «aprendeu a ler sozinho, nas etiquetas dos frascos de compota e das latas de conservas de frutos»; uma localidade perdida no mapa, onde dois jovens resolveram escrever romances na língua nativa (tonga); um jovem de dezoito anos que, ao receber uma caixa com livros oferecidos por um americano, os embrulhou cuidadosamente num plástico, com receio de que se estragassem e sabendo que dificilmente poderia voltar a receber outros.

O discurso é longo, pode ser liso em inglês ou em francês, mas deixo aqui os últimos parágrafos em português.

«Há sempre um contador de histórias no fundo de cada um de nós, o “fazedor de histórias” esconde-se em nós. Suponhamos que o nosso mundo era destruído pela guerra, pelos horrores que todos podemos facilmente imaginar. Suponhamos que inundações submergiam as nossas cidades, que o nível dos mares subia… O narrador estaria sempre lá, pois é o nosso imaginário que nos modela, que nos faz viver, que nos cria, para o bem ou para o mal. São as nossas histórias que nos recriam quando estamos despedaçados, moribundos, ou mesmo destruídos. É o narrador, o fazedor de sonhos, o construtor de mitos, que é nossa fênix, aquilo que somos no melhor de nós mesmos, da nossa criatividade.

Cremos ser melhores do que a pobre mulher africana que caminha na poeira sonhando com a educação dos seus filhos – nós, empanturrados de comida, com os nossos armários repletos de roupas, nós que sufocamos sob o peso do supérfluo?

Estou totalmente convencida de que é aquela mulher africana e todas as outras mulheres que me falaram de livros e de educação, embora não tivessem comido nada desde há três dias, que ainda nos podem definir no momento presente.»
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7.10.16

Meio Nobel da Paz



O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ganhou o Nobel da Paz. Com a maior das justiças, na minha opinião, e o facto de não ter conseguido uma vitória no referendo não é decisivo e esperemos que seja ultrapassado.

Já figurava na lista dos possíveis laureados, não sozinho, mas sim em conjunto com Timoleón Jiménez, líder das FARC.

Afinal, parece que se abateriam os tectos do mundo se esse terrível ex-guerrilheiro fosse também ao belo salão de Oslo receber o prémio… Assim vamos: como se a paz na Colômbia pudesse ter sido atingida unilateralmente. 
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17.11.13

Doris Lessing, na primeira pessoa



Morreu hoje, com 94 anos. Em 2007, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura e escreveu então um belíssimo discurso de que recordo como se o tivesse lido hoje. Intitulou-o: «Como não ganhar o prémio Nobel».

Falou de livros, do sonho de saber nos países pobres, da falta de interesse da juventude no mundo dos ricos. Falou sobretudo de África, do Zimbabwe que ela tão bem conheceu, recordou uma «aldeia onde a população não comia há três dias, mas onde se falava de livros e dos meios para conseguir obtê-los»; um autor negro, seu amigo, que «aprendeu a ler sozinho, nas etiquetas dos frascos de compota e das latas de conservas de frutos»; uma localidade perdida no mapa, onde dois jovens resolveram escrever romances na língua nativa (tonga); um jovem de dezoito anos que, ao receber uma caixa com livros oferecidos por um americano, os embrulhou cuidadosamente num plástico, com receio de que se estragassem e sabendo que dificilmente poderia voltar a receber outros.

O discurso é longo, pode ser liso em inglês ou em francês, mas deixo aqui os últimos parágrafos em português.

«Há sempre um contador de histórias no fundo de cada um de nós, o “fazedor de histórias” esconde-se em nós. Suponhamos que o nosso mundo era destruído pela guerra, pelos horrores que todos podemos facilmente imaginar. Suponhamos que inundações submergiam as nossas cidades, que o nível dos mares subia… O narrador estaria sempre lá, pois é o nosso imaginário que nos modela, que nos faz viver, que nos cria, para o bem ou para o mal. São as nossas histórias que nos recriam quando estamos despedaçados, moribundos, ou mesmo destruídos. É o narrador, o fazedor de sonhos, o construtor de mitos, que é nossa fênix, aquilo que somos no melhor de nós mesmos, da nossa criatividade.

Cremos ser melhores do que a pobre mulher africana que caminha na poeira sonhando com a educação dos seus filhos – nós, empanturrados de comida, com os nossos armários repletos de roupas, nós que sufocamos sob o peso do supérfluo?

Estou totalmente convencida de que é aquela mulher africana e todas as outras mulheres que me falaram de livros e de educação, embora não tivessem comido nada desde há três dias, que ainda nos podem definir no momento presente.»
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31.12.12

Se é para escolher factos de 2012, aqui vão os meus dois



Farta, fartíssima dos mil balanços domésticos de 2012, dei por mim a identificar os meus ícones do ano. Dois locais onde já estive e que representam para mim, à sua maneira, o melhor e o pior dos últimos 366 dias: Rangum e Oslo.

Em Rangum, renasceu a esperança, num dos países mais fechados (e mais belos) do mundo, e as multidões exultaram de felicidade com a eleição de Aung San Suu Kyi para o Pyithu Hluttaw, a câmara baixa do parlamento. Foi pouco, foi quase simbólico, foi táctico? Pouco interessa: um passo de gigante, e de certo modo surpreendente, num país «parado e sem esperança», como o descrevi quando lá estive há cerca de três anos.

Sim, gostava de voltar a Myanmar, para rever Bagan do alto de um balão, para passar uns dias no Lago Inle e, sobretudo, para passar pela rua que dá acesso à casa de Aung sem esbarar na proibiçã0 policial.



Bem pelo contrário, por mais anos que viva, nunca mais porei os pés na sala onde se realiza a entrega do Prémio Nobel da Paz, em Oslo. Guardo o espectáculo a que este ano assistimos com um terrível sabor amargo, uma afronta, por mais desculpas e justificações esfarrapadas que tenham sido dadas por aqueles que estão sempre dispostos a justificar o injustificável e a ver «o lado positivo» mesmo onde ele é totalmente inexistente.

Ver aquela gente incompetente, e que tão mal está a tratar esta pobre Europa, ufana, a receber um troféu que já teve um significado importante ao longo de décadas, provocou em mim uma revolta incontida.

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Pronto. 2012 já está. Que venha 2013 e arregacemos as mangas porque vai ser muito, muito duro. Cá estaremos.
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12.10.12

Nobel da Paz? (3)



Alguns recortes:

«De início, pensei efetivamente que se tratava de um engano, ou de uma brincadeira, (...) Mesmo num sonho, não teria imaginado que alguém pudesse pensar seriamente nesta situação.»  

«It is tough to find fault with handing the Nobel Peace Prize to the European Union. But that is exactly the problem -- it shows a lack of imagination. It would have been more courageous to honor somebody who embodies what current EU leaders lack. Like Jacques Delors.»  

«Si l’Europe a réussi à rendre la guerre impossible entre ses membres, elle a échoué à s’imposer en tant que puissance qui compte sur la scène internationale.»

Nobel da Paz para a guerra da austeridade
«A União Europeia foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz pela Academia de Oslo na fase da sua história em que a política de austeridade, instituída como política única da instituição, criou mais de 25 milhões de desempregados, lança milhões de pessoas na miséria, reprime e suprime direitos humanos elementares.»  

«Unless the Nobel Prize committee members had a sudden attack of a cynicism, KTG would say that Barroso, Van Rompuy & Co deserve to win the prize for a single reason: Living peacefully in their bubbles while many European Citizens, especially those in the South, live in conditions that violate the EU human rights standards and conventions. In Greece and Portugal, in Spain and Ireland in the North, where social cohesion is breaking apart, the social welfare is collapsing, the needy cannot cover basic needs and the poor with less than 6,000 euro annual income get taxed.». 
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Nobel da Paz? (2)



 (N.B, - Na Noruega, cerca de 80% da população rejeita a entrada na UE. 

 Comentários encontrados por aí:

«É lógico, estes prémios são dados àqueles a quem restam quatro dias de vida. Descanse o sonho europeu em paz e longa vida à Europa dos escravos do Sul.» 

«Nobel inventou a dinamite que o tornou milionário. Isso diz tudo.»

«Se a paz é a desigualdade, bem-vindo seja o prémio.» 

«Porque não um Nobel póstumo a Franco por ter levado a cabo o seu "projecto integrador e de estabilidade da Espanha"?» 

«E o prémio Nobel do humor vai para a academia sueca.» (Miguel Cardina no Facebook) 

«Nobel lava mais branco.» (Sara Rocha no Facebook) 
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Nobel da Paz?



Ontem, estive umas horas longe de TVs e da net e, quando regressei a casa, percebi que tinha sido vítima de um «napalm fiscal»

Há pouco, li que o Nobel da Paz 2012 foi atribuído à União Europeia. Durante uns segundos, julguei tratar-se de um título do Inimigo Público ou da Imprensa Falsa, mas as fontes contradizem-me: o discurso feito em Oslo está disponível num site oficial, que não me parece ter sido objecto de ataques de hackers

Comentários? Já li entretanto umas dezenas, mas escolho este deixado por um leitor de El País: «Merece: está a destruir-se sem uma bomba, sem um tiro, sem um tanque, pacificamente, mas com efectividade máxima.»  

Para já, é tudo. Good morning and good luck, camaradas! 
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